Mundo Corporativo: o futuro das empresas e do emprego, segundo Tiago Mattos

 

“Todas as nossas atividades vão mudar; então, ela vai morrer de certa forma porque ela vai mudar, mas a necessidade de a gente entregar valor como a gente entrega, vai continuar” — Tiago Mattos, futurista da Aerolito

Entender o futuro é enxergar qual o caminho que vamos seguir lá na frente e para que essa trajetória seja percorrida é necessário que hoje se tome as decisões mais adequadas. Ajudar empresas, empreendedores e profissionais a refletirem sobre essas escolhas tem sido o trabalho de Tiago Mattos, um dos fundadores da Aerolito, e entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN. Mattos se apresenta como futurista e explica o que significa essa profissão:

“O trabalho de futurismo é muito menos prever o futuro e muito mais divagar, refletir, conjecturar sobre as possibilidades do futuro, porque com essas possibilidades a gente pode tomar melhores decisões no presente, fazendo com que a sociedade gere mais impacto positivo”

Com a pandemia, muito se falou da transformação digital que foi acelerada pela necessidade de sobrevivência de empresas e setores da economia. Mattos alerta, no entanto, que é preciso identificar quais são os estágios de digitalização de cada setor que, segundo ele são três: não-digital; digitalizado; e pensadamente digital.

Uma loja física, que é o mais comum que temos à disposição, é uma loja não-digital. Quando essa loja vai para o comércio eletrônico, mas mantém o mesmo modelo da física, com produtos expostos e o consumidor fazendo sua escolha em um clique, é considerada uma loja digitalizada. O avanço mesmo acontece quando essa loja se transforma em pensadamente digital, ou seja, oferece ao consumidor a possibilidade de escanear as medidas do seu corpo e a roupa ser fabricada não do tamanho P, M, G e GG, mas na medida certa da pessoa.

“Houve uma aceleração: o e-commerce é um presente já estabelecido e o pensamento digital, que chegaria lá na frente, se acelerou”

Um dos termos cunhados pela Aerolito é o da futuralidade —- que reúne futuro e naturalidade em um mesmo conceito. E parte da ideia de que é preciso acolher de maneira mais natural o futuro, que teve sua passagem antecipada. Para adotar a futuralidade, Tiago Mattos diz que as empresas precisam estar atentas a quatro pontos:

  1. Pensamento “efetual” —- gerir com a cabeça de um empreendedor e não de um gestor educado pela administração clássica, como explica Saras Sarasvathy, no livro “Effectuation”.
  2. Inversão temporal — evitar a linearidade do planejamento que segue a ordem “now, next and future”;  agora, a ordem é “now, future and next”, ou seja, tem de olhar para o presente, para o futuro e, depois, para os próximos passos, porque esse futuro vai chegar antes da hora.
  3. Pós-categorização — não podemos cair na armadilha de usar rótulos conhecidos para os conceitos, comportamento e posturas que surgirem pós-pandemia; esse reducionismo faz com que o novo envelheça antes mesmo de nascer;
  4. Segurança psicológica —- é preciso exorcizar os evitáveis conflitos pessoais para catalisar os inevitáveis conflitos de ideia; tenho de ser genuíno e não sofrer nenhuma pressão; quem tem de ganhar o embate de ideia é a argumentação e não o cargo; não importa a roupa, o sotaque, a raça e o gênero; é diferente de inteligência emocional, que é do indivíduo, enquanto a segurança psicológico é uma construção coletiva.

Diz Mattos:

“A gente tem de pensar no futuro para entender qual é o caminho, para onde vai essa nossa autopista; para que hoje a gente tome decisões adequadas ao nosso tempo; estar no presente hoje, em 2020, não significa que a gente esteja mentalmente em 2020; a gente pode estar com posturas que não sejam de 2020, com uma estética que não seja de 2020, com uma ética que não de 2020, ou com uma gestão que não seja de 2020”

Um dos aspectos que precisam ser melhor administrados pelos gestores do futuro é o da circulação de mensagens para evitar que o excesso de informação prejudique o relacionamento de empresas e colaboradores. Tiago Mattos alerta para os riscos do que chama de infoxicação:

“Se todo link de Whatsapp, se toda notícia de rede social, se tudo que chega a gente considera verdade, o cérebro processa de uma maneira profunda e a gente gasta muita energia. Então, fazer esta curadoria e depois ter essa confiança no conhecimento que nos chega é um dos papeis fundamentais para que a gente não entre nessa loucura contemporânea que é a infoxicação”.

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida pela site da CBN e pelo canal da CBN no Youtube às quartas-feiras, 11 horas da manhã. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Natalia Motta, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

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