A tragédia de Santa Maria

 

 

Leio que o som dos celulares dos mortos na tragédia de Santa Maria insistiam em tocar. Era o grito de desespero de parentes que à distância mantinham a esperança de ouvir filhos, netos, sobrinhos e amigos. Uma sinfonia macabra para quem recolhia os corpos. Na tela do telefone encontrado na roupa de um dos mortos, teria 140 ligações. O número estava identificado: “Mãe”. Quantas mães sofreram a espera de serem atendidas, na madrugada passada, no interior do Rio Grande do Sul?

 

Vi na TV meninas e meninos ainda com roupa de festa caminhando sem destino e chamando o nome de amigos que jamais encontrarão. Aquelas roupas não eram apropriadas para o ambiente de desastre, mesmo porque foram vestidas para a alegria. Impróprias como o sistema de segurança, a arquitetura do ambiente e a estratégia de fuga pelo que se ouviu até aqui.

 

Soube de uma menina que teria pedido socorro pelo Facebook, último acesso que teve com vida. Morreu antes de a ajuda chegar, mas sua imagem, o que pensa, curte e compartilha permanecerá eternizada na rede social. Seu perfil assim como o das mais de duas centenas de jovens mortos continuarão a provocar nossa tristeza até serem deletados. O que não apagaremos é a dor das famílias diretamente atingidas pela tragédia. Nem o drama de pais que assistem aos seus filhos saírem de casa para se divertir, sem saber qual armadilha está sendo armada para eles.

 

Li, vi, ouvi, soube tudo pelos outros, pois estava distante de Santa Maria. Mas sofri muito como pai. E temo que o sofrimento de todos não será suficiente para aprendermos com os acontecimentos na Boate Kiss. Haverá consternação, indignação, pedidos de justiça, processo aberto e investigação. Haverá missa de sétimo dia, um ano, dois, dez anos. Tempo suficiente para que novas boates e casas de espetáculo sejam abertas e funcionem sem alvará nem responsabilidade.

 

Até a próxima tragédia !

19 comentários sobre “A tragédia de Santa Maria

  1. A tragédia de Santa Maria tem culpados. Entre esses estão,com certeza,autoridades municipais cujos prepostos são responsáveis pela fiscalização de boates e semelhantes para que as leis sejam cumpridas rigorosamente e não dribladas,como estamos cansados de saber,por proprietários de estabelecimentos do tipo desse que, ao se incendiar, provocou número de vítimas que ainda não foi totalmente contabilizado. Vai haver,depois dessa tragédia,um surto de verificações de álvaras e outros que tais exigidos para casas de espetáculo abrirem as suas portas. No caso da Kiss,porém, havia,convém lembrar,apenas uma porta.

  2. Milton, tenho uma filha de 20 anos que estuda em Botucatu e por diversas vezes também participa dessas festas entre estudantes.
    Prá mim, também fica um alerta da mais conversas entre nós.
    Lembrar que temos muito mais para sonhar juntos e muito mais para sorrirmos juntos.
    É um exemplo triste para nós, mas infelismente a vida nos chama a atenção para os possíveis acontecimentos como estes.

    Não paro de pensar nos pais dessas crianças que apenas estavam começando viver. Qual o conforto para eles?
    Até para nós é difícil conviver com este fato triste. O que dizer?

  3. Amigo Milton, lamentável esta catástrofe! O Rio Grande do Sul e o Brasil estão de luto. Só me resta desejar muita luz e paz aos familiares destes jovens que tiveram as suas vidas abreviadas aqui na Terra, pela irresponsabilidade de “pseudos” artistas, que de forma absurda e inconsequente usaram de artefatos pirotécnicos em um ambiente fechado e com isolamento acústico sintético. Solidariedade as famílias e punição severa aos criminosos! Ótima semana a todos na medida do possivel. Márcio – Novo Hamburgo/RS

  4. Os maiores responsáveis por esta triste tragédia são, na maioria gananciosos, donos da boate, e quem da prefeitura da cidade, um irresponsável que aprovou os alvarás de funcionamento!
    Como aprovam um ambiente publico sem rotas de pânico, cheio de materiais inflamáveis, como isopor, madeira, plasticos, tapetes, sem eficientes sistemas anti incendios, de exaustão, etc?
    Esses tipos de casas noturnas, são verdadeiras arapucas, armadilhas, ratoeiras.
    Cuidado ai garotada que gosta de ire a baladas, casas noturnas, locais onde o excesso de frequentadores pode ser exagerado.
    E os extintores, eficiência, quantidade?

