Avalanche Tricolor: nós acreditamos e somos os mais fanáticos

 

Grêmio 1 x 0 Corinthians
Brasileiro Arena Grêmio

 

 

Ensaiar qualquer texto antes do apito final do jogo é arriscado, principalmente quando somos torcedores do Grêmio. Tudo é possível de acontecer, mesmo porque somos o time do impossível. Deixar para escrevê-lo depois de um jogo que se encerra tarde da noite como o desta quarta-feira, é um risco à saúde e ao bom humor na manhã seguinte, em especial para quem acorda de madrugada. Mas decidi acreditar mais uma vez na nossa força e esperei para iniciar esta Avalanche somente com o placar confirmado. E acreditei que este placar seria nosso. Fui recompensado.

 

A crença na conquista se iniciou com a entrada de Maxi Rodrigues no time, no segundo tempo. Renato apostou na qualidade técnica de nosso jogador de meio campo e na capacidade dele servir melhor nossos atacantes. Diminuiu assim o sacrifício imposto ao centro-avante Barcos que há nove partidas não marcava gol e na maior parte das partidas não recebia uma só bola decente. Era obrigado a brigar com dois, três adversários sozinho. E pagava caro por essa escolha do time.

 

Com Maxi em campo, Barcos desencantou. Diante da área e de uma defesa bem postada, Maxi enxergou Barcos. A bola veio pelo alto, correu no peito do atacante e caiu disposta a ser chutada para dentro do gol. O punho cerrado na comemoração, o olhar sério em direção às arquibancadas e o abraço no técnico Renato foi a maneira de Barcos mostrar que, tanto quanto os torcedores, sofria com aquele futebol. Mas assim como nós, acreditava na vitória.

 

Torcer pelo Grêmio é acreditar sempre. É por isso que somos a mais fanática torcida do Brasil, sensação confirmada em pesquisa publicada nesta quarta-feira, pela Pirui Consultoria (leia aqui) Segundo os dados colhidos pela consultoria, 22,5% dos torcedores do Grêmio se identificam como fanáticos pelo clube. Enquanto, 57% se dizem torcedores. O total de engajados é de 79%. O Grêmio também tem o menor índice de torcedores indiferentes, com 7,6%.

 

Se você não acredita nisso, brigue com os números e não comigo. Porque eu acredito. Aliás, eu sempre acredito no Grêmio.

IPTU: Robin Wood ou Ali Babá?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A estratificação do IPTU da cidade de São Paulo leva um toque de Robin Wood ao comparar o aumento que o imposto terá no próximo ano.

 

Dos 2,6 milhões de imóveis residenciais, 1,0 milhão ou 40% não pagarão IPTU, enquanto na outra ponta 1,0 milhão ou 40% pagarão de 18% a 26% de aumento. Na faixa central 400 mil ou 9% pagarão 9% de aumento. Na inferior 200 mil ou 6% pagarão 4% a menos.

 

Convenhamos que é uma distribuição com propósito de equilibrar as forças, colocando menos imposto no imóveis menos valorizados. Beneficiando a população mais carente.

 

Supondo que esta transferência de recursos aos imóveis mais valorizados tenha sucesso, possibilitando aos mais necessitados os serviços municipais essenciais como saúde e ensino, o sacrifício da outra ponta provavelmente valha a pena. A experiência, entretanto não conduz a esta previsão. E é o sentimento geral, sinalizado pelas reações diversas de diferentes setores.

 

As extensas manifestações contrárias proporcionais aos enormes aumentos dos imóveis felizmente ultrapassam o normal, contrariando o Prefeito Haddad, e devem provocar uma revisão no conceito. Tanto na arrecadação quanto na aplicação dos recursos daí originados.

 

Por exemplo, o imóvel residencial familiar único, não pode ser taxado em função da valorização do mercado, quando permanece como habitação. Os reajustes por sua vez devem se limitar a parâmetros do mundo financeiro, pois é daí que surgem as bases para as atualizações de salários e preços em geral. Neste caso, o reajuste médio está na absurda taxa de 17%. Ou seja, está mais para Ali Babá do que Robin Wood e os pobres da floresta.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: o mágico trem de Prata

 

Por Marina Lopes da Costa
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Lembro-me muito bem do famoso trem de prata, que passava na linha do trem em frente a minha casa. A visão era privilegiada, embora eu, com apenas cinco anos de idade, demorasse tanto tempo para chegar até a janela para ver o tão mágico trem passar. Não era muito de sair de casa, mas quando saía era sempre para ir aos mais belos e importantes pontos turísticos da cidade. A Estação da Luz foi o primeiro local que conheci. Tão linda e sofisticada. Atraiu-me o relógio, grande e fascinante ao mesmo tempo.

