Avalanche Tricolor: mantida a tradição!

Grêmio 0x1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Geromel em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estou diante de uma página em branco há algum tempo, a espera de criatividade para conversar com você sobre o Gre-Nal Corujão que assistimos na noite de ontem, disputado em Porto Alegre. Pode ser falta de foco, provocada  pelas poucas horas de sono; pode ser falta de inspiração, por não ter encontrado em campo a mesma precisão no ataque que nos garantiu a passagem à final do Gaúcho, ainda no primeiro jogo da semifinal. Talvez, porque fiquei tentado a falar da violência que voltamos a assistir dentro do estádio, e, confesso, o assunto não me é atrativo, a despeito da sua relevância e necessidade de encontrarmos alguma saída civilizada — até porque essas cenas tem se transformado em marca do clássico, e isso é ruim. Uma tradição a ser abandonada o mais breve possível!

Sobre o tema, a fala de Geromel ao fim do jogo além de cirúrgica foi simbólica ao ser interrompida por outro inusitado caso de violência, em que um funcionário, contratado pela administração da Arena Grêmio, e colorado pelo que se pode entender, resolveu “zoar” os jogadores gremistas ao fim da partida e provocou a reação agressiva de agentes de segurança e atletas. 

“Infelizmente, teve confusão desnecessária, a gente cobra paz, mas tem que começar pela gente para dar exemplo. Conversar para não acontecer novamente. Como eu disse, temos que ser exemplo. A gente reclama, cobra paz e chega aqui e dá mau exemplo”.

Antes de ser interrompido, Geromel falava do embate dos jogadores quase ao fim da partida em que Ferreirinha foi derrubado com um encontrão por um adversário em resposta a comemoração efusiva por alguma conquista que a televisão não me mostrou muito bem. Nosso atacante acabou expulso sem sequer ter reagido a agressão. Punido e fora da primeira partida da final por vibrar em um jogo vibrante? Estranho! Depois, como dois moleques de colégio, os envolvidos e expulsos tentaram se engalfinhar no corredor do vestiário. Dessa vez, os agentes de segurança fizeram seu papel. Proteger!

Quem se protegeu bem foi o Grêmio, apesar do sofrimento que ofereceu aos torcedores — achei que teve proteção de mais para ataque de menos. 

Fiquemos com a parte boa da proteção: Breno está de volta, ganha segurança, fez uma defesa importante e no gol que tomou nada podia fazer. Geromel … esse é gigante! Impressionante o que joga nosso zagueiro, além de ser uma pessoa exemplar dentro e fora de campo. Colocou mais um atacante no bolso; e com o apoio de Bruno Alves que tem se mostrado cada vez mais equilibrado na posição. Quem também não deu chance enquanto esteve em campo, foi Rodrigues que, claramente, tem apoio total do torcedor. 

No meio de campo, Lucas Silva jogou por dois — se é que você me entende. E com a bola no pé, mesmo que mais lento na saída de jogo, soube acionar Campaz, nosso melhor jogador do ataque. O colombiano está cada vez mais à vontade jogando pelo lado direito e tem uma fome de gol que impressiona. Chutar é quase uma obsessão!

Se a vitória não veio, o resultado foi na medida certa. Manteve a decisão na Arena e a tradição: pelo sexto ano consecutivo estamos na final do Campeonato Gaúcho. Essa sim uma tradição que podemos manter por um bom tempo!

Avalanche Tricolor: carta ao Geromel

Bahia 3×1 Grêmio

Brasileiro – Arena Fonte Nova, Salvador BA

Geromel em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Amigo Geromel:

Acordei há pouco, depois de uma noite mal dormida. Preferi o conselho do travesseiro – um erro que não recomendo a ninguém – a começar esta carta ainda sob a emoção provocada pelo resultado da sexta-feira. Precisava escrevê-la com um mínimo de razão, se é que tenho capacidade de acioná-la quando escrevo sobre coisas pelas quais sou apaixonado. 

Os torcedores somos passionais. Você sabe disso. O que certamente não sabe, porque não haveria motivos para saber, é que cultivei um tal relacionamento com o Grêmio que, ao contrário de muitos dos nossos, sou incapaz de maldizer meu time, meus ídolos e todos aqueles que vestem a camisa do Imortal. Talvez alguma ironia, uma palavra de lamento, quem sabe um pouco de sarcasmo para salgar a carne. Jamais apontar o dedo, julgar e – Deus me livre – ofender. Se vestiu esta camisa tricolor, tem meu respeito. Aliás, essa costuma ser minha conduta com todo e qualquer ser humano. São valores que precisamos preservar.

