Avalanche Tricolor: a Primavera está chegando

 

Bahia 0x2 Grêmio

Brasileiro — Estádio de Pituaçu, Salvador/BA

 

Alisson comemora o primeiro gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Renato é gênio.

Alisson é craque.

Vanderlei, nunca reclamei.

Grêmio mostra a que veio no Campeonato. 

Exagerado?!? Não sou eu, não! 

Exagerados eram os corneteiros que insistiam em pregar a desgraça alheia diante de resultados pouco convincentes. O desempenho estava abaixo do esperado, sem dúvida. Jamais neguei. E se o caro e raro leitor deste blog duvida do que escrevo, basta ler a Avalanche “Que toquem as cornetas”, escrita duas rodadas atrás.

O que não aceitava — e sigo não aceitando — era o exagero da crítica que usava palavras como “fracasso”, “teimosia” e “preguiça” para descrever um time que conquistou o Campeonato Gaúcho, recentemente; mantém a longa invencibilidade contra seu principal rival; vendeu o seu maior craque —- aliás, considerado até então o maior em atuação nos campos brasileiros —-; está em reconstrução porque tem de recolocar peças em lugares de jogadores consagrados; e ainda espera a recuperação física de um grupo que sentiu muito a parada provocada pela pandemia.

A vitória contra o Bahia, fora de casa, talvez amenize o toque das cornetas, pois mesmo com todos os desfalques, mostrou que o DNA do time de Renato se mantém. Saber resistir a força do ataque do adversário, apesar de desfalques em boa parte do sistema defensivo, e aproveitar com precisão a única oportunidade real de gol até aquele momento, 25 minutos do primeiro tempo, deram tranquilidade para o Grêmio colocar a bola no chão, trocar passes e se movimentar com um pouco mais de velocidade.

O curioso é que o time que insistia em não cobrar escanteios com bola cruzada dentro da área, acabou marcando seu primeiro gol na cobrança de lateral a longa distância. Na combinação do arremesso feito por Cortez e o cabeceio de Diego Souza, Alisson foi premiado com um chute certeiro da entrada da área. Merecido gol para um cara que se sacrifica em campo para sustentar o esquema de jogo de Renato — e muitas vezes não é reconhecido por sua função.

Daí pra frente, o Grêmio esboçou o futebol que gostamos e que se seguir evoluindo vai calar de vez os corneteiros. A despeito de uma série de outras boas jogadas, o segundo gol bem ilustrou este momento que estamos reconstruindo: o passe de Everton, o recém-chegado, foi especial. Olha para um lado e dá um tapa para o outro, em velocidade