 

Contudo, caminho pelas ruas do Centro de São Paulo e vejo em cada canto vários tipos de artistas anônimos: músicos, poetas, caricaturistas, pintores, cozinheiros e artesãos.  Os artistas das ruas que lá estão desenham em suas telas de pintura, que se transformam em belíssimas criações, um mundo mágico por trás daquela tela branca surge. Em cada canto do centro há uma cultura. Como é interessante o Centro de São Paulo quando passeio pelas esquinas e cruzo com a famosa Ipiranga e avenida São João, que foram de inspiração para a letra da música de Caetano. O bar Brhama é o ponto de encontro  de casais, amigos e solitários, um espaço aconchegante onde se podem ouvir músicas de convidados especiais, como o Zeca Pagodinho.

 

Como não se apaixonar por São Paulo? Sua bandeira carrega seu emblema e as ruas suas histórias, cada uma mais interessante que a outra. Talvez esteja sendo exagerada. Não, não estou. Depois de Santos, a cidade que admiro e tenho orgulho de viver é a maravilhosa São Paulo. Apesar de termos graves problemas de superlotação nos transportes públicos, estes mesmo que às vezes nos deixam na mão, entre outros problemas sociais, não consigo me imaginar morando em outro lugar. Talvez  até mude, mas sempre vou guardar os bons momentos que vivi nela.  Aqui vivenciei momentos memoráveis: torci pelo meu peixe no Pacaembu e ouvi o som de Paralamas do Sucesso e Titãs, no Sesc. Como é bela esta cidade tão carinhosamente apelidada de Sampa, e como é gratificante morar aqui.

 

Marina Lopes da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br.

 

Avalanche Tricolor: motivos para manter o bom humor

 

Fluminense 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

 

Bem humorado, como devemos ser quando falamos de futebol, independentemente do resultado da partida, meu colega de rádio Carlos Alberto Sardenberg costuma brincar ao explicar os resultados de seu time do coração (que, por sinal, é outro tricolor, também). Para ele só existem dois resultados no futebol: ou nós ganhamos ou fomos roubados. Às vezes somos “roubados” e não perdemos, empatamos. Como aconteceu no sábado à noite, no Rio de Janeiro, quando estávamos prestes a reivindicar a Taça Guanabara de 2013, pois conquistaríamos a sexta vitória contra times cariocas neste Campeonato Brasileiro. Tudo bem que fecharemos a temporada invicto contra as equipes do Rio – podendo incluir nesse histórico, os jogos pela Copa Libertadores -, mas o resultado da última rodada foi servido com um gosto amargo, pois estávamos a alguns minutos da conquista quando aquela bola foi desviar no calcanhar de Rhodolfo, logo ele o mais seguro dos nossos zagueiros, subiu como nunca deveria ter subindo e caiu onde jamais deveria ter caído, dentro do nosso gol, distante, muito distante, do alcance de Marcelo Grohe – aliás, goleiro que merece menção especial por tudo que realizou nesta partida. Ele, em particular, não merecia levar o gol daquela maneira.

 

Curiosamente, o gol saiu poucos instantes após o árbitro, traído por seu auxiliar, ter sinalizado impedimento de Kleber quando o atacante estava disparando, completamente sozinho, em direção ao gol adversário. O erro crasso abortou o que poderia ter sido o gol definitivo da vitória gremista que iria nos aproximar ainda mais do líder do campeonato. O bandeirinha não percebeu – pois não consigo imaginar que ele não conheça as regras do futebol – que Kleber havia arrancado do seu campo de defesa, o que elimina a possibilidade de impedimento. Como desgraça pouca é bobagem, o juiz ainda puniu nosso atacante com um cartão amarelo que o tira da próxima partida. Fosse honesto consigo mesmo, o árbitro viria a público nesta segunda-feira e pediria desculpas a Kleber, pedindo para que o cartão fosse desconsiderado.

