Réquiem ao Jardim da Saúde

 

Por Carlos Magno Gibrail
(Texto atualizado em 11/12/2014)

 

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O Jardim da Saúde é um pequeno bairro de classe média da cidade de São Paulo delimitado por uma região sem cuidados urbanísticos. Fato que contribui para que as características históricas desta área diferenciada se sobressaia, sendo um exemplo de urbanidade e comunidade dentro da capital paulista.

 

Pode-se afirmar que o Jardim da Saúde preenche todas as condições ideais de moradia com qualidade de vida. É nesse solo, onde há árvores, jardins, flores, pássaros, e silêncio, defendidos há 100 anos, que a Prefeitura de São Paulo, depois de aprovar o tombamento como Patrimônio da cidade em 2002, e prometer a sua manutenção em 2013, pleiteia agora sua descaracterização.

 

Ao mesmo tempo, o Jardim da Saúde se contrapõe as costumeiras acusações feitas aos bairros residenciais, pois o comércio é permitido nas avenidas que o circundam e o atravessam, e as residências são o melhor exemplo que para viver com qualidade não é necessário alto luxo.

 

O Jardim da Saúde, enfim, ostenta invejável currículo. Fundado em 1914 e urbanizado em 1959, foi projetado pelo Eng. Jorge de Macedo Vieira, funcionário da Cia. City, a mesma que pioneiramente projetou os primeiros bairros jardins do mundo. Os atuantes moradores são representados pela AMJS, que vinha conseguindo ações de sucesso como a de 2002 com o tombamento, e a de 2004 com as prerrogativas urbanas dentro do Plano Regional do Ipiranga, obtidos com Marta Suplicy e Jorge Wilheim.

 

Agora, entretanto, foram surpreendidos por Haddad, que após prometer, na discussão da revisão do Plano Diretor, às Associações de bairros a manutenção das ZER-Zona Estritamente Residencial, protocolou documento transformando-a em ZPR-Zona Predominantemente Residencial. Ou seja, será permitido comércio onde hoje há somente residências.

 

O que se entende é que mais uma vez os patrocinadores das eleições dão as cartas. O que não se entende é, que no caso particular do Jardim da Saúde, não faz sentido político mexer em 1 milésimo do território do município, pois seu solo ocupa 1,5km2 enquanto a cidade tem 1 500km2.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

47 comentários sobre “Réquiem ao Jardim da Saúde

  1. A cidade aprende pouco com seus erros. A destruição de áreas semelhantes ao Jardim da Saúde é histórica e trouxe prejuízos incomensuráveis à qualidade de vida de todos os seus moradores (não me refiro apenas aos que moravam nos bairros descaracterizados). As diferenças de temperatura, os acontecimentos extremos, como enchentes e secas, o maior índice de doenças respiratórias têm provocado perdas de vida e financeira, inclusive aos cofres públicos, pois gasta-se tanto para recuperar as áreas destruídas e para atender a população doente quanto se desperdiça em produtividade.

    • O caso do Jardim da Saúde é emblemático. A área atende a todos os requisitos da corrente urbanística que se opõe aos bairros residenciais no sentido de evitar excesso de mobilidade. Há na proximidade grandes avenidas que o circundam e o atravessam com todo o tipo de comércio. Portanto não há nenhuma necessidade de lojas , padarias, consultórios, etc. dentro dos poucos 1,5 km2 .
      O processo de degradação urbana é bem conhecido. Primeiro a área preservada é procurada pelo motivo da própria preservação que dispõe de pouca circulação, bom clima, silêncio, etc. Progressivamente esta condição vais se perdendo pela maior ocupação e por ser comercial.
      Hoje em SP temos ruas que não servem mais nem para oficinas e borracharias, tal a degradação a que chegaram.
      Este assunto é sério.