  5. Milton,

    Não ha como medir a dor desta tragédia ocorrida em Santa Maria – RS. Mas não podemos achar que isso só ocorre aqui no Brasil.
    Outras já aconteceram em outros países como Argentina, Itália (em um cinema) e nos EUA (onde ocorreu a mais semelhante delas: em uma casa noturna, durante um show de uma banda que também utilizava efeitos pirotécnicos, incendiou o local e a saída de incêndio estava TRANCADA com correntes e cadeado).
    Por favor, peço para sua equipe de jornalismo pesquisar os fatos ocorridos e divulgá-los com o objetivo de alertar que pode acontecer em qualquer lugar e PRINCIPALMENTE para que tragédias como esta NUNCA MAIS ocorram!
    Sempre que entrar em um local fechado, procure onde é a saída mais próxima.
    Meus sentimentos…

  6. Bom Dia Milton e aos colegas blogueiros.

    Milton infelizmente no nosso país, estamos sempre correndo atraz dos prejuizos. E depois de tragedéas como essas, aparecem varios especialistas dizendo o que deveria ser feito. A pergunto que eu faço é: isso tem importancia agora? Vai diminuir a dor dos familhares? É claro que não. Esse tipo de tragedéa são aquelas anuciadas. Qualquer fiscal seja ele da prefeitura, do estado, PM, PC ou Corpo de Bombeiros sabem que um tipo de salão como esse e tantos que existem espalhados pelo país, pode acotecer uma situação dessa. Talvez até pior.
    Falo isso Milton que sou especialista na área, desde de 1985 que trabalho com segurança do trabalho, prevenção e combate a incêndio, riscos ambientais, controle de riscos e crises.
    E ai eu faço a pergunta ao Corpo de Bombeiros do RS, quem vistoriou esse local pela primeira vez e liberou o ATV, não observou que não tinha saida de emergencia, o material acustica anti-fogo, não exigiu que em eventos, deveria ter pessoas treinadas em prevenção e combate a incêndio e primeiros socorros. E a prefeitura, por que liberou o alvarar de funcionamento!
    Será que essas vistórias foram feitas de fato?
    Ou como sempre, deram o jeitinho brasileiro? Achando que o raio não que no mesmo local ou que nunca iria cair raio naquele local! Infelizmente Milton é o que realmente acontece. Em situações como essa e tantas outras, dinheiro fala mais alto. E nessas irreponsabilidades, inocentes pagam com a vida.
    Agora, vão aparecer os politicos que gostam de tripudiar na miserias dos outros, fazendo seus projetos mirabolantes, achando serem salvadores da patria. Na verdade, são piores do que aqueles que fizeram a besteira de liberarem esse local antes de resolverem os problemas de segurança.

    Att,

    José Sinval.

  7. Bom Dia Milton e aos colegas blogueiros.

    Milton eu esquecir de comentar no comentário anterior. Mas infelizmente, sabe qual outra tragedéa dessa já anuciada, é no metrô de SP. Já tiveram varios indicios e até o momento, ninguem fez nada. Só falam em sabotagem e que o sistema é seguro.
    Como sempre, estão falando bobagem.
    Imagine um situação dessa em uma estação como: Luz, Bras e tantas outras. Quais as saidas de emergencia que existem nas mesmas? Por onde a população vai sair? Pelas escadas, pulando para baixo ou vão subir no tento das mesmas! Podem verificar, não tem nada nessas estações que indica soluções para um plano de emergencia. Com toda certeza só vão fazer depois da perda de vidas humanas e toatalmente inocentes.

    Att,

    José Sinval.

  8. Se é que existem tragédias “aceitáveis”, com certeza esta de Santa Maria não é.
    Em nosso país e em tantos outros da mesma “categoria”, fatos assim são apenas reflexo de um país mal administrado em todas as áreas. Interessante, pois estou precisando usar a mesma frase para um comentário meu anterior neste blog.
    É, não temos jeito mesmo e só falta agora dizerem que foi um ato nobre da Presidente ter ido lá, com um bando de ministros a tira-colo…

  9. Apesar de lamentar profundamente sobre a tragédia , francamente , espero que esse evento não se torne mais um “bode-expiatório” e seja devassado à midía sobre as irregularidades mas sim que as autoridades reflitam sobre a oportunidades de melhoraria seja para forneccer novos alvarás de funcionamento assim como analisar mais profundamente as vistorias nesses locais públicos.