 

Ok, eu sei que cartões não podem ser cancelados após o jogo. Sei também que erros do juiz fazem parte desse mesmo jogo. Às vezes, passam despercebidos, outras desequilibram a disputa. Na maioria dos casos, o erro é cometido por falta de atenção, pressão excessiva ou falta de competência para acompanhar a velocidade dos lances. Há, ainda, isso é de conhecimento público, juiz sem-vergonha que erra de propósito.

 

Seja qual for o motivo da barbeiragem do árbitro desse sábado (desde já, honestamente, descarto a desonestidade), dedico esta Avalanche para falar de erros de arbitragem não porque entenda que a causa do empate azedo esteja no apito indevido do juiz. Mas para não ter que ficar aqui escrevendo mal do Grêmio, afinal empatamos mesmo foi por nossos próprios erros, por falta de capacidade de anular o adversário que teve um jogador expulso e por não matar o jogo quando tivemos chances e o árbitro não se intrometeu. É uma boa forma de não perder o humor com o time do qual tanto gostamos.

 

Seja como for, aí estamos, depois de mais uma rodada: um ponto mais próximo do líder e com a vaga para a Libertadores praticamente garantida a dez rodadas do fim do Campeonato Brasileiro. Tem gente com inveja dessa situação e com muitos motivos para estar de mau humor, pode ter certeza!

De Facebook

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

E então, falar de quê?

 

Ficar falando do malfeito re-re-feito, do maldito, do mal-entendido, não leva a nada, e não é solução; mas é contagiante. Há que ter muita força de vontade para se propor a um descondicionamento e consertar pensamento por pensamento, palavra por palavra, sentimento por sentimento, certeza por incerteza.

 

Recondicionamento não é fácil; é como endireitar a coluna, aprender a sentar nos ísquios ou treinar a escrever com a outra mão.

 

Descartei dois textos que tinha programado para este espaço. Os dois tinham recebido a comenda do Ponto Final, mas no fundo e na superfície pensei, ponto final é apenas o momento em que você se desliga de uma onda de pensamento organizado e se entrega à folia do pensamento alternado, sobreposto ou imposto. Você se rende à sua mixórdia pessoal-mental, sem pudor nem estratégia. Anarquicamente. Entrega-se ao caos criativo diário que nos leva de uma ação a outra, ou nos rende e nos põe a nocaute.

 

Depois de acordar super tarde, tomar meu café da manhã informada e abalada pela página de notícias, decidi que andar na esteira era ideia descartada, e sair de casa também era. E fiquei.

 

Lendo as notícias, resisti bravamente a compartilhar no Facebook aquilo que mais mexia comigo, tentando focar mais no bom do que no ruim, para começar bem o dia, combinando com a minha refeição favorita. Deslizei um par de vezes, até me decidir a desconectar e repensar. Tentar entender o que é o Facebook para mim.

 

Em primeiro lugar – para mim, sempre é bom lembrar – é uma fórmula mágica de estarmos próximos das pessoas que amamos, onde quer que estejamos. Dou sempre uma olhada na minha turma e fico feliz quando tudo está bem, e cada um postando o que lhe dá na telha, ou não. Terapia em grupo para quem tem coragem de expor suas ideias, estado de espírito, gosto e desgosto, ideal e decepção. Assim, um dia estamos leves e no outro pesados. Tem quem respeita a opinião do outro e quem não admite ideia diferente. Amarelo é uma das minhas cores favoritas…

 

Tem a turma que dá a cara e recebe porrada, e tem a turma do come-quieto. Tem radical e moderado, tem sem-noção e antenado, o bem e o mal-amado e/ou mal-intencionado. Tem Dilma e Obama, Freud e psicopata, branco-pardo-preto, índio e indiano, judeu e muçulmano. Tem católico, ateu e tem tô-nem-aí. Tem pobre e tem rico, tem ópera e circo, Dostoyewsky e Paulo Coelho.

 

Sem cota.

 

Sinto que essa interação é mais um passo da humanidade na direção do enfraquecimento da individualidade, por mais que possa parecer o contrário ou o descontrário. Estamos todos, do Chuí ao Havaí, menos sozinhos. Fazemos parte de uma tribo, respeitando, aprendendo e ensinando, mesmo que as tuas certezas não gostem das minhas.

