Avalanche Tricolor: Borja, não. São Borja!

Grêmio 2×1 Chapecoense

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

Borja em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Na mesa de escritório, diante da qual sento para escrever esta Avalanche —- de onde, desde o início da pandemia, aliás, realizo todas as minhas atividades —-, misturado em meio a computadores, traquitanas eletrônicas, microfone, máscaras e papeis com anotações, está a imagem de Padre Reus. Era a mesma que o pai mantinha apertada em um das mãos, quando assistia aos jogos do Grêmio. Nela, buscava a fé que o manteve crente de que dias melhores sempre poderiam vir. 

Reus era alemão, nascido na Baviera, filho de João e Ana Margarida. Ingressou na Companhia de Jesus, quando já estava na Holanda, e após completar sua formação jesuíta, foi enviado para o Brasil. Sua jornada se iniciou em Rio Grande, foi professor de teologia em Porto Alegre, e seguiu sua obra em São Leopoldo, onde, aos 79 anos, morreu e teve o corpo sepultado. Seu túmulo, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, recebe visitantes de todo o país, que rezam e buscam a intercessão de Padre Reus para as graças pedidas. 

O pai nunca se acanhou, como devoto que era, em clamar pela ajuda de Padre  Reus, sempre que a coisa apertava para o nosso lado. Seus pedidos ao santo que ainda não é santo faziam sentido. Padre Reus, que tinha como lema “amar e sofrer”, dizia querer ser “vítima de amor”. E isso o pai sempre foi em relação ao nosso time. Eu também. Mas você, caro e cada vez mais raro leitor deste blog, sabe bem da minha boa intenção em jamais misturar futebol e religião, por mais que possamos encontrar vários aspectos em comum.  Ao contrário do pai, prefiro deixar a imagem do Padre sobre a mesa de trabalho — imagino ter mais serventia.

Na hora do desespero — e o despertador sinaliza que esse momento já chegou —-, recorro aos salvadores aqui da terra. Alguns santos. Outros nem tanto. Na noite desta segunda-feira, quando tudo parecia que desmoronaria nos primeiros minutos de jogo —- tomamos um gol e fomos salvos do segundo por Chapecó —-, a intervenção divina do futebol se realizou. A princípio com um chute improvável de Alisson que encontrou um espaço que não havia entre o goleiro adversário e a trave. Em seguida, quando o estreante Borja, depois de ter sido agarrado dentro da área, converteu o pênalti, com a personalidade dos goleadores.

Nosso recém-chegado atacante já havia mostrado suas credenciais em dois cruzamentos que recebeu na área. E foi o jogador que mais conclui a gol na partida. Alguém poderá dizer que foi sorte de estreante. Ele próprio levantou essa hipótese quando lembrou que costuma marcar nas suas estreias. Independentemente do que venha a acontecer, o colombiano já demonstrou fome de gol e nos salvou logo no primeiro jogo em que vestiu a camisa do Imortal. Portanto, não me faço de rogado: Borja, não. São Borja!

Que deus (o do futebol) nos ajude.

Avalanche Tricolor: lição (fora) de casa

 

Chapecoense 0x1 Grêmio
Brasileiro — Arena Condá, Chapecó/SC

 

Gremio x Chapecoense

Luciano marca de bicicleta, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em cinco jogos, cinco vitórias. Essa é a campanha do Grêmio desde que foi obrigado a se dedicar exclusivamente ao Campeonato Brasileiro. Nessas cinco rodadas, tinha um objetivo traçado, o qual está cada vez mais próximo, apesar de ainda não estar confirmado: voltar pela porta da frente a Libertadores. Para isso, precisa estar entre os quatro primeiros colocados até o fim do Brasileiro.

 

Sabia que para alcançar a meta precisaria recuperar os pontos deixados no meio do caminho quando ainda tinha foco em outras competições.  E passou a fazê-lo, jogo após jogo. O que interessava era a vitória. Algumas vieram com tranquilidade, outras com emoção e ainda houve as com sofrimento. Seja como for, fez a  lição de casa (e fora de casa, também) e contou com a ajuda de adversários diretos pela classificação que tropeçaram aqui e acolá. 

 

Desde o meio de semana, ocupa espaço no G4 e encerrou mais uma rodada com a posição consolidada. Terá jogos difíceis daqui até o fim do Campeonato e, por isso, essa sequência de vitórias foi importante, mesmo que na de hoje tenha resumido seu desempenho aos dois primeiros minutos de jogo — e que dois minutos incríveis foram aqueles. 