  10. Carissimo Milton, neste momento não consigo pensar em responsabilizaçoes objetivas, subjetivas ou culpas. Sei que há muitas, mas no meu coração só tem dor, mais nada. É por isso que nessa hora precisamos de gente como você, pra manifestar indignaçao e não deixar o esquecimento provocar outras tragédias. A sua voz é muito valiosa. Na impossibilidade de agir, dedico meus melhores sentimentos de solidariedade e acolhida àqueles que choram seus mortos.

  11. Imagine seu filho dizendo: “Pai vou colocar uns efeitos de cascata de fogo na sala pra animar a festa do meu aniversário! Você deixa?”

    Você, em sã consciência, deixaria?

  12. Mílton,

    sei que não é hora e nem lugar, mas surgiu a ideia e preciso falar. Lendo os comentários ao teu texto senti falta daquelas duas possibilidades de colocar um positivo ou negativo nos comentários.

    Sei que muita gente anda por aqui, mas não escreve. Muita gente, imagino daria o seu positivo ou negativo.

    Eu particilarmente teria levantado meu dedão muitas vezes.

    beijo,

  13. Milton, trabalhei em várias danceterias como DJ de 82 a 98. E vi de perto como funcionava a fiscalização nessas casas. O fiscal chega, exige mil coisas que se o dono do salão fosse colocar em ordem gastaria fortunas. Ai é claro, o fiscal faz a oferta: o chamado cafezinho. Pronto. O fiscal finge que vistoria, o dono do salão finge que a casa ta em ordem e depois é contar com a sorte. Uma vez o fiscal fechou (lacrou um salão) por falta de equipamento de segurança. O dono do salão procurou um vereador da região e uma semana depois do lacre o salão tava funcionando. Vi um dono de salão conseguir o laudo do bombeiro sem o bombeiro sequer aparecer por lá. Em relação a capacidade máxima: nunca vi fiscal chegar na hora da festa e tomar conhecimento de quantas pessoas há no salão. Ou seja, se no Congresso existe corrupção, imagina numa Prefeitura. Em Sp temos shopping irregulares, cinemas irregulares, casas de shows irregulares, teatros irregulares, restaurantes irregulares e por ai vai. E o pior: tudo funcionando normalmente. Não acredito que a propina vá acabar. Todos questionam sobre se ter ou não álvara. Ja trabalhei em casas de show que tinha o álvara em dia, mas os equipamentos de segurança irregular, gente despreparada, e equipamentos obsoletos. A verdade que o showbussines no Brasil sempre foi tratado no improviso. E o pior. O público aceita tudo. Ninguem quer saber se o local é seguro ou não, se o preço da água pequena que é vendido por R$ 6,00 é caro, se os banheiros são limpos (se tem papel higienico, sabonete, vaso entupido), se tem segurança na frente do salão, se no bar o atendimento é bom e limpo, se as bebidas são originais ou falsificadas, se a fila para entrar é rapido (tem casa que a fila demora mais de 1 hora), se o estacionamento é caro ou cobram o olho da cara. TEm show em danceteria que um grupo deveria se apresentar tipo 2 horas da manha e o grupo chega 6 da manha porque o grupo marcou 4 shows na mesma noite. E o pior: o publico espera sem reclamar. Tem dancetria que trata o publico como gado por causa da super lotação e mesmo assim o público teima em ir naquela casa só porque é a dancetria da moda. Além do Poder Público que deve cuidar da documentação e fiscalização, o público tem ser mais exigente. Não aceitar qualquer coisa só porque a balada é da modinha ou a bola da vez. Hj em dia ja perdi o tesao de ir em várias baladas justamente por isso. Falta de respeito e exploração. Uma cerveja long que vc paga R$ 2,00 num mercado na balada cobram R$ 12,00 Uma porção de batata R$ 23,00. Um estacionamento R$ 30 a 40. Loucura. E o povo paga. Engraçado, quando se trata de shows estao o público é feito de otário. No show do Guns and Roses no Palmeiras se não me engano, o show atrasou 3 horas. No show que teve em Paulinia o SWU foi um horror. No Rock in Rio faltou comida nas lanchonetes e muito desrespeito com o público. Tá na hora do público que frequenta baladas, shows reclamar de tudo que tá errado. O Poder ta na mão do público. Se as casas de shows e dancetrias não quiserem se preocupar com o bem-estar e segurança do público é fácil queimar essas baladas. Basta deixar de ir com a sua turma e procurar outra balada que respeite o público.