 

A interação leva à deposição da solidão e à aceitação de que individualmente somos nada.

 

Assim, saúdo e desejo saúde aos meus amigos, aos hackers, espiões nacionais e internacionais, ao senhor Obama e à dona Dilma. Agradeço o carinho e a companhia de todos, e prometo postar mais alegria do que tristeza, mais elogios a quem merece, e menos crítica e ibope (já desacreditado) a quem não merece nem mesmo uma citação. Vou desviar minha atenção. Fazer o que eu sempre apregoei, mas onde ainda tenho muito a aprender.

 

Beijo, feliz domingo e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Atenção, senhores passageiros da primeira classe!

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Conforto, luxo, exclusividade, requinte. Quando pensamos em viagem de primeira classe esses são os ícones que nos vêm à mente. Nela encontramos privilégios tais como espaço amplo, excelente comida e noite de sono relaxante. Porém, há passageiros que vão além. Eles compram sua própria aeronave. Aceitam pagar de U$ 3 milhões a U$ 55 milhões, conforme o modelo, para conquistar privacidade e voar com privilégios incontestáveis. mas fazem esse investimento, também, pelo inegável fato de que as companhias aéreas comerciais reduzem custos afetando a qualidade dos serviços. Soma-se a isso o tempo que normalmente o cliente perde ao enfrentar filas em aeroportos para check-in, alfândega e outros serviços pré ou pós-viagem.

 

Diferentemente das companhias aéreas comerciais, na aviação executiva pessoas e empresas adquirem aeronaves equipadas de acordo com seus gostos e necessidades pessoais, usufruem de privilégios como embarque e desembarque com maior rapidez, privacidade durante o vôo, escolha de equipe (piloto e tripulação) de confiança, serviço de bordo sob medida, além de opções de itinerários que evitam conexões e encurtam viagens. Para as empresas, a privacidade tem relevância ainda maior: o avião particular permite a executivos discutirem estratégias confidenciais de projetos e negócios com garantia de sigilo. Em vôo comercial corre-se o risco de haver um concorrente em assento próximo.

 

 

Os jatos particulares já fazem parte do cotidiano de muitos milionários e empresas em diversos países. Os Estados Unidos têm a maior frota. O Brasil, a segunda maior frota de aviação geral do mundo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). Temos ainda o maior mercado no segmento de aviação executiva na América Latina, com aproximadamente 1.650 aeronaves, sendo 650 helicópteros, 350 jatos e 650 turboélices. A cidade de São Paulo, principal centro econômico do país, concentra 35% dessa frota. No Brasil, Embraer, Gulfstream, TAM Aviação Executiva e Líder Aviação são algumas das empresas que detém esse mercado seletivo e exigente.

 

Com a globalização, a falta de tempo e a constante busca por qualidade de vida mais elevada, essas poderosas máquinas vêm se tornando necessidade para empresas e consumidores de altíssimo poder aquisitivo. Diante do luxo feito sob medida para cada cliente, economia de tempo, agilidade, conforto, privacidade e segurança oferecidos aos proprietários dessas aeronaves, as companhias aéreas têm um novo desafio que é a necessidade de exceder as expectativas para manter seus clientes da primeira classe.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Não dá pra aceitar 43 mil mortes no trânsito

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu assunto de quinta-feira da semana passada foi a preocupação que me persegue desde a infância. Cheguei a lhe dar nome próprio,isto é, Dona Preocupação. Lembrei que, aos sábados, quando emprestava o carro ao Mílton para uma saída noturna, enquanto a mãe dele dormia a sono solto, eu permanecia acordado até ele chegar. Já naquela época, embora em Porto Alegre o número de automóveis fosse bem menor do que o de hoje em dia, eu rezava para que o meu filho voltasse incólume do passeio, não por desconfiar do seu comportamento ao volante, mas por medo dos motoristas que, especialmente à noite, se sentem tentados a pisar forte no acelerador.