    • Mílton, há tempos se discute que o planejamento urbano necessariamente tem que incorporar a plataforma da saúde humana e saúde urbana, garantindo a preservação dos territórios que devem ser preservados e protegidos e recuperando o que deve ser recuperado.
      A plataforma da Cidade Saudável deve observar os indicadores de saúde e os indicadores ambientais para serem priorizados, mas hoje são desprezados. Por exemplo, não se aplicam os estudos de perfil epidemiológico das regiões da cidade para definição do uso e ocupação do solo. Há muito que avançar.
      Uma curiosidade: o Jardim da Saúde não tem esse nome por acaso. Não apenas pelo seu urbanismo de qualidade marcado pelo padrão de bairro-jardim é que justifica. Era na década de 1960 considerado um bairro de “bom ar”, que propiciara curas de doenças respiratórias. Isso porque o vento sudoeste trazia os primeiros ares da Serra do Mar no espigão da então “Estrada do Cursino”. Por certo isso ainda ocorre, mesmo com as mudanças climáticas, estas que, aliás, possuem estudos da REDECLIMA para o melhor planejamento urbano das cidades e megacidades, o que não se vê sendo aplicado, pelo menos como acredito que deveria ser.

    • Obrigado. Acho que um fato inegável do Jardim da Saúde é que mostra a possibilidade de morar sem alto luxo mas com alta qualidade de vida.
      Melhor ainda, acaba com o preconceito que muitos guardam das zonas estritamente residenciais por ser áreas de ricos.

  2. Destruir é muito fácil. Construir ou preservar requer atenção , dedicação , força. As pessoas estão tão apáticas e egoístas que , ou estão destruindo ou estão deixando destruir .

  3. o mesmo se passa com o butantã, bairro ainda bem arborizado e com algumas zers que está asendo constantemente atacado pela degradação. precisamos manter as poucas áreas verdes q nos restam, evitando a construção desenfreada e sem infra-estrutura.

  4. Um bairro planejado por uma pessoa da companhia “city”, obedecendo as curvas de níveis, arborizado, como o próprio nome diz um jardim onde há saúde. Com casas uni familiares, classe media, sem luxo, apenas com qualidade de vida. Infelizmente, surpreende-me uma medida dessas da prefeitura, descaracterizando o bairro. Penso que deveria ser revisto. Destruir algo que a décadas foi construído não é a melhor decisão, não seria mais fácil, preservar? Sou a favor da qualidade de vida.

    • Rosa,

      A verdade é que é mais fácil preservar, mas é mais lucrativo destruir o conforto de quem mora para atender quem usa ou quem passa.
      A costumeira preferencia para atender comerciantes, construtoras e a própria CET, que muitas vezes desconsidera quem mora.

  5. Pois é, em um momento em que a Prefeitura desponta ecologicamente distribuindo composteiras e propondo atenção com o lixo, com a outra mão promove ações de retrocesso como essa. Estou fazendo parte do projeto Composta São Paulo e sugeri o nosso bairro como um lugar excelente para promover a compostagem, pois temos praças e jardins para onde destinar o adubo da composteira. Seguimos na luta!

    • Luciene, acredito que seja a pressão comercial e imobiliária. Fato que tem sido constante em todas as áreas urbanas.
      Cabe então aos moradores tomarem posição, e é o que estão fazendo.
      Obrigado pela presença e a atualização do comentário sobre este projeto da Prefeitura.

  6. Sou moradora do bairro,e minha rua é justamente a que mais recebe pessoas oriundas de outros bairros da região somente com o intuito de praticarem exercícios físicos,corridas e caminhas,devido a presença de um jardim central enorme com equipamentos para a prática de exercícios físicos. É prazeroso e ao mesmo tempo inacreditável, abrir a minha janela pela manhã e deparar com várias pessoas passeando,brincando nos equipamentos de ginásticas enfim,tendo momentos alegres e saudáveis em uma cidade que causa tanto estresse no dia-a dia das pessoas.
    É inadmissível saber que a gestão atual só pensa em acatar os interesses comerciais de alguns e que não leva em consideração valores tão importantes como o bem-estar dos moradores de uma região. É com esse tipo de atitude que nós eleitores e cidadãos, podemos perceber quais são os “valores” (ou a falta deles)que permeiam os ideais políticos de um partido ou candidato.

