Pequenas cidades e grandes problemas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Imagino que inúmeras pessoas residentes em cidades grandes, uma vez na vida,pelo menos,cogitaram trocá-las por uma de menor porte ao atingir a idade madura e desde que tenham amealhado pé-de-meia capaz de sustentá-las. Por que fariam tal escolha? Viver em metrópoles,é inegável,tem lá as suas vantagens. Quem pesar os prós e os contras,no entanto,talvez entenda que, nessas, os congestionamentos, a poluição e,em especial,a insegurança, que é cada vez maior,conspiram e contra a sua permanência.

 

Nasci em Caxias do Sul,na casa dos meus avós maternos. Meus pais me trouxeram para Porto Alegre quando completei uma semana. Durante toda a minha infância e mesmo ao me tornar adulto,visitei com frequência minha cidade natal,seja para visitar os inúmeros parentes que lá moravam,seja por razões profissionais. Narrei,para a Rádio Guaíba, muitos jogos da dupla Gre-Nal contra os dois times de Caxias:o Juventude e a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias. Fui,com isso,acompanhando o crescimento do município.

 

Meus avós moravam na Avenida Júlio de Castilhos,em um sobrado de quatro pisos,se esses fossem contados do porão ao sótão. A Júlio se estendia,em linha reta,do bairro de São Pelegrino até a saída da cidade e, então,ainda não possuía calçamento. Quando chovia, virava um lamaçal,dando muito trabalho para ser vencida pelos enormes caminhões carregados de toras de madeira. Com o passar dos anos,Caxias do Sul foi ficando cada vez mais povoada. Os italianos,que a colonizaram,se viram obrigados a conviver com oriundos de municípios menores ou até de outros estados. Aos poucos,Caxias passou a ser notícia nas páginas policiais. Crimes de toda espécie eram e são cometidos. Recordo-me que,durante bom tempo,era fácil estacionar o carro no centro,na praça, em frente à Catedral. Hoje,a cidadezinha na qual nasci,transformou-se em metrópole,com todos os defeitos que foram crescendo com ela.

 

Lembrei-me de Caxias do Sul porque a vida lá somente ficou complicada com o seu rápido crescimento. Muitas das cidades do interior gaúcho não vão chegar nem perto do tamanho dela. Não serão,todavia,pacatos pequenos municípios,em condições de receberem quem pensa fugir,por exemplo,do caos porto-alegrense,piorado com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Esses sofrem por não contarem com hospitais,com policiamento capaz de impedir a invasão frequente de quadrilhas de assaltantes de bancos,como a que espalhou o terror em Pedras Altas,nesta semana. Quase todos os dias,aqui no Rio Grande do Sul,ocorrências iguais a de Pedra Altas são registradas pela mídia gaúcha. Será que alguma família idosa e ou de aposentados,diante das circunstâncias,ainda sonha em viver no nosso interior?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

3 comentários sobre “Pequenas cidades e grandes problemas

  1. As cidades vêm crescendo muito rapido, a evolução para manterlas na maioria das vezes por parte do poder publico é péssima, ontem vivenciei dois fatos que vem estimulando migrar para as pequenas cidades; O absurdo congestionamento ocorrido na rodovia Castelo Branco, que mostra claramente que se uma empresa do potencial da CCR , não tem um gerenciamento de crise para tratar fatos inesperados , quem dirá o resto, o estado vai delegando a administração da nossa São Paulo ,e infelizmente não faz o acompanhamento necessário, acho que é devido os interesses financeiros , fiquei seis horas preso na rodovia, sendo que a CCR , comunicava a todo momento que o problema já estava resolvido , paguei dois pedágio para ficar preso no trânsito, cancelando todos meus compromissos, fatos que ocorreu com a maioria dos que estavam nela, imagino o impacto financeiro que causou a cidade, devido uma crise mal gerenciada.
    Outro fato que chamou atenção ocorreu com um amigo, me ligou todo apavorado, informando que sua esposa acabar de chegar a sua residência por volta das onze horas , e verificou que fora arrombada, com medo de adentrar, solicitou a policia via 190, não conseguia contato, uma vez que o sistema só informava números de telefones e orientação em Inglês, mas ninguém atendia curioso, e por estar preso no transito fui fazer o teste ,é realmente é a pura realidade, tente algum de vocês e vera.Como se não bastasse , apos muita insistência conseguiu falar com um atendente, onde relatou o fato, sendo orientado aguardar uma viatura para que o local fosse vistoriado , fato que não correu ate as vinte e duas horas, senhores que liga para a policia é porque esta em uma situação desconfortável, e na maioria das vezes não a tempo nem condições psicológicas para ficar ouvindo informações desnecessárias ,acho que fatos como este vividos apenas em um só dia e que motiva a migração para cidade interioranas.

    • Marcelo,

      O impacto deste crescimento desordenado pode ser sentido em diferentes situações, uma delas nesta enfrentada por você na rodovia. Faltou planejamento e pagamos a conta agora com dinheiro, saúde e vidas.

  2. A marca registrada no Brasil

    A cidade é formada mas os futuros problemas não são previstos e nem tão pouco planejados

    Por exemplo a cidade de São Paulo

    Cresceu desordenadamente, sem qualquer tipo de pré estudo e planejamento urbano e suburbano

    E por incrível que possa parecer ainda continua da mesma coisa

    Predios para todos os lados, viadutos, avenidas, novos shopping centers, etc

    Resultado:

    Caos e mais caos = menos qualidade de vida!

    Um exemplo tipico

    Como permitiram que fossem construidos bairros, predios, shopping centers ao lado de aeroporto de congonhas?

    quem serão ou forram os responsaveis por este absurdo demando e incompetencia, gananciosa por parte da especulação imobiliara, construtoras, politicos, empresários da construção civil?

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