 

Na semana passada, or exemplo, tivemos, aqui nesta cidade, dois acidentes com vítimas fatais, ambos envolvendo jovens. Em um deles,o irmão da vítima, ao ver que o mano, que costumava lhe dar carona, tardava a chegar, pegou um táxi e saiu atrás dele. O Vectra que o moço pilotava havia derrubado um poste e se incendiado. Testemunhas revelaram que um carro negro, dirigido na contramão, teria provocado a tragédia e fugido do local. Poucos dias depois, também à noite, três automóveis participantes de um racha,chocaram-se e, além dos que ficaram feridos,morreu o motorista de um deles.

 

O trânsito é um dos assuntos que abordo algumas vezes em meus textos, neste blog, porque é uma das minhas preocupações. Afinal,conforme lembrou Rosane de Oliveira em sua coluna do dia 2 de outubro,citando opinião do psiquiatra Flávio Pechansky, diretor do Hospital de Clínicas e da UFRGS, estamos 30 anos atrasados nesta matéria. Fico feliz ao ver que, hoje e amanhã, dezenas de jornalistas estrangeiros vão participar do 1º Simpósio Internacional sobre Drogas, Álcool e Trânsito, que terá lugar no Hotel Plaza São Rafael. Estará em pauta o debate das possibilidades da redução de acidentes, com base em experiências que obtiveram sucesso no Hemisfério Norte. Especialistas estrangeiros em trânsito não conseguem compreender, segundo Pechansky, citado por Rosane,a naturalidade com que o Brasil aceita a morte de 43 mil pessoas, por ano,em acidentes,além do número maior de feridos. O simpósio destes dois dias será preparatório ao Congresso Mundial sobre Trânsito,Álcool e Drogas que,pela primeira vez na América Latina,será realizado na cidade de Gramado. Desejos aos participantes do 1º Simpósio que tirem dele o melhor proveito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: tem, sim, uma só explicação

 

Grêmio 1 x 2 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Não busque a lógica para explicar esse resultado.
Nunca tente explicar o que acontece com o Grêmio nessas horas.
Não queira saber as estratégias que impediram nossa vitória.
Jamais você saberá o que nos leva a resultados como esse.
O inesperado sempre nos ronda.

 

A técnica, o técnico?
A tática, a escalação?
Não existe uma resposta, mesmo que os comentaristas as busquem.

 

Minto, tem, sim, um motivo para acontecer o que aconteceu.
Um só motivo.
Eles têm Galatto no gol.
E mitos nós respeitaremos eternamente.
Eles são imortais.

 

Galatto é mito.
Galatto é imortal.

Nossos ídolos não são mais os mesmos e as aparências não enganam

 

Por Carlos Magno Gibrail

 


O punhado de artistas que foram mais censurados pelo regime militar, exatamente pela qualificação, ação e expressão que representavam, se junta novamente agora. Só que para defender o controle da informação. Uma brutal mudança de lado.

 

O DCDP – divisão de censura de diversões públicas, criado em 1968 pelo Governo Militar, censurou previamente artes e comunicação. O critério talvez fosse não tê-lo, porque cobria moral, política, religião, e eventuais suposições do censor que quando não entendia o texto, a cena ou a foto agia de acordo com a sua incompreensão. E como toda a censura, foi descambando para o ridículo. Tipo um seio à mostra pode, dois não pode.

 

Chico Buarque foi o mais censurado, mas deu seu recado. “Cálice” (ou Cale-se), dele e de Gilberto Gil, ambos exilados, foi uma das grandes performances a favor da liberdade de expressão.

 

Caetano Veloso, assim como Chico e Gil, foi exilado e deixou um acervo importante contra a ditadura. “É proibido proibir” foi umas das suas melhores obras.

 

Milton Nascimento, o artista que teve a música mais decepada, “Diálogo entre pai e filho” ficou só com “Meu filho”, foi também um dos que mais lutaram contra o DCDP. Ainda assim faz parte do recente grupo Procure Saber, composto por Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan e Erasmo Carlos presidido por Paula Lavigne, cujo objetivo é exigir a autorização prévia do biografado para a comercialização de livros.

 

O “Rei” Roberto Carlos ganha um reforço e tanto. Principalmente, porque enquanto Sua Majestade nunca teve posição política, esse grupo esteve no front da luta democrática. E, venceu, com louvor.

