Avalanche Tricolor: Felipão, eternamente gremista!

 

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Lá se vai Felipão! É o que pensam muitos daqueles que resumem sua vivência com o futebol ao que se publica nas reportagens esportivas. Imagino que outros tantos, que costumam se ater a breves capítulos em lugar de analisar a história, também devem estar crentes dessa verdade. Leram hoje pela manhã que o técnico deixava o comando do time que assumiu no ano passado, após a perda do título Gaúcho e de dois resultados negativos no Campeonato Brasileiro. E acreditaram. Ledo engano!

 

Felipão não se irá jamais do Grêmio. Ele eternizou seu nome, deixou suas marcas e troféus. Será para sempre lembrado pela forma como forjou times vencedores, mesmo quando os títulos não foram conquistados. Transformou elencos muitas vezes mal-falados pela crítica em grupos de batalhadores, talentosos e vitoriosos jogadores. Ajudou a construir o mito da imortalidade.

 

Em suas passagens pelo comando da equipe levou o Grêmio dez vezes a finais de competições. Nos fez campeões gaúcho em 1987, 1995 e 1996; da Copa do Brasil, em 1994, da Libertadores, em 1995, da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Brasileiro, em 1996. Até à final do Mundial Interclubes nos levou, e só não a levou por circunstâncias tortuosas que apenas quem é gremista sabe bem quais foram.

 

Como técnico do Grêmio, ganhou sete finais de dez disputadas. Ganhou de goleada: 7 x 3. Foi também uma goleada histórica, 4 x 1, em um Gre-Nal, jogado no dia de seu aniversário, seu legado nestes dez meses em que, graças a fidelidade ao ex-presidente Fábio Koff, se dedicou a treinar o time gremista. E registro esse fato, pois acabo de ler de um crítico que Felipão não fez nada pelo Grêmio nessa passagem. Memória curta!

 

Felipão fez, sim! E, mesmo agora, quando sai do cargo, segue fazendo ao escrever carta na qual alerta para os riscos que o Grêmio corre, vítima que pode ser de uma luta política que só serve aos que pensam apenas em seus interesses. Com a personalidade que agregou à imortalidade tricolor, diz que deixa o Grêmio agora para não impor nenhum ônus ao clube: “eu quero deixar o Grêmio em condições e possibilidades de até boas contratações se assim quiser. Porque aí será melhor para o Grêmio. Eu como gremista gostaria de ver muito mais. Um Grêmio muito melhor”.

 

Ao ler que Felipão foi embora do Grêmio, não acredite, não. Felipão não se irá jamais! Felipão sempre será do Grêmio! Eternamente gremista!

Avalanche Tricolor: nossa hora está chegando

 

Grêmio 1 x 0 Figueirense
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Barcos chega a marca simbólica dos 28 gols ao decidir a partida desta noite na cobrança de pênalti. Foi a meta que ele se propôs ano passado, registrada no número da camisa, mas que só foi alcançada nesta temporada. É o nosso goleador e um dos maiores goleadores do futebol brasileiro na atualidade. Joga sempre no sacrifício, quase isolado, a espera de bolas que poucas vezes chegam redonda aos seus pés. Os zagueiros, no cumprimento de suas funções, são implacáveis com ele. Apanha por trás, por baixo e por cima. Não bastasse o que sofre lá na frente, é constante sua presença na nossa defesa. Hoje, salvou ao menos dois cruzamentos na nossa área. E, com a personalidade que lhe é comum, cobrou pênalti da maneira clássica: chute forte e no alto, sem qualquer possibilidade de o goleiro esboçar defesa. Cumpriu seu papel.