Na noite de ontem, a imagem de seu corpo estendido dentro da área pequena e seu rosto escondido na grama da Fonte Nova, logo depois de uma tentativa desesperada e frustrada de impedir o terceiro gol, representava a nossa entrega tanto quanto a nossa dor. Você permaneceu ali por alguns segundos, que me pareciam a eternidade. Porque me remeteram ao passado que vivenciei dentro do estádio Olímpico, onde tive minha personalidade forjada em meio a amigos, ídolos e mentores. Seu Ênio – Ênio Andrade – que o diga. Que mestre me foi. Como me ensinou para a vida. Ajudou-me até a entender melhor o meu pai. Acredite!

Em uma situação parecida com a de ontem – que ainda não é definitiva porque não está morto quem peleia -, atuava como gandula, ao lado do gramado, função que acumulava a de ‘pombo-correio’, uma espécie de garoto de recado do técnico, o seu Ênio. Naqueles tempos, o treinador não saía de dentro da casamata. Ao fim da partida, houve protesto da torcida, rojões explodiram na pista olímpica e as ofensas dirigidas ao time espocavam no meu peito. Corri para o vestiário junto com os jogadores e lá dentro recebi o abraço de um dos meus ídolos: Iura – você já ouviu falar dele, né? Os dois choramos copiosamente. Éramos dois guris gremistas sofrendo com o que havíamos assistido dentro e fora de campo e com o destino que nos era oferecido naquele instante.

Foi essa mesma sensação que tive ontem – só não fui explícito porque meu filho estava ao meu lado observando em silêncio o desespero do pai. E a maturidade, infelizmente, me trouxe a vergonha de chorar por um time de futebol (ah, este Milton mais velho não tem ideia de como era genuíno e muito mais aprazível ser aquele guri do Olímpico). Queria ter corrido para dentro do gramado, e compartilhado com você aquele instante pelo qual, suponho, tenha vindo à mente a sensação de impotência. De que nada mais poderá dar certo na nossa vida. De que uma história se encerrava.

Sabemos que aquele não é o ponto final muito menos aquela é a imagem de uma história que você construiu no Grêmio. Para nós, a maneira como você defende essa camisa, o futebol qualificado que você pratica, a maneira sóbria com que encara todas as dificuldades e os atacantes que se atrevem a entrar em nossa área, se sobrepõem a qualquer revés que possamos sofrer neste e em outros tempos.  O sorriso na vitória, a alegria do troféu erguido e a honestidade com que você atua em campo são muito maiores e mais marcantes do que a dor que você sentiu naquele instante no gramado. 

Queria ter estado lá, ao seu lado, abraçado e solidário, porque –  independentemente da importância que cada um dos que estiveram no nosso time nos recentes tempos de glória –  você, mais do que ninguém, mereceria uma roteiro diferente do que este que estamos protagonizando. 

Na impossibilidade de consolá-lo em campo, arrisco essa carta que, espero, chegue até suas mãos um dia. Uma carta que aqui está escrita talvez muito mais para apaziguar o meu coração entristecido. Afinal, você, por tudo que aprendemos assistindo à sua conduta, conhecendo sua família, comemorando com seus pais a classificação à final do Mundial, e compartilhando conhecimento com seu irmão, Ricardo, é uma fortaleza. Da qual não podemos prescindir. 

Força! E avante!

Do seu fã e amigo à distância, Mílton

Em tempo: Geromel, meu gato, está mandando aquele abraço pra você.

Avalanche Tricolor: por Geromel e Kannemann

 

Atlético GO 1×1 Grêmio

Brasileiro – Estádio Olímpico/Goiânia-GO

 

Kannemann é gigante na área; foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Antes de o domingo acabar, convido você a fazer comigo um exercício de imaginação. Faz de conta que o time para o qual você torce tenha disputado sete partidas em um campeonato de pontos corridos e só tenha perdido uma delas. Você olha os demais adversários e descobre que apenas um deles perdeu menos; três perderam tanto quanto; e os demais 15 perderam mais do que o seu time.

 

Isso não seria motivo de otimismo para você?

 

Depende. 

 

E depende porque no futebol não basta não perder. É preciso ganhar. Mais do que ganhar. É preciso jogar bom futebol. Especialmente se o seu time o acostumou a ver a bola sendo rolada com maestria no gramado, e os jogadores se movimentando em uma coreografia capaz de encher os olhos do torcedor e atrapalhar a visão dos marcadores. 

 

Assim tem sido desde 2016 com o Grêmio. Nosso time entra em campo e, independentemente do resultado, o futebol jogado é de alta qualidade —- com as exceções de praxe. Muitas vezes a perfomance era capaz de nos deixar satisfeitos apesar do revés no placar. Competições foram perdidas, mas nosso time deixava o gramado com a certeza de que enfrentou o bom combate; e de cabeça erguida se preparava para o confronto seguinte.