 

Ao buscar compreender tamanha distância, maior até do que os 45 anos que as separam, entre a posição democrática de então e a ditatorial de agora, encontro na explicação de Lavigne a chave do enigma. Respondendo a ANEL – Associação Nacional de Editores de Livros, entidade que move ação no STF para liberar a publicação de biografias sem a autorização de personalidades públicas, Paula Lavigne em matéria da FOLHA, informa que não é contra a publicação, mas apenas a comercialização. E foi além, ao pedir que a matéria fosse aprovada por ela antes de ser publicada. Mas Djavan não ficou atrás ao declarar em nota enviada ao jornal O GLOBO que a liberdade de expressão é um problema porque “Privilegia o mercado em detrimento do indivíduo”.

 

Portanto, o dinheiro é a expressão maior deste grupo que outrora se movia pela democracia, “sem lenço e sem documento”, “para ver a banda passar” ou para determinar que ”é proibido proibir”.

 

“O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Criadora da Cidade Limpa defende “guerra urbana” em defesa da lei

 


Por Regina Monteiro

 

São Paulo no Terraço Itália

 

Sentada em frente ao rio, eu observava o contorno dos edifícios, as cores, as formas, o horizonte. Não tem uma nuvem no céu. Alguns cisnes famintos, patos e outras aves ficavam me olhando na espreita que algum alimento fosse-lhes atirado, um jogo estimulante de informações e fechei os olhos para me sentir fazendo parte daquele cenário. E o que ouço? Os pássaros? Não! Um pequeno grupo de brasileiros falava tão alto, tão espalhafatosamente que os bichinhos saíram todos correndo de volta para a água. Praga é assim. Atrai pessoas do mundo inteiro, mas certamente o numero de brasileiros é quase imbatível se compararmos com os turistas de toda a Europa. Por que atravessamos o oceano, ficamos mais de 10 horas dentro de um avião se ainda temos cidades no Brasil que possivelmente nunca vamos conhecer? Tortura pura. Ou talvez seja o nosso desejo de conhecer cidades estruturadas, organizadas, com características especificas que nos façam sonhar.

 

São Paulo venceu um pequenino obstáculo para fazer com que as pessoas pudessem sonhar. Pelo menos começamos a enxergar um pouco das nossas cores, o contorno dos nossos edifícios, o movimento da nossa história. Políticos, moradores, comerciantes, técnicos, todos se esforçaram de forma mágica para que uma lei “pegasse” e pudesse mudar o rumo da nossa da história, da história de São Paulo.

 

Foi em 2006 que tive a oportunidade de escrever um texto de lei, que começaria a mudar a cara da nossa cidade. Como a nossa Constituição Federal garante aos municípios a tutela do meio ambiente urbano, a partir de leis específicas, entendi que o texto a ser escrito deveria restabelecer ao cidadão o direito de fruição à paisagem urbana, sem qualquer interferência que não fosse a comunicação dos serviços públicos e ao bem comum.

 

O meu querido professor de direito urbanístico José Afonso da Silva afirma que a paisagem urbana “é a roupagem com que as cidades se apresentam a seus habitantes e visitantes”. Na sua opinião, “a boa aparência das cidades surte efeitos psicológicos importantes sobre a população, equilibrando, pela visão agradável e sugestiva de conjuntos e elementos harmoniosos, a carga neurótica que a vida citadina despeja sobre as pessoas que nela hão de viver, conviver e sobreviver”. É de toda a população, portanto, o interesse de morar em uma cidade esteticamente agradável e bonita. O grande e delicioso desafio seria colocar no papel um projeto de lei que promovesse a organização do espaço público com garantias de implantação de forma harmoniosa dos elementos de infraestrutura urbana, da vegetação, do mobiliário urbano, das informações de interesse público e até a publicidade entraria na paisagem de forma digna, trazendo qualidade de vida para todos os cidadãos.

 

Primeiro tínhamos que declarar patrimônio público a nossa paisagem, ou seja, tudo que enxergássemos de uma rua ou de uma praça “seria” um direito de todos. Portanto ninguém poderia explorar financeiramente e usar a nossa paisagem sem uma contrapartida que trouxesse grandes benefícios de interesse público. As grandes peças tipo outdoors, back e frontlights foram proibidas e a publicidade exterior migrou para espaços públicos em mobiliário urbano a partir de projetos urbanísticos que identificariam as diversas regiões da cidade.

