Avalanche Tricolor: movidos pela paixão

 

Grêmio 0 (3) x (2) 0 Corinthians
Copa do Brasil – Arena do Grêmio

 

 

Gregório vestia uma camisa em homenagem ao estádio Olímpico, logo cedo. O Lorenzo queria saber como eu estava para essa noite, assim que cheguei em casa. Minha mulher foi dormir, disse que não tinha coração para me ver sofrendo diante da televisão, assim que a bola começou a rolar na Arena, nesta noite. Antes de dormir, os meninos me desejaram boa sorte. E o mais velho já deixou separada a camiseta para vestir amanhã, antes mesmo de saber o que iria acontecer no gramado: no azul celeste se destacam letras em branco com “Grêmio manda” rabiscado.

 

Independentemente do resultado desta noite, sei que todos compartilham comigo, cada um de seu jeito, a paixão que tenho pelo Grêmio. Nenhum deles nasceu gremista como eu. Todos cresceram e foram criados aqui em São Paulo, mas aprenderam a respeitar minha admiração pelos feitos do Imortal. Conheceram a história do tricolor pelas histórias que conto. Sabem de seus feitos pelos feitos que revelo. Mais do que torcem para o Grêmio, torcem por mim e me querem ver feliz. E se tivessem me vito ao fim da partida, eu os teria retribuído com a minha felicidade.

 

Amanhã, quando nos encontrarmos no almoço, vou dividir com eles a emoção que me tomou durante a decisão da vaga à próxima fase da Copa do Brasil, nesta noite de quarta-feira. Vou dizer que meu time jogou de forma corajosa. Foi valente durante toda a partida, não porque jogou duro (apesar de ter jogado duro, também), mas porque entendeu que era no ataque que deveria manter a bola na busca de sua conquista. E assim afastaria o risco de um revés. Marcou bem, trocou mais ou menos bem, chutou a gol quando pode e foi o único time em campo com disposição de buscar a vitória.

 

Vou dizer para eles que decidimos a vaga nos pênaltis. Que assistimos a heróis e anti-heróis protagonizando cenas de mais um grande drama do futebol. Erramos um, erramos o outro, também. Ficamos atrás no placar das cobranças. Fizemos o adversário acreditar que seria capaz de nos abater em casa. Mas não desistimos nenhum minuto de tentarmos. Fizemos gol, quase que empurrando a bola para dentro e entre as mãos do goleiro, empatamos o placar, ficamos à frente. Mas ainda não era suficiente. Dida, que já havia defendido duas vezes, precisava fazer muito mais. E fez. Na última cobrança, impediu o gol que adiaria a decisão e nos levou à próxima fase da Copa do Brasil escrevendo seu nome na história da nossa Imortalidade.

 

Meninos, ainda bem que vocês estavam dormindo. Não me viram sofrer, esbravejar, pular e gritar (em silêncio para não lhes acordar). Não viram a lágrima que correu em um dos olhos pela satisfação de mais esta conquista. Melhor mesmo é vocês ficarem com a imagem do pai responsável, que compartilha as coisas da vida, conversa do futuro e troca ideias sobre o cotidiano. Apesar de que vocês conhecem bem o pai que tem. E devem imaginar o que foi minha comemoração nesta noite.

 

O pai é tudo isso (ao menos tenta ser) e também é movido pela paixão. Por vocês, pela nossa família e pelo Grêmio, cada um em sua dimensão.

 

Em tempo: conto com vocês no programa Fim de Expediente, sexta-feira, quando vou entregar com muito prazer uma camisa do Grêmio para nosso amigo Dan Stulbach.

Cadastramento contra a violência nos estádios

 

Por Carlos Magno Gibrail

 


De janeiro, quando Kevin Espada foi assassinado na Bolívia, até a recente rodada do Brasileirão, vivenciamos uma série de punições aos clubes envolvidos em violência de torcidas organizadas. Com graves prejuízos emocionais e financeiros para quem realmente gosta de futebol.

 

Aos visíveis efeitos desta crescente onda de perversidade, quando dentro da própria torcida há agressões, como ocorreu neste domingo em Minas e Goiás, as causas também estão aí sem disfarces. O Estatuto do Torcedor não está sendo cumprido, porque as entidades envolvidas não assumem seus papéis.