  7. Sou morador recente e admirador antigo do bairro. Desde pequeno – há mais de 30 anos – cruzava suas ruas andando de bicicleta e sonhando em um dia poder morar num lugar como esse: arborizado, com praças e pássaros, calmo, saudável. Depois de décadas de trabalho duro, anos de planejamento e de procura por um imóvel adequado, meses esperando a liberação de financiamento, depois outros tantos de reforma, pensamos que finalmente o sonho tinha sido realizado. E agora temos a notícia de que a prefeitura quer, se valendo apenas de critérios políticos, destruir mais uma – e uma das últimas – áreas preservadas da cidade.
    Está na hora de darmos um basta nesta desonestidade patrocinada pelos políticos, que lançam mão de um discurso mentiroso somente para angariar votos para em seguida começarem a atuar pelos seus financiadores de campanha e não pelos cidadãos. Independentemente do partido é isso que mais temos visto no país, mas o caso do Jardim da Saúde merece um destaque adicional: foi num governo do PT que ele foi transformado em ZER em 2004 e agora é outro governo do PT que quer acabar com ele.

    • Helio Gomes, esta diferença dentro de um mesmo partido reforça a ideia que não se pode confiar. É preciso por isso mesmo, controlar e questionar.
      Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista com o qual tive oportunidade de lidar no aspecto privado e público, quando participei de algumas reuniões, tinha conhecimento e posicionamento a favor da preservação.

  8. Acredito ser fundamental explicitar alguns pontos, que tenho certeza que até quem argumenta contrariamente conhece:

    – A Mudança para ZPR não visa mudar as características que tornam o Jardim da Saúde especial. A permissão de escritórios por exemplo, só ampliaria a permissão de usos sem incomodidade, evitando o grande número de imóveis vazios e passíveis de invasão. Os parâmetros de ocupação não seriam alterados, não havendo qualquer impacto Ambiental conforme tem sido alegado.

    – O Tombamento do nosso querido bairro abrange o traçado viário, algumas restrições contratuais e de ocupação, porém não houve (nem poderia haver) tombamento de uso. Ou seja, o CONPRESP sabiamente distinguiu entre as características que devem ser preservadas, e outras que podem ser adaptadas. Será essa a razão de toda a comoção (que é uma mudança perfeitamente legal)?

    – Ambientalmente não existem mudanças, até por que como morador que caminha há décadas pelo bairro, posso afirmar que pouquíssimas casas possuem árvores, logo não havendo espaço para argumentar sobre proibição do retrocesso.

    Em suma, acredito que toda a comoção em torno do assunto seja por que é uma mudança fundamentada no urbanismo e na legalidade, visando o melhor para o bairro e ao cumprimento da Função Social, e não apenas interesses individuais.