 

O futebol do Grêmio pós-Covid tem se revelado muito abaixo daquilo que nos acostumamos e do que somos capazes de fazer, levando em consideração os jogadores que integram o elenco. Esse desempenho tem dado espaço a críticas, estimulado teorias de conspiração e levado a escolhas precipitadas — dentro e fora de campo. 

 

Se a você —- caro e raro leitor desta Avalanche —-, no primeiro parágrafo deste texto, convidei a fazer um exercício de imaginação; faço agora um pedido à diretoria gremista, comissão técnica e seus jogadores: um exercício de humildade. 

 

Deixemos as conquistas recentes em seu devido lugar —- na memória e no passado. Encaremos a realidade. Saibamos ouvir uns aos outros. Identificar as fragilidades. Corrigir nossas fraquezas. Solucionar nossa escassez. Fortalecer nossos méritos —- e se há mérito e motivo que ainda me fazem felizes quando assisto ao Grêmio em campo, é saber que Pedro Geromel e Walter Kannemann vestem nossa camisa.

 

Os dois seguem sendo a maior dupla de zaga do futebol latino americano. Jogadores que se diferenciam pela maneira de se portar em campo. Ao contrário da maior parte dos zagueiros brasileiros, não têm medo de atacar o adversário, de dar o bote — como se diz no jargão do futebol. E o fazem com precisão, na maior parte das vezes. Se necessário for, dão a vida pelo time. Foi o que fizeram neste domingo de futebol muito mal jogado em Goiânia.

 

Geromel entregou-se a uma rara expulsão em sua carreira para evitar o mal maior. Kannemann sacrificou seus músculos. Os dois foram gigantes para manter vivo o desejo de vermos o Grêmio ser o time que admirávamos — aquele Grêmio que já jogou o melhor futebol do Brasil e da América do Sul. Que um dia haverá de voltar aos estádios.

 

Avalanche Tricolor: que baita zagueiro é esse Geromel!

Flamengo 1×1 Grêmio

Brasileiro — Maracanã/RJ

 

 

Geromel nas alturas, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio saiu do Maracanã lamentando a perda de dois dos três pontos que pareciam garantidos ao menos até o VAR e o árbitro da partida negarem o princípio que deveria mover suas decisões —- o mesmo que sustenta a justiça brasileira: in dubio pro reo. Na dúvida se a bola bateu na cabeça de Kannemann e depois no braço, que sequer as imagens conseguiram esclarecer, os senhores do apito e da telinha interpretaram contra o acusado. 

 

Tem de lamentar mesmo — nem tanto pelo árbitro e seus colegas, deles não costumo esperar muita coisa —- , mas principalmente porque foi superior ao adversário desde os 10 minutos do primeiro tempo. Aliás, que primeiro tempo. Coisa para ver, rever, repetir e ensinar.  Controlou o adversário quando este estava com a bola, a defesa foi muita segura e desarmou de maneira precisa e a saída para o ataque foi qualificada, mesmo que faltando um pouco mais de lances pelas laterais.

 

O gol de Pepê em uma jogada típica da equipe de Renato, com velocidade, deslocamento e passes precisos, fez justiça ao nosso domínio — e foi pelo lado.

 

Antes do gol já havíamos realizado duas ou três belas jogadas que mereceriam terminar na rede, mas que foram desperdiçadas por nossos atacantes. 

 

Aliás, como temos perdido gols ultimamente —- e não estou falando apenas de pênaltis, não. Jogadas bem elaboradas, às vezes de mais, que pecam no acabamento. Na última partida, em casa, passamos pela mesma situação. E também fomos punidos com um empate em jogo que tinha a cara da vitória.

 

No segundo tempo, faltou gás. Foi a impressão que tive. Alguns caíram antes do jogo terminar: casos de Maicon e Diego Souza, que preocupam pelas lesões que tiveram. Outros, se mantiveram em pé, mas revelaram cansaço, resultado da intensidade de jogo, da marcação acirrada e de um preparo físico ainda prejudicado pela parada fora de época, imposta pela pandemia.

 

A despeito de todos os lamentos. e considerando que seguimos invictos a 14 jogos e sem derrota no Campeonato Brasileiro, peço licença para encerrar essa nossa conversa —- caro e raro leitor —- com um expressão que tem me acompanhado jogo após jogo, especialmente após a volta da temporada. Uma frase que soa forte na minha garganta como se fosse grito de gol. Capaz de assustar a vizinhança e a turma aqui em casa. 

 

A cada desarme que faz dentro ou fora da área, por cima ou por baixo, com os pés ou com a cabeça; quando domina a bola em meio a confusão proporcionada pelo ataque adversário, livra-se de todos eles, ergue os olhos e encontra um companheiro para que este de início a jogada seguinte, comemoro com um só grito:

 

Que baita zagueiro é esse Geromel!

