Escuto o vento fazendo das árvores bailarinas doidas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Estou escrevendo o texto para o blog do Mílton bem cedo e me atrevo a falar do tempo. É noite. As previsões não pareciam ser melhores do que nos últimos dias.Assim,porém, como os leigos se enganam quando tratam de temperatura e quejandos,os formados neste assunto também, apesar de todas as traquitanas que usam para não perderem a credibilidade. Eles estão prevendo para amanhã,terça-feira,mais chuva. Ouço, aqui da sala do computador,vento forte como um lutador de boxe em plena forma,soprar com o seu característico ruído. Olho para a rua e vejo as árvores se sacudindo feito bailarinas doidas. Há muitos dias,muitos mesmo,a única coisa que se escutava,ultrapassando com o seu som portas e janelas bem fechadas. Chuva no verão,às vezes, quando não vira temporal,é bem-vinda. Somos,no inverno,principalmente no Rio Grande do Sul,castigados pelo frio. Somente as lojas não se queixam. Vendem roupas quentes,as mais caras. Quem detesta calor,diz que prefere as baixas temperaturas. Seja o gosto que o meu leitor – se é que possuo algum – tem,seja o calor ou o frio,duvido que não tema as chuvas invernais (e infernais) do inverno gaúcho.

 

As cidades próximas de Porto Alegre são as que mais sofrem quando rios e córregos,esses pacatos no verão,rompem as suas margens. Alvorada é uma das mais atingidas pelo mau tempo. O tempo ruim mantinha 1,6 mil pessoas fora de suas casas. O Rio Guaíba,que alguns insistem em chamar de lago (jamais aceitarei este neologismo),contribuiu negativamente com a sua água ao sair do seu leito,embora sem exagero. Exagero foi o que ocorreu em lugares mais distantes do Guaíba,tanto que 25,8mil pessoas ficaram flageladas nos últimos dias. Os jornais noticiavam que várias cidades interioranas,tais como Santa Cruz do Sul,Passo Fundo,Erechim,Caxias do Sul e Porto Alegre estavam até esta segunda-feira ameaçadas de serem castigadas por enchentes.Os rios Gravataí,Sinos e Uruguai,costumam subir quando chove em demasia. A Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil solicitam ação imediata para ajudar desabrigados pelas cheias. A sugestão da Regional Sul 3 é que as 18 dioceses do Estado coletem roupas,alimentos e material de higiene,visando a aliviar o sofrimento dos que necessitaram abandonar as suas casas.

 

Olhando-se ou se pensarmos em todas as pessoas sacrificadas,neste ano mais do que em outros tempos,não perderam apenas suas moradias,mas os objetos domésticos que haviam comprado com enormes dificuldades. Faço um exame de consciência e me sinto mal porque reclamo disso e daquilo,queixo-me quando algo não dá certo,se não posso comprar um automóvel zero quilômetro e assim por diante. Temos de agradecer a Deus e a todos os nossos Santos por não estar sofrendo com enchentes ou obrigados a morar em locais fisicamente perigosos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

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