O rabugento e o Black Bloc

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É possível que eu,com o passar dos anos, tenha me tornado um velho rabugento. Afinal,no dia 29 do mês que termina exatamente no dia em que esta coluna está sendo postada pelo meu filho,no blog que ele comanda,completei 78 primaveras,se é que aniversário de idosos faça jus a esse eufemismo. Por que estou fazendo a confissão sobre possível rabugice que se lê na primeira frase do meu texto? Explico:há coisas e loisas ocorrendo nas principais cidades brasileiras que não consigo suportar. Vou citar,para início de conversa,as mais preocupantes,isto é,os movimentos sociais que foram deturpados das mais diversas e assustadoras maneiras.

 

Quando, bem intencionadamente começaram,tenho certeza de que tiveram apoio da maioria. Bastava que fossem divulgados na internet, para serem vistos com bons olhos. Aos poucos,porém,a infiltração de maus elementos foi alterando o propósito dos jovens idealistas que estiveram na sua origem. O que se tem visto em matéria de imagens terríveis mostradas na internet,na mídia impressa e televisiva,forçosamente estão deixando todas as pessoas de bem preocupadíssimas e se perguntando como isso irá terminar.

 

Não existe metrópole em nossa terra que não venha vivendo maus momentos diante daquilo que testemunhamos com frequência inimaginável. Lembro aqui apenas dois exemplos dos desmandos cometidos pelo tal de Black Bloc e quejandos:o protesto,em São Paulo,chamado de Ato do Movimento Passe Livre,em meio ao qual um coronel da Polícia Militar foi agredido por manifestantes (?) e ainda teve a sua pistola e o radiocomunicador roubados. Em outro,mais apavorante,no mínimo dois caminhões foram incendiados e dois ônibus acabaram queimados na rodovia Fernão Dias,esse em protesto feito por moradores da Vila Medeiros pela morte de um adolescente,baleado por um PM.Eu poderia citar,também,o vandalismo que vem acontecendo na casa do prefeito de Porto Alegre,José Fortunatti. Sua residência tem sido pichada e apedrejada. Os seus vizinhos são igualmente prejudicados.

 

As Polícias Militares – é o que se nota em várias cidades – talvez por já terem sofrido críticas,em muito incidentes não reagem com o rigor que se faria necessário,tanto para evitar a ação dos vândalos quanto dos ladrões oportunistas que se aproveitam da destruição de estabelecimentos comerciais para roubá-los descaradamente.

 

Em um dos editorias do dia 29 de outubro,no jornal gaúcho Zero Hora,lê-se esta frase com a qual concordo:”Os depredadores já passaram do vandalismo à tentativa de assassinato e isso sociedade alguma pode aprovar. Será que apenas eu,agora um ano mais velho,não tenho carradas de razão para estar rabugento?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: a experiência é nosso trunfo

 

Atlético PR 1 x 0 Grêmio
Copa do Brasil – Curitiba (PR)

 

 

O diabo sabe mais por velho do que por diabo. Por muitos anos ouvi o ditado no vozeirão de meu pai, este que você conhece bem e tem oportunidade de ler toda quinta-feira aqui no Blog. Costumo repeti-lo em minhas palestras sobre comunicação quando me refiro aos meus quase 30 anos de carreira profissional dedicados ao jornalismo. Com todo esse tempo consegui aprender muitas diabruras. Ou seja, ganhei experiência que me impede de repetir velhos erros. Tanto quanto eu – ou quase -, o Grêmio também tem experiência em Copa do Brasil. Somos quatro vezes campeões e já estivemos em muitas finais. Sabemos que o mata-mata é disputado em 180 minutos e nada se decide no primeiro jogo, principalmente quando um dos times (e me refiro ao nosso) tem o dom da superação. É por isso que não me canso de defender a tese: até três gols de desvantagem, a gente vira em casa. Portanto, estamos no jogo.

Cuidado, caminhões à vista!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A cidade de São Paulo no intervalo de quatro dias vivenciou dois acidentes com veículos pesados que geraram custos financeiros, operacionais e emocionais, que não podem ser considerados aleatórios. O fato é tão mais preocupante quanto se percebe que se não bastasse a desatenção do poder público, a mídia, importante instrumento para intervenções de melhoria, tem se restringido a cobrir tais ocorrências apenas momentaneamente.