 

O gol de Luciano — que parece começa a se sentir mais à vontade na equipe — foi genial tanto quanto oportuno. Após a cobrança de escanteio e o cabeceio de David Braz, nosso atacante acertou uma bicicleta dentro da pequena área. Falo de o gol ter sido tão genial quanto oportuno porque desconstruiu com o ânimo e a energia do adversário, acostumado a pregar peças no Grêmio em outras épocas. Por exemplo, no primeiro turno, em casa, empatamos em 3 a 3. Lembra?

 

Do gol em diante, tive a impressão de que o Grêmio não via hora de a partida acabar —  como se já tivesse feito a lição (fora) de casa pedida pelo professor. Arriscou algumas jogadas no ataque, manteve a bola no pé enquanto pode e se esforçou para reduzir os danos lá atrás. Depois dos riscos que corremos na partida do meio da semana, quando também havíamos aberto a vantagem logo no início da partida, era bom não bobear. 

 

 

 

 

 

Avalanche Tricolor: Renato sabe o que faz

 

 

Chapecoense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá, Chapecó-SC

 

GREMIO 3

 

Um tem 19, outro 20, outro 21 e tinha um ainda com 22 anos. Essa gurizada que entrou em campo hoje para representar o Grêmio tem a idade — ou quase — dos meus filhos. Gente muito nova, precisando ganhar cancha, como se diz na minha terra. Inexperiente ainda. E para tornar o desafio ainda maior entraram em uma equipe que não costuma jogar junto — em função da maratona de partidas que se inicia com a chegada de agosto, preferimos escalar 11 reservas.

 

Um dos meninos fez bonito logo no início: Pepê, 21 anos, trocou passe no contra-ataque com Hernane Brocador e com um tapa na bola encobriu o goleiro adversário quando tínhamos pouco mais de dois minutos de partida — é o primeiro gol dele entre os profissionais. Mais uma vez a escolha de Renato dava certo, pois todos apostavam que o titular seria Thonny Anderson e nosso técnico preferiu o outro guri. Deu certo. Dizem que é a estrela do técnico que brilha. Para mim, é a sabedoria.

 

O de 19 anos estava na lateral, era Guilherme Guedes; o de 20, Thony Anderson que entrou no segundo tempo; assim como Derlan, que aos 22 anos, substitui Bressan, lesionado.

 

Verdade que no nosso meio de campo havia um “veterano”: Douglas que está voltando ao time aos poucos, depois de um ano e meio parado devido a lesão e cirurgia. O “10”, como é chamado pelos colegas, ou o “Maestro”, como o chamam os torcedores, demonstra seu talento sempre que toca na bola. É uma enfiada entre os zagueiros, um passe de três dedos ou um toque para desmontar a marcação. Dá gosto de vê-lo em campo.

 

Entre os guris e o “velho” havia ainda muita gente tentando conquistar um espaço na equipe, mas com entrosamento insuficiente para dar ao time reserva a mesma movimentação dos titulares. Com isso, o que sempre foi nosso mérito, a posse de bola, ficou nos pés do adversário que pressionou, com o apoio de sua torcida e o desespero da ameaça de rebaixamento — e ainda contou com a falta de atenção dos árbitros que validaram gol iniciado com o atacante que estava em posição de impedimento como bem mostrou a televisão.

 

Saímos com um empate quando o que queríamos mesmo eram os três pontos — porque sempre queremos os três pontos. Diante das circunstâncias, porém, o resultado ficou de bom tamanho e encerraremos a rodada na zona da Libertadores.

 

A partir de agora é olhar para a Copa do Brasil, nesta semana que se inicia, e na Libertadores, na semana seguinte. Quanto ao Campeonato Brasileiro (bem que eu gostaria de ver os titulares atropelando o adversário e se aproximando ainda mais do líder) ….  Renato tem muito crédito com a gente. Que faça o que achar melhor para o Grêmio!

Avalanche Tricolor: véspera de pouco, dia de muito ou vice e versa

 

Grêmio 0x1 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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“Dia de muito, véspera de pouco” era ditado que ouvia muito da boca de minha mãe quando ainda era pequeno. Confesso, já não lembro mais em que momentos da minha infância a tal frase tinha serventia. Ficou na memória. E como todas as coisas na minha memória são passíveis de confusão. Troco nome de amigos assim como mudo frases populares e seu sentido. Essa em especial sempre me soou invertida e, na vida adulta, sempre foi usada para consolar-me naqueles dias em que nada costuma dar certo ou imaginamos que não tenha dado certo. Quem souber da sua origem que me ajude.

