Procura-se o Felipão dos velhos tempos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Obriguei-me,durante a Copa do Mundo,a tratar de futebol. Antes do Mundial esse era um assunto que somente abordava ao comentar o que o Mílton escrevia neste blog após cada jogo do Grêmio. Vou,nesta quinta-feira,retornar ao tema,eis que o nosso time – o dele e o meu – saíram do lugar comum ao trazer de volta um dos mais discutidos técnicos de futebol não apenas do Brasil,mas do mundo,em razão do elástico 7 x 1 aplicado,sem dó nem piedade pelos alemães,na nossa Seleção. Duvido que, até hoje,nem mesmo os maiores “experts” em futebol se atrevam a dizer,sem medo de errar, qual foi a verdadeira razão do tremendo apagão sofrido,em uma Copa do Mundo,por um selecionado que,além de ter sido pentacampeão do mundo em 2002,,derrotando na final a Alemanha que,de certa forma,12 anos depois,se vingou ao enfrentar o técnico responsável por nossa vitória:Luiz Felipe Scolari.

 

É esse,exatamente,o treinador escolhido pelo Grêmio para substituir Enderson Moreira,aposta fracassada da direção tricolor. Zero Hora postou,na capa de sua edição de 29 de julho,essa manchete: “Em busca do técnico perfeito”. Não creio que exista tal tipo de profissional. Muito são bons…enquanto não esbarram em uma série de maus resultados. O que levou Fábio Koff a trazer de volta Felipão? Em primeiro lugar,o presidente gremista mostrou que o passado dele – Scolari – no Olímpico,está acima de qualquer suspeita. Sua passagem pelo velho estádio foi uma das mais exitosas que os gremistas da minha idade têm na lembrança,sem falar,é claro,na de Ênio Andrade,que deu ao Grêmio o primeiro título nacional em um jogo inesquecível contra o São Paulo,no Morumbi. Lembro-me,como se fosse hoje,como Ênio,conversando comigo às vésperas da partida final,explicou-me como pretendia que o Grêmio jogasse. E deu no que deu. Desculpem-me,caros e raros leitores,por ter colocado Ênio Vargas de Andrade em meu texto. Com estilo bem diferente de Luiz Felipe – jamais ouviu-se um palavrão brotar da boca do meu amigo Ênio – enquanto,no dia da derrota acachapante da Seleção Brasileira,proferiu-os sem papas na língua. Seja lá como for,eu gostaria de ver de retorno ao Grêmio um Felipão igualzinho ao dos velhos tempos,em que garimpou,no Olímpico,uma carreira cheia de vitórias. Koff,ao trazê-lo de volta,deve ter baseado a sua escolha no Felipão que ainda não era famoso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

2 comentários sobre “Procura-se o Felipão dos velhos tempos

  1. Respeito o passado do Felipão. Não é porque perdeu a Copa que é um péssimo técnico. Só que eu acho que Felipão, Luxemburgo, Muricy são bons quando trabalham com times que dão suporte (atletas de ponta e de nome) do contrário são normais iguais aos outros. Veja o caso do Felipão no Palmeiras, no passado com grandes atletas era vitorioso, depois na última passagem segunda divisão para o Verdão. Espero que tenha sucesso no Grêmio.

  2. Também acredito no seu trabalho.
    Não tenho dúvidas que trará alegrias para esta camisa.
    Assim como a velha camisa, digo, manto, citado pelo Milton, que teria sido roubada a dois anos, espero que o orgulho pelo velho novo técnico possa refletir a mesma glória no presente.
    Saudades do tempo de Ênio Andrade, Oswaldo Brandão, mestre Telê, os times ajudavam, mas tem que saber comandar.
    Estava no Morumbi assistindo a derrota do São Paulo para o Grêmio, gol de Baltazar e deu prá sentir como é copeiro esta equipe.

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