Sem blog e sem solução, mas com direito a mais um pôr do sol na minha vida

 

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Uma barbeiragem burocrática tirou este blog do ar por três dias —- menos do que isso até, porque o problema apareceu no meio do sábado e foi resolvido ao longo da segunda-feira. Pareceu-me uma eternidade. O recado que recebi era de que o administrador tentava avisar o proprietário do site dos motivos que impediam sua publicação e pedia para que os leitores do blog —- ou aqueles que tentassem acessá-lo —, o avisassem: “queremos garantir que eles recebam a mensagem”.

 

O fim de semana foi de rara paz no coração —- proporcionada por uma escapadela para uma área pouco habitada, distante de qualquer pessoa e com acesso à moradia sem risco de contaminação — nem de vírus nem de gente. Higienizada com 72 horas de antecedência e acesso remoto, cercada por uma reserva ambiental privada e todo sua flora e fauna à solta, a casa era o que, nestes tempos de paranoia sanitária, sem pestanejar, eu definiria de paraíso — com direito a pôr do sol, até porque não há paraíso sem pôr do sol (e outro dia podemos falar sobre isso).

 

Tinha até Wi-Fi e sinal 4G conectando você ao mundo. Abri mão desse privilégio e preferi afastar-me do celular na medida do possível — minha gurizada, como trabalha no remoto, mesmo no fim de semana, precisava dessa tecnologia à disposição.

 

Claro que caí em tentação. Já passavam das duas da tarde quando resolvi dar uma olhadela na tela do celular e me chamou atenção entre as centenas de notificações do WhatsApp a mensagem do Ric, amigo querido e colaborador deste blog (há algum tempo ele tem dado preferência ao Instagram). Foi ele quem me alertou para as dificuldades de acessar o blog — confesso que fiquei feliz, não pelo bloqueio, mas por saber que o Ricardo Ojeda Marins (é assim, com nome e sobrenome que ele assina seus texto) segue me seguindo. Aliás se você quiser ler as inúmeras colaborações que o Ric já fez ao blog, acesse este link.

 

Dali em diante foi aquela maratona que você conhece bem quando dá problema na sua internet, no seu perfil em uma rede social ou em qualquer outro serviço digital ou não. Escreve para quem você acha que entende. Espera que quem você acha que entende escreva para quem ele acredita realmente entender. E de repente você é surpreendido por alguém que você achava que entendia lhe fazendo uma pergunta típica de quem não entende o que você, claro, entende menos ainda, caso contrário não precisava sequer fazer a pergunta que deu início aquele círculo de desentendimento.

 

O círculo de desentendimento persistiu no fim de semana todo e invadiu a segunda-feira. O blog seguiu alertando aos caros e raros leitores que “o mapeamento deste domínio expirou e precisa ser renovado” — que no balcão do bar significava que “esse cara que você curte ler, é caloteiro ou esquecido, porque até agora não pagou a conta da renovação do contrato”.

 

Mais de quatro meses de quarentena, dezenas de sessões de terapia e algumas caixas de remédio —- tarja preta, vermelha, rosa e todas demais cores que pintam como solução terapêutica —-, me ensinaram que se não tem como resolver o problema agora, o problema está resolvido (nem que seja por agora). E só voltará a sê-lo quando a busca por uma solução estiver a seu alcance.

 

Joguei o celular sobre as roupas que estavam espalhadas no chão do quarto, fechei o computador e o deixei descansando sobre o edredom emaranhado que cobria os pés da cama. Desliguei-me da tecnologia. E conectei-me comigo mesmo.

 

Troquei as tramas do passado, as encrencas do futuro e os problemas sem solução do presente pela grama que se estendia da porta da casa até a beirada da montanha —- uma geografia que se transformava em mirante natural para apreciar a figueira e todos os seus majestosos galhos que cresceram alguns andares abaixo.

 

Aproveitei um tiquinho de vida que ainda se faz presente no nosso cotidiano tão cheio de morte e luto — e fiquei feliz em saber que depois de me sentir cidadão privilegiado por ter uma família ao lado, uma saúde, física e mental, capaz de sempre se recuperar, e o direito a apreciar mais um dia que fosse de pôr do sol, aquele problema tecnológico deixou de ser problema, a solução foi oferecida nesta segunda-feira e o blog segue seu rumo, conversando todos os dias com seus caros e raros leitores — cada vez mais caros e raros.

2 comentários sobre “Sem blog e sem solução, mas com direito a mais um pôr do sol na minha vida

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