 

Há quem a use para alertar-nos da necessidade de equilibrarmos nossos bens e sentimentos, impedindo assim a euforia da vitória ou o desalento da derrota. Euforia e vitória andam de mãos dadas e geram ilusões que tendem a nos levar ao mesmo resultado lá na frente: ruim. Estão aí para provar que a busca tem de ser pelo caminho da mediação entre a excitação e a infelicidade.

 

Já ouvi quem repetisse o dito popular como forma de condenar o desperdício que cometemos nas épocas de fartura. Chamar nossa atenção para a necessidade de guardamos o que ganhamos hoje para o período das vacas magras. Como que querendo dizer que é preciso economizar agora para não faltar amanhã. Mas nesse caso, o ditado não teria de ser outro? Véspera de muito, dia de nada?

 

Sei lá! Só sei que foi a primeira frase que me veio a cabeça quando percebi que o Grêmio repetiria, neste domingo à tarde, o desempenho das últimas partidas quando apesar de ser o dono da bola, faltou-lhe capacidade de furar o bloqueio adversário. Comandou a partida e entregou os pontos. Teve muita bola no pé e pouca criação. Dominou o jogo mas não transformou essa supremacia em gols.

 

Que esta véspera de decisão da Libertadores, com pouca inspiração e nenhum gol, se transforme em um dia – no caso, uma quarta-feira –  de  futebol bem jogado e muita alegria para todos nós gremistas.

Avalanche Tricolor: o Sincero, o Precoce, o Craque e o show do Grêmio!

 

Chapecoense 3×6 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá – Chapecó/SC

 

 

– Você viu o goleiro adiantado pra fazer esse golaço?
– Não, tentei lançar e a bola entrou!
– E já tinha feito dois gols em uma só partida?
– Já!

 

Michel, preciso na marcação e bom na saída de bola. O volante que teve a responsabilidade de substituir o capitão da equipe e um dos principais jogadores da conquista da Copa do Brasil, em 2016, revelou na noite de hoje outra nuance de sua personalidade.

 

Esforçado sabíamos que era, pela forma como luta para impedir que a bola chegue a nossa área. Aparece de um lado ou de outro da defesa, conforme o caminho que o adversário usar para tentar se aproximar do nosso gol. Trabalha em silêncio, sem chamar a atenção do torcedor. Não tem o apelo de Arthur, que nasceu com jeito de craque. Nem a dominância de Ramiro, que sabe jogar na frente, atrás ou na lateral, conforme as necessidades do time. É humilde!

 

Hoje, em entrevista, mostrou, também, que é sincero.

 

Everton, por sua vez, tem cara de moleque. Parece sempre disposto a aprontar alguma. Nunca conseguiu se firmar no time, como fez Michel. Mas seguidamente aparece em momentos decisivos. De tão veloz, é capaz de atrapalhar os já atrapalhados comentaristas da televisão – como na transmissão que acabo de assistir. Mas a velocidade dele, conhecemos há algum tempo. Nesta noite, em Chapecó, fez história, não apenas por marcar três gols em um só jogo, mas por fazer dois deles estando a apenas dois minutos em campo e com apenas dois toques na bola.

 

Além de veloz, Everton provou que pode ser, também, precoce.

 

Em um jogo incrível, no qual sequer o protagonismo do árbitro foi capaz de estragar, Luan que serviu seus colegas boa parte da partida acabou sendo servido no final. Marcou mais um, consagrando-se como dos maiores goleadores da história recente do Grêmio. Já é o que mais gols marcou na Arena, com 29 no total; nesta temporada fez 12; e, desde que assumiu como titular, em 2014, assinalou 51.

 

Se Michel se revelou sincero, e Everton, precoce; Luan apenas confirmou o que sabemos dele há algum tempo: é show! Assim como o Grêmio!

 

Grêmio Show!

Avalanche Tricolor: obrigado, Grêmio!

 

Grêmio 1 (3) x (1) 1 Atlético MG
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Torcida comemora o título e homenageia a Chape em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Era mais do que um jogo. Mais do que um título que estava em disputa.

 

A noite de hoje era memorável.