 

É emblemático o caso dos três presos em Oruro que se incriminaram novamente no episódio do Mané Garrincha em Brasília. Soldado, Manaus e Dumemo membros da Pavilhão 9, não fazem jus ao status de torcedores. Mais próximos que estão do titulo que sua Organizada escolheu para homenagear.

 

Diante desta situação em que uma minoria extremista usa o futebol para exercer seu desequilíbrio emocional nos estádios, enquanto outros mais sofisticados o exercem na direção dos clubes de forma mais dissimulada, salvo alguns tropeços como convidar organizadas para churrasco de diretoria, ou para troca de idéias, a solução é usar a tecnologia.

 

É a tecnologia que através do cadastramento biométrico poderá banir do futebol aqueles que impedem o espetáculo esportivo. A FIFA, até então avessa à tecnologia, está fazendo o cadastramento de todos os espectadores na COPA.

 

Desta forma o fã do esporte mais popular do mundo poderá desfrutar dos benefícios da sociedade contemporânea civilizada. Estádios atuais, construídos para oferecer conforto absoluto, onde torcedor, jogadores, árbitros e gramados estejam próximos usufruindo ao vivo e a cores as emoções do futebol.

 

Eis aí uma solução que permite punir diretamente o agente do crime, sem prejuízo do sistema, quer de torcedores, quer de jogadores, quer de clubes. É hora, portanto das federações e confederações seguirem o exemplo das modernas corporações privadas e cuidarem de seus consumidores. Mesmo porque, a vitória de movimentos como o de Ana Mozer e Raí, bem como do Bom Senso FC, que recém se iniciou e já tem resposta da CBF á discussão de temas importantes, são sinais de mudança à vista. Para melhor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras

Ë possível transformar o trabalho em satisfação pessoal

 

Por Denis Pincinato
Diretor Executivo da Aplicare

 

Um consultor recebe a incumbência de identificar a percepção de alguns colaboradores envolvidos na construção de uma universidade, sobre a importância de seu papel.
Ao entrevistar o responsável pelo almoxarifado ele faz a pergunta que repetiu para todos os colaboradores:

 

– O que você está fazendo?

 

O responsável pelo almoxarifado responde que ele está cuidando do material que será utilizado na obra e pediu licença, pois estava atrasado para uma entrega.

 

O próximo a responder foi um engenheiro.
– Sou o engenheiro responsável pela obra. Eu participei da construção do cronograma e de todo o planejamento. Agora estou controlando as atividades para que tudo seja entregue dentro do prazo.

 

O auditor respondeu:
– Eu controlo a utilização dos recursos e verifico o uso das horas. Aqui não admitimos desperdício de tempo.

 

Por último o consultor perguntou ao mestre de obras o que ele estava fazendo:
Agora estou erguendo uma parede, mas na verdade, estou construindo uma universidade que ajudará na formação de muitos estudantes e muitas pessoas do bem.

 

Ter consciência de sua importância dentro do contexto organizacional e do propósito de sua empresa é o primeiro passo para que o alinhamento de expectativas seja um gerador de motivação e não de desmotivação.

 

O trabalho faz parte de nossas vidas, e temos condições de transformá-lo em uma das fontes de satisfação pessoal, mas isso está mais em nossas mãos do que nas mãos de nossos chefes. Trabalhar em um grande varejista demanda muita disposição e prontidão para a mudança. Agilidade e rapidez são competências necessárias e muito valorizadas dentro deste contexto. O trabalho em uma indústria demanda orientação a processos e visão crítica em relação ao desperdício. Na área de serviços, o atendimento ao cliente é o grande carro chefe e habilidades de relacionamento e facilidade em aprender novos assuntos são requisitos essenciais para o sucesso do negócio.

 

Independentemente da área de atuação e do nível de desafio ao qual você está inserido, a empresa onde você trabalha possui objetivos comuns e muito claros: resultado financeiro positivo e, se possível, sempre crescente, manutenção de seus ativos (prédios, máquinas, equipamentos, pessoas), bom relacionamento com as partes envolvidas na sua cadeia produtiva (comunidade, governo, acionistas, fornecedores, clientes) e busca pela continuidade do negócio.

