De opressor

 

Por Maria Lucia Solla

 

Professor

 

O que mais me deixa triste e desesperançada é a situação da educação no Brasil, que vem sendo corroído pela empáfia, pela baba da raiva, pelo preconceito, pela visão e divisão terrorista de classes – para melhor manipulá-las -, pela ignorância glorificada e pelos desmandos da quadrilha que se instalou no Planalto Central e nos vales e grotas do país inteiro. Virou moda. Modo de Vida. Desandou.

 

E o que fazer? Ora, se tudo o que se faz, se faz no coletivo! É preciso pertencer a um partido, associação, esquadrão, classe, clube, quadrilha, qualquer coisa. Pensar no indivíduo, na sua singularidade? Tudo virou massa a ser sovada até que perca a consistência e possa ser manipulada ainda mais facilmente. O indivíduo é engolido pela pasta humana.

 

Então meu caro, se tiver coragem, o negócio é lutar contra a maré e investir em você mesmo, nele, no cara, no teu filho, sobrinho, afilhado ou vizinho, que a receita melhora. A bicicleta não anda se um dos pneus está furado. É preciso enfrentar o risco, a experiência de não ter os pés no chão. É preciso experimentar, construir e desconstruir, errar e acertar, para que se possa alcançar a liberdade de ser.

 

Eu começaria por soltar o aluno e eliminaria do dicionário a palavra professor. É preciso que o profissional que vai orientar o aprendizado das crianças, adolescentes e adultos, seja preparado holisticamente. Que seja um Mestre na sua arte, mas um cardápio em pessoa. Não se pode preparar crianças do terceiro milênio, como se fossem infantes do século dezessete. Precisam de mais. Como é que se aprisiona numa sala pequena, desconfortável e desinteressante, a gurizada que está na idade da inquietude em todos os corpos, da fome em todos os sentidos, na busca da identidade!

 

Ninguém ensina ninguém! Não adianta confinar e querer que cabecinhas em ebulição decorem datas importantes – para quem? – e regras gramaticais – para quê?.

 

Tanto dinheiro jogado fora, e tanto bandido cria da escola!

 

Mas antes de terminar este texto assim confuso, tal e qual a minha pessoa, hoje!, quero dizer que no Lexigrama de PROFESSOR, de pronto, encontro a palavra OPRESSOR, que é composta por seis das sete letras da palavra professor, e não gosto do que vejo.

 

Aqui vai uma provinha para você: PROFESSOR
OPRESSOR
eu PROFESSO
mas não tem ele PROFESSA
PROFESSAR
SOPRO e depois não quer que o aluno cole
POSSO e POSSE, mas não tem POdE
SORO
SERRO O FERRO
PORRE
SOFRE
OSSO duro de roer
ESSO
ROER

E por aí vai.

 

Obrigada pela companhia, divirta-se, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

8 comentários sobre “De opressor

  1. AMIGA MARIA LUCIA,

    UM POVO É MEDIDO PELA EDUCAÇÃO,SOMOS UMA LINDA NAÇÃO PORÉM NESTE QUESITO ESTAMOS MUITO,MUITO,MUITO ATRASADOS.

    O PRIMEIRO PASSO SERIA PEDIR AOS ALUNOS QUE SE LEVANTASSEM ASSIM QUE UM PROFESSOR ADENTRE NA SALA DE AULA.PARA ENTENDER QUE UM SER ACIMA DE NÓS SIMPLES MORTAIS ESTÁ INICIANDO SEU MARAVILHOSO TRABALHO.

    ABRAÇOS,

    FARININHA.

  2. Farina, meu querido amigo,

    você não vale! Um homem que dedica a vida à educação, sem ganhar um tostão! (rimou)
    Você é um educador, orientador e só pode ter sido feito de puro amor, para oferecer a pais e alunos o apoio amigo que oferece sempre, e eu sei disso.
    Agora, que a situação está um caos, nesse Brasil de meu Deus, isso está.
    Acusam quem tem acesso a boa formação, porque podem pagar… isso dá uma enciclopédia, e quem sou eu…, mas com os bilhões que alimentam a estrutura (sejamos educados) de um partido e de seus componentes… (estou segurando minha educação pela ponta do rabo, e está escorregando) poderíamos focar nosso esforço no Brasil do futuro, uma vez que o do presente ninguém quer, nem de presente.
    E viva o educador!
    Só uma amostrinha sobre você:
    “A cerimônia teve início com um discurso do Dr José Luiz Farina, presidente do Colégio, no qual agradeceu professores e funcionários e destacou a importância deles na construção da história do Dante. “A competência e o amor que a gente recebe dos nossos funcionários e professores é o que fazem esta escola ser o que ela é: uma grande escola, uma escola de amor e não apenas uma escola de prestação de serviço”, afirmou.
    Obrigada sempre pelo apoio e carinho com que você e a Vivi me cercam.

  3. Triste realidade! Lu só com desejo político para transformar esra situação. E, mesmo assim será necessário gerações para se constatar resultados. A profissão é tão desvalorizada que só segue na mesma quem não tem outra opção. Acredito nas revoluções sociais que surgem quando o convivio na sociedade é quase insuportável em decorrência das desigualdades gritantes. Um dia a casa cai. Certamente não será para nós mas, qyem sabe para nossos bisnetos. Forte abraço Anna

  4. Anna Luz, minha cunhada/irmã,

    de professora a Mestra, de Mestra a Doutora, desvendando as entranhas das comunidades. Ajudando, salvando, orientando.
    Deus te ouça, Anninha, Deus te ouça!

    Beijo e fica bem,

  5. “We would like to thank professors Anna Luz and José Roberto Goldim and nursing student Giordana Motta. We also thank FAPERGS and CNPq/UFRGS for the scientific funding support and FIPE of the HCPA for the financial support.”

    É gente que faz!

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