    • 1 – Por que ruas do bairro você caminha que você não vê árvores em frente às casas? Dê uma passada na Fonseca da Costa, Nova Pátria, Frei Rolim, Oscar Bressane, Marcos Fernandes, Carlos Maria, Vitor Costa, etc. que você verá árvores, e muitas;
      2 – A permissão para escritórios e outras empresas é uma falácia. O bairro ainda é ZER, portanto toda e qualquer empresa aqui localizada após o zoneamento é ilegal. Ponto final. Mesmo assim, existem empresas operando de forma ilegal – especialmente escritórios, pois podem ficar mais escondidos. Pois bem: ao lado da minha casa havia um escritório que funcionava de domingo a domingo, das 05:00 à 01:00. Chegou a ter 30 funcionários. Era barulho e incômodo na rua toda. O mesmo acontece hoje na Frei Rolim, Fonseca da Costa e Oscar Bressane, que têm empresas operando ilegalmente pois não há fiscalização. E incomodam, e muito;
      2.1- Completando o item 2, se a subprefeitura leva 2,5 anos para fechar uma empresa que teve seu alvará indeferido por ser ilegal, sendo que a lei determina cinco dias úteis, como ficará a fiscalização da “incomodicidade” das demais empresas, que afinal é o fator levado em conta pela prefeitura para qualificar uma empresa em ZPR? O que é incomodicidade para a prefeittura? Com certeza não é a mesma incomodicidade para o vizinho da empresa ou para quem mora na diagonal oposta? Qual incomodicidade vai valer?
      3 – Imóveis vazios e passíveis de invasão devem ser preocupação dos donos dos mesmos, que têm obrigações mesmo com o imóvel vazio. Qual a garantia que mudando para ZPR o imóvel deixará de ficar vazio ou de ser invadido? Se for porque vai poder vender ou alugar para comércio, eu gostaria de ver tanta demanda assim por imóveis comerciais para preencher todos imóveis vazios da região. Aliás, não existem imóveis vazios e passíveis de invasão nas zonas mistas?
      4 – Impacto ambiental haverá e será imediato. Por exemplo, as empresas ilegais já citadas irão abrir suas frentes, rebaixar suas calçadas e remover as árvores. E novas empresas virão, e podem ser padarias, casas de repouso, escritórios, entre outras, e farão o mesmo. Isso é fato, basta trafegar pela avenida do Cursino e rua Ribeiro Lacerda. Afinal, não há fiscalização. Com isso as áreas verdes internas – que também estão tombadas – também serão eliminadas para estacionamento de veículos nestas empresas. E as áreas verdes irão acabar rapidamente;
      5 – Não é pelo só pelo fato de algo ser legal que ele deve ser feito. Obviamente se fosse ilegal não poderia, mas ser legal não determina sua execução. Muito pelo contrário, há que se avaliar todas as consequências de tal fato. Até hoje é legal construir prédios por todo lado, e com isso nós ganhamos de volta as enchentes na Abraão de Moraes e Ricardo Jafet, que haviam sido extintas na década de 80, se não me falha a memória. Agora está tudo impermeabilizado e basta uma chuva mais forte para alagar tudo;
      6 – Você já pegou um mapa das áreas verdes da cidade? Se não, pegue – pode ser o que está na proposta da prefeitura – e você vai ver que hoje só há uma área verde significativa entre o Cambuci e o Parque do Estado, que é justamente o Jardim da Saúde. São mais de oito km;
      7 – Não sei porque você incluiu o tombamento no comentário, uma vez que ele não está em discussão agora, somente o zoneamento. Mas se você sabe sobre o tombamento, você sabe que toda a área verde – interna e externa – está tombada. Com a eliminação progressiva da área verde pela mudança do zoneamento, dos quatro argumentos para o tombamento, que são valor urbanístico, histórico, ambiental e paisagístico, só ficaremos com o urbanístico. Então, para que continuar tombado? É justamente o que as incorporadoras estão esperando. E quem é que paga a campanha do prefeito, vereadores, e demais políticos? E quem é que está sendo investigado pelas farras do ISS e do IPTU? Será mera coincidência?

      Este argumento da legalidade é muito interessante, pois traz à memória alguns acontecimentos do passado e até do presente, baseados na legalidade e com os resultados catastróficos. Ou você não sabia que Hitler foi eleito, assim como Hugo Chaves? E que nossa “presidenta” transformou débito em crédito por lei? Eu queria poder ter uma lei para transformar minhas dívidas em créditos, seria muito bom para mim. Mas acho que meus credores não iriam gostar muito.