 

Com base em uma clara visão dos objetivos de sua organização, é possível identificar quais as competências valorizadas e desejadas para o desempenho das funções disponibilizadas por ela.

 

Mas realmente é possível ser feliz no trabalho?

 

Sabemos que existem muitas variáveis que continuam fora de seu alcance e que impactam diretamente a prontidão para a busca do aprimoramento e da felicidade no trabalho (o chefe e seus adjetivos, clima organizacional, falta de estrutura adequada, mudanças constantes, falta de reconhecimento, metas muito agressivas, pouca ou nenhuma autonomia, etc).

 

Vamos propor uma mudança de foco: ao invés de ficar dando atenção e alimentando apenas o lado ruim dessa sua relação com o trabalho, olhe para o lado positivo.

 

Aqui começamos a falar sobre Psicologia Positiva.

 

Um dos estudos mais relevantes da Psicologia Positiva é a Teoria de Flow. O professor e psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi passou a se interessar em descobrir quais eram os elementos que contribuíam para trazer uma vida que valesse a pena ser vivida, explorando arte, religião, filosofia e vários outros campos do conhecimento que poderiam ajudar nessa investigação. Ele finalmente achou que a psicologia poderia ser a ferramenta ideal para responder a sua pergunta.

 

 

Através do gráfico proposto por Mihaly podemos identificar que os desafios e as competências necessárias para vencê-los possuem uma relação direta com o nosso comportamento. Se estivermos desempenhando atividades com baixo nível de desafio e com baixo nível de exigência de nossas competências, é muito provável que a sensação predominante seja a apatia.

 

Evoluindo no eixo das competências, mas mantendo o nível de desafio baixo, podemos passar pelo nível de tédio ou aborrecimento, até alcançar o nível de relaxamento. Do outro lado, aumentando o nível do desafio, sem desenvolver nossas competências, passamos pelo estágio de preocupação, ansiedade e excitação. As atividades em que alcançamos o Fluxo, o nível de desafio é alto e possuímos as competências necessárias para “dar conta do recado”.

 

Por esse motivo é possível afirmar que está em nossas mãos a construção do nosso próprio sucesso. Se aceitarmos sem questionamento as atividades que não trazem desafios e não buscamos desenvolver competências, é muito provável que as oportunidades não aparecerão, ou se aparecerem, não estaremos preparados para aproveitá-las.

 

Flow – a maior expedição está no nosso dia a dia

 

Para atingir um novo patamar de excelência em sua vida, inscreva-se no evento FLow – a maior expedição está no nosso dia a dia, que se realizará nos dias 5 e 6 de novembro, a partir das seis horas da tarde, no Teatro Renaissance, na Alameda Santos, 2233, em São Paulo. Acompanhe as palestras de Waldemar Nicleviz, primeiro brasileiro a escalar o Everest, e Amyr Klink, navagador com mais de 25 anos de experiência e autor de cinco best-seller e mais de um milhão de exemplares vendidos. O evento terá como direcionador Mário Kojima, empreendedor serial no Valo de Silício, conselheiro da Facebook nos Estados Unidos, presidente da News Corp. na Ásia e Gerente Geral da BBT no Japão.

 

A inscrição pode ser feita pelos telefone (011) 2579-3808 e (011) 97038-9610

Conte Sua História de SP: o leiteiro da Freguesia do Ó

 

Por Pedro Lucas Master
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nascido no Brooklin Paulista e criado na Freguesia do Ó, da qual tenho preciosas recordações. Do leiteiro entregando suas garrafas de leite de porta em porta; do lixo sendo recolhido por carroções enormes puxados por cavalos, a alegria da criançada era ver quando aquelas enormes rodas encalhavam no barro e os homens ajudavam a empurrar. Odiava ter de lavar a louça para, só depois de terminado o serviço, brincar livremente pelas ruas do bairro, ainda sem asfalto, que deixavam as roupas todas sujas de poeira. Sextas-feiras, já mais crescidinho, ia com a rapaziada para o Largo da Matriz, na Pizzaria do Bruno. Até hoje luto contra umas gordurinhas a mais conquistada naqueles tempos. Tinha também o “Branquinho”, um lindo e esperto cachorro de pelos negros, apesar do nome, que me acompanhava até o ponto inicial do ônibus Jardim Maracanã-Praça do Correio. Que saudades dos tempos em que se brincava nas valas abertas pelas águas das chuvas ou por entre os pinheiros. Hoje, meus filhos e netos vivem trancafiados por enormes portões, sem o privilégio de ficar na cerca jogando conversa fora com os vizinhos. Não tínhamos tecnologia avançada, mas tínhamos segurança, paz e harmonia. Tínhamos famílias que se reuniam, fosse apenas para comer polenta, mas eram unidas e se sentiam seguras. Esta é São Paulo, orgulho do Brasil, coração do Mercosul, futuro do Mundo, meu amor !