Avalanche Tricolor: um Gre-Nal com muita coisa fora da ordem

 

Grêmio 0x0 Inter
Libertadores —- Arena Grêmio

49653986872_3699e4699f_c

Geromel mitou mais uma vez em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O clima está estranho aqui na Terra, você não acha?

 

Um vírus deixou o Mundo de joelhos. Mais de 128 mil pessoas já foram infectadas. Mais de 4 mil e 700 morreram. O valor das empresas derrete na bolsa. As pessoas fazem compras no mercado como se fosse a última vez. Tem líder político combatendo a contaminação com canetaço e galhofa. Fecham portos, aeroportos e fronteiras. O cumprimento com a mão está cancelado. Os encontros e eventos, também.

 

O futebol deixou de ser jogado na maior parte do hemisfério Norte. Aqui pelas nossas bandas, demorou-se um pouco mais para se tomar a mesma decisão. Depois de algumas partidas disputadas no Continente com estádios vazios, adiou-se as eliminatórias para o Mundial e foi anunciada a interrupção da Libertadores, mas antes era preciso assistir ao Gre-Nal das Américas.

 

Mais de 50 mil torcedores se aglomeraram na Arena para ver esse que foi o primeiro clássico gaúcho em uma Libertadores — o jogo merecia pela sua dimensão, mas, convenhamos, era muita gente junta para quem vive o medo do coronavírus.

 

Mais de 2 milhões foram obrigados a assistir à partida pelo Facebook —- em uma experiência que, ao menos de minha parte, é muita estranha e pouco efetiva se considerarmos quão acessível sempre foi ligar a televisão para torcer por seu time do coração.

 

A partida, enquanto a bola rolou foi de alto nível e extremo perigo. Bola no poste, no travessão ou na cavadinha para fora; chute espalmado para o lado, espirrada para escanteio ou despachada pelo zagueiro.

 

Mas havia algo estranho no ar. E não era apenas o risco de um vírus.

 

Desde os primeiros minutos, ninguém tirava o pé na dividida, alguns elevavam o cotovelo acima do razoável e a dureza das faltas obrigava o árbitro a agir e punir para por ordem na casa.

 

Quando tudo se encaminhava para um final sofrido, o que assistimos foi a uma pancadaria sem freio: gente chutando gente, batendo em gente, agarrando o pescoço da gente. Tinha até gente tentando afastar toda aquela gente.

 

O árbitro entrou em ação e distribuiu o cartão vermelho, expulsando ao menos três jogadores de cada lado —- fora uma turma que estava no banco de reservas e não fez falta nenhuma.

 

Ficou feia a coisa em campo e fomos obrigados a ver uma cena estranha nos minutos restantes, com cada time jogando com um no gol e mais sete na linha. Bem que tentaram ensaiar alguma coisa, mas naquela altura tudo estava fora da ordem — como, aliás, está o Mundo nessa altura do Campeonato.

 

Em meio a tudo isso, salvou-se um: Geromel. Nosso zagueiro foi o dono da área, colocou mais uma vez o principal atacante adversário no bolso e se comportou diante dos colegas que se engalfinhavam com a mesma elegância e respeito com que veste a camisa do Grêmio.

 


E quando já havia encerrado esta Avalanche, ouço as palavras de Geromel, ditas ao fim da partida:

“O país tá polarizado. Ninguém respeita ninguém. Nós temos aqui a oportunidade de dar um exemplo. Eu, como capitão do Grêmio, estou envergonhado”.

 Geromel é um mito.

Avalanche Tricolor: te mete com eles!

 

Grêmio 2×0 Inter
Brasileiro —- Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Screen Shot 2019-11-03 at 22.09.35

Pepê, Rômulo, Geromel e Matheus em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O domingo estava apenas começando e o movimento no entorno da Igreja do Menino Deus era grande. Tinham fiéis a caminho da missa das 10 e uma gurizada acompanhada por pais, tios e avós que seguiam na direção da Escola São Francisco, que fica logo atrás e onde, pelo que percebi, haveria alguma competição esportiva. O guri mais à minha frente estava de mãos dadas com o pai e a mãe, com toda a parafernália de um promissor craque. Em seguida vinham os avós que ouviam o neto falando alto provavelmente do que pretendia fazer assim que a bola começasse a rolar. “Te mete com ele!”, ouvi a vó dizer para o vô, em tom de orgulho e com um sotaque típico da terra.

 

“Te mete com ele!” soa espanhol e quando dito no ritmo desgarrado da fala do gaúcho se revela um alerta para que os atrevidos fiquem à distância. É uma demonstração de confiança no outro. Mas pode ser entendido também como um desafio: pode vir que ele está pronto para encarar qualquer bronca.