 

 

Peço perdão a Barcos, porém. Em data tão significativa para nosso atacante, vou dividir a dedicatória desta Avalanche com outro gremista que há algum tempo merece toda nossa reverência. Refiro-me a Marcelo Grohe que a cada partida revela-se maior, seja por defesas espetaculares, como as feitas em jogos passados, seja pela segurança que transmite, como na noite desta quarta-feira. Em jogo no qual a atuação do time foi mediana, Grohe se sobressaiu. As bolas lançadas para a área, os cruzamentos que se aproximavam do nosso gol e os chutes de longa e média distância desferidos pelos atacantes adversários tinham um só destino: as mãos de Grohe. Por cima, por baixo e por todos os lados. Só dava ele. E, foi o que percebi assistindo à partida pela televisão, o torcedor no estádio reconheceu seu talento ao comemorar cada intervenção de nosso goleiro como se fosse uma conquista.

 

No fim e ao cabo, o fato de o Grêmio estar rondando o G4 a pelo menos 13 rodadas deste campeonato, tem muito a ver com o desempenho desses dois talentos. Barcos, que fez mais da metade dos nossos gols na competição (13 de 25), e Marcelo Grohe, que comanda a defesa menos vazada do Brasileiro (levamos apenas 17 gols até aqui). Tem a ver com eles e com Luis Felipe Scolari que, independentemente de todas as críticas que ouça, construiu um time do tamanho do elenco que tem em mãos e cultiva uma paciência impressionante. Felipão nos faz jogar sempre no limite. Vem cozinhando os adversários rodada após rodada. Muitas vezes nos causando incômodo, desconformidade, mas convicto de que o bote para o G4 tem de ser definitivo, na hora certa. E a hora está chegando (tua batata tá assando).

Avalanche Tricolor: lances que explicam o time de Felipão

 

Botafogo 0 x 2 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Maracanã

 

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Faltavam poucos minutos para se encerrar a partida, resultado praticamente decidido pois Barcos já havia marcado seus dois gols. O adversário ainda ensaiava alguns ataques, apesar da segurança da defesa gremista durante todo o jogo. Uma escapada pelo meio, porém, se transformaria em ameaça ao nosso time, o atacante deles apareceria na entrada da área sem marcação. Ou quase. Pois, o nosso atacante, Barcos, aquele mesmo que já havia marcado seus dois gols, surgiria para despachar a bola para fora e colocar a casa em ordem.

 

Um pouco antes ou depois, já não lembro mais, foi nossa vez de contra-atacar pelo meio, com o trabalho de articulação de Alan Ruiz, que havia entrado no segundo tempo. O gringo encontrou livre pela esquerda, dentro da área, Mateus Biteco, que também acabara de entrar. O volante, que era o homem mais avançado do Grêmio naquele momento, percebeu a chegada em velocidade de Zé Roberto. Nosso lateral camisa 10 já havia participado do início da jogada lá na defesa e mesmo depois de correr quase 90 minutos se apresentava no ataque.

 

Descrevo os dois lances acima, que talvez não apareçam nos melhores momentos que a televisão vai mostrar nos programas de esporte amanhã, porque os considero significativos. Revelam parte do sucesso alcançado pelo Grêmio desde que Luis Felipe Scolari assumiu o comando há pouco mais de dois meses. Cada jogador em campo, comece como titular ou entre no decorrer da partida, está comprometido com as ideias defendidas pelo treinador. Defendem e atacam independentemente da posição para a qual estão escalados. Entregam-se de corpo e alma, mesmo quando há limites técnicos. Sabem que nosso objetivo está no topo da tabela e têm perseverança nesta busca, pois estão cientes de que o caminho é longo, ainda faltam 13 rodadas, são 39 pontos em disputa e um tremendo de congestionamento de times.

 

A vitória deste domingo, além de nos manter nessa caminhada, nos oferece outros sinais animadores. O Rio de Janeiro é praticamente nossa casa, estamos há dois anos e 20 jogos sem perder para times cariocas. Neste campeonato, alcançamos a nona partida seguida sem derrota e completamos 810 minutos sem tomar gol – fato, aliás, que me faz lembrar mais um lance no Maracanã: com apenas um minuto do segundo tempo, instante em que o adversário parecia motivado a mudar o rumo do jogo após praticamente não tocar na bola no primeiro tempo, o ataque deles chega de forma perigosa, faz assistência de letra, completa com um sem-pulo mas se frustra ao ver Marcelo Grohe desviar com a mão esquerda. Nosso goleiro impediu o gol com movimento que levou milésimos de segundo, o que também explica nosso sucesso até aqui.