 


Pedro Lucas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: uma paixão que não se apaga

 

Inter 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Centenário/Caxias (RS)

 

 

O clássico Gre-Nal, como é conhecida a disputa entre Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul, sempre foi apaixonante. Não por acaso, pesquisa recente que mediu o fanatismo dos torcedores, citada na última Avalanche deste blog, colocou o Grêmio em primeiro lugar, seguido de seu rival mais direto. As torcidas dos dois clubes gaúchos superaram até mesmo a paixão daquelas que são consideradas as maiores do Brasil. A vitória no Gre-Nal é capaz de se sobrepor a qualquer campanha sofrível na temporada. Ao fim e ao cabo, mesmo com resultados capengas, o torcedor vitorioso olha para o adversário e tasca: “da gente vocês não ganharam”.

 

Estes 22 anos vividos em São Paulo, me distanciaram dessa que é a maior rivalidade no futebol brasileiro. Cheguei a ensaiar a tese de que, para mim, muito pior é enfrentar o Corinthians, pois moro na cidade em que o rival predomina. Um revés que seja é suficiente para ter de suportar a flauta do adversário. Onde você pisa por aqui vai encontrar um corintiano devidamente paramentado com camisa, bandeira ou seja lá qual for o adereço fazendo alusão ao seu time. É dose para mamute. Claro que uma vitória como aquela da semana passada e a que espero que aconteça na próxima quarta-feira, pela Copa do Brasil, oferecem um sabor especial a este gaúcho refugiado em São Paulo.

 

Acreditei na ideia de que estava imune às pressões de um Gre-Nal até a bola começar a rolar neste domingo. Diante de um estádio acanhado para a dimensão da partida e indevidamente tomado pela torcida adversária, já que a pequenez de nossos dirigentes (e me refiro a todos eles) impediu que se colocasse número maior de ingressos à disposição dos gremistas, logo percebi que as mais de duas décadas de distância do Rio Grande do Sul não seriam suficientes para amainar essa paixão. O gol tomado logo no início do jogo, o gol contra que serviu para empatar ainda no primeiro tempo, a belíssima troca de passes que levou a virada no placar no início do segundo tempo e o pênalti convertido pelo adversário serviram para mostrar a emoção que esse clássico ainda exerce sobre mim. As disputas de bola, leais ou não, a marcação do árbitro, equivocada ou não, a reação dos técnicos ao lado do campo e dos jogadores no gramado, fiéis aos fatos ou não, me fizeram explodir de desejo. Gritei e esbravejei como não fazia há muito tempo. Como sempre fiz diante do clássico Gre-Nal nos tempos em que vivi em Porto Alegre.

 

A qualidade da partida, acima da média desse campeonato, e o fato de o empate ter nos mantido isolados na vice-liderança do Brasileiro talvez fossem suficientes para me deixar satisfeito neste fim de domingo. Sem dúvida, porém, minha maior felicidade está em saber que a paixão que alimentei pelo clássico Gre-Nal segue muito viva neste coração que bate gremista dentro do peito.

 

Em tempo: independentemente do sabor de um Gre-Nal, a vitória contra o Corinthians na próxima quarta-feira vai me deixar bem feliz, tenha certeza.

De câncer social

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

No meu tempo de criança a gente não dizia a palavra câncer. Tinha uma amiga dos meus pais, muito frágil, que visivelmente sofria e definhava mesmo aos olhos de uma criança, mas eu ouvia dizer que ela tinha ‘aquilo’ ou ‘aquela doença’. Fui ouvir o nome da doença pronunciada com todas as letras, muito tempo depois. E fui ligar os pontos, ainda mais tarde. Para se referir a ela, levavam uma das mãos à boca e baixavam o tom da voz. Ainda era comum franzir a testa, inclinar a cabeça para um lado, erguer o ombro correspondente e olhar com cumplicidade mórbida, dando uma fungada profunda, longa e ritmada em sinal de lamento.