 

Fui à missa, enquanto a família ficou no portão de ferro da escola. Mas a voz da vó ficou nos meus ouvidos. “Te mete com ele!” me acompanhou no churrasco com a família, na casa da Saldanha, e no caminho para o aeroporto, de onde partiria de volta a São Paulo. Permaneceu na minha cabeça mesmo diante da frustração provocada pela companhia aérea que levou para o Salgado Filho um avião com 50 lugares a menos do que o previsto e atrasou o vôo por mais de uma hora e 15, desacomodando alguns passageiros e incomodando a todos.

 

Frustrou-me porque havia programado o desembarque em São Paulo a tempo de chegar em casa e assistir ao Gre-Nal na televisão —— antes que você pergunte, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, meu compromisso na CBN me impediria de ir ao jogo na Arena no fim do domingo, mesmo estando em Porto Alegre. Com o atraso, passei a maior parte do jogo no ar e somente quando o avião tocou a pista de Congonhas pude conferir o gol de Geromel, marcado de cabeça ainda no primeiro tempo. Disseram, também, que ao lado de Kannemann, o nosso Mito colocou o ataque adversário no bolso e fez com que Paulo Victor assisti-se à partida de graça. Te mete com ele, logo pensei enquanto puxava a bagagem.

 

Não demorou muito para perceber pela narração esportiva que o Grêmio dominava o Gre-Nal a ponto de levar o goleiro deles a cometer o suicídio em campo.

 

Soube ainda pelos comentaristas que àquela altura Matheus Henrique já havia colocado a bola embaixo do braço e comandado a vitória, sem errar passe, se desvencilhando da marcação dura e deixando seus companheiros em condições de gol. Te mete com ele, balbuciei comigo mesmo, fazendo com que o passageiro que estava à minha frente olhasse para trás na tentativa de entender o que eu dizia.

 

O Grêmio ainda faria o segundo gol assim que Pepê, em sua primeira jogada, alucinava seus marcadores e encontrava Rômulo, que também entrara no segundo tempo, chegando para marcar um golaço em pleno Gre-Nal. Logo ele, tão criticado, tão sofrido nesses últimos tempos. Te mete com ele, agora! — falei sorrindo com a motorista de táxi que me levava para casa. E não entendeu coisa nenhuma.

 

Quando cheguei ao meu destino, o jogo já havia acabado. A alegria estava no meu rosto. E a imagem daquele guri acompanhado pelos pais e avós a caminho do futebol se mantinha na minha cabeça. Ele era Geromel, se preparando para bater bola nos campinhos da Vila Maria; era Matheus Henrique, desfilando talento aos sete anos na várzea, em Paradas de Taipas; era Rômulo, correndo descalço atrás da bola, em Picos; era cada um daqueles jogadores que um dia sonharam jogar futebol e vestiram a camisa do Grêmio neste domingo de Gre-Nal.

 

Te mete como eles!

Avalanche Tricolor: o gol do guri da Vila Maria

 

Grêmio 2×1 Ceará
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Ceara

Geromel comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sou suspeito para escrever. Sei que sou. Minha Avalanche do último fim-de-semana escancara ainda mais essa suspeição, especialmente diante do tema que pretendo dedicar esse post. O que importa, também, se sou ou não isento no que escrevo? Jamais neguei que essa coluna, mantida desde muito tempo, foi ocupada por um torcedor apaixonado em vez de um jornalista em busca do equilíbrio. Portanto, azar do que pensem.

 

Por torcedor apaixonado e gremista que sou, assim como todos os demais que compartilham comigo esse sentimento, como não se emocionar ao assistir ao primeiro gol desta noite em Caxias do Sul. Nem tanto pelo caminho que usamos para chegar ao gol —- apesar de torcer muito para que cobranças de escanteio, assim como as de falta, se transformem em nosso diferencial competitivo, principalmente nos jogos mais intricados desta e das demais competições da temporada.

 

Emocionei-me pelo protagonista do gol.

 

Geromel estava voltando à equipe. Vamos lembrar que ele ficou de fora da primeira decisão da Libertadores por uma lesão isolada em partida do Campeonato Brasileiro. Já estávamos ganhando o jogo com larga vantagem quando ele despachou a bola para frente e o músculo acusou o golpe. Uma dor que foi sentida na alma de cada gremista. E como nos fez falta.

 

Todos sabem que Geromel impõe respeito ao adversário, oferece segurança aos colegas de equipe e é a esperança do torcedor de que se tudo der errado, ele vai fazer o certo. É um dos jogadores mais simbólicos deste Grêmio que Renato construiu nos últimos três anos. É unanimidade nas arquibancadas da Arena. E hoje ainda entrou com a braçadeira de capitão — que lhe caiu muito bem.

