Avalanche Tricolor: ¿hablas español?

 

Veranópolis 0x2 Grêmio
Gaúcho – Antônio David Farina/Veranópolis

 

Gringos

Miller e Barrios marcaram na vitória em Veranópolis, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio fez um e fez dois. Poderia ter feito três, quatro ou cinco.

 

Exageros à parte, a bola rolou de pé em pé mesmo com o pouco espaço que a marcação oferecia.

 

Na dificuldade para chegar ao gol, começou a chutar de fora: Miller, Pedro Rocha e Luan arriscaram sem sucesso, mas trouxeram a defesa do adversário um passo à frente. Com isso, abriram-se outros caminhos: por cima e por trás. E foi por cima dos zagueiros deles que chegamos ao gol.

 

Rocha perdeu na primeira. Miller, não. No lançamento que veio do meio do campo, nosso atacante esperou a bola quicar no gramado, enganar o goleiro e com calma concluir no gol que estava livre. Un golazo!

 

Na defesa, estávamos seguros. Risco zero.

 

Do meio pra frente, o time se movimentava com rapidez. Volantes e laterais também se apresentavam para o jogo. E mesmo nossos zagueiros, especialmente Geromel – que baita jogador, heim! – se faziam presentes no ataque quando havia oportunidade.

 

Apesar do domínio completo da partida, perdemos gol atrás de gol. E até o goleiro deles, que pipocou no primeiro, passou a se consagrar com defesas de um lado e de outro.

 

Cansado de ver o time desperdiçar suas chances, Renato foi ao banco e trouxe os dois gringos que estão loucos para mostrar seu futebol, mas ainda não acertaram o pé e o ritmo. Ou não tinham acertado.

 

Gastón Fernandez e Lucas Barrios quando entram em campo me passam a impressão de que ainda não entendem a língua de seus companheiros. Não me refiro ao português, é lógico. Falo da língua do futebol, aquela que permite um diálogo perfeito entre os colegas, que faz com que o passe chegue no ponto certo para a sequência da jogada e o outro anteveja sua intenção ao largar a bola.

 

Os dois entraram no momento em que o ritmo da partida havia caído e as chances de gols tinham diminuído, além de estarmos assistindo a uma reação desorganizada do adversário. Isso mais uma vez parece ter atrapalhado o entrosamento, e os poucos passes que trocavam não tinham sucesso.

 

Barrios até arriscou um chute, mas a bola foi desviada pelo goleiro e desperdiçada por Luan na sequência. Em seguida, recuado na defesa, nosso atacante errou a passada e se estatelou no chão em um lance bizarro (tropeçou no buraco do gramado). Não desistiu da jogada nem do jogo.

 

No lance seguinte, após uma cobrança de falta rápida, Fernandez levantou a cabeça, viu Barrios entrar na área e com o olhar mandou o recado: la pelota es suya. E foi. Depois de receber o passe enfiado por entre as pernas do marcador e correr por trás dos zagueiros, Barrios com uma só batida seca e forte fez o 2 a 0 que esboçávamos desde o primeiro tempo. Gol de Barrios (com sotaque espanhol)!

 

E assim, com dois gols qualificados de vantagem e decidindo em casa, podemos arriscar: el Gremio está casi en las semifinales del gaucho.

 

¡Hasta la próxima!

Um comentário sobre “Avalanche Tricolor: ¿hablas español?

  1. Oi, Milton. O jogo deste domingo contra o Veranópolis foi o primeiro que assisti após a morte do meu pai, aos 68 anos, no último dia 29 de março, vítima de câncer de pâncreas. Gremista fanático, foi graças a ele que escolhi o lado tricolor (meu irmão por alguma razão virou flamenguista). Devo a paixão pelo rádio a ele também, já que na década de 90 e começo de 00, sem tv por assinatura, tínhamos que recorrer ao radinho para acompanhar os jogos do Imortal. Tenho certeza que minha torcida pelo Grêmio ficará muito mais intensa a partir de agora, se eu já lembrava dele a cada partida, agora lembrarei muito mais. Pelo menos ele pôde ver um último título de expressão no final de 2016, quando ainda não sabia da doença. Lamento não o ter levado para conhecer a Arena do Grêmio, estava nos meus próximos planos. Espero que de onde ele estiver, possa continuar olhando pela família e pelo nosso Grêmio, que aliás, está voltando a jogar o fino da bola. Quando o time todo entrosar, ninguém segura.

    Abraços!

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