 

O que se passava no íntimo dessas pessoas, e o significado de tantos gestos simbólicos, se traduz numa palavra: preconceito. E é o mesmo preconceito que nos acompanha em tudo, desde sempre e ainda hoje. Inconformismo frente às curvas da vida, preconceito, medo, birra infantil fora de época, sofrimento frente ao novo, desconfiança do desconhecido, medo, preconceito. E mesmo querendo evoluir, andamos na direção oposta fortalecendo o medo, que é solo fértil para o caos estéril.

 

Branco tem preconceito de negro, negro tem preconceito de branco, e os cínicos têm preconceito da palavra negro e da palavra branco. Nos Estados Unidos, durante o julgamento de um branco que matou um negro – George Zimmerman X Trayvon Martin – só o que se ouvia, para se referir a ‘negro’, era ‘the N-word’, ou seja: a palavra que começa com ‘n’. Uma apresentadora de tevê acabou profissionalmente destroçada por ter usado a palavra ‘negro’, no ar. Ela explicou que cresceu usando e ouvindo as palavras negro, branco e índio – quando as palavras e nós éramos mais livres – durante toda sua vida, e que às vezes deslizava. Eu também deslizo.

 

pobre tem preconceito de rico
inculto de culto
medo

 

vice
versa
medo

 

quem acorda cedo
de quem abre os olhos
tarde
medo

 

o agressivo
de quem
é suave
o que não sua
do que sua

 

e onde fica o
cada um na sua
?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: gestão de crise e comunicação

 

 

No passado, os manuais de crise recomendavam que as empresas se pronunciasse até uma hora após o surgimento do problema. Hoje, têm 15 minutos para falar com o público. As estratégias para que as corporações não sejam surpreendidas diante deste novo cenário da comunicação fazem parte da entrevista com o jornalista João José Forni, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Forni é o autor do livro “Gestão de Crise e Comunicação – o que os gestores e profissionais de comunicação precisam saber para enfrentar crises corporativas”, publicado pela Editora Atlas.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, no site da rádio CBN. E você pode participar pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

A estratégia do luxo na busca de novos consumidores

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

No mercado internacional, com a concorrência acirrada e a globalização, um dos maiores desafios para as marcas de produtos e serviços de luxo é manter seu crescimento. A expansão da marca para outras classes tem sido a estratégia adotada, criando novos produtos: perfumes Hermès, camisetas e chaveiros Ferrari, relógios Mercedes-Benz, por exemplo. Cresce cada vez mais o número de grifes de alto luxo de segmentos como automóveis, moda e joalheria investindo buscando segmentos diferentes de sua principal área de atuação.

 

A estratégia de extensão de marca consiste em aumentar a categoria de produtos para a mesma base de consumidores, sempre se preocupando com uma distribuição seletiva. Porém, no mercado com foco no consumidor AAA novas categorias de produto só devem ser exploradas se estiverem alinhadas ao conceito da marca.

 

Até que ponto pode uma marca de luxo usar esta estratégia sem arranhar o seu posicionamento e sem possibilitar a banalização perante o consumidor? É imprescindível estar atento para que não se modifique a proposta de seu valor ao ampliar a acessibilidade e atrair público muito diferente daquele que compra, por exemplo, um automóvel Ferrari, uma bolsa Chanel ou uma joia Cartier. É necessário que se mantenha um alto nível de relacionamento do público com a marca. Uma expansão realizada sem critério pode confundir o que a essa representa, diluindo seu valor.

 

 

Há casos de extensão de marcas de luxo para outras categorias de produtos que aproveitaram a oportunidade sem prejudicar seu posicionamento. Grifes como Chanel e Dior, ícones da alta costura, apostam em produtos de entrada (considerados acessíveis) como perfumes, cosméticos e acessórios para conquistar o consumidor, que, com o tempo, poderá ser um comprador de seus produtos de categorias mais elevadas, como as renomadas bolsas Chanel.

