A gente que se dane

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Salve-se quem puder!

 

Para viver nas principais metrópoles brasileiras é preciso ter presente a frase com a qual abri o texto de hoje, eis que grande é o risco de vida que corremos.

 

Não necessito dizer as razões que deixaram a maioria das pessoas de bem entregues a bandidos de todas as espécies, a maioria vitaminada por traficantes de tóxicos. Esses brigam entre si para disputar quem manda mais. Ainda se tais disputas não atingissem quem gostaria de ficar longe delas, mas, lamentavelmente, muitos não têm como se refugiar sem correr riscos de morte. Inocentes de todas as idades morrem vítimas de balas perdidas.

 

O vice-prefeito da nossa Chicago,isto é,Porto Alegre, como a apelidei, participava de uma reunião que tratava da insegurança que ronda, permanentemente, a Capital gaúcha, por força dos homicídios e tiroteios quase diários. Nesse encontro, Sebastião Melo, esse o nome do vice de POA, cobrou postura diferente da do nosso governador José Ivo Sartori, seu colega de legenda. Na noite passada, enquanto debatia os problemas da cidade, Melo ouviu uma série de tiroteios de armas de fogo. Ao descrevê-lo, o vice-prefeito,em entrevista à Rádio Gaúcha, pediu que fossem tomadas medidas mais fortes para combater a criminalidade. Para Melo, o governador deveria criar uma “sala de crise”. O nome é bonito, mas duvido que a tal de “sala” seja criada.

 

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, gostaria de ver em ação a Força Nacional. Sartori já havia pensado nisso. Fortunati,no entanto,tem no secretário estadual de Segurança Pública,Wantuir Jacini, não digo um inimigo, mas alguém que não concorda com o prefeito de Porto Alegre. Esse retruca, dizendo que a presença de Força Nacional não resolve, mas ajudaria. Para o prefeito, já foram suportados todos os limites. Jacini, do “alto de sua sapiência”,porém, deve saber tudo sobre o que deve ou não deve ser feito para que esta cidade amaldiçoada se aproxime do seu normal. Enquanto isso,pessoas continuam morrendo assassinadas,como ocorreu com Norberto Soares Vieira,trucidado a tiros,bem próximo do Pronto Atendimento da Vila Cruzeiro,um legítimo antro de traficantes de tóxicos. O local havia sido fechado quando um médico, que dava plantão, não suportou permanecer trabalhando.

 

O diabo é que os bandidos demonstram que não temem ninguém,especialmente porque quem deveria definir como minimizar o problema,está longe de encontrar solução.

 

E os porto-alegrenses que se danem,não é?

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve de Porto Alegre no Blog do Mílton Jung

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