 

Quinta feira, na Marginal Pinheiros, um caminhão com produtos de higiene tombou às 3h30m e foi retirado ás 10h30m. Na segunda-feira outro caminhão com carga de pedra britada colidiu com a passarela da rodovia Régis Bittencourt no Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, às 17h20m, e a liberação ocorreu às 2h40m do dia seguinte.

 

Na Marginal Pinheiros foram 43 km de congestionamento absoluto, onde os técnicos ainda ressaltaram a paralisação da pista gerada pela curiosidade de motoristas ávidos por olhar, fotografar e, pasme-se, filmar a carreta tombada. Às 8h, a pista da Marginal no sentido Castelo Branco, onde aconteceu o acidente, tinha 13 km de bloqueio. No sentido contrário, da Eusébio Matoso até a Ponte do Socorro eram 10 km de lentidão.

 

Já é hora de considerar a complexidade da operação de carretas na cidade, pois o fluxo de veículos, produtos e passageiros que circulam precisam estar inseridos num sistema de tráfego integrado, segmentado e pré-estabelecido. Caminhões e ônibus, principalmente os de grande porte, necessitam de pré-requisitos, inerentes ao veículo e ao condutor. É similar ao tráfego aéreo.

 

Controlar a entrada de veículos pesados, estabelecer regras severas para a circulação com relação a locais, horários e condução, exigir habilitação adequada para os motoristas, controlar e punir severamente moral e financeiramente as empresas transportadoras infratoras e os condutores, é o mínimo para começar.

 

Quanto deve ter custado à cidade o acidente da Marginal? Quem pagou?

 

Caminhões à vista. Cuidado!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: o laguinho de Interlagos é meu refúgio

 

Por Sônia Terezinha Botelho da Silva

 

 

Adoro São Paulo. Em especial, a Avenida Paulista onde nasci faz alguns anos. A cidade é fantástica com seus parques, ruas, avenidas. Seus monumentos de cimento. Morei muitos anos na Zona Sul, no  bairro do  Socorro,  frequentando a Avenida Atlântica e arredores, como os antigos restaurantes Interlagos e Clube Santa Paula. O Parque Jacques Cousteau, popularmanete conhecido por  Laguinho de Interlagos, se tornou meu lugar predileto, e recebe muitas pessoas para caminhada, corridas e ginástica nos aparelhos durante a manhã, tarde e noite. Depois que casei, fui morar em São Bernardo do Campo,  mas fazia questão de, aos fins de semana, visitar a casa de meus pais, desculpa par dar uma volta no Laguinho e apreciar o pôr do sol, o que me proporcionava um excelente início de semana.

 

O Laguinho de Interlagos ainda é meu refúgio, pois em diversas situações difíceis da minha vida foi lá que encontrei equilíbrio emocional para pensar e enfrentar os obstáculos com calma e sabedoria. Acredito que esse lugar é divino. Caminhar ali é encontrar a paz,  ouvindo o canto dos pássaros, apreciando a beleza dos ipês amarelos, sentindo o ar puro e admirando a pequenina ponte no lago.

 

É maravilhoso.

 


Sônia Botelho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você tambem outros capítulos da nossa cidade. Agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

A autobiografia cantada do Rei Roberto Carlos

 

O cantor Roberto Carlos, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, disse que pode aceitar a lei que permite a publicação de biografias não autorizadas, que está em discussão no Congresso Nacional, mas com algumas restrições. Os comentários do Rei inspiraram o encerramento do Jornal da CBN, nesta segunda-feira. Ouça, divirta-se e discuta.

 

É preciso humildade no jornalismo (no futebol, também)

 

Coritiba 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Curitiba (PR)

 

 

Foi muito divertido, sem contar que fiquei honrado, a oportunidade de dividir o palco com a turma do Fim de Expediente, no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional, em São Paulo, na sexta-feira. Como sempre conseguem fazer, Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco levaram a conversa entre o bom humor e o papo sério, entretendo o público que não coube nas dependências do teatro. Foram colocadas cadeiras extras e muitos ainda tiveram de assistir ao programa no telão do lado de fora do teatro. Havia uma ocasião especial para o convite: venci a aposta que fiz com Dan nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Aproveitaríamos o programa para entregar a camisa do tricolor gaúcho que prometi caso passássemos pelo Corinthians, o que aconteceu na quarta-feira, em Porto Alegre. Para a aposta ficar completa, Dan, corintiano, como deve saber o caro e raro leitor desta coluna, teria de vestir a camisa diante do público, o que foi cumprido, apesar da resistência dele.

