Dai a Covid-19 o que é da Covid-19

 

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Infectologistas tem se esforçado para dar a dimensão apropriada aos números do Coronavírus, sem a intenção de passar pano na crise que eclodiu na China e se espalha por todos os continentes. A intenção é evitar pânico onde não cabe pânico.

 

Desde que os primeiros casos surgiram e começamos a acompanhar diariamente as informações sobre diagnósticos confirmados e mortes, tem um dado que me chama atenção: o de pessoas curadas; é muito alto.

 

No momento em que escrevo, o worldmeters.info, que atualiza os números do coronavírus, registra:

 

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Ou seja, a imensa maioria dos que contraíram o vírus passa bem.

 

Leve em consideração, também, que esses dados se referem apenas aqueles que foram a uma unidade de saúde, aqui ou na China, para saber se a indisposição que sentiam era Covid-19, nome que a OMS deu à doença provocada pelo vírus que circula.

 

Muitas pessoas provavelmente contraíram o vírus, sequer perceberam qualquer dos sinais da doença, ficaram em casa devido ao controle rígido imposto na China e, portanto, não aparecem na lista dos casos confirmados.

 

Essa realidade, aliás, põe em dúvida a taxa de mortalidade do novo coronavírus.

 

Inicialmente falou-se em 2% da população que contraiu o vírus. Esse índice é calculado com base nos que se sentiram mal, procuraram um agente de saúde e vieram a morrer. Ficará bem mais baixo, se colocar na conta a maioria que sentiu o nariz correndo, teve uma febre pouco expressiva e, portanto, ficou na dela sem registrar qualquer ocorrência.

 

 

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Outra situação que pode causar espanto, mas deve ser relativizada, que se refere ao Brasil.

 

Houve uma explosão de casos SUSPEITOS nos últimos dias. Lembra quando noticiávamos que o Ministério da Saúde investigava 10 ou 15, em todo o Brasil? Hoje, são 433 casos SUSPEITOS —- perdão pela caixa alta, mas é para deixar bem claro o que estamos falando. Confirmados, temos apenas dois e de brasileiros que estiveram no norte da Itália, principal foco de contaminação da Europa, neste momento. E, registre-se, os dois passam bem.

 

O crescimento de suspeitas é fácil de explicar.

 

Até uma ou duas semanas, se você chegasse no hospital com o nariz correndo, tosse e febre, o médico no máximo perguntaria se você esteve na China nos últimos dias. Em caso negativo, diagnosticaria gripe ou resfriado, transcreveria alguns daqueles tradicionais remédios que tomamos; e você sequer pegaria atestado para se afastar do trabalho — se é que você já não tivesse se medicado em casa.

 

Hoje, se surgem os sintomas e você esteve em algumas das dezenas de países onde o coronavírus apareceu —- e a lista passa de 50 —- ou teve contato com pessoas que viajaram para esses locais, você corre para o hospital e, por precaução, o médico o inclui entre os suspeitos. E assim fazemos este número crescer de forma exponencial.

 

Ainda hoje, em entrevista a rádio Gaúcha, o doutor Dráuzio Varela, disse que em geral o coronavírus tem gerado sintomas que não se diferem de gripes comuns. Lembrou que não há vítimas com menos de 10 anos e apenas dois a cada mil pacientes com até 40 anos, morrem. A mortalidade é maior entre pessoas acima dos 80 anos —- assim como ocorre com o vírus que provoca uma gripe comum.

 

Significa que estamos perdendo tempo com o coronavírus? Não. Lavar as mãos com cuidado e adotar etiquetas respiratórias, como espirrar no braço, evitam proliferação desse e de outros vírus. As pesquisas são importantes, o sequenciamento do seu DNA é fundamental e ter um vacina à disposição vai evitar muitas mortes —- assim como ocorre com a vacina da gripe que já faz parte da nossa rotina anual.

 

O que precisamos, porém, é lembrar a passagem bíblica que encontramos no evangelho de Mateus: dai a César o que é de César. Ou, neste caso, dai a Covid-19 o que é da Covid-19.

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