  14. Milton,

    Hoje pela manhã você comentava que o Brasil precisaria talvez implantar uma “cultura da prevenção”, para tentar mitigar tragédias como essas … entretanto, penso que talvez o brasileiro precisaria é ser tratado da “cultura do oportunismo”, porque no fundo, é esse o real motivo de tragédias como essas e outras.
    Veja o link abaixo; como se explicar uma atitude assim num momento como esse?

    http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/?id=100000570935

  15. Milton e colegas blogueiros.

    Nesse país, só paga pelo o crime, quem realmente não tem dinheiro. Vejam o caso ocorrindo na Argentina! Até o prefeito da cidade foi penalizado.
    Na caso de Santa Maria, que foi com certeza bem pior, só os coitados dos musicos e os donos do local que estão sendo culpados e provavelmente, vão pagar pelo crime.
    Pergunto: os bombeiros que fizeram a vistória, o capitão que assinou a vistária, o engenheiro da prefeitura, que aprovou a planta, os fiscais da prefeitura que vistóriaram e liberaram o alvará, vão ficar na boa? E o prefeito também vão ficar na boa? Os respomsaveis pelas investigações vão dizer que essas pessoas não são culpados? Se essas pessoas por mim citadas não forem responsabilizadas, as investigações foram feitas nas coxas ou melhor, fizeram investigações para inglês ver.
    Só resta, os investigadores concluirem que os culpados foram as vitimas que infelizmente estão mortas.
    Se tratando de investigadores brasileiros, eu não duvido nada. Quando eles querem, acham até pelo em ovo.
    Att,

    José Sinval.

  16. José Sinval. Os músicos são culpados sim. Se eu entrar com um sinalizador ou fogos de artifício num lugar fechado e isso causar um incêndio é claro que a culpa será minha. Se eu derramar gasolina na casa de alguem e causar danos eu serei culpado. O dono não é tao coitado assim. Ja diz a lenda: Se tem corrupção é porque tem quem aceite a corrupção. Se a Boate não tinha condições de funcionar e mesmo assim o dono conseguiu permissão por baixo dos panos então ele é tão culpado quanto o fiscal ou bombeiro que fez vista grossa. Nesse caso, o bombeiro que deu permissão, o fiscal da Prefeitura que fez vista grossa e o Prefeito devem ter a mesma parcela de culpa quanto ao musico e ao dono do estabelecimento. Nessa tragédia, coitado são as vitimas e familiares. O resto sabia o que estavam fazendo. Eles estavam é contando com a sorte. E que conta com a sorte um dia pode ficar sem ela.

  17. Miltom,
    Por fv precisamos alertar autoridades e pais . Analisando e discutindo com meus 3 filhos, os fatos ocorridos após a triste noite em Santa Maria, conceitos sobre responsabilidade, aplicabilidade das leis, fiscalização falha, suborno etc etc,ficamos sabendo do seguinte: EM S.PAULO, NA MAIORIA DAS CASAS NOTURNAS, QUANDO SE COMPRA UM ESPUMANTE, A GARRAFA É ENTREGUE COM UM SINALIZADOR P/ COMEMORAÇÃO!!!

    Me ajude a divulgar isso pois não adianta leis rígidas com esse tipo de conduta.
    Obrigada. Estamos à disposição

  18. Bom Dia Milton e aos colegas blogueiros.

    Prezado Daniel, concordo plenamente com vc. Realmente os musicos e os donos do local tem a sua parcela de culpa sim. Mas o que eu quis dizer, é que estão culpando apenas eles e aqueles que liberaram o local para funcionar da forma que estava, não estão sendo culpados. Se pensarmos friamente, eles são culpados quantos os donos e os musicos. Mas o que estamos vendo, é as investigações deixa-los fora do contesto investigtivo e isso é errado.
    Novamente vc tem toda razão, as vitmas que e seus familhares que vão ficar no prejuizo. Pois, mesmo que seus entes seja indenizados, não vai traze-los de volta nem apagar a dor da perda. Por isso que reafirmo, o prefeito, bombeiros ou seja todos envolvidos no processo de liberação do local para funcionar, tem que pagar por essa tragédea.
    Agora se eles ficarem isentos, essas investigações foram realizados para inglês ver.

    Att,

    José Sinval.

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