 

Nosso ator chegou a preparar uma estratégia para não vesti-la. Levou a conversa por quase uma hora e somente permitiu que a camisa lhe fosse entregue nos minutos finais do programa. A número 10, de Zé Roberto (que saudade dele), estava em uma caixa que imitava a Arena do Grêmio e assim que aberta tocava o hino composto por Lupicínio Rodrigues. Dan abriu e pegou a camisa, mas no momento de vesti-la, encerrou o programa, a luz do teatro apagou e as cortinas fecharam. Só pagou a aposta porque o público bateu pé e não saiu do Eva Herz enquanto ele não voltou ao palco devidamente fardado. Perdeu mas levou no bom humor (e teve humildade).

 

Falamos muito de jornalismo durante todo o programa. Dan pediu minha opinião sobre merchandising, prática comercial usada por empresas que pagam para jornalistas fazerem publicidade de produtos, marcas e serviços. Repeti o que digo há muito tempo: sou contra, não é papel do jornalista fazer propaganda. Zé me deu a chance de falar sobre o rádio dos tempos modernos: lembrei que das cinco características exigidas, atualmente, dos meios de comunicação – mobilidade, velocidade, interação, multiplataforma e personalização – o rádio já tem três delas desde seus primeiros anos de vida. É móvel, ágil e aberto à intervenção do ouvinte desde sempre. Teco quis saber como foi migrar do CBN SP para o Jornal da CBN, há pouco mais de dois anos e meio. Expliquei, entre outras coisas, que uma das intenções foi levar os temas urbanos para o cenário nacional.

 

Já não lembro mais se foi o Dan, o Teco ou o Zé quem levantou a bola sobre a exposição pública que o rádio e o jornalismo de uma maneira geral nos proporcionam. Disse a eles que, sem dúvida, ganhamos destaque. As pessoas se aproximam. Passam a nos conhecer melhor. Dizem que gostam ou odeiam. Não ficam indiferentes. Tudo isso nos envaidece. E diante de tudo isso passa a ser fundamental o exercício da humildade. É grande o risco de nos considerarmos mais importantes do que os fatos e nos imaginarmos donos da verdade. Quando isso acontece o tombo é grande, machuca e faz vítimas.

 

Tivemos um bom exemplo disso no início da noite desse domingo. E você, acostumado a ler essa Avalanche, sabe bem do que estou falando.

De renascimento

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

É mais fácil viver com saúde do que sem ela, sorrir e sonhar quando os que amamos estão bem, caminhar sob sol ameno, em terreno plano e arborizado, do que subir uma lomba escorregadia de terra batida quando chove canivete aberto, de sandália de dedo.

 

Não que essa tenha sido minha mais incrível descoberta, mas é como se fosse. Sempre é. Toda vez que o céu da minha vida clareia, as pedras rareiam e as flores campeiam, tenho esta reação revolucionária que sacode a caixinha onde vivo e muda tudo de lugar. Novo tudo. Dentro e fora. Não sei dizer quantas vezes a primavera na minha vida coincidiu com a primavera do planeta, mas desta vez percebo a coincidência e me animo. Deixo a alma liderar e viro menina outra vez.

 

Receita? Impossível. Dicas, talvez. Meu ‘De bem com a vida, mesmo que doa’ hoje poderia se chamar ‘Preparado para o inverno’ ou ‘Se chover, um par de galochas’, ou ainda ‘Como enfrentar o inverno na tua vida’, e ainda assim não poderia oferecer receita, mas dica do tipo ‘Para-mim-deu-certo-não-custa-experimentar’. O título já tenho; falta o livro.

 

Agora, não adiantam as receitas quando tem ano em que a primavera não vem nem com convite protocolado. Ignora você. Passa batida. Tem tempo que engripa no nublado, e você vai encolhendo e diminuindo o contato com o mundo, como árvore, frondosa ou mirrada. Meus ciclos são assim.

 

Acredito que não é castigo de Deus quando as ondas encrespam, não é olho gordo de invejoso, trabalho feito nem encosto, e nem você rezou demais ou de menos. É o ritmo da vida! Só isso.

 

Nos invernos da vida, esquecemos de lembrar que as raízes continuam lá, invisíveis, mas vivas, enterradas, alimentando-se da terra e bombeando energia para o tronco, mesmo quando a flor virou fruto, a folha caiu e um ou outro galho secou e quebrou. Vida fervilha, se reorganizando como em dia de faxina. Fica tudo de pernas para o ar, mas a gente enfrenta o balde, o rodo e a vassoura, acreditando, sem vacilar na fé, que tudo vai voltar, cada coisa para o seu lugar. Muda um abajur de lugar, mexe daqui e retoca dali, mas continua sendo a tua casa. Renovada. Mais limpa e cheirosa.