 

A grife Armani é um exemplo também interessante, pois expandiu para o segmento de homeware criando a grife Armani Casa, especializada em móveis e itens de decoração com foco no público AAA, ou seja, sustentando-se nos pilares de sua marca-mãe: tradição, alta qualidade, sofisticação e design. A Armani também expandiu com sucesso criando marcas no segmento de moda (extensão de linhas) como também na hotelaria, com dois hotéis luxuosos, em Milão e Dubai.

 

 

A extensão de marca no segmento do luxo deve ser avaliada e estudada com rigor e só é válida se os novos produtos destinarem-se ao mesmo perfil de consumidor, seguindo o conceito de excelência, exclusividade e mantendo as mesmas políticas de preço, distribuição e comunicação seletivas da marca-mãe. Mesmo ciente de que seus novos produtos poderão atingir o consumidor aspiracional ao mercado de luxo, se a empresa já atua neste segmento e busca atingir um número maior de clientes, deve manter sua essência e principalmente zelar por seu prestígio. Essa estratégia diminui os riscos e os custos, aumentando a cobertura de mercado e fortalecendo os valores e interesses pela marca, imprescindíveis no mercado de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Teste de direção reprova 61% dos candidatos no RS

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não pretendia voltar a escrever novamente sobre trânsito,uma semana após fazê-lo,mas uma manchete do jornal gaúcho Zero Hora me levou a mudar de ideia. Ei-la:

“Teste de direção reprova 61% dos candidatos no Rio Grande do Sul”.

Foram efetuados até agosto,no Estado, 321,6 mil exames,com 197,4 mil reprovações,lê-se também na matéria. Os números indicam que as exigências para os que se submetem aos testes são altas,reconhece o chefe da Divisão de Exames Teóricos e Práticos do Detran-RS,Jeferson Fischer Sperb. Não poderia ser diferente. Apesar disso,há quem,mesmo tendo passado pelos exames,dirige como se nunca tivesse cursado uma auto-escola,seja por cometer amiúde excesso de velocidade,seja por dirigir alcoolizado o seu veículo,seja por estacionar em local proibido ou infringir as demais regras das mais diversas maneiras.

 

Pode-se acrescentar a existência de mais um problema a ser enfrentado por quem pretende conseguir carta de habilitação:nem todos os instrutores, responsáveis pelas aulas práticas, se mostram à altura do cargo. Minha filha teve,por exemplo, o desprazer de ver o seu“mestre” pegar no sono ao seu lado. Segundo Jeferson Fischer Sperb,existe,por outro lado,carência de examinadores,razão pela qual,às vezes,se cria distância entre as provas prática e teórica. O candidato à carteira se ressente disso porque,ao lidar com a teoria,já esqueceu de alguns detalhes da prática.

 

O investimento para quem pretende sair com a carteira de habilitação na mão ao final da epopeia para obtê-la,não é pequeno:R$1.131,07. Ah, mas se o candidato não passar nas provas depois de dois anos,tem de recomeçar todo o processo.

 

As dificuldades, que são enfrentadas por quem pretende ser motorista de categoria B,talvez diminuam com o uso do simulador. Esse equipamento cria situações reais,nas ruas,mas nem todos os especialistas em trânsito estão otimistas com o seu efeito.

 

A diferença,por razões óbvias, entre o que é exigido agora e o que era necessário na época em que tirei carteira de motorista,são abissais,sem que vá nisso qualquer exagero.

 

Lembro-me,como se fosse hoje,que o meu pai me emprestou o seu Citroën 1947,isso em 1954,quando completei dezoito anos. Fui da casa paterna até o Detran sem a companhia do seu Aldo e de alguém habilitado para dirigir. Estacionei o carro na Avenida Ipiranga,fiz o exame teórico,no qual só respondi sobre o significado dos sinais de trânsito e, após esse,um policial entrou comigo no carro, pediu-me para dar a volta na quadra,vendeu-me um livrinho cujo conteúdo não recordo. E voltei para casa habilitado. Não gastei um tostão em aulas práticas. As teóricas,como as de hoje,simplesmente não existiam. Não contem para os meus netos,mas eu já pilotava o Citroën bem antes de tirar carteira. Claro,com anuência paterna.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, bom motorista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)