 

O futebol precisava renascer após a tragédia aérea da Chapecoense, que matou jogadores, dirigentes, comissão técnica e dezenas de colegas da imprensa. Era uma gente que nos dava alegria com a bola no pé. Que usava a inteligência para oferecer espaço aos craques no campo. Que registrava cada lance de emoção.

 

Era a nossa gente.

 

E foi pensando nessa gente que todos foram à Arena nesta noite de quarta-feira, 7 de dezembro de 2016. Havia um misto de excitação pela proximidade do título e de resignação diante da morte. Acima de tudo, havia respeito a este momento de luto.

 

Foi impossível segurar as lágrimas diante das dezenas de homenagens realizadas. Chorei no grito de Chape. Chorei ao ver o nome dos jogadores da Chape nas mãos dos torcedores. Chorei nas centenas de camisas verdes que vestimos todos nesta noite. E chorei copiosamente ao som do toque militar que marcou o minuto de silêncio.

 


Eram lágrimas que se juntavam a outras centenas que não fui capaz de conter desde a semana passada quando sofremos a perda de 71 pessoas e algumas muito próximas do meu coração.

 

Tudo que pedia nesta noite era o direito de voltar a chorar. Mas chorar de alegria, por um título que havia sido conquistado pela última vez há 15 anos. Pela vitória de um time que se notabilizou por ser Imortal.

 

O resultado da primeira partida oferecia uma margem de segurança, mas jamais a certeza da conquista. Pois do outro lado havia outro clube que escreveu sua história com vitórias impossíveis. Era preciso lutar, suar, chorar se necessário fosse, e jogar muita bola. E o Grêmio fez tudo isso com o talento que Roger lapidou e com uma força incrível que poucos são capazes de transferir para o time como esta que Renato trouxe para o elenco.

 

O Grêmio venceu esta decisão pois foi firme na marcação, equilibrado com a bola no pé e preciso no ataque. Foi inteligente em saber moderar o jogo e dar o ritmo que precisava depois de ter feito o resultado fora de casa.

 

Como se não bastasse e inconformado com o placar zerado ainda se deu ao direito de marcar um gol, pelos pés de Miller, como que querendo coroar tudo que foi construído partida após partida nesta Copa do Brasil.

 

O Grêmio ganhou a Copa. É o maior campeão de Copas no Brasil. É o Rei de Copas. E só o Grêmio para me fazer chorar de alegria após as tristes emoções que marcaram os últimos dias.

 

Por tudo isso e por tudo que você já me proporcionou na história: obrigado, Grêmio!

Avalanche Tricolor: motivos para sorrir

 

Grêmio 1×0 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Elenco comemora gol da vitória em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA, no Flickr

 

Tínhamos 12 minutos do segundo tempo quando Henrique Almeida recebeu a bola do lado direito da área, limpou a jogada e chutou em gol, obrigando o goleiro adversário a se esticar para despachar a escanteio. Soaram aplausos de todas as partes da Arena. Pouco mais tarde, ele deixou o gramado e a maioria dos torcedores voltou a aplaudi-lo, apesar de alguns apulpos.

 

Mesmo sem ter feito muito em campo, além daquele chute já no segundo tempo, e tendo ofendido um grupo de torcedores no meio da semana, durante partida da Copa do Brasil, o atacante recebeu o apoio da torcida na tarde deste domingo.

 

Até Marcelo Oliveira tirado para Cristo nesta temporada pelo baixo rendimento na lateral esquerda foi reverenciado ao receber, antes de a bola rolar, a camisa com o número 100 às costas, simbolizando a quantidade de partidas que disputou pelo Grêmio. Ao fim, depois da entrevista na beira do campo, também foi aplaudido.

 

Pedro Rocha, que muitos queriam ver em disparada mas a caminho do banco, também vaiado no meio da semana, foi aplaudido aos 10 minutos de partida, ao marcar o único gol do jogo, após iniciar jogada de contra-ataque e trocar passe com Wallace.

 

Chamou-me atenção, ainda, a diversão provocada sempre que o placar eletrônico destacava o resultado de jogos dos times que tentam escapar da zona de rebaixamento. Bastava um gol que complicasse a vida do co-irmão, e uma onda repentina de vibração tomava a Arena.

 

Tudo bem, o  nosso gol era mais do que motivo para comemorar. Porém, nos demais momentos destacados nesta Avalanche, tive a impressão de que o torcedor estava mesmo era procurando motivos para ser feliz novamente.