 

A segunda seria estabelecer padrões “dos letreiros” nas fachadas dos estabelecimentos comerciais, de serviços e demais instituições, que garantissem uma justiça visual, onde grandes e pequenos pudessem ser vistos por todos.

 

E por fim deveríamos estabelecer um pacto com todos os setores da sociedade que resultaria em um Plano Diretor da Paisagem Urbana, que daria rumo para as características essenciais de transformação para São Paulo.

 

E assim foi. Em setembro de 2006, foi aprovada por unanimidade (ou quase, um vereador do setor publicitário se absteve) na Câmara Municipal a lei que começou a mudar a cara da cidade, a lei que ficou conhecida como Cidade Limpa. Vencemos mais de 200 ações, fizemos centenas de reuniões com os diversos setores da sociedade, como a associação dos supermercados, dos padeiros, dos bancos, das farmácias, das grandes lanchonetes, das grandes redes de lojas, das montadoras de automóveis, dos hospitais e mais tantas que não me lembro agora. É evidente que a fiscalização começou a multar e a recolher faixas e mais faixas da rua, mas o convencimento corpo a corpo que a nossa pequena equipe fez (éramos três) creio que foi fundamental. Alguém pensa que foi fácil convencer a associação comercial e demais comerciantes que todas as lojinhas, sem exceção, deveriam diminuir suas placas com recursos do próprio bolso, tudo porque a “cidade ia ficar mais bonitinha?” ( era isso que ouvíamos dos comerciantes).

 

Nós fazíamos questão de mostrar tudo que a lei oferecia e quais eram os benefícios para a cidade em qualquer setor da sociedade, de manhã à noite, de segunda a segunda. Vários deputados e vereadores evangélicos reuniram seus pastores, e participamos de muitos cultos com fiéis cidadãos que nos ajudaram a mostrar que Jesus ouve com o coração e não com o tamanho da placa na porta da igreja. Para a lei “pegar” todos tiveram que se adaptar. Inclusive a própria prefeitura? Fizemos, conforme a lei determinava, padrões de tamanho de placa para as escolas, hospitais e demais orgãos públicos.

 

A lei pegou e todo mundo gostou. Todo o “mundo” mesmo. Estou falando do planeta terra. Fomos parar em Shanghai, na China, onde ganhou o quarto lugar como melhor prática urbana e tivemos o direito de mostrar “a lei Cidade Limpa em São Paulo” para o mundo na EXPO WORLD. Ganhou o prêmio “Emotional Branding Visionary Award” dos Estados Unidos, recebeu da Deutsche Werkbund o selo “Werkbund-Label” na Alemanha, o prêmio “Brit Insurance Design of the Year” do Museum Design of London ….

 

Agora, contra tudo o que lutamos para que a “lei desse certo”, principalmente quanto a beneficiar poucos em detrimento de muitos, a Câmara aprovou em primeira votação a desconstrução de todo trabalho para que os paulistanos voltassem a sonhar.

 

Eu apelo aos publicitários conscientes, aos comerciantes que já gastaram um bom dinheiro para adequar os seus letreiros, as associações organizadas de moradores e demais setores da sociedade que se mobilizem e entupam com e-mails os gabinetes dos vereadores, liguem para eles e demonstrem o seu repúdio absoluto a essa descabida aprovação na Câmara, para dar mais força a NÃO SIMPATIA de sua excelência o prefeito Sr. Fernando Haddad em destruir um sonho que já estava se concretizando.

 

Eu vou fazer o que for preciso para que  a população que aprova com mais de 68% a Lei Cidade Limpa se mobilize e pressione os seus vereadores para que eles não entrem nessa esparrela de aprovar o conjunto de projetos de lei que acabam com uma das coisas que São Paulo tem de mais digna no momento: sua Paisagem. Faremos uma “guerra urbana” para garantir a nossa civilidade.

 

Ainda estou em Praga, mas estou voltando.

 


Regina Monteiro é arquiteta, urbanista e idealizadora da Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2006, em São Paulo. Escreveu este artigo a pedido do Blog do Mílton Jung que é a favor da manutenção das regras atuais em defesa da qualidade de vida do nosso ambiente urbano.