Avalanche Tricolor: Borja, não. São Borja!

Grêmio 2×1 Chapecoense

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

Borja em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Na mesa de escritório, diante da qual sento para escrever esta Avalanche —- de onde, desde o início da pandemia, aliás, realizo todas as minhas atividades —-, misturado em meio a computadores, traquitanas eletrônicas, microfone, máscaras e papeis com anotações, está a imagem de Padre Reus. Era a mesma que o pai mantinha apertada em um das mãos, quando assistia aos jogos do Grêmio. Nela, buscava a fé que o manteve crente de que dias melhores sempre poderiam vir. 

Reus era alemão, nascido na Baviera, filho de João e Ana Margarida. Ingressou na Companhia de Jesus, quando já estava na Holanda, e após completar sua formação jesuíta, foi enviado para o Brasil. Sua jornada se iniciou em Rio Grande, foi professor de teologia em Porto Alegre, e seguiu sua obra em São Leopoldo, onde, aos 79 anos, morreu e teve o corpo sepultado. Seu túmulo, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, recebe visitantes de todo o país, que rezam e buscam a intercessão de Padre Reus para as graças pedidas. 

O pai nunca se acanhou, como devoto que era, em clamar pela ajuda de Padre  Reus, sempre que a coisa apertava para o nosso lado. Seus pedidos ao santo que ainda não é santo faziam sentido. Padre Reus, que tinha como lema “amar e sofrer”, dizia querer ser “vítima de amor”. E isso o pai sempre foi em relação ao nosso time. Eu também. Mas você, caro e cada vez mais raro leitor deste blog, sabe bem da minha boa intenção em jamais misturar futebol e religião, por mais que possamos encontrar vários aspectos em comum.  Ao contrário do pai, prefiro deixar a imagem do Padre sobre a mesa de trabalho — imagino ter mais serventia.

Na hora do desespero — e o despertador sinaliza que esse momento já chegou —-, recorro aos salvadores aqui da terra. Alguns santos. Outros nem tanto. Na noite desta segunda-feira, quando tudo parecia que desmoronaria nos primeiros minutos de jogo —- tomamos um gol e fomos salvos do segundo por Chapecó —-, a intervenção divina do futebol se realizou. A princípio com um chute improvável de Alisson que encontrou um espaço que não havia entre o goleiro adversário e a trave. Em seguida, quando o estreante Borja, depois de ter sido agarrado dentro da área, converteu o pênalti, com a personalidade dos goleadores.

Nosso recém-chegado atacante já havia mostrado suas credenciais em dois cruzamentos que recebeu na área. E foi o jogador que mais conclui a gol na partida. Alguém poderá dizer que foi sorte de estreante. Ele próprio levantou essa hipótese quando lembrou que costuma marcar nas suas estreias. Independentemente do que venha a acontecer, o colombiano já demonstrou fome de gol e nos salvou logo no primeiro jogo em que vestiu a camisa do Imortal. Portanto, não me faço de rogado: Borja, não. São Borja!

Que deus (o do futebol) nos ajude.

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