Expressividade: respirar melhor ajuda a comunicar melhor

 

Aqui vai a sétima parte do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, publicado no livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. Trago esse texto para o Blog em homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz (16/04):

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Foto: Pixabay

 

UMA PAUSA PARA RESPIRAR

 

Não, não estou convidando você para fechar o livro, sair à rua e respeitar um pouco de ar puro. Se quiser aproveitar a desculpa, fique à vontade. Mas, por favor, volte em seguida para esta leitura. O título, logo aí em cima, é para reforçar a ideia de que a pausa na locução, entre tantas outras mensagens implícitas, serve para respirar. Ao retomar o fôlego, garantimos a expressividade da fala. Mantemos o controle da ação.

 

A voz pode ser entendida como resultado do ar que circula no sistema respiratório. A sua produção ocorre na laringe, onde se encontram as pregas vocais — juro que prefiro a expressão “cordas vocais”, além de mais sonora parece-me mais significativa, mas não me atrevo mudar, mesmo porque sou minoria neste livro. Quando o ar é inspirado e entra nos pulmões as pregas se afastam. Ao falar, o ar sai dos pulmões fazendo-as vibrar e se transforma em ondas que ganham ressonância na boca, nariz e faringe. A articulação deste som ocorre pela ação da língua, dos lábios, mandíbulas e palato. Chega aos ouvidos do interlocutor completando o processo de comunicação. Assim, o ar é percebido como som e, portanto, quanto melhor a respiração, melhor a possibilidade de se comunicar corretamente.

 

O jornalista Heródoto Barbeiro, em seu livro “Falar para liderar —- uma manual de media training”, revela conhecimento de causa, fruto de sua competência na arte de comunicar e de seu comportamento influenciado pelo zen-budismo, ao escrever:

“Tem coisa que a gente pensa que já nasce sabendo e por isso não admite que alguém nos ensine. Entre elas está o respirar, o comer e o sorrir. Você vai dizer que se não soubesse respirar e comer já teria morrido, mais ou menos alguma coisa parafraseando Descartes: “respiro, logo existo”. Não é bem assim”.

A lista das coisas que acreditamos saber mas temos muito a aprender é bem maior, sem dúvida. Você não tem certeza de que sabe pensar? E ter relações sexuais? Temos muito, ainda, a entender com os orientais. Fiquemos, por agora, com o tema respirar.

 

A ciência Yogue, há mais de 3 mil anos, proclama que a vida é respiração. Não apenas porque a morte é resultado certo em pouco minutos se ficarmos sem ar, ao contrário da ausência de comida, água ou sono. Os Yogues, de sabedoria avançada e profunda, aos desenvolverem uma percepção extra-sensorial ficaram admirados pelo fenômeno da respiração. Compreenderam que para respirar conscientemente é preciso determinação e concentração. Feito assim, conectamos corpo e mente e encontramos o equilíbrio necessário na busca pela qualidade de vida.

 

Há muitos anos, profissionais, que têm na voz ferramenta de trabalho, são orientados a respirar com o diafragma. Nas primeiras tentativas que fiz para falar em voz alta e usar este tipo de respiração tinha a sensação de estar me preparando para a dança do ventre. Com o passar do tempos entendi bem a diferença entre os dois movimentos e preferi ficar apenas com o primeiro. Hoje, apesar de não ser um especialista no assunto, arrisco outras formas de respiração: pausada, circular, abdominal, diafragmática ou completa, dependendo da necessidade. Já aprendi que este ato vai muito além da absorção do oxigênio e eliminação do gás carbônico. Em meio ao trânsito, antes de uma apresentação ou quando não estou relaxado para dormir, muitas vezes expirar e inspirar profundamente são suficientes para encontrar um ponto de equilíbrio.

 

Observe sua respiração. Se estiver curta e rápida, sua mente estará trabalhando de forma agitada, nervosa. Se for irregular, você deve estar perturbado ou ansioso. Mas se sua respiração for suave, é sinal de tranquilidade. Aceite-a como está e ela mudará, como tudo na vida muda. Tudo surge e passa, e observando a respiração por um período, você tomará consciência disso. Controle seu ritmo respiratório e você controlará sua mente.

 

Aprender as técnicas de respiração é importante para combater a ansiedade que influencia na forma de se expressar pela fala. O nervosismo leva a pessoa a falar muito e rapidamente, dois aspectos que podem ser desastrosos na comunicação. Portanto, se houver limite de tempo para sua mensagem, não apresse o discurso, preferia uma versão menor e mais direta. Se a informação tiver de ser transmitida em um momento de estresse e emoção, não esqueça: foque na respiração, controle-a, se necessário for, e isto vai se refletir, até mesmo, na qualidade da sua voz.

 

Outras orientações você encontra na fonoaudióloga mais próxima de sua casa.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

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