De Francisco

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

As primeiras palavras que o lexigrama de Francisco me diz são franco, fino e arisco. Encontro ano, e me atiro na procura do jota, mas ele não dá sinal, e não consigo ver completo, o anjo, mas não me contenho e mergulho.

 

É importante lembrar que o objetivo do lexigrama não é objetivo, se me permite. Tempera semântica com percepção intuitiva, e eu me sirvo dele sem pretender autopsiar palavras ou o nome de alguém para tentar traduzi-lo. Traduttore, traditore, certo? Cada Maria é diferente da outra, e assim cada José. Lexigrama é meditativo, interioriza, fazendo perceber um plano mais sutil É democrático. Disponível sem restrição.

 

Francisco mostra o não, mas entrega de bandeja riso, circo e as rifas que fizeram a festa da minha infância no Externato Jaguaré, escola orientada por padres cananses, nos quais eu penso ainda hoje com imensa gratidão. Eles também eram os padres da igreja da vizinhança, e toda segunda-feira a gente depositava na bandeja em cima da mesa do primeiro professor da dia, o papelzinho de presença, recebido na igreja. Quem não ia à missa, acho que perdia alguma coisa. Nunca perdi, portanto não saberia dizer. Só me lembro muito vagamente… das rifas e das festas nas quermesses. Eu nunca tinha jogado em coisa nenhuma, a dinheiro então! Pois comprei um número de rifa e ganhei uma máquina de costura linda, que dei para a minha mãe.

 

Mas falávamos de Francisco. Francisco tem frio, mas também tem… …não, não tem forno. Tem forca e força, e eu faço questão de não analisar.

 

Tem sino, imagina! e tem sina também. E não diga que é óbvio porque pouca gente tem sina assim publicamente escancarada.

 

Tem rã, mas sapo não. Tem cora que me faz lembrar com carinho da Coralina.

 

Tem ranço para temperar a bondade que mostra o seu rosto e que eu espero seja forte, como forte parece ser a sua escancarada simplicidade, humildade e senso de união, respeito e consideração com seus pares.

 

Para anjo só falta o jota, mas levei uma chacoalhada quando encontrei o cinco. Pois cinco Francisco tem. No Tarô de Marseilles, reconhecido por Jung, o Carl Gustav, ele é representado pelo Papa, arcano número cinco entre vinte e um arcanos maiores. Oferece transformação e é mestre dos mistérios sagrados, de benção, lei, religião e principalmente consciência. É emocionante ver o cinco aí. Vale a pena pesquisar o significado do V arcano maior do tarô. Garanto.

 

Abaixo vão algumas palavras que encontrei em Francisco. Elas estão presentes em estado de possibilidade. Sempre. À disposição

 

Brinque um pouco, ou não, e até a semana que vem.

 

ano
arisco
caco
cair
cancro
caro
caso
cifra
cifrão
cinco
circo
cisco
coar
coçar
coisa
cor
crânio
cria
faro
fiasco
fica
fina
fino
foca
foi
fora
forca
força
fraco
franco
frio
isca
na
naco
narciso
nora
raso
rico
rifa
rio
risco
riso
roca
roça
rosa
ronca
rosca
rosna
rosna
saco
são – tanto saudável como o verbo ser no plural. Isso é muito bom, no meu sentir.
sofá

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

11 comentários sobre “De Francisco

  1. Que lindo Maria Lucia. Sempre fina a sua percepção. Que Francisco seja muito bem vindo, e se for mesmo franco, fino e arisco, (verdade, acolhida e astucia) ja sera muito! E sinto uma lisonja de ver minha conterranea Cora Coralina, mencionada em seus escritos. Poesia com cheiro de terra. Vou já telefonar para D. Elizabeth, a mãe, que amou Francisco e também adora Jung, o Carl, e Cora, a lina. Se algum dia vieres a Goias, será um prazer levá-lá ao Museu Casa de Cora. Boa semana, querida.

  2. AMIGA MARIA LUCIA,
    BOM DIA.
    TIVE A FELICIDADE DE TER SIDO AMIGO DO IRMÃO DO PARA FRANCISCO.
    CHAMAVA-SE ALBERTO BERGOGLIO,ERA UMA PESSOA ADMIRÁVEL E INFELIZMENTE FALECEU.
    ERA UMA PESSOA MUITO BOA.DEVE ESTAR FELIZ NO REINO DO CÉU.
    ABRAÇOS
    FARININHA.

  3. Minha irmã, Sua visão das coisas me faz mergulhar no impossível. Sempre foi assim. Vc sempre me levou ao imponderável, ao inimaginável, à possibilidade do TUDO. Por isso gosto de vc. Gracias. Jenny

  4. Elizabeth…

    …tem bela e, se ainda pudesse ser melhor, tem também beleza. Lindas as tuas palavras. Estive na casa da Cora, a lina, em 2002, com meu filho Luiz Fernando. Chorei feito criança, mas vou de novo, sim. Quem sabe eu ainda chego aí, e a gente saboreia aquele pastelão que só Goiás pode oferecer.

    Beijo e boa semana

  5. Simples e complexo, como a vida, como na missa da infância que não entendemos quase nada, mas nela aprendemos o sentido da fé e da esperança. Como poesia que brinca com as palavras e emociona, como Deus, um emaranhado de sentidos que dão sentido aos caminhos nem sempre claros. Agora é tempo de Francisco e assim é! bjs.

  6. Maria, talvez o jota que falta para formar o anjo em Francisco esteja em Jorge Mario. Então você foi àquela casinha linda! Essencia da goianidade. Dá pra chorar mesmo diante daquela simplicidade tão cheia de fidalguia e diante daqueles poemas escritos com as mãos enrugadas e unhas sujas por que arrancados da terra. Uma terra tão árida e pedregosa, mas tão lindamente fecunda. É sempre tempo de voltar lá e comer empadão e pastelin de doce de leite. Beijo.

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