 

A sucessão de derrotas e empates, o despencar na tabela, depois de ter sonhado com o título, e a perda de um dos técnicos mais promissores do futebol brasileiro, geraram um baixo astral nos últimos tempos que afastou o torcedor das arquibancadas.

 

Neste domingo, porém, provavelmente impactado pela classificação à próxima fase da Copa do Brasil da forma como foi conquistada, parecia que se buscava razão para sorrir.

 

E esta será uma das missões de Renato: nos dar motivos para sorrir. Ele precisará contar com 100% da disposição do time. O apoio do elenco pelo que se viu não faltará. Que agora consigamos retomar a bola, dominar o jogo, encaixar o passe, ter mais intensidade na frente, concluir mais e marcar mais, muito mais, gols.

Avalanche Tricolor: muitos gols, boas jogadas e algumas falhas

 

Chapecoense 3×3 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó-SC

 

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Jaílson comemora com Everton em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Pra quem curte futebol, foi um baita jogo. Mudança constante no placar, viradas e empates, vantagens e desvantagens. Os dois times olhando o tempo todo para a frente e visando o gol a qualquer custo. Verdade que, às vezes, a ansiedade atrapalhou-se com a bola. E a pressa tropeçou na precisão. Em nenhum momento, porém, a busca pela vitória foi abandonada.

 

O ataque gremista – e não me refiro apenas aos nossos atacantes – funcionou bem com a tradicional troca de passe e jogadores se deslocando com rapidez. A maior surpresa foi Jaílson, outro volante que aparece bem na frente a ponto de ter marcado o gol de empate, no fim do primeiro tempo. Um garoto que, assim como muitos que estão no time, tem personalidade suficiente para arriscar quando necessário.

 

Outra novidade foi a presença de Negueba no segundo tempo. A falta de entrosamento fez com que o atacante saísse antes do passe ou chegasse depois da bola em alguns momentos. Foi, porém, decisivo no gol do empate final: escapou com velocidade pela direita e colocou a bola dentro da área em condição de Giuliano completar de cabeça.

 

Permita-me falar, também, de Giuliano que na minha parca visão futebolística, sempre contaminada pela paixão clubística, tem sido muito importante na equipe com sua movimentação intensa e participação decisiva nos gols.

 

Pena que com tudo isso (e com nossas falhas na bola aérea), deixamos de somar mais dois pontos na tabela de classificação e corremos o risco de terminar a rodada uma posição abaixo daquela que estávamos quando a iniciamos.

 

Porém, como sou um otimista contumaz e antes que alguém comece com discursos derrotistas, devemos lembrar que a partida de hoje foi a segunda seguida fora de casa sem perder. Por este ponto de vista, somamos dois pontos. Que venham mais três no fim de semana.

Avalanche Tricolor: um resultado que não muda absolutamente nada

 

Grêmio 2 x 3 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Walace é um dos novos talentos em busca de experiência (foto do álbum do Grêmio Oficial no Flickr)

Walace é um dos novos talentos em busca de experiência (foto do álbum do Grêmio Oficial no Flickr)

 

Há algumas rodadas ensaiei, nesta Avalanche, contagem regressiva para o título, uma aposta de que teríamos condições de, em uma arrancada fulminante, atropelar os adversários que estavam à frente, baseada no futebol qualificado que temos apresentado neste campeonato. Claro que era muito mais uma ação inspirada na crença do torcedor do que na lógica da competição, a medida que os times que brigam diretamente pelo título vêm mostrando muito equilíbrio e maturidade em suas atuações até aqui. Precisaríamos contar com o acaso, com a sorte, com tropeços inesperados, além de nos apresentarmos com desempenhos bem acima da média – sem isto, aliás, nada seria possível.

 

Foi também aqui nesta Avalanche que compartilhei com você, caro e raro leitor, o prazer de assistir ao time do Grêmio em campo por seu futebol envolvente, troca de passes precisa, movimentação veloz de seus jogadores, domínio do jogo graças a posse de bola, e bola possuída graças a marcação eficiente. Coisa bonita de se ver, que há muito não se via no time gremista.