 

De Grohe a Barcos, sem exceção, todos sabem seu dever e estão prontos a servir. Assim é o Grêmio de Luis Felipe Scolari e quem não acreditar nisso que pegue suas convicções e vá torcer em outra freguesia.

Avalanche Tricolor: obrigado por nos fazer acreditar que sempre é possível

 

Grêmio 1 x 0 Atlético PR
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Poderia começar esta Avalanche agradecendo a Barcos que sozinho dentro da área, em meio a forte marcação adversária, matou a bola no peito, deixou-a correr para o chão e, de virada e de direita, a despachou para dentro do gol. Lance típico dos grandes atacantes. Lance que se espera de um goleador como o Pirata. Uma espera que, às vezes, pode levar mais de 90 minutos, como na noite desta quarta-feira. Quem se importa de esperar. Se esperamos até o fim é porque temos esperança. E Barcos dentro da área é sempre a nossa esperança, mesmo que antes a bola tenha escapado-lhe do pé, tenha sido chutada para fora ou sequer tenha sido alcançada pois ele ficou preso entre os zagueiros.

 

Poderia agradecer a Fernandinho que pela segunda partida seguida deu assistência para o gol salvador. Assim foi contra o Flamengo. Assim foi contra o Atlético do Paraná. E que sempre seja assim. Hoje, ele já havia corrido muito, às vezes mais do que devia; havia carregado a bola, nem sempre pelo caminho mais fácil; havia desperdiçado oportunidades raras contra uma defesa bem estruturada. E esses desperdícios podem ser fatais. Mas Fernandinho também não desiste. Sempre tem a esperança de que é possível fazer mais. Estava na intermediária quando o ponteiro do relógio (eles ainda têm ponteiros?) passava dos 46 minutos do segundo tempo e a paciência do torcedor parecia ter acabado. Desde lá, mandou a bola pelo alto e a colocou no peito de Barcos – o resto você já leu no parágrafo anterior.

 

Poderia agradecer, também, a Marcelo Grohe. Se nos últimos jogos, comemoramos vitórias (e mesmo empates), muito disto cabe ao nosso goleiro que tem feito defesas fundamentais, como quando, com uma só mão e à queima roupa, conseguiu evitar o gol na cabeçada do adversário, ainda no primeiro tempo. Marcelo sempre espera o momento certo para agir. Assim como esperou a hora de se transformar em titular absoluto e admirado do Grêmio.

 

Quero, porém, agradecer mesmo é a Luis Felipe Scolari. Nosso técnico completou apenas um mês no comando do time, reconstruiu uma equipe, mostrou coragem ao fazer substituição no primeiro tempo (ainda que sua coragem não tenha sido retribuída pelo substituto), usou de todos os artifícios para manter o time com a cabeça no lugar apesar do desespero do torcedor e, mais uma vez, aos gritos, ao lado do campo, orientou o caminho do gol. Nem mesmo os erros constantes de alguns dos seus escolhidos, tiraram-lhe a esperança de que a vitória chegaria. No momento de maior tensão, pediu calma a cada um dos jogadores e transmitiu-lhes a certeza de que seriam retribuídos.

 

Felipão nos trouxe de volta a certeza de que, independentemente da qualidade do futebol apresentado, o time jamais deixará de lutar e acreditar. Nos fez recuperar a esperança, o espírito da Imortalidade que marca a nossa história.

 

Por isso e muito mais: obrigado, Felipão!

Avalanche Tricolor: merecíamos a alegria da vitória

 

Flamengo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

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Eu merecia,

Felipão merecia,

Nós merecíamos!