 

Nós é que temos dificuldade de perceber o milagre do renascimento em cada ciclo. Em cada faxina. Tic tac, e mais um pedacinho de vida passou. Se transformou, e plantou transformação.

 

página em branco
caderno novo
fase

 

caneta
macia
colegas
vida

 

sapato
lustrado
primavera
vocabulário

 

ânimo
aprendizado
recuperação

 

Você percebe? Não? Então perceba, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: a importância da inovação nos negócios

 

 

“Inovação é quando o conhecimento tem aplicação de mercado, gera faturamento, receita, redução de custo e aumento de produtividade. Se difere de invenção que é quando o conhecimento é apenas aplicado a um produto. Para ser inovação precisa ter valor de mercado”. A definição é do diretor de inovação da CNI – Confederação Nacional da Indústria, Paulo Mol, entrevistado do Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, a inovação é algo que acontece nas empresas, jamais pode estar desconectado do mundo empresarial. Nesta entrevista o dirigente mostra experiências inovadoras e estratégias que as empresas devem desenvolver para terem um ambiente criativo que proporcione ideias geradoras de novos negócios e melhores resultados.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN. E o programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Iates de luxo: mansões em alto mar

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Engana-se quem duvida que é possível ter o mesmo conforto e sofisticação de sua residência em alto mar! Verdadeiras mansões com preços que vão de “acessíveis” R$ 32 mil a imimagináveis R$ 20 milhões, alguns modelos de barcos e iates de luxo chegam a ter mais de quatro suítes, espaço gourmet, salas de estar e jantar, cozinha e posto de comando. A área externa, geralmente a parte preferida para se passar horas bronzeando-se ao sol ou se divertindo com amigos e família, pode apresentar diferenciais como passarela de desembarque, lift hidráulico, churrasqueira e camarote.

 

Seguindo o crescimento geral do Mercado do Luxo no Brasil, o segmento de barcos vive ótimo momento. O País representa cerca de 1,5% do consumo mundial desse seleto mercado. A Itália é maior produtora de iates de luxo do mundo, seguida pelos Estados Unidos, Holanda, Reino Unido e Alemanha. Os crescimento da economia brasileira e do número de milionários no país, além da valorização da moeda nacional, são alguns dos principais fatores que impulsionam esse sucesso. Em outubro, ocorreu a 16ª edição do São Paulo Boat Show na capital paulista, um dos maiores eventos do setor na América Latina, com mais de 100 expositores, nacionais e estrangeiros, mais de 230 embarcações, entre lanchas, veleiros, infláveis e caiaques. A Feira de Negócios Náuticos ocorre anualmente e gera novas vivências, troca de networking e, claro, novos negócios.

 

 

Empresas como Ferretti Group, Intermarine, Fibrafort, Schaefer Yachts, Ventura Marine e YachtBrasil são algumas das principais do segmento. Um dos modelos mais cobiçados é a Schaefer 800, da Schaefer Yachts, que possui capacidade para 23 pessoas, esportiva e equipada com o que há de mais moderno, com teto solar e convés em um nível, permitindo total integração entre as áreas. Sua autonomia de 300 milhas, suas dependências e sua cozinha completa tornam a experiência ainda mais agradável. Este pequeno mimo é destinado aos que se dispõem a desembolsar cerca de R$ 12 milhões.

 

A Ferreti possui uma estratégia interessante com seu showroom – Tools & Toys – no luxuoso Shopping Cidade Jardim, na capital paulista: um espaço com mais de 1000 metros quadrados e estrutura tecnológica única no Brasil, onde oferece iates Ferretti Group e outros produtos e acessórios de luxo. Sua presença em um dos principais pontos de varejo de luxo no país torna a marca ainda mais visível e instiga os sentidos de seus visitantes.

