Avalanche Tricolor: Barcos, o Carnaval e um sonho

 

Juventude 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias (RS)

 

 

Carnaval não é a minha praia. Curti muito até tempos atrás, pulava de baile em baile, em uma época na qual os clubes abriam suas portas para diversão. Hoje, parece que a maioria prefere não se arriscar com a baixa adesão dos sócios. Fui ousado nos festejos de Momo, me fantasiei, desfilei duas vezes no Sambódromo do Rio, sambei desajeitado, se é que aqueles passinhos ridículos tinham alguma coisa a ver com samba. Agora, estou fora de jogo, nem mesmo os desfiles na televisão me fazem ficar acordado até tarde. Prefiro descansar, ficar com os meninos, passear um pouco, quem sabe pedalar se não chover. Nesse feriado, tirei tempo para acelerar a leitura. Estou com a biografia de Mick Jagger em mãos, ou seja, enquanto o bum-bum-pa-ti-cum-dun-pru-cu-rum-dum soa lá fora, vou de rock and roll aqui dentro. Nem mesmo o futebol costuma me animar nestes dias. Aliás, quando me divertia no Carnaval, os campeonatos entravam em recesso. Atualmente, com o calendário mais apertado que alpargata de gordo, como dizem na minha terra natal, mexem no horário para que as partidas encaixem em um só dia e não respeitam sequer os clássicos, que ficam perdidos no noticiário carnavalesco.

 

Espanta-me pouco que quase não se percebeu a derrota gremista com um misto de time B – havia a gurizada da base e alguns reservas da equipe principal em campo -, pela Taça Piratini, no sábado de Carnaval. O placar impôs dificuldade extra para se classificar à fase final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, pois o Grêmio precisará vencer nas últimas rodadas e contar com uma combinação de resultados que se não é impossível, é difícil. Se tiver que ser assim, que seja, pois, fora desta primeira parte do Estadual, teríamos dedicação total às quatro primeiras rodadas da Libertadores que, afinal, é o que nos interessa. Tanto é verdade que a notícia mais importante do futebol neste Carnaval não veio de dentro dos gramados. Refiro-me à contratação relâmpago de Barcos que chega para ser mais um Imortal Tricolor.

 

Vamos combinar o seguinte. Nem esta é a maior contratação que o Grêmio fez em sei lá quanto anos, como escrito por um cronista gaúcho deslumbrado, nem o Palmeiras passou a perna na gente, como escreveu um paulista despeitado. Barcos é finalizador – alguns preferem chamá-lo de matador. Algo que tem feito falta ao Grêmio, desde a saída de Jonas, há dois anos. Não será, porém, o salvador da Pátria Tricolor. Para isso, temos uma história e um elenco que está bem construído, haja vista os últimos reforços. É o conjunto da obra que nos permite sonhar com o tri da Libertadores. E esta é, para mim, a melhor notícia do Carnaval: conquistamos o direito de sonhar.

3 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Barcos, o Carnaval e um sonho

  1. A chegada de Barco, juntamente com os outros reforços (entre eles André Santos, Welliton e Vargas) faz do Grêmio um dos elencos mais fortes desta Libertadores. Barcos tem uma característica fundamental e que se assemelha muito com o Imortal Tricolor: ele veste a camisa, pode não ser brilhante tecnicamente, mas os gols necessários para a vitória. A Libertadores é o objetivo principal. Tanto, que nem ligo mais para os tropeços no estadual. Tudo bem que faltou experiência para segurar a vitória em Caxias do Sul, sábado. Com emoção nas rodadas finais do primeiro turno será muito melhor.

    E

  2. Milton, nada melhor que um dia após o outro, como diz o provérbio. Do Grêmio, que recebe de “graça” este que considero um dos melhores do futebol brasileiro no momento.
    Do Palmeiras, que confirma que ” por mais que a situação esteja ruim, ela pode ainda piorar muito”.

    Aproveito para deixar aqui meu indignado protesto em relação aos horários do futebol no sábado. 16h20m é muita humilhação aos clubes e desrespeito aos torcedores.Sabemos que quem paga a conta manda, mas os clubes não são mantidos totalmente pela TV. Ou são?

  3. Cheguei a temer que o Ministério Público gaúcho tivesse proibido também – e não só na Arena – a Avalanche Tricolor. Esperei-a com certa ansiedade,mas fiquei tranquilo ao me deparar com o teu texto nessa segunda-feira. Promotor algum teria força suficiente para impedir a sua postagem. Quanto à besteira escrita por um cronista que,no auge do seu doentio deslumbramento com a contratação de Barcos,afirmou se tratar da mais importante feita pelo Grêmio nos últimos 50 anos,refresco-lhe a memória lembrando Luiz Carvalho,Juarez,Alcindo,Baltazar e Jardel. Gostei da aquisição,mas esses por mim citados jogaram e convenceram. Barcos,quem sabe,tem bola para seguir as pegadas desses inesquecíveis (para quem possui memória) que,sem precisar quebrar a cebeça,alinhavei.

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