      • 1. Falei árvores DENTRO das casas, o que deveria existir pela lei vigente. Esse seria o benefício ambiental, assim como permeabilidade de solo que infelizmente não existem por que a ZER também está na ilegalidade (por falta de fiscalização). Cimentar áreas permeáveis, não manter a taxa de arborização prevista em lei, fazer edículas e puxadinhos, taxa de ocupação acima do permitido, tudo isso também é ILEGALIDADE. Digo isso com a propriedade de quem mantém a taxa de ocupação, e os 30% de permeabilidades previsto em lei.

        2. A Arborização que está nas ruas é mantida pela SVMA e não pelo bairro. Se existe uma fiscalização que funciona razoavelmente bem é o de denúncias de pode e corte ilegal, na Polícia Militar Ambiental, Polícia Civil e SVMA.

        3. Quanto a permeabilidade do solo, basta ver o ponto 1) acima. Empreendimentos residenciais unifamiliares são notórios descumpridores de permeabilidade. Graças a Deus no Jardim da Saúde temos praças públicas e uma topografia que nos ajuda, caso contrário as inundações seriam constantes.

        4. O Tombamento foi incluído no próprio texto, apenas chamei a atenção para o Tombamento justamente proteger os ítens que prezamos, e não proibir por exemplo o uso como escritórios. Supressão de árvores é crime e deve ser tratado como tal, mas usar como argumento para que não se possa ter um escritório num imóvel não faz qualquer sentido.

        5. Não entendo a tangente usual sobre prédios. Não está sendo proposto prédios no Jardim da Saúde. A discussão é de uso e não ocupação. Quanto ao caso do escritório de 30 pessoas, obviamente dentro do nR1 precisaria ficar claro usos realmente sem incomodidade, como por exemplo escritórios para até 10 pessoas que resultaria num uso compatível com o que haveria se fosse residência.

        6. A fiscalização ser falha não pode ser argumento para que haja compensação na lei. Imagina se por haver pessoas que andam acima do limite de velocidade, ao invés de multar os apressados, diminuíssemos o limite para 30km/h nas estradas. O trabalho precisa ser para que a lei seja efetivamente cumprida, até por que se ela não for para que estamos discutindo aqui?

    • Cristiano Dias, não sei como pode imaginar que a utilização comercial não irá mudar a característica da região. Você tem toda a cidade de São Paulo como testemunha de que a atividade comercial polui, congestiona o tráfego, o ar, e aumenta o barulho.
      De qualquer forma obrigado pela sua contribuição.

    • Prezado Cristiano, esse discurso de interesses individuais contra cumprimento da Função Social, é puro preconceito.
      Há muitas áreas para a função social, que podem muito bem exercer este papel. Sem interferir no direito de quem deseja morar em regiões estritamente residenciais.

  9. Que esse espaço residencial tão simpático e peculiar sea preservado. Se começarem a permitir comécio e negócios, estarão decretando o começo do fim da área.
    Resistamos.

  10. Sr. Cristiano F. Dias, ao invés de querer destruir o Jardim da Saúde, mude-se. Vá morar na Consolação px da Av. São Luis, tem tudo o que o senhor quer: comércio, serviço, escritórios, árvores no canteiro central da São Luis e da Consolação. Vá e deixe as pessoas que querem morar num bairro com as características do Jardim da Saúde em paz.

    • Prezada Suzamara, você coloca uma questão fundamental. Quem gosta de comércio debaixo, do lado e de frente a residência deveria morar em local com estas características. Aliás quase toda a cidade de São Paulo tem esta condição. Este é um fato incontestável , e que permite a questão :
      Por que criar mais zonas onde o uso do solo é permissivo a atividades diversas?
      Será que não basta imensas áreas onde nem oficinas mecânicas querem se instalar?
      Que tal alguns trechos da Santo Amaro, da Av. São João, e de quase todo o centro de São Paulo?
      Por que degradar mais?

