Avalanche Tricolor: o mais importante era a vitória

 

Grêmio 1×0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Bobô comemora gol da vitória FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

“O mais importante era a vitória”, foi o que disse Bobô ao fim da partida. Concordo com ele.

 

Sei que vencer é sempre importante. Desta vez, porém, os três pontos valiam muito mais. Diante da maratona que o Grêmio tem de enfrentar nestes primeiros meses do ano, é preciso manter todos os adversários ao nosso alcance. Não podemos permitir que alguém se desgarre ou a pressão dos que vêm de baixo exija esforço extra. Conseguimos isso ao chegarmos na quinta rodada do Campeonato Gaúcho somente a três pontos do líder e com gente metida a grande atrás de nós.

 

A vitória também era o mais importante, neste fim de tarde de domingo, porque somente esta seria capaz de controlar os intolerantes, uma turma incapaz de perceber que time de futebol não se contrói do dia para a noite. Especialmente um time que pretende impor uma forma de jogar diferente da maioria dos demais clubes brasileiros. O futebol qualificado, de toque de bola veloz e eficiente, com aproximação e tomada de espaço, além de marcação precisa, exige ajuste fino por parte do técnico e muito treino e boa condição física por parte do elenco. Isso não se alcança logo no início da temporada.

 

Tenho a impressão de que alguns torcedores têm a necessidade de encontrar um herói para a sua vida, buscam o salvador da pátria, aquele capaz de resolver todos os problemas do time dentro de campo e todas as suas frustrações fora do futebol. Agindo assim, nos transformamos em máquina de moer talentos. O herói de um jogo vira anti-herói no seguinte. E se o time não funciona, este é bode expiatório, vaiado e injustiçado, como chegamos a assistir na partida de hoje.

 

Sair de campo vencedor também foi importante para o autor da frase que abre esta Avalanche. Bobô terminou a temporada passada sem convencer, mesmo diante de seu esforço e alguns poucos gols. A chegada de novos atacantes deixou-o em segundo plano, para muitos até fora dos planos. Já ao entrar no lugar de Henrique Almeida, aos 10 minutos do segundo tempo, em vez de o coadjuvante das partidas anteriores transformou-se em protagonista. Apareceu três vezes seguidas em frente ao gol adversário, duas delas impedido de seguir as jogadas por irregularidades sinalizadas pelo árbitro, e a terceira para garantir a vitória. Será muito bom se sempre pudermos contar com o Bobô que assistimos em campo hoje.

 

Os três pontos ainda valiam a tranquilidade para Roger trabalhar com seu grupo, adaptar os novos atacantes, ter tempo para acertar a dupla de zaga e testar alternativas na equipe, mesclando jogadores titulares e reservas, conforme a conveniência. Sem a vitória, teríamos de arriscar o planejamento e expor alguns dos principais talentos da equipe a uma sequência perigosa de jogos.

 

Se já não fossem motivos suficientes todos os relacionados nesta Avalanche, a vitória marcou o 50º jogo de Roger como técnico do Grêmio, que chegou até aqui com 62% de aproveitamento, 27 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. Mais do que esses números todos: Roger foi o responsável pela transformação que o futebol gremista sofreu do ano passado para cá. Por tudo que tem feito ao Grêmio, ele merecia esses três pontos, neste momento.

 

“O mais importante era a vitória”, sim, e tudo mais que esta representava para Roger, para o time, para Bobô e para todos nós que torcemos pelo Grêmio.

2 comentários sobre “Avalanche Tricolor: o mais importante era a vitória

  1. Amigo Milton, estivemos este domingo (eu e minha esposa Gisele Mazza) junto com vc na missa da paróquia de Sta Suzana. Um grande prazer te conhecer. Veja abaixo texto que postei hoje no FB. Sei que vc é uma pessoa preocupada com a ética, lutador para que nossas futuras gerações construam um pais decente. Vc incentiva ao cidadão brasileiro a buscar um futuro melhor para o nosso pais. Parabéns por seu trabalho! Siga em frente! Eduardo Barreto /

    Os dois lados da moeda : minha filha Frances começou a trabalhar a exatamente uma semana na gigante da indústria química BRASKEM. A empresa está localizada aqui em S.Paulo no mesmo prédio onde funciona a construtora ODEBRECHT (Marginal Pinheiros). São sócios da empresa, tanto a PETROBRAS qto a própria ODEBRECHT (as duas querendo se desfazer de suas cotas na Braskem pois ambas – não a Braskem – estão quebradas, precisando de dinheiro)…hoje de manhã ela me passou uma mensagem no WA “pai, a PF está aqui no prédio, ninguém pode entrar! até o japonês da PF está aqui!…”. Como pai, tive um duplo sentimento : primeiro, vergonha do meu pais, que deve ser hoje o # 1 em corrupção no mundo, onde as bandalheiras tem brotado debaixo do tapete a cada semana…o segundo foi um sentimento de esperança, ver que os até então “poderosos” estão sendo enjaulados, um após o outro (agora é o JS, marketeiro do PT que vai pro saco…) graças a uma aliança virtuosa e inédita : Juiz Moro / MP / PF (e seu valoroso “japonês”…). Acho que hoje minha filha está aprendendo uma lição de extremo valor : o tal “jeitinho brasileiro” acabou, e já vai tarde….o grande truque a partir de agora (e sempre deveria ter sido assim) será valorizar a honestidade, a ética, o trabalho digno, dedicado, competente e justamente remunerado (de preferencia, longe da política e dos politicos). Bem vinda Frances, este é o novo pais que será construido por vocês, a geração X,Y (ou Z, sei lá…) que NÃO vai mais aceitar NADA que não seja o correto…pois fora disso, vc como eu hoje minha filha, terá vergonha de ser brasileiro…

  2. Olá, Eduardo

    Sua filha, assim como eu, você e muitos dos que estamos vivenciando este momento, talvez façamos parte da Geração E (de ética). Pois passamos a compreender que não é mais aceitável vencer a qualquer preço (ou qualquer propina). E isso se dá em cada ato que tomamos em nosso cotidiano. A investigação, prisão e condenação daqueles que por anos estiveram impunes no Brasil nos oferece esta esperança de mudança no comportamento e caráter do cidadão brasileiro. Grande abraço,

    Milton

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