 

O Grêmio cresceu muito rapidamente de produção nesta temporada e se transformou desde a chegada de Roger, em maio. Algo surpreendente devido a contenção de despesas e carência de contratações. Diante disso, é justificável que alguns de seus talentos reflitam em campo a falta de experiência e apresentem desempenho com oscilação, especialmente nos momentos decisivos. Aceite ou não, a inteligência emocional influencia no esporte. Portanto, como também já havia escrito por aqui, entendo que alguns resultados negativos têm de ser postos na conta da falta de maturidade de um time que vem sendo construído com jovens talentos.

 

Sei que alguns de nós vamos explicar o revés deste fim de tarde de domingo culpando este ou aquele jogador, identificando falhas nas escolhas feitas pelo técnico ou na postura adotada pelo time no segundo tempo, mas quero deixar claro, em alto e bom som (se é que isso fosse possível em um texto escrito), que a derrota nesta rodada não muda absolutamente nada na minha forma de pensar e ver o Grêmio jogar. Aliás, não muda nada na trajetória gremista para conquistar o que realmente sonhamos conquistar: a Libertadores no ano que vem – quando, então, teremos um time com mais quilômetros rodados e, portanto, com experiência para saber “matar” com um jogo no qual conseguiu colocar dois gols de vantagem sobre o adversário.

Avalanche Tricolor: derrotas acontecem, algumas sob controle; outras, nem tanto

 

Chapecoense 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó (SC)

 

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

 

As coisas nem sempre saem como programadas. Em meio às minhas férias, os dois últimos dias estiveram reservados a Roma. Chegamos na quarta-feira pela manhã, pouco menos de duas horas após deixar Ansedonia de carro, por uma estrada de qualidade aquém da esperada para a fama europeia, apesar de ser muito melhor do que a maioria das que costumamos andar no Brasil. Verdade que pela quantidade de obras em andamento, o que também nos atrasou no trajeto, logo o piso estará devidamente recomposto.

 

Na capital, que já conhecemos de cima à baixo, pois a Itália é nosso lugar preferido nas férias de meio de ano, fomos muito bem surpreendidos com os quartos de um hotel butique em plena Via del Corso, no centro comercial da cidade. Dali, sem precisar andar muito, encontramos restaurantes com comida farta e bebida, idem. Nos deparamos ainda com lojas das mais famosas marcas de roupas e bolsas. Certo, também, que algumas estavam fechadas e em reforma. Não sei explicar se isso é o sinal de um país empobrecido ou em recuperação. Torço pela segunda opção.

 

A passagem por Roma foi especial como sempre, a despeito do programa agendado para a madrugada italiana. Com a diferença de horário, aqui estamos cinco horas à frente do Brasil, o Grêmio entrou no gramado do estádio em Chapecó pouco depois da meia-noite no meu relógóio. Na tela do meu Iphone, fiz as conexões necessárias para assistir ao jogo pelo aplicativo do Premier, que havia funcionado razoavelmente bem na partida anterior, contra o Santos. Mas, como escrevi na abertura desta Avalanche, nem sempre as coisas saem como programadas.

 

O sinal de internet não estava lá essas coisas, o que fez com que as imagens transmitidas do Brasil travassem muito. No primeiro tempo até que foi possível ver a partida sem muitos transtornos. Foi preciso “ligar” e “religar” poucas vezes. No segundo, a coisa desandou e exigiu muita paciência deste torcedor-internauta. Quase uma metáfora do que foi o Grêmio em campo quando teve boas chances de vencer no primeiro tempo, e produziu pouco no segundo, além de ter vacilado na marcação. Estávamos naquela noite (madrugada por aqui) em que, por mais que nos esforçássemos, nada daria muito certo. Duas bolas na trave na sequência é um bom (ou mal) sinal disso.

 

Apesar de tudo, o placar final não foi suficiente para estragar meu ânimo. As férias seguem por mais alguns dias, antes de chegar em São Paulo, e o Grêmio terminou a rodada na mesma posição em que começou, graças a combinação de resultados. Teve um, inclusive, que pouco mexeria na nossa classificação, mas, certamente, deixou muito conterrâneo de cabelo em pé – e outros tantos felizes da vida.

 

Já havia escrito na Avalanche anterior que, em uma competição tão longa e disputada como o Brasileiro, as derrotadas aconteceriam aqui e acolá. Devem servir, inclusive, para ajustes no time. Só não podem se repetir nem permitir o distanciamento dos que disputam o título conosco.

 

Sábado que vem, ainda em férias e, espero, com melhor desempenho da internet e do meu time, teremos a oportunidade, em casa, de reafirmar nossa boa performance.