Pequena correção, sem pretensão

Outras …

Dia desses ouvi o repórter do rádio dizer que somente algumas doenças eram aceitas por um órgão público para justificar a ausência na prova: “Covid-19, influenza, meningite e outras”. Como “outras” não é uma doença, soou-me estranha a presença dela na frase. Parecia ser apenas a reprodução de um texto burocrático escrito pela assessoria do órgão público —- se não o for, me desculpe a assessoria. Vamos concordar que o “outras” está sobrando na frase, fica feio e não informa. Uma pequena correção de rumo resolveria: “somente algumas doenças são aceitas para justificar a ausência, como Covid-19, influenza e meningite. A lista completa de doenças, você encontra no site ….”

Veio a óbito

A senhora, que não tem nome, porque nem sempre nos importamos com isso (ou o nome não é divulgado), não apenas foi vítima da Covid-19 como deu o azar de ser contaminada pela nova variante do novo coronavírus — e já que insistimos com essa denominação, apesar de a pandemia ter completado um ano, talvez fosse o caso de chamá-la de novíssimo coronavírus. Infelizmente, a senhora morreu. E ao ter a morte noticiada, foi vítima de outro mal que contamina as redações: a língua complicada. O repórter, não contente com toda tragédia, substituiu o simples e significativo “morreu” por um pernóstico “veio a óbito”. Se ainda fosse “foi a óbito”, vá la. Mas “veio a óbito”, sai pra lá, urubu!

Ninguém mais compra

Nessa crise econômica que enfrentamos ninguém mais compra nada, só adquiri. É o que se ouve nas notícias de rádio e TV. É o que se lê nos jornais e na internet. Quanto maior a importância da compra, mais o verbo adquirir é conjugado no noticiário. Governos, que usam nosso dinheiro, nunca compram nada, só adquirem: de latas de leite condensado a vacinas (estas bem menos do que aquelas). Hoje, até as famílias — sempre que citadas como instituição — são contempladas com o verbo adquirir, como se isso valorizasse o ato de comprar ou o texto jornalístico. Nem uma coisa nem outra.

Pra não cair nessas esparrelas, na hora de noticiar basta pensar o seguinte, como eu falaria para minha vovozinha.

Se você me permitir, aqui vão três sugestões para quem pretende escrever bem, simplificar a mensagem e evitar erros:

2 comentários sobre “Pequena correção, sem pretensão

  1. Milton, admiro sua competência como jornalista, repórter, escritor. Saber escrever é fundamental e a correção tem a intenção pedagógica, de ensinar o certo. Grande abraço.

    • Thereza, obrigado pela mensagem. Meu pai dizia que o diabo sabe mais por velho do que por diabo. É o tempo que nos oferece um conhecimento que vale ser levado à frente. É preciso, contudo, que se tenha humildade suficiente para perceber que também cometemos muitos erros e temos de estar abertos a ouvir os consertos.

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