 

Diante de tudo isso, vê-lo saltar mais alto que seus marcadores e desviar de cabeça para as redes me fez ainda mais feliz nesta noite. Porque não era apenas um gol de escanteio ou um gol para abrir o caminho da vitória. Era um gol do filho de Seu Valmir e da Dona Eliane. Do irmão do Ricardo. Do guri da Vila Maria. Um gol de Geromel. De GeroMito. 

Avalanche Tricolor: uma ótima leitura e as boas notícias de sábado

 

Grêmio 0x0 Corinthians
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre, RS

 

IMG_6243

 

Que o cara entendia do riscado, eu já havia ouvido falar —- dele próprio quando o entrevistei em um dos programas que apresento na CBN, o Mundo Corporativo. Que era o verdadeiro craque da família mas que não seguiu carreira, soube nesse sábado enquanto aguardava na fila para pedir-lhe um autógrafo. Era o que um dos mais próximos de mim contava entusiasmado: o Geromel bom de bola era ele —- só não lembro bem se jogava na mesma posição ou de lateral. Mas jogava muito, falava com entonação capaz de me fazer acreditar no que dizia.

 

Estávamos falando de Ricardo Geromel, 32 anos, empreendedor e escritor, que pelo sobrenome tem parentesco que carece de apresentações, especialmente a você caro e raro leitor desta Avalanche. Ele era o destino da fila que se estendia do salão da Livraria da Vila até o corredor do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Estava lançando o livro “O poder da China” (Editora Gente).

 

Com escritório sediado em Xangai, Ricardo é um entusiasmado com os avanços que a China implementou nos últimos anos, transformando-se de “fábrica” do mundo em fabricante de bilionários, além de uma das maiores criadoras de startup do oriente ao ocidente.

 

Para ter ideia, havia 64 bilionários chineses em 2010. Oito anos depois, já eram 372. A cada 3,8 dias nasce um novo unicórnio no país —- são aquelas empresas de capital fechado com valor de mercado de US$ 1 bilhão ou mais. E tudo isso impactando a vida das pessoas em seu cotidiano, pois, em cerca de 30 anos, a China tirou 850 milhões de pessoas da situação de pobreza. Tem porque se entusiasmar, não é mesmo?

 

Se quiser outros motivos, leia o livro —- ou ouça a entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo. Eu já avancei alguns capítulos apenas neste fim de semana e recomendo (se é que vale alguma coisa a minha recomendação).

 

Mas vamos voltar a esta Avalanche.

 

Sou resistente a essas histórias que já foram contadas nas mais variadas famílias do futebol brasileiro. Sempre haverá alguém para garantir que Dondinho, pai de Pelé, é quem jogava muito. Teria feito cinco gols de cabeça em uma só partida de futebol. Sem contar os que descrevem as habilidade de Zoca, irmão do Rei, que aliás jogou ao lado dele no Santos.

 

Edu, por sua vez, tinha futebol refinado, dribles curtos e desconcertantes, passes e lançamentos precisos —- o que parece ser verdade, mas não o suficiente para torná-lo maior do que Zico, o irmão mais moço. A não ser nas palavras da turma que sempre gosta de uma boa história para puxar papo.

 

Diante de tudo isso, ouvi os elogios ao futebol que Ricardo Geromel jogou no passado e coloquei na conta dos contadores de história. Prefiro admirá-lo por aquilo que ele é do que por aquilo que poderia ter sido. Até porque duvido muito que alguém pudesse ser maior do que Geromel, o Pedro —- zagueiro que trouxe uma nova maneira de jogar dentro da área, tem uma ótima leitura de jogo e forma, ao lado de Kannemann, uma das maiores duplas de zaga que já passaram pela história do Grêmio.

 

Abracei Geromel, o Ricardo, o cumprimentei pelo livro que lançava, recebi orgulhoso o autógrafo dele, e voltei para casa para assistir ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Do sofá, vi o meu time tentar o gol de várias maneiras sem sucesso e terminar mais uma partida contra o Corinthians no zero a zero.

 

Jogo que não foi de todo perdido, pois tivemos ao menos duas boas notícias para quem entra em campo no Brasileiro mas tem a cabeça na semifinal da Libertadores: Léo Moura está de volta e Maicon desfila talento com a bola no pé — leio nas estatísticas de que de 111 passes que deu, errou apenas três.

 

A terceira boa notícia, tive lá na livraria mesmo: Geromel, o Pedro, não jogaria logo mais à noite, mas está prestes a voltar ao time titular depois da lesão que o tirou da primeira semifinal da Libertadores. Que o Ricardo faria diferença se tivesse seguido em sua carreira como jogador, deixo por conta dos amigos de infância que o viram jogar. Mas que o Pedro faz uma baita falta para a gente, ah, isso eu garanto!