 

Desculpe-me pela falta de humildade, mas foi exatamente esta a sensação que tive ao ver a bola sendo desviada para dentro do gol flamenguista, aos 48 minutos do segundo tempo. Uma jogada que se iniciou sob o comando de Luis Felipe Scolari. Não apenas porque foi ele quem colocou em campo, já no quarto final da partida, os dois protagonistas da jogada, mas, também, porque, ao lado do campo, pouco mais à frente de Pará, que se preparava para cobrar a lateral, Felipão gritava e gesticulava para Fernandinho se deslocar para a direita, onde a bola foi lançada. Com o jogo de corpo, o meio-campista deixou o primeiro marcador caído no gramado e com mais três toques de pé esquerdo se livrou de dois adversários e passou para Luan. A tarefa do jovem atacante não seria mais simples do que a de Fernandinho, pois entre ele e o gol haveria mais quatro defensores a serem batidos. E o foram graças ao talento de Luan, que sabemos existir mas nem sempre nos é entregue. Desta vez, ele tocou cinco vezes a bola antes do chute final, todas com o pé direito, fazendo com que ela fosse para lá e para cá, confundindo os marcadores e deixando o goleiro distante de uma defesa.

 

Desde a volta de Luis Felipe tem sido evidente a melhora de desempenho da equipe, a forma organizada com que os jogadores se posicionam e a existência de uma lógica de jogo. Méritos que nem sempre resultaram em placares favoráveis. Sofremos com jogadas desperdiçadas dentro da área, escolhas erradas de passes e chutes, muitos em momentos cruciais, e até gols perdidos embaixo do travessão. Coisas do futebol, eu sei, mas que não faziam jus ao trabalho que se construía no Grêmio. Provocavam frustrações e escondiam a nossa verdade, gerando cobranças injustas e ironia desproporcional. Foi assim nas três derrotas sofridas no período de um mês no qual Felipão comanda o time. Sim, caro e raro leitor, Felipão só está há um mês no comando e mudou claramente nossa forma de ser e jogar. Neste tempo, e mais uma vez peço—lhe desculpas por me despir da humildade, mesmo diante do revés, previ que iniciaríamos nossa Avalanche (no dia 22/08) e decretei seu início (no dia 24/08). A vitória fora de casa, na noite desse sábado, comprovaria esta tese calçada no sentimento gremista que compartilhamos e na razão que nosso jogo jogado demonstrava.

 

Chegamos a ter essa arrancada ameaçada, a começar pela injúria proferida por alguns dos nossos torcedores que tomaram atitude injustificável e provocaram abalo incalculável à nossa reputação. O preço que estamos pagando é caro e a forma agressiva com que torcedores adversários se dirigiram aos nossos, no Rio de Janeiro, revela o cenário que enfrentaremos a partir de agora (atitude intolerável assim como foram os intolerantes que atacaram Aranha e nos prejudicaram). Todo o drama vivenciado nestes poucos mais de sete dias tinha tudo para impactar o desempenho da equipe, provocando intranquilidade no momento em que o time se reconstrói. Nos desafiavam, também, ameaças muito mais íntimas do futebol, como um adversário embalado pela sequência de vitórias, que jogava em casa, com apoio de quase 60 mil vozes e treinado por um técnico (que não me deixou saudades) sedento de vingança; assim como desfalques importantes como o de Barcos, vice-goleador do Campeonato Brasileiro. Em campo, contudo, fomos maiores e maduros, mesmo os mais jovens. Fizemos o primeiro tempo melhor do que o adversário e tivemos o segundo marcado pela intensidade da nossa defesa e a organização estratégica de Felipão. Foi, então, que o dedo do técnico apontando para Fernandinho conduziu-nos à vitória. Merecida vitória.

