Avalanche Tricolor: carta para o meu filho

 

Libertad 0x2 Grêmio
Libertadores — Assunção/Paraguai

 

Gremio x Libertad

Everton marcou os dois gols. Foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Oi, Greg

 

Tudo bem por aí?

 

Tenho certeza que a experiência do outro lado do mundo vai ser incrível. Se sentir saudades da gente, não se preocupe. É da vida. Eu também já morro de saudades, mas sei que daqui a alguns meses você estará de volta. E de volta com muito mais experiência, conhecimento, amizades, maturidade e aquele sorriso bonito que você costuma dar — um sorriso que nos revitaliza.

 

Estou escrevendo para contar que aqui nas nossas bandas, o Grêmio segue provando sua imortalidade.

 

Lembra que quando você estava fazendo as malas, a coisa andava feia para o nosso lado?

 

Tinha gente até que apostava que deixaríamos a Libertadores bem antes da hora. Falavam em crise. Em queda de produção. Problemas no vestiário —- é o que dizem quando querem espalhar que o grupo de jogadores não está se entendendo.

 

Aí vencemos na rodada passada da Libertadores.

 

Mesmo assim o pessoal questionava nossa chance de seguir em frente. Fazia projeções. Combinava resultados. E olhava com desconfiança para nossa capacidade de recuperação. Gente incrédula essa, não é mesmo? Parece até que jamais ouviu falar das nossas façanhas.

 

Chegou a final do Campeonato Gaúcho e ganhamos mais uma vez.

 

Eu e você vibramos juntos as defesas do Paulo Victor tanto quanto os gols marcados nas cobranças de pênalti. Lembra?

 

Você talvez não tenha percebido, mas quando corri para dar-lhe um abraço e comemorar o título gaúcho era um abraço de despedida. Quase que querendo que você ficasse por aqui. Mas consciente que não seria justo segurá-lo, diante das oportunidades que a vida lhe oferecia.

 

Hoje à noite, sabia que você não estaria mais por aqui. Sabia que não poderia contar com meu companheiro de sofrimento e de torcida. Sabia que não teria como lhe abraçar mais uma vez.

 

Mas também sabia que o Grêmio não nos deixaria na saudade.

 

Que voltaria a ser o Grêmio que me fez cobrir seu berço com camisa tricolor quando você recém havia nascido e nós conquistávamos o bicampeonato brasileiro, em 1996. Que lhe forjou gremista na histórica Batalha dos Aflitos, em 2005. Que nos encheu de orgulho enquanto assistíamos da arquibancada à presença do Tricolor no Mundial de Clubes, nos Emirados Árabes, em 2017.

 

E foi assim, Greg, que na noite de hoje, todos aqueles momentos que curtimos lado a lado voltaram à memória.

 

Desde os primeiros momentos da partida decisiva desta noite —- sim, era decisiva porque qualquer revés nos tiraria da competição —- estava na cara que aquele Grêmio que conhecemos estava em campo. Domínio total do jogo, bola de pé em pé, passes velozes e precisos, jogadores se deslocando de um lado ao outro para confundir os marcadores e aquela turma lá de trás acabando com a partida — sem dar chance aos adversários.

 

Você não imagina a defesa salvadora que o Paulo Victor fez no segundo tempo. Você não tem ideia o que jogaram Geromel e Kannemann. Gigantes!

 

E lá no ataque?

 

Bem, lá a gente tinha o Everton. E esse você conhece bem. Nós dois —- aliás, nós três, porque o Lorenzo estava com a gente na arquibancada —- vimos o Everton fazendo aquele gol no Mundial bem na nossa frente. Lembra?

 

Hoje, aquele Everton estava de volta.

 

No primeiro gol, ainda no primeiro tempo, ele tirou os marcadores e o goleiro para dançar  — confere na internet que vale à pena.

 

No segundo gol, com a ajuda do Pepê — sim, o Renato em lugar de trancar o time na defesa, o deixou ainda mais ofensivo no segundo tempo, colocando um dos nossos guris em campo —-, Everton driblou um, trançou a bola nas pernas do outro, limpou para a direita e bateu firme, definindo a nossa vitória.

 

Fizemos 2 a 0 contra o líder do grupo, que estava invicto na Libertadores, e na casa do adversário. Fomos superiores no primeiro tempo. E insuperáveis nos segundo. Com o resultado, estamos na luta mais uma vez, a uma vitória da classificação que será decidida em casa, na rodada final.

 

Para a festa ficar completa, só faltou você. Mas fique tranquilo porque sei que você tem um desafio super legal pela frente. E nós estamos torcendo muito para que tudo de certo aí do outro lado do mundo.

 

Vai em frente, curta cada momento da sua experiência. Eu me comprometo a manter você atualizado com as coisas que acontecem por aqui. Contando as façanhas do Imortal Tricolor —- que nesta noite revelou mais uma faceta da sua imortalidade.

 

Beijos e até mais!

2 comentários sobre “Avalanche Tricolor: carta para o meu filho

  1. Só o Grêmio Imortal Gigante é capaz de proporcionar tamanha emoções. Somente os Gremistas sabem o significado da nossa Imortalidade. Estamos mais vivos do que nunca quando a maioria já nos dava como eliminados na primeira fase. Que venha a Universidad Católica agora. Haja emoção!

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