Avalanche Tricolor: um Dia dos Namorados muito especial para mim

 

Botafogo 0x1 Grêmio
Brasileiro — Estádio Nilton Santos/RJ

 

Gremio x Botafogo

Jean Pyerre comemora em cena flagrada por LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O 12 de junho é dos namorados. Data criada pelo comércio, em 1949, que contaminou os corações e mexeu com as emoções. São tantos os estímulos — dos anúncios, dos colegas, dos amigos e dos amantes —- que nenhum casal se atreve a passar o dia em branco. Eu, por exemplo, passei em azul, preto e branco.

 

Um post no Instagram, um WhatsApp logo cedo, uma lembrança comprada na loja da esquina, um beijo intenso antes de levantar da cama ou uma música oferecida no rádio —- e meus ouvintes se esbaldaram em sugestões durante todo o programa que apresentei na CBN. Vale todo o artifício para revelar o seu amor. Há os que preparam surpresas, enchem a casa de rosas, escrevem cartas melosas ou servem um jantar inesquecível.

 

O dilema é que tudo isso tinha de ser feito em uma noite na qual os clubes brasileiros se despendiam por um tempo de seus torcedores. A bola só voltará a rolar no Campeonato Brasileiro na metade do mês de julho, devido a parada para a Copa América. Imagine a saudade que vão nos deixar, especialmente quando assistimos ao nosso time iniciando a prometida decolagem como é o caso do Grêmio.

 

Sei que muita gente torce o nariz para essa prioridade que os apaixonados dedicam ao futebol. Deve ter quem nos condene por gostarmos tanto de um time, por sofrermos diante das derrotas, por nos descabelarmos com o chute mal dado ou por chorarmos na inacreditável conquista. Coisa ridícula! — é o que ouço da consciência enrustida dessa turma.

 

Pensem o que quiserem. O que importa é que nossas amantes — e os amantes, também — entendem esse sentimento. Sabem que não desdenhamos da companhia, do carinho e da troca de carícia deles e delas. Nosso coração tem espaço para as diversas paixões que nos movem, desde o time de futebol que aprendemos a amar quando ainda éramos pequenos até a pessoa que escolhemos para dividir angústias, sonhos e amenidades em algum momento qualquer da vida.

 

É nesse entender que uma relação se constrói. Por isso, a noite desta quarta-feira deixou de ser um dilema para se transformar em mais uma prova de amor nesse relacionamento que já preservamos por 27 anos. Adaptamos nosso dia, curtimos nosso almoço, trocamos juras de amor durante a tarde, jantamos no intervalo do jogo e compartilhamos o presente mais incrível que eu poderia ter ganhado em um Dia dos Namorados: a camisa autografada por Geromel.

 

1978C695-8502-4A81-8583-3E4BF6338E84

A camisa de Geromel entregue pelo mano Ricardo

 

Sou fã de carteirinha do nosso zagueiro. Não bastasse o que ele representa para o Grêmio, ainda demonstra a todo momento o quão gente boa consegue ser na vida. Conheci a mãe dele na felicidade de um gol, na semifinal do Mundial de Clubes em Abu Dabhi, há dois anos — história que acredito já ter contado para você nesta Avalanche.

 

Hoje, recebi o irmão de Geromel, Ricardo, para entrevista em programa sobre negócios, carreiras e empreendedorismo que apresento na CBN. Assim que chegou, replicando o sorriso do mano, me entregou a nova camisa tricolor com a mensagem grafada em tinta: “Ao Amigo Milton Jung, Geromel”.

 

Sim, isso mesmo. O melhor presente que poderia ganhar neste Dia dos Namorados tem a marca de uma das minhas mais fortes paixões: o Grêmio. E chegou até mim pelas mãos de um cara que recém conheci, mas que há muito sabe dos meus amores.

 

O mais legal é que ela — o amor com quem compartilho, sem vergonha, minhas paixões —- sabe muito bem o quanto isso é importante para mim. E não me julga por isso. Me adora assim mesmo. É capaz de me endereçar um sorriso ao me ver vibrar sozinho na sala diante da televisão pelo golaço que Jean Pyerre, esse gênio com futebol e sobrenome de craque (leia a Avalanche anterior se ficou curioso), marcou na vitória desta noite — outro  presente a todos aqueles que adoram torcer pelo Grêmio, como eu.

 

Por seu gol, obrigado Jean Pyerre!

 

Por sua dedicatória, obrigado Geromel! 

 

Por sua compreensão, obrigado Abigail!

 

Vocês fizeram este Dia dos Namorados ainda mais especial para mim.