  11. A pergunta que não quer calar é quanto esse sr. Cristiano F. Dias está ganhando para, mancomunado com o prefeito Haddad, querer destruir completamente o Jardim da Saúde. Porque sempre, e digo sempre, ninguém defende algo se não levar vantagem naquilo. Faça o seguinte, sr. Cristiano F. Dias: empenhe-se numa campanha acirrada, junto ao famigerado prefeito petista para desapropriar essa favela da rua D. Macário e implantar lá, na D. Macário, todo o comércio e serviços que vocês querem. Faça isso, ao invés de destruir o bairro todo para seus interesses próprios.

  12. Meu comentário é muito longo, por isso vou publicando em pequenos textos. Antes, uma observação: Todas as pessoas têm o direito de expressar suas opiniões e merecem respeito mesmo que discordemos totalmente delas.
    Primeira informação: A arborização não é mantida pela SVMA, e sim pela divisão de parques e jardins da subprefeitura, no entanto, especificamente no Jd . da Saúde, a AMJS (Associação dos Moradores) tem incentivado, comprado mudas, plantado, e cobrado da subprefeitura a arborização do bairro. A AMJS fiscaliza e denuncia cortes e podas ilegais, às vezes, realizadas pela própria prefeitura.

  13. O tombamento é medida de preservação da memória de interesse social e submete a um regime de instrumentos e mecanismos normativos e concretos específicos, o bem tombado. Com exceção de bens imateriais, o tombamento protege apenas aspectos físicos. Para o Jd . da Saúde, ficam protegidos: O traçado viário, a altura das casas, o tamanho dos lotes e as áreas permeáveis. O uso é regulado pela lei do zoneamento.

  14. Sobre a ZER. A cidade de São Paulo tem excessiva quantidade de prédios de apartamentos, portanto quem prefere morar em prédios tem sua demanda satisfeita com relativa facilidade. Para quem prefere usos mistos (imagino que deva haver alguém), nem se fala. No entanto, bairros ZER ocupam menos de 4% da área do município, área insuficiente para atender o desejo, até mesmo um sonho, de grande parte da população. Se o planejamento não for capaz de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, pelo menos não deve ser de diminuir a de quem já a conquistou. Trazer o comércio para dentro do bairro é criar conflitos desnecessários, favorecer financeiramente poucos em detrimento da paz, tranquilidade, ambiência, saúde…enfim a qualidade de vida de uma maioria acima de 90 %.

  15. Ruas tranquilas, bons vizinhos, poucos carros, ruas arborizadas, muitos passarinhos. Vem gente dos bairros vizinhos para andar nas ruas e praças do bairro, a sós ou com seus cachorros, fazendo caminhada ou leves corridas. O Jardim da Saúde é um lugar maravilhoso não só para se morar, mas também para se passar e passear. É uma espécie de Ibirapuera da região. Meus parentes e amigos sempre que me visitam elogiam o bairro e manifestam o desejo de um dia morar num lugar assim.
    O Jardim da Saúde deveria servir de bairro modelo, não à toa foi tombado, um bairro não precisa ser de ricos, ou classe média alta, para ser aprazível, ter paz para seus moradores descansarem com suas famílias no refúgio do lar.
    Só queria deixar uma pergunta no ar. A quem interessa abrir para o comércio onde hoje só pode residências? Aos moradores, sabemos que não.

    • Prezado Salustiano, há urbanistas que defendem o uso misto, para evitar excesso de transportes, além de alguns economistas argumentando que a verticalização e o adensamento são mais racionais e econômicos
      Discordo totalmente destas posições. As áreas de ZER são infimas em comparação com os 1500 Km2 da cidade..

