Avalanche Tricolor: minha mãe tinha razão!

Bahia 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Arena Fonte Nova, Salvador BA

Grando defende mais uma, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Os acréscimos já corriam no cronômetro do árbitro quando a bola veio por cima, pegou a defesa se deslocando e Bruno Alves em uma rara atrapalhada, até aparecer livre no pé do atacante de frente para o gol. A Gabriel Grando restou abrir ao máximo seus longos braços, escancarar as pernas o mais distante que foi possível e diminuir o espaço para o chute. A batida da bola no pé do poste ecoou de Salvador a Porto Alegre e som passou raspando aqui por São Paulo. Acompanhei em silêncio e sem respirar o interminável instante em que a bola percorreu a trajetória entre o pé do atacante e o poste gremista; o silêncio e o momento anaeróbico se mantiveram até ela ser despachada para escanteio por um dos nossos que estava no caminho.

Tomar um gol àquela altura causaria um tremendo estrago para nós que estamos resistido entre os quatro primeiros do campeonato desde que assumimos este posto há três rodadas. Diante das limitações técnicas perceptíveis sempre que a bola começa a rolar, a manutenção no G4, o reduzido número de gols que tomamos — apenas cinco em 16 jogos — e a série de dez partidas invictas são quase uma dádiva dos “deuses do futebol”, como se tentassem se desculpar por não terem nos concedido a benção de “sofrer sem cair” no ano passado — não que tivéssemos feito por merecê-la. 

Justiça seja feita, estar na parte de cima da tabela tem muito a ver com a forma com que Roger decidiu montar o time, considerando o elenco que tinha em mãos. O treinador sabe que não tomar gol e sair de campo sempre com algum ponto no bolso, nas partidas fora de casa, é lucro, enquanto não encontra a formação ideal nem os jogadores apropriados para cada posição. É dele, também, a capacidade de mobilizar o grupo a superar com muito esforço e dedicação a falta de criatividade. 

Tem o mérito de Grando, na partida de hoje — que fez ao menos duas grandes defesas — e de Geromel, em todo o campeonato — nosso capitão é supremo mesmo frente às dificuldades do time. E, claro, se aqui estamos na décima-sexta rodada do Campeonato Brasileiro, devemos muito à máxima que ouvia da Dona Ruth, sempre que eu conseguia me safar de alguma molecagem aprontada lá nas bandas da Saldanha Marinho: “guri, você tem mais sorte do que juízo!”.

O Grêmio, também, mãe! O Grêmio, também! 

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