Avalanche Tricolor: o guri que vestia a camisa 3 está de volta

 

Rosário Central 1×1 Grêmio
Libertadores – Gigante de Arroyito/Rosário ARG

 

47252457542_5ab9ff440e_z

Todos querem a camisa de Geromel, como se vê na foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

A estreia na Libertadores 2019 me colocou diante de uma das raras fotos que consegui preservar da época em que jogava na escolinha de futebol do Grêmio. Perfilado, com os braços soltos ao longo do corpo, sobre a linha lateral do gramado do saudoso estádio Olímpico, fui flagrado por um dos fotógrafos esportivos que aguardavam o time principal entrar em campo. Não tenho o nome do autor da foto, mas se o fez, tenho certeza, foi para presentear meu pai, que deveria estar orgulhoso de ver o guri naquela posição.

 

Naquele tempo, não tínhamos acesso ao uniforme oficial dos clubes de futebol. Comprava-se as camisetas na lojinha do bairro. A minha era de um tecido mais grosso, com o azul, o preto e o branco desbotados pelas inúmeras lavagens feitas por minha mãe. Com a gola em vê e sem direito a emblema do Grêmio no peito, o único adereço que havia —- e não aparece na foto —- era o número 3 nas costas, que mais do que minha posição preferida, revelava a admiração por um dos maiores zagueiros que já vestiram nossa camisa, Atilio Genaro Anchieta — capitão da seleção do Uruguai e do próprio Grêmio. Uma espécie de Geromel dos anos de 1970.

 

Ver aquela foto me fez voltar para um tempo em que a Libertadores era sonho distante para os gremistas. Nos satisfazíamos com o aguerrido campeonato gaúcho. Nos orgulhávamos das vitórias sobre times do eixo Rio—São Paulo. Ganhar um campeonato brasileiro seria uma façanha. Foi lá, porém, que forjamos o caminho que nos levou ao topo do Mundo e nos coloca, hoje, entre os maiores times do futebol do planeta.

 

Em campo, o Grêmio é respeitado mesmo pelos arquirrivais argentinos, contra quem travamos alguns dos grandes e heróicos clássicos sulamericanos. Afinal, estamos em nossa décima nona participação de Libertadores, competição que já vencemos três vezes — a última em 2017, ou seja, coisa recente, que segue na memória dos adversários. Sem contar o futebol qualificado que temos jogado há três anos, desde o retorno de Renato ao comando técnico do time —- futebol reconhecido aqui e lá fora.

 

Nossa reputação, contudo, não significa vida fácil contra nossos adversários. Ao contrário. Eles transformam a partida em uma guerra. Como se ganhar do Grêmio fosse um troféu à parte na competição. Por isso, não surpreende a maneira até violenta com que fomos recebidos em campo na noite de ontem, na Argentina — boa parte dessa violência ocorreu sem qualquer punição por parte do árbitro.

 

Pelas fotos feitas por Lucas Uebel —- fotógrafo oficial do Grêmio e autor das imagens que costumo reproduzir nesta Avalanche —, o árbitro não apenas deixou de advertir o adversário com a rigidez necessária como também não viu um pênalti sobre Geromel, no qual teve sua camiseta de número 3 agarrada pelo marcador. Foi um pouco antes do entrevero que ocorreu entre o mesmo Geromel e o atacante adversário, já na área gremista, ao fim do primeiro tempo.

 

Independentemente da marcação mais forte do que as regras esportivas recomendam ou da disposição do adversário para nos superar —- e isso são apenas motivos de mais orgulho para esse gremista —-, o Grêmio foi maduro em campo. Não perdeu a cabeça, mesmo tendo sofrido gol logo no segundo minuto de partida. Evitou cair em provocações. Colocou a bola no chão, trocou passes, esperou brechas na marcação adversária e chegou ao empate.

 

O gol que marcou foi resultado dos muitos méritos que essa equipe leva a campo, além da própria maturidade para encarar reveses. Após pressionar muito, ameaçar jogadas por um lado e por outro, contamos com a visão de jogo e a precisão do passe de Marinho. Ele estava marcado pelo lado direito e teve capacidade de enxergar Everton lá do outro lado. A partir daí, ficamos por conta do talento de nosso atacante que driblou dois marcadores dentro da área e completou a jogada colocando a bola no fundo do poço.

 

Não tenho mais aquela camiseta desbotada da foto antiga. As que me acompanham em casa estão emolduradas ou dobradas no armário a espera de um espaço na parede — ainda quero ter uma de Geromel, um Anchieta redivivo e melhorado pelo tempo. Mas o guri com a camisa 3, sem emblema, lá do gramado no estádio Olímpico, voltou a se revelar na noite dessa quarta-feira de cinzas, ao vibrar como louco, com os punhos cerrados e o grito de gol que nos garantiu o primeiro ponto na estreia da Libertadores, jogando fora de casa naquele que é conhecido por Grupo da Morte.