Fora da Área: confesso minha infidelidade na Copa

 

 

Desde que a Copa se iniciou tenho me transformado em um vira-casaca de carteirinha – no futebol, vira-casaca é como chamamos o torcedor que troca de clube, que torce um dia para um, outro dia para outro. Você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem que de time não mudarei jamais. Serei gremista até a morte (apesar de que gremista é, por tradição, imortal, ou pensa ser). Já registrei neste blog, também, o quanto e por que torço para a seleção brasileira. Sendo assim, quando Grêmio e Brasil estiverem em campo, não tenha dúvida de que lado estarei. Agora, quando estamos diante de uma Copa do Mundo, onde 32 seleções se enfrentam, e você assiste a praticamente todos os jogos, o coração fica despedaçado. Claro que eu poderia apenas ver as partidas como um admirador do esporte, mas sou muito passional para não ser conquistado por uma ou outra seleção que esteja em campo.

 

Uso alguns critérios pouco confiáveis para decidir se comemoro um gol ou não. Por exemplo, por Jung que sou nada mais natural do que sempre estar ao lado da Alemanha. Posso debandar para a Itália em homenagem ao Ferretti que carrego no sobrenome. Uruguai e Argentina merecem minha admiração pela proximidade com o Rio Grande do Sul, onde nasci. Conheci os países do Cone Sul antes mesmo de viajar para qualquer estado brasileiro. Tem ainda os Estados Unidos onde nasceram e ainda moram três dos meus sobrinhos, ou a Inglaterra que o filho mais velho admira pela língua, ou a Coreia do Sul que o mais novo gosta devido aos costumes e ao videogame.

 

Agora mesmo estão jogando Alemanha e Estados Unidos enquanto na outra partida está Portugal e Gana. Seria bom ter os portugueses na próxima fase, pois gosto de craques como Cristiano Ronaldo, mas a seleção não ajuda muito. Os alemães tem vários deles e não precisaria da minha torcida, no entanto é admirável a forma como jogam e sei que lá em casa, em Porto Alegre, tem gente feliz. Ao mesmo tempo é louvável o esforço dos americanos em praticar o esporte e isto me entusiasma durante a partida em alguns momentos. Os ganeses, depois de todas as confusões, não mexem comigo. Nesse vai e vem de emoções, torço por um gol aqui, quem sabe a reação acolá. E, talvez, se o empate vier, por que não uma virada? Vibro com jogadores que lutam de forma destemida mesmo diante de todas as suas limitações, por isso esperei um gol do Equador contra a forte França, na penúltima rodada. Comemorei toda vez que Messi marcou, em especial no finzinho daquele jogo com o Irã, apesar de estar achando incrível o que os iranianos conquistavam até aquele momento frente a uma das seleções favoritas ao título. Aplaudi todos os gols de Inglaterra e Uruguai quando fui à Arena Corinthians.No fim, percebo que o que mais quero nesta torcida da Copa é assistir a jogos bastante disputados, bola rolando com qualidade e jogadores se expressando com raça. Torço para ser testemunha da história que alguns desses personagens incríveis estão escrevendo.

 

Chegamos à segunda fase da Copa e pela forma como foram definidos os confrontos para as oitavas de final, percebo que ainda vou exercitar muito a minha infidelidade de torcedor. Menos amanhã, porque amanhã é Brasil. E eu sou fiel torcedor do Brasil.

2 comentários sobre “Fora da Área: confesso minha infidelidade na Copa

  1. Torcemos pelas mesmas seleções,Mílton,porque não é possível ficar neutro.Ao ler o teu texto percebi que,em nosso cardápio,estão as seleções alemã,italiana,argentina e uruguaia. Por motivos que já expliquei no teu blog,logo abaixo,o México tem um lugar especial aqui em casa. Quanto aos demais,escolho na hora do jogo por qual torcer. Ah,se a Seleção Mexicana pudesse ser finalista. Assim,no dia 29,não perderei o jogo entre Holanda x México.Que fique sabendo disso,esteja onde estiver,o meu inesquecível amigo Salvador.

  2. Milton, estou torcendo para os times da América.
    Além do legado que algumas novidades trarão, e que pela tendência iremos efetivamente receber.
    Da tecnologia dos tecidos aos minutos reais de acréscimo passando pelo chip na bola e pelo prometido “desafio” que Blatter sinalizou hoje aos técnicos, já será um bom resultado.
    Vamos ficar devendo o absurdo das altas temperaturas que servimos aos visitantes. Não vai dar mais para reclamar da altitude dos bolivianos, peruanos, etc.
    Sem falar da “burrice” dos treinos no frio da serra fluminense. Ridículo.

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