  16. Sou moradora recente do bairro Jardim da Saúde e escolhi este bairro exatamente por estar numa área ZER luto ativamente e continuarei a defender a permanência da área exclusivamente residencial, o bairro já tem estrutura adjacente suficiente de comercio e não necessitamos de um ao lado de nossas casas precisamos sim de tranquilidade, preservação das área verde e segurança, esses sim deveriam ser motivos de preocupação do prefeito Haddad e não baseados em interesses de uma minoria que quer transformar nosso bairro em um comércio , peço aos moradores do bairro que continuem lutando por esse direito, somente a união da população faz a diferença, como dizia Ulisses Guimarães ” “a única coisa que mete medo em político é o povo nas ruas”. abs

  17. Sandra, obrigado pelo seu testemunho como nova moradora do Jardim da Saúde. Quanto a Ulisses Guimarães, talvez mudasse a observação, pois as manifestações de 2013 parece que não surtiram efeito. É bem verdade que elas não tiveram liderança, o que talvez fosse demasiado democrático, mas o problema mesmo foram os grupos de bandidos gratuitos e arruaceiros que se infiltraram .

  18. Mudei-me para o Jd. da Saúde em busca de sossego e ambiente saudável. Mal chego e dou com este fato : mudança de zoneamento para abrir ao comércio. Não entendi e me custa acreditar que o plano diretor tenha alterado a ZER com tombamento, para ZPR, neste cantinho da cidade, quando bairros com a mesma característica, ex Jd. da Glória, tenham permanecido ZER. Algo de podre aconteceu nesta alteração, com certeza. Não creio que tenha sido orientação pessoal do prefeito, que mal deve conhecer nosso bairro. O importante é que essa alteração não se consolide. Precisamos nos mobilizar com veemência para evitar o estrago.
    Penso , porém, que o Jd. da Saúde deveria estar mais bem cuidado e que os moradores poderiam dar mais por ele, plantando mais árvores, cuidando do aspecto arquitetônico dos imóveis, muito ruim no geral, o que facilita argumentos pela mudança do zoneamento. Exs.: fachadas horríveis e/ou arruinadas, calçamento ilegalmente irregular, cocô de cachorro e mato.
    No mais, VIVA O JARDIM DA SAÚDE EXCLUSIVAMENTE RESIDENCIAL.

    • Pelo que tenho observado, em função do esforço e atitude dos moradores do passado, do presente e certamente do futuro, o JARDIM DA SAÚDE se manterá intacto às investidas iconoclastas.
      Parabéns pela defesa do bairro na importante posição de morador recente.

  19. Valter L. Peluque, tem certeza que você é morador do Jardim da Saúde? Os moradores cuidam de suas casas, há muitas arvores espalhadas pelo bairro, e se plantas rasteiras são matos, existem sim. E só concordo com o problema dos dejetos dos cachorros, mas isso é por conta de seus donos que não os recolhem, e isso é indicio de que é um local para caminhar. E muitas pessoas vem de carro de outros bairros adjacentes para fazer caminhada, por exemplo na Osvaldo Aranha, e trazem seus animais, você não viu? O jardim da Saúde é um jardim. foi feito com esse proposito, para se caminhar, exercitar e ser feliz…

    • Prezada Rosa Amaral, o Valter é apenas um morador novato, mas como demonstra na redação é tão vibrante e fiel ao bairro quanto os veteranos.
      Quanto à sua definida postura em defesa do Jardim da Saúde considero fundamental para a tão desejada preservação
      Bem vinda neste espaço que tem compromisso com o bem viver.

  20. Prezados,
    A Rua Diogo Freire faz parte do Jardim da Saúde? Se faz em nada se parece com as descrições dos comentários anteriores. Na junta comercial constam mais de 40 empresas, maioria aberta após tombamento.
    Já tem até mesmo trafego de caminhões incompatível com a via e galpões de armazenagem.
    Aliás, é vergonhoso dizer que a rua é exclusivamente residencial, só se for para os inimigos, pois os amigos até logística com caminhões já tem.
    Se providências não forem tomadas, nessa rua a restrição está com os dias contados.

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