Do Natal do Menino Deus

 

Poeta Alceu Sebastião Costa

 

Lisboa (Natal)

 

Há um Anjo postado, apreensivo, na porta da confraria.
Seguro segura os restos sertanejos da viola enluarada,
Que despencou na madrugada com uma asa quebrada,
Agora procura bom banho para tirar a poeira da estrada.
Superado o fastio junto da mesa farta e mui bem arrumada,
Antes de voltar à mágica função de maestro da banda,
O Anjo, ainda parado, tenta descobrir de que lado a fila anda,
Sem perceber a aproximação de uma horda inusitada,
Histericamente aos gritos, deixando para trás o fogaréu,
Um mar de labaredas querendo alcançar os limites do céu,
Desafio dos ousados incendiários, solidários aos salafrários,
Que, sem se importar com o brilho da esperada Estrela Guia,
Na trilha do pó, nas nervuras do nó, sem perdão nem dó,
Tingem de sangue o cenário de apocalíptico presságio,
Ignorando o lastro sagrado a unir a Família de José e Maria,
No seio da qual, segundo a Profecia, o Cristo nasceria,
Para remir os pecados do Mundo naufragado na selvageria.
Então o Anjo, assumindo o seu verdadeiro papel neste enredo,
Sereno, pede a palavra aos crédulos expostos ao medo,
Logo lhes dizendo da importância da Paz e da Tolerância,
Do sair da sombra, escolher o caminho, vir para a Luz,
Sentir a magia, a força da energia, as vibrações positivas
Do Natal do Menino Deus, chamado Jesus.

 


A imagem deste post é da Galeria de MGKMPhotography, no Flickr

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s