 

A imagem deste post é do site Gremio.net

Avalanche Tricolor: só pode ser algum tipo de provação

 

 

Grêmio 0 x 2 Santos
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

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Começo esta Avalanche antes de a partida se encerrar, não porque tenha desistido do jogo. Jamais desistirei. E espero que o Grêmio não desista, também. A tarefa é difícil, mas não impossível. E mesmo que seja impossível, está é uma palavra que não está no nosso vocabulário. Veio para frente do computador, porém, porque estou tentando entender o que acontece. Há algum tempo não assistia ao Grêmio jogar bem, ter rapidez na troca de passe e intensidade no ataque como nestas últimas partidas. Está evidente que o time é melhor neste momento do que foi durante todo o restante do ano. Em textos anteriores já escrevi sobre alguns jogadores que encaixaram melhor no time, tais como Zé Roberto e Dudu. O próprio Barcos melhorou sua participação, sem contar Giuliano que cresceu em seu desempenho (e aí me refiro ao jogo de hoje à noite), após uma fase ruim. Sem contar Marcelo Grohe com defesas incríveis. Não quero porém me estender falando de indivíduos quando o que mais tem me agradado é o coletivo. E é isso que torna mais difícil entender o resultado desta noite. Por muito tempo, nosso time foi acusado de jogar feio, uma forma de desvalorizar vitórias sofridas que tivemos. Agora, produzimos mais, jogamos melhor. Mas o gol não sai, e quando sai não é o suficiente. Será que não estamos fazendo por merecer sorte maior em campo? Será que toda provação imposta a Luis Felipe com a malfadada Copa do Mundo não foi suficiente? Sim, Felipão pelo que fez, pelo que passou e pelo que, agora, está reconstruindo no Grêmio teria o direito de ser recompensado.

 

 

Há outro motivo pelo qual decidi escrever esta Avalanche antes da hora, além da injustiça do placar diante do futebol produzido. Foi a injustiça imposta por um árbitro que não esteve a altura do posto que ocupa no quadro da Fifa (ou esteve). Permitiu jogada irregular na arrancada do segundo gol santista e impediu a nossa arrancada para a virada ao não marcar pênalti em Zé Roberto. Não bastasse a forma displicente com que agiu diante da indisciplina. Prejudicou claramente o Grêmio e com sua atuação desequilibrou o time, mais do que o adversário teria feito por seus próprios méritos (sem desmerecer a qualidade deste). Que fique claro, minha indignação com a injustiça do resultado e do árbitro, não é suficiente para me cegar diante de erros que cometemos. E gostaria muito de ver Felipão fazendo ao menos duas mudanças entre os titulares, porque há erros que têm se repetido com frequência acima da média, e escrevo isso pensando no lado direito da nossa defesa, e jogador que não têm sido capaz de entregar o que promete.

 

 

Chego ao fim desta Avalanche no instante em que a partida se encerra e, infelizmente, ficamos sabendo que algo mais triste do que o resultado e os erros do árbitro acontece no jogo. Idiotas voltaram a usar palavras e gestos racistas, uma gente que não merece vestir a camisa do Grêmio nem ocupar espaço naquela Arena. Deveriam ser extirpados do clube e mantidos afastados das nossas cores. Sinto vergonha do que fazem. E espero não precisar ouvir a voz de nenhum outro gremista defendendo este bando.

A Avalanche Tricolor começou

 

Grêmio 2 x 1 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Corinthians

 

Todo jogo vale três pontos. Toda partida é importante. Todos os adversários têm de ser respeitados, temidos e vencidos da mesma maneira. Tudo isso é verdade, especialmente em competição tão longa e disputada em pontos corridos como é o Campeonato Brasileiro. Você, caro e raro leitor deste Blog, porém, há de convir: existem vitórias que se tornam especiais seja pelo momento seja pela forma seja pelo adversário. A desta tarde de domingo é especialíssima, pois atende a todos os quesitos.

