Avalanche Tricolor: lances que explicam o time de Felipão

 

Botafogo 0 x 2 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Maracanã

 

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Faltavam poucos minutos para se encerrar a partida, resultado praticamente decidido pois Barcos já havia marcado seus dois gols. O adversário ainda ensaiava alguns ataques, apesar da segurança da defesa gremista durante todo o jogo. Uma escapada pelo meio, porém, se transformaria em ameaça ao nosso time, o atacante deles apareceria na entrada da área sem marcação. Ou quase. Pois, o nosso atacante, Barcos, aquele mesmo que já havia marcado seus dois gols, surgiria para despachar a bola para fora e colocar a casa em ordem.

 

Um pouco antes ou depois, já não lembro mais, foi nossa vez de contra-atacar pelo meio, com o trabalho de articulação de Alan Ruiz, que havia entrado no segundo tempo. O gringo encontrou livre pela esquerda, dentro da área, Mateus Biteco, que também acabara de entrar. O volante, que era o homem mais avançado do Grêmio naquele momento, percebeu a chegada em velocidade de Zé Roberto. Nosso lateral camisa 10 já havia participado do início da jogada lá na defesa e mesmo depois de correr quase 90 minutos se apresentava no ataque.

 

Descrevo os dois lances acima, que talvez não apareçam nos melhores momentos que a televisão vai mostrar nos programas de esporte amanhã, porque os considero significativos. Revelam parte do sucesso alcançado pelo Grêmio desde que Luis Felipe Scolari assumiu o comando há pouco mais de dois meses. Cada jogador em campo, comece como titular ou entre no decorrer da partida, está comprometido com as ideias defendidas pelo treinador. Defendem e atacam independentemente da posição para a qual estão escalados. Entregam-se de corpo e alma, mesmo quando há limites técnicos. Sabem que nosso objetivo está no topo da tabela e têm perseverança nesta busca, pois estão cientes de que o caminho é longo, ainda faltam 13 rodadas, são 39 pontos em disputa e um tremendo de congestionamento de times.

 

A vitória deste domingo, além de nos manter nessa caminhada, nos oferece outros sinais animadores. O Rio de Janeiro é praticamente nossa casa, estamos há dois anos e 20 jogos sem perder para times cariocas. Neste campeonato, alcançamos a nona partida seguida sem derrota e completamos 810 minutos sem tomar gol – fato, aliás, que me faz lembrar mais um lance no Maracanã: com apenas um minuto do segundo tempo, instante em que o adversário parecia motivado a mudar o rumo do jogo após praticamente não tocar na bola no primeiro tempo, o ataque deles chega de forma perigosa, faz assistência de letra, completa com um sem-pulo mas se frustra ao ver Marcelo Grohe desviar com a mão esquerda. Nosso goleiro impediu o gol com movimento que levou milésimos de segundo, o que também explica nosso sucesso até aqui.

 

De Grohe a Barcos, sem exceção, todos sabem seu dever e estão prontos a servir. Assim é o Grêmio de Luis Felipe Scolari e quem não acreditar nisso que pegue suas convicções e vá torcer em outra freguesia.

3 comentários sobre “Avalanche Tricolor: lances que explicam o time de Felipão

  1. Milton, preciso dar o braço a torcer. Fui muito crítico ao Felipão durante a Copa, mesmo tendo um respeito enorme por ele como gremista. Sei da importância que tem para o clube e mais, da identidade que tem como poucos. Cheguei a temer por sua contratação, achando que talvez não pudesse repetir o sucesso de anos anteriores. Que bom que eu estava errado. Está dando gosto de ver esse Grêmio jogar. Não, nosso time não faz jogadas de encher os olhos, ou dá toques de letra, nada disso. Nosso time joga futebol, apenas isso. E mostra que um time começa a ser construído pela defesa. Felipão sabe das coisas, em dizer que esse não é o estilo dele, mas o próprio estilo do Grêmio.

    Não pude assistir ao vivo o jogo, pois estava em um compromisso tão importante quanto, no Estádio do ABC, assistindo um jogo chave do time da minha cidade, o Foz do Iguaçu FC, na luta para subir à Primeira Divisão Paranaense. Pelo menos o Foz venceu o Cascavel por 1 a 0, gol aos 45 minutos do segundo tempo (diria que se parece com o Grêmio, mas como foi de pênalti, e o Grêmio raramente tem pênalti a favor, então deixo pra lá).

    Fico feliz em saber através de seus relatos (ainda não vi os melhores momentos enquanto escrevo esse comentário) que Alan Ruiz voltou a ser relacionado por Felipão. Acho um bom jogador, e temo que queira sair no final do ano por ser pouco aproveitado.

    A caminhada é longa, faltam muitos jogos, a distância para o líder é enorme. Mas desistir não faz, nem nunca fará, parte do vocabulário do Grêmio.

    Abraços e desculpe a ausência nas últimas postagens!

  2. Bruno: logo, logo o Foz estará no caminho do Grêmio, na primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, e aí quero ver como você vai se dividir na arquibancada. Grande abraço,

  3. O Grêmio do Felipão demonstra que o episódio da Seleção Brasileira contra a Alemanha foi um acidentes de trabalho. Estamos todos,trabalhadores que somos (eu fui até que resolveram me homenagear com uma placa que registra o enorme número de anos que permeneci na Gua[ba e,ao mesmo tempo,a not[cia de que estavam me aposentando)sujeitos a percalços,uns corrigíveis,outro não. Esses últimos se curam por meio do esquecimento. Luiz Felipe está provando,no Grêmio,que é o mesmo que trabalhour no clube,décadas atrás,com grande sucesso. Prestem atenção na qualidade do seu trabalho. Como lembrou o Milton em uma de suas Avalanches Tricolores,”piano,piano se va lontano”.

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