O zoneamento de Haddad é um retrocesso

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Marta Suplicy, justificando a sua decisão de sair do PT, apresentou uma série de críticas à atuação do partido. Apontou resultados desastrosos inegáveis. Embora possa haver aí ressentimentos por preterimentos anteriores a que foi submetida, na área de urbanismo é inquestionável a sua experiência. E o Plano de Haddad, convenhamos, é um prato cheio para quem busca análise técnica e isenta. Por isso, a Lei de Zoneamento é a escolhida por Marta para provocar indigestão nesta questionável administração petista.

 

O “Acorda, São Paulo”, artigo de 19 de junho da Folha, escrito por Marta, é um primor sob o aspecto urbanístico, difícil até de acreditar, que a autora, é a mesma que optou pelo túnel da Faria Lima com a Cidade Jardim.

 

Dentre as inúmeras questões levantadas, há o destaque positivo na atuação de Jorge Wilheim, que executou os Planos Regionais em 2002, para refletir as peculiaridades de cada região. E as lembranças de que o bairro do Butantã tem a população de Bauru, Campo Limpo a de Londrina e Pirituba de São José do Rio Preto são suficientes para se optar pela diversidade, que não está contemplada agora.

 

De outro lado, a questão das ZERs é um dos pontos cruciais desta ocupação de solo proposta. Para quem criou várias ZERs em regiões populares ao identificar riscos para todas as existentes é inevitável o alerta:

 

“Um dano irreparável serão as zonas estritamente residenciais (ZERs), que deveriam ser protegidas, mas estão ameaçadas pelo excesso de corredores comerciais com impacto devastador e algumas serão extintas”.

 

Neste momento de crise nacional, em que todos os nossos principais setores estão pagando alto preço pela má administração pública, não há como discordar de Marta: é preciso reagir. São Paulo não pode ficar atrás das grandes cidades do mundo.
Este Plano não é sustentável.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

12 comentários sobre “O zoneamento de Haddad é um retrocesso

  1. A senadora Marta honrou a memoria de Jorge Wilheim e de todos nós com esse artigo da FSP. Um primor. Ela repercutiu varias de minhas críticas apresentadas na Câmara Municipal. Envio o link para minha apresentação realizada na Câmara em 11/06 de 2015

  2. fiquei surpresa com este reconhecimento! Requer que a an’alise se aprofunde!

    ale’m disso: ele esta’ promovendo um grande projeto de Parabilidade Urbana! Sao Paulo possui 100 km Norte-Sul e 70 km Leste-oeste. Cade^ o investimento em transporte p’ublico! Nao da’ para ‘ir de bike’!

    ja’ perguntei para meus açunos, respondem-me se enlouqueci? Moram na Zona Leste, trabalahm na Sul e estudam na Bela Vista! ou moram na Sul,,trabalham na Norte e estudam na Lapa! Vai de bike!!!!!

    Enquanto temos as ”ciclo” mais caras do mundo, suspende-se o corredor da Inaja’, eliminam-se ^onibus.

    Para completar, reduz-se a velocidade de… VIAS EXPRESSAS! Ele quer nos enlouquecer!

    Para completar: quer fechar a Paulista para ‘azelite’! Sim, porque quem depende de onibus, nao podera’ mais chegar aos hospitais!

    ‘e o maior projeto de Parabilidade Urbana do Mundo, sem d’uvida!

    Sem problema! O prefeito? Vai de helico’ptero! De bicicleta? So’ quando quer se mostrar e ser seguido pela imprensa!

  3. A Senadora Marta Suplicy, quando Prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, tendo com Secretário de Planejamento o arquiteto Jorge Wilhein, aprovou um Plano Diretor e uma Lei de Zoneamento que tiveram como coordenador o Eng. Ivan Maglio. Por certo que tanto o Plano Diretor (Lei 13.430/220) como a atual Lei de Zoneamento precisavam e precisam sim de aperfeiçoamentos, mas o que se verificou foi que o atual governo e equipe técnica arruinaram o plano diretor anterior. Tudo que havia sido amplamente discutido em 2002 e 2004 foi desfeito. Muitos retrocessos no planejamento urbano, e o mais grave na minha opinião foi o fim dos planos regionais por subprefeitura. Retirou-se força participativa da população ao se retirar do Plano Diretor a obrigação do Conselho Municipal de Política Urbana de emitir parecer técnico sobre propostas de futuras alterações do próprio Plano. A retirada também dos estoques construtivos foi uma aberração urbana que desatendeu à cidade e atendeu aos interesses dos especuladores imobiliários. O governo de Marta Suplicy criou ao menos três outros bairros exclusivamente residenciais e protegeu todas as zonas exclusivamente residenciais (ZERs) em razão da grande importância urbana e ambiental, e agora a atual gestão de Haddad, por mera ideologia, articula com setores comerciais descomprometidos com a ordem urbana para pouco-a-pouco extinguir as ZERs e deixar a cidade de São Pulo tudo igual. A cidade tende a se transformar num território de uma só paisagem, tudo zona mista, tudo verticalizado, inclusive as praças e parques públicos. Este é o sonho do Prefeito Haddad, representado no seu Plano Diretor e na sua proposta do novo zoneamento urbano —, um visionário Blade Runner da insustentabilidade.

  4. Nova manifestação da ACSP :
    O Coordenador do Conselho de Política Urbana da Associação Comercial de São Paulo, Antonio Carlos Pela, em entrevista a TV FOLHA no dia primeiro, defendeu uma série de pontos para o Zoneamento da cidade. Dentre todos, destaco os seguintes:

    1.Regularização do comércio irregular, tendo em vista que é uma realidade e que a legislação não permite a sua legalização.
    Ora, perguntamos então quais garantias teremos para que esta situação não se repita no futuro em outras áreas?.
    2.Áreas como as que foram urbanizadas pela Cia. City não refletem a realidade atual, E, não atendem as necessidades dos moradores que tem que usar automóvel para ir à padaria, etc.
    Esta é uma observação conflitante com o contemporâneo, tão citado pela Associação, pois hoje para se ter pão e companhia não há necessidade de pegar carro e nem ir à pé. Estamos na era da internet. E, tem mais, pois os moradores das ZERs estão cansados de afirmar que não querem comércio nenhum no seu bairro.
    3. As casas e lojas desocupadas em ruas que predomina o comércio ficarão desocupadas.
    Esta é uma suposição. Quem garante? Será que se a Av. Europa fosse totalmente residencial com garantia absoluta que nenhum novo comerciante voltaria, ninguém iria querer morar lá?
    4.Países como os Estados Unidos tem bons exemplos de conjugação moradia e comércio.
    Não cabe a citação, pois a autorização em bairros residenciais para mudanças cabe aos moradores. Um bom exemplo é citado no livro em que Bernard Arnault da LVMH é entrevistado. Ele conta que quando saiu de New York vendeu sua casa ao vizinho,um dos americanos de maior sucesso, que imediatamente demoliu a casa para construir no mesmo estilo daquele tinha. Sem verificar as normas locais.. Não pode, os moradores tinham estabelecido que nada poderia ser construído, só mantido.

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