Conte Sua História de SP: o engraxate do meu avô

 

Por Paolo Romano
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Essa é uma das muitas histórias de amor e ódio que vivo com essa cidade. Já sai pra morar fora, mas é difícil ficar longe daqui.

 

 
Nasci e me criei no bairro da Penha. Primeira geração de imigrantes italianos que escolheram o bairro para fixar residência. Meu avô paterno, do qual herdei o nome, era sócio com seu cunhado das cadeiras de engraxate que ficavam na estação Roosevelt no Brás, isso na década de 60.

 

Em 1964, eu com então quatro anos, tinha como programa dominical, após o almoço em família, ir com meu avô para a Roosevelt, caminhávamos de casa até o Largo da Penha para pegar o bonde que nos levaria à estação. A estação era meu playground, eu corria naquele piso que brilhava, tudo era limpo e bem cuidado, as pessoas que andavam por lá tinham aquela elegância paulistana dos anos 1960. Os engraxates que trabalhavam com meu avô usavam um uniforme com calça preta, jaleco e camisa brancos, completando o visual com gravata e sapatos pretos que brilhavam em seus pés. Os passageiros que chegavam do interior com as botinas cheias de barro tinham como destino certo as cadeiras dos engraxates, e de lá saíam com o pisante brilhando para sua estada na Capital que começava a florescer.

 

 
Infelizmente, essa minha diversão durou pouco tempo, os bondes foram aposentados e meu avô se desfez das cadeiras. Ficaram as lembranças e a saudade do meu avô, da estação  e de uma São Paulo que já não existe mais. Não tenho nenhuma foto daquela época e caso algum ouvinte tenha imagens da estação, na década de 1960, eu gostaria muito de vê-las. Quem sabe encontro alguma do meu avô ou do meu tio engraxando os sapatos dos chegantes.

 

Paolo Romano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou mande um texto para mim: milton@cbn.com.br
 
 
 
 
 

Um comentário sobre “Conte Sua História de SP: o engraxate do meu avô

  1. Oi Milton, gosto muito do seu trabalho. Curti sua entrevista no Fim de Expediente há algumas semanas. A explicação que você fez sobre a imparcialidade do jornalista eu achei genial. Queria ter anotado o que você falou mas não consegui. Disse algo como, ‘não existe jornalismo imparcial. Porém o que eu procuro fazer é (…)’, você disse uma palavra, uma explicação que define muito bem a sua conduta como jornalista. Gostaria que me ajudasse a recordar.

    No mais quero registrar aqui que todo dia te levo na minha moto pelas ruas de Campinas. Trabalho a 13 km de casa, vou de moto com um fone na orelha. Sempre das 8h25 até as 9h. Nossa, estou demorando bastante pra percorrer 13km né!

    Ah, antes de finalizar, quero registrar que acho muito chato, ruim, sem graça a participação do Madureira às sextas. O programa ficaria muito bom como sempre foi, sem ele. Não acrescentou, só estorvou.

    Meu abraço de admiração e respeito,
    Felipe

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