 

Antes de continuar esta Avalanche, cabe uma explicação aos que me leem de Porto Alegre: eu sei que ganhar o clássico Gre-Nal é sempre importante para nosso histórico, contudo, desde que vim para São Paulo, vencer o Corinthians causa-me praticamente a mesma sensação. Não digo isso por comparar a rivalidade existente entre os clubes, apesar de Grêmio e Corinthians terem protagonizados clássicos decisivos que ficaram para a história do futebol brasileiro. Nossas rixas com o co-irmão gaúcho são mais intensas, sem dúvida. Porém, aqui em São Paulo, onde moro desde 1991, não tem uma esquina em que não se encontre um corintiano. Você pega o ônibus, para na padaria, chega no trabalho, olha para um lado, vira a cara para o outro, mas não tem como escapar. Na rádio CBN, onde trabalho desde 1998, eles ficam aguardando no corredor e quando vou ao ar, estão prontos para tocar uma flauta. É a Cátia Toffoletto, é o Márcio Atalla, é o Dan Stulbach, é o Zé Godoy, é deus e o diabo contra você. Ou seja, é vencer ou se aborrecer.

 

A vitória tornará a semana mais tranquila para os gremistas que moram em São Paulo, mas acima disso mostrou que o time que vinha sendo reconstruído por Luis Felipe Scolari começa a dar resultado. Na partida anterior, contra o líder Cruzeiro, já havia escrito da minha satisfação pela maneira com que jogamos na casa do adversário. Lamentava apenas a falta de um matador. Hoje, ele estava em campo e atendia pelo nome de Barcos, que se consagra como o maior goleador estrangeiro na história do Grêmio com seus 36 gols – sete no Brasileiro. O argentino se beneficia agora da excelente performance de Dudu, nosso jovem e atrevido atacante que inferniza os marcadores; e se precisarem dele para roubar a bola lá atrás, é só chamar. O time é bem mais do que os dois jogadores. No gol, Marcelo Grohe com 26 anos – um jovem, portanto – tem merecido todos os elogios do torcedor e foi emocionante vê-lo aclamado pelas arquibancadas ao fim da partida. Na defesa, Felipão se esforça para colocar em campo a melhor escalação: confia muito em Rhodolfo e resolveu muito bem e de maneira corajosa o lado esquerdo com Zé Roberto, que marca e chega ao ataque com a categoria de sempre. O técnico investe em dois ou três volantes, conforme a necessidade, e permite que talentos, como o de Luan, se sobressaiam. Mostra ao elenco que não basta ter nome para ficar no time; tem de jogar bem, acertar passe, dedicar-se ao máximo, marcar e atacar quando possível.

 

A volta para o segundo tempo, neste domingo, foi avassaladora, com o primeiro gol em menos de 30 segundos e o segundo, em seguida. Sinal de que o trabalho no vestiário foi competente. É o velho Felipão de volta, disposto a provar que ainda tem muito carvão para queimar (e claro que isso me enche de satisfação pois sou, aqui em São Paulo, quase um torcedor solitário deste treinador que teve seus méritos esquecidos desde os maus resultados do Mundial). Mas disse, lá no primeiro parágrafo que, além da forma e do adversário, há vitórias especiais porque chegam no momento certo. Com apenas duas rodadas para a virada da competição e alguns adversários diretos tentando escapar na frente, era preciso uma reação logo, apesar de entender a dificuldade de se reconstruir uma equipe em pleno campeonato. A vitória neste momento, com muito futebol e suor, marca a arrancada que eu chamo de avalanche, Avalanche Tricolor.

 

A foto deste post é da página oficial do Grêmio

Apesar dos pesares, Felipão e o Grêmio se preparam para iniciar mais uma Avalanche Tricolor

 

Cruzeiro 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Mineirão (MG)

 

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Os comentaristas de resultado já estão com sua língua afiada para criticar Luis Felipe Scolari e o Grêmio que sofreram mais uma derrota, neste Campeonato Brasileiro. Brincadeiras e ironias vão se misturar na boca de torcedores adversários, pois estes têm pouco compromisso com a realidade. Nós, porém, não podemos nos abalar com o que aconteceu na noite desta quinta-feira, em Belo Horizonte. Temos de entender que o time está sendo reconstruído. É apenas a terceira rodada em que Felipão comanda a equipe. Alguém vai lembrar que sua campanha é fraca até o momento: duas derrotas e uma só vitória e contra equipe sem tradição. Não podemos cair nessa armadilha e atrapalhar o trabalho que, nitidamente, vai dar resultado em breve.

 

Diante do único adversário realmente forte nesta competição, e na casa dele, o Grêmio demonstrou futebol mais bem estruturado e lógico do que apresentava até aqui. Com jogadores bem posicionados e um conceito de jogo inteligente, criou mais oportunidades de gols no primeiro tempo. E quando digo oportunidades de gols, não são aqueles chutes fortuitos que os estatísticos registram como válidos. Refiro-me a ataques bem construídos como a primeira jogada de Dudu que infernizou a defesa cruzeirense e só foi parado pelo goleiro. Ou aos dribles de Luan que ludibriava o marcador com suas passadas lentas e olhar insosso.

 

Não lamento o gol que levamos, mesmo porque é difícil conter um ataque tão intenso por tanto tempo. Lamento, sim, não termos marcado quando tivemos chances. Infelizmente, mais uma vez faltou-nos o matador, aquele que decide a partida nos raros instantes em que as oportunidades surgem. Essa sim é uma carência na equipe de Luis Felipe Scolari que foi obrigado a escolher a terceira opção depois de ver dois de seus atacantes principais machucados, em duas partidas seguidas. Assim como foi levado a mudar a equipe no intervalo devido a lesão de um de seus mais consistentes volantes. Gols desperdiçados abalam a confiança e fortalecem o adversário.

 

Independentemente do que disserem, Luis Felipe Scolari e o Grêmio têm de seguir apostando nesta equipe – talvez com mudanças pontuais – e se conscientizar que apesar da diferença de pontos para o líder, não podemos desistir da busca pelo título. Há ainda mais do que um turno pela frente para a nossa recuperação. Ponto a ponto, vitória a vitória, sofrimento atrás de sofrimento. Assim nós conseguiremos asfaltar a caminhada ao topo da tabela. Felipão já mostrou que tem condições de comandar mais uma Avalanche Tricolor.

 

A foto deste post é do site Gremio.Net

Avalanche Tricolor: #NãoTeMixaFelipão

 

Grêmio 2 x 0 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Um camisa 10, aos 40 anos e com toque de bola refinado, estava na lateral esquerda. Três volantes, fortes na marcação, apareciam próximo da área do adversário desarmando e participando de jogadas de ataque. Havia ainda jovens dispostos a construir sua história com a camisa do Grêmio que, mesmo tropeçando de vez em quando em sua inexperiência, marcaram os dois gols. Para comandar todos eles, um técnico veterano que demonstrava ao lado do campo o entusiasmo de um menino: vibrava, gritava, gesticulava e brigava, quando necessário. Foi esse conjunto que nos levou à vitória na tarde de domingo, interrompeu a sequência de resultados negativos e trouxe tranquilidade em um momento crucial do Campeonato Brasileiro, a três rodadas da virada do turno e às vésperas de enfrentarmos adversários que estão no topo da tabela.

 

Felipão treinou pela primeira vez o Grêmio na Arena e correspondeu ao apoio da torcida com as mudanças que fez, seja de posicionamento – alguns resultados de lesão – seja de comportamento. Registre-se: meu entusiasmo não se baseia no placar da vitória nem leva em consideração a qualidade e momento do adversário, apesar de ambos serem aspectos que podem ser base para análises mais pragmáticas (não se esqueça que diante de gente bem pior, desperdiçamos pontos e amargamos derrotas neste ano). Adepto da filosofia de que o Diabo mora nos detalhes, é neles que busco razão para minha satisfação com o time neste domingo. Por exemplo, a equipe reunida no meio de campo no intervalo e ao fim da partida não foi cena fortuita, mas demonstração de engajamento. Jogadores conversavam, trocavam informações e cobravam um dos outros sempre que se deparavam com algum problema em campo, porque estes não deixaram de existir mesmo diante do bom resultado. Não poderíamos imaginar diferente, afinal nosso técnico tem o desafio de fazer a equipe se reencontrar, se organizar taticamente e melhorar a auto-estima em plena competição.

 

Na arquibancada (desculpe-me se continuo com o velho hábito de chamar as modernas cadeiras desta forma), sempre em busca dos detalhes, enxerguei cartaz nas mãos de um torcedor com recado em forma de hashtag: #NãoTeMixaFelipão. Não sei se há campanha com o tema correndo nas redes sociais, mas gostei da mensagem de apoio a ele, que tem sido atacado por todos os cantos em virtude você-sabe-do-quê. Aqui em São Paulo, todos tratam com ironia a presença do técnico no Grêmio, ouço gracinhas, ironias e recebo tapinhas nas costas em gesto de comiseração. Mal sabem o quanto admiramos e acreditamos na capacidade de Felipão que tem de ter todo nosso apoio para fazer as mudanças necessárias no time, tem de ser incentivado a mexer com as estruturas que parecem enferrujadas e, como hoje, demonstrar coragem e criatividade.

Procura-se o Felipão dos velhos tempos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Obriguei-me,durante a Copa do Mundo,a tratar de futebol. Antes do Mundial esse era um assunto que somente abordava ao comentar o que o Mílton escrevia neste blog após cada jogo do Grêmio. Vou,nesta quinta-feira,retornar ao tema,eis que o nosso time – o dele e o meu – saíram do lugar comum ao trazer de volta um dos mais discutidos técnicos de futebol não apenas do Brasil,mas do mundo,em razão do elástico 7 x 1 aplicado,sem dó nem piedade pelos alemães,na nossa Seleção. Duvido que, até hoje,nem mesmo os maiores “experts” em futebol se atrevam a dizer,sem medo de errar, qual foi a verdadeira razão do tremendo apagão sofrido,em uma Copa do Mundo,por um selecionado que,além de ter sido pentacampeão do mundo em 2002,,derrotando na final a Alemanha que,de certa forma,12 anos depois,se vingou ao enfrentar o técnico responsável por nossa vitória:Luiz Felipe Scolari.

 

É esse,exatamente,o treinador escolhido pelo Grêmio para substituir Enderson Moreira,aposta fracassada da direção tricolor. Zero Hora postou,na capa de sua edição de 29 de julho,essa manchete: “Em busca do técnico perfeito”. Não creio que exista tal tipo de profissional. Muito são bons…enquanto não esbarram em uma série de maus resultados. O que levou Fábio Koff a trazer de volta Felipão? Em primeiro lugar,o presidente gremista mostrou que o passado dele – Scolari – no Olímpico,está acima de qualquer suspeita. Sua passagem pelo velho estádio foi uma das mais exitosas que os gremistas da minha idade têm na lembrança,sem falar,é claro,na de Ênio Andrade,que deu ao Grêmio o primeiro título nacional em um jogo inesquecível contra o São Paulo,no Morumbi. Lembro-me,como se fosse hoje,como Ênio,conversando comigo às vésperas da partida final,explicou-me como pretendia que o Grêmio jogasse. E deu no que deu. Desculpem-me,caros e raros leitores,por ter colocado Ênio Vargas de Andrade em meu texto. Com estilo bem diferente de Luiz Felipe – jamais ouviu-se um palavrão brotar da boca do meu amigo Ênio – enquanto,no dia da derrota acachapante da Seleção Brasileira,proferiu-os sem papas na língua. Seja lá como for,eu gostaria de ver de retorno ao Grêmio um Felipão igualzinho ao dos velhos tempos,em que garimpou,no Olímpico,uma carreira cheia de vitórias. Koff,ao trazê-lo de volta,deve ter baseado a sua escolha no Felipão que ainda não era famoso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)