 

 

Produzidos em série limitada, altíssima qualidade e com design inovador, os barcos de luxo são cobiçados por consumidores exigentes que apreciam viver em alto estilo. Porém, se no passado, para muitos, comprar um barco era ostentação ou apenas um desejo do “ter”, hoje o cenário é outro: o consumidor do luxo contemporâneo está mais preocupado com o seu bem-estar, e ao possuir um iate, busca principalmente vivenciar experiências como celebrar o aniversário entre amigos em alto mar, comemorar bodas de casamento ou descansar com a família longe da agitação das grandes cidades.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

40 anos da morte de Pedro Carneiro Pereira

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No dia 21 deste mês fez 40 anos que Pedro Carneiro Pereira morreu. Quem nasceu na década de 60 ou pouco antes,se gaúcho ou,pelo menos,ouvinte de futebol no rádio,deve ter conhecido,conforme imagino,esse que foi,em minha opinião,o melhor narrador desse esporte até que a morte o retirou do ar de maneira abrupta. Tenho bons motivos para lembrá-lo com muita saudade. Afinal, vi o Pedro,que não se importava de ser chamado de Pedrinho,chegar como candidato a uma vaga de locutor na Rádio Clube Metrópole. Eu chefiava o setor e coube a mim testá-lo. Pedro Carneiro Pereira foi aprovado. O moço que,na época, cursava a Faculdade de Direito da PUC,desde logo demonstrou possuir as melhores condições para exercer a função. Na Rádio Clube Metrópole,chegamos a narrar algumas competições automobilísticas.

 

Em 1958,transferi-me para a Rádio Guaíba e Pedro logo também mudou de prefixo. Foi para a Rádio Difusora. O que ele queria mesmo,porém, era narrar jogos de futebol. Prova disso é que, em jogos realizados no Olímpico,costumava levar um pesado gravador até uma cabina desocupada e gravava partidas inteiras como se estivesse no ar. Um belo dia,criei coragem e perguntei a Mendes Ribeiro,um dos diretores da Guaíba,se não daria uma chance para o Pedrinho. Mendes o contratou para a equipe de locutores comerciais. A chance de ele narrar apareceu quando Mendes Ribeiro dava a quem quisesse a possibilidade de relatar jogos dominicais em Caxias do Sul,onde as partidas do campeonato estadual começavam meia hora antes que as de Porto Alegre. O Pedro e eu recebemos esse tipo de oportunidade. Ambos fomos incluídos na equipe esportiva da Guaíba.

 

Pedro Carneiro Pereira,no entanto,apreciava corridas de automóvel. Lembro-me da primeira prova que ele disputou,pilotando um Fusca. O carrinho não tinha nenhum preparo especial. Como ele foi convidado para ser diretor da Penitenciária de Porto Alegre e aceitou, não tinha tempo para amaciar os carros que usava nas suas primeiras competições e entregava a mim a responsabilidade de os amaciar. Pedro foi um dos principais incentivadores da criação do Autódromo de Tarumã. Chegamos a trabalhar,lado a lado, quando ele assumiu a presidência do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul e me pediu para ser o secretário.

 

Pedro foi evoluindo no automobilismo de competição. Passou dos Volks e Gordinis para carros mais potentes.Com um Gordini 1093,ao participar da Prova Antônio Burlamaque em 1966,atropelou um porco,perdeu a direção e o carro se chocou com uma árvore. Com o braço esquerdo na tipoia,fez a cobertura da Copa do Mundo da Inglaterra.Naquele tempo, Pedrinho dirigia o Departamento de Esportes da Guaíba,atuava na Standard Propaganda como diretor (nessa eu era redator) e saíamos correndo da agência ao meio-dia,ele para apresentar um comentário,eu para redigir o programas esportivo das 12h30min .

 

No dia 21 de outubro de 1973,Pedro escalou Armindo Antônio Ranzolin para narrar,no Beira-Rio,Inter x São Paulo. Eu faria,em Vitória,capital do Espírito Santo,a cobertura de um jogo do Grêmio. Mal chegados ao estádio,alguém disse que,em Tarumã,acontecera um terrível desastre. Como de hábito,meus companheiros de transmissão e eu,entramos em contato com o estúdio da Guaíba pela linha de serviço. A notícia que nos chegou pelos fones não poderia ter sido pior: Pedro e Ivã Iglesias,disputando a ponta da corrida da Divisão 3,bateram com suas carreteiras no muro dos boxes,os carros se incendiaram e os pilotos morreram. Conseguimos lugares em um avião que nos deixou no Rio. lá embarcamos no “corujão da Cruzeiro”,à meia-noite. Fomos do Salgado Filho diretamente para o cemitério São José. Eu,particularmente,havia perdido muito mais do que um colega,mas o meu melhor amigo.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)