Tudo pelo bem do jogo

 

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Os jornais do fim de semana sempre são lidos com mais tranquilidade, sem a pressa imposta pela rotina do trabalho. Aliás, essa rotina que me impõe sair da cama ainda de madrugada durante a semana, me acostumou mal: aos sábados e domingos, estou em pé quando a maioria das pessoas ainda sonha profundo. Boa oportunidade para o café, o omelete e, claro, a leitura das notícias no silêncio da manhã apenas quebrado pelo bando de sabiás que cerca minha casa (que sejam preservados!).

 

Reforma administrativa e falcatruas da política nacional à parte, duas notícias me chamaram especial atenção.

 

A primeira no mundo do esporte, que estava exposta em todos os jornais e já havia sido divulgada na CBN: os maiores patrocinadores do futebol internacional se uniram para pedir que Joseph Blatter renuncie, imediatamente, da presidência da Fifa, devido a insustentável onda de denúncias que atinge a ele e seus comparsas na entidade. Visa, Adidas, InBev, McDonalds e Coca-Cola – uma gente que investiu US$ 1,4bilhão somente na Copa do Mundo do Brasil – promoveram, na sexta-feira, uma inédita pressão política para afastar o dirigente.A nota da Coca-Cola foi a mais interessante: “Pelo bem do jogo, ele deve renunciar imediatamente para que um processo sustentável de reforma seja realizado”. Pelo bem do jogo?

 

A outra notícia encontrei na coluna de leitura obrigatória assinada por Fernando Reinach, no jornal O Estado de São Paulo, sob o título “O primeiro remédio contra o envelhecimento”. O biólogo diz que duas drogas disponíveis nas farmácias e baratas têm se mostrado promissoras para retardar o envelhecimento, a Rapamicina, um imunossupressor, e a Metformina, que combate a diabete. Por já ser conhecida desde 1960 e não ter praticamente efeitos colaterais, a comunidade médica estaria pronta para iniciar os testes em larga escala, com mais de 3 mil idosos, com a Metformina. Reinach informa que os testes não se iniciaram por falta de dinheiro e interesse, a medida que nenhum laboratório se dispõe a colocar milhões de dólares para conduzir os trabalhos,pois ninguém terá lucro com sua venda, já que a droga não tem mais patente, sem contar que, ao fim dos exames, há o risco de não se confirmar a propriedade esperada.

 

Os laboratórios com sua lógica se equivalem, nesse caso, aos patrocinadores da Fifa que decidiram reagir, como escreveram, “pelo bem do jogo” – expressão que me soou não exatamente como uma referência ao jogo de futebol.Se é que você me entende?

 

A foto que ilustra este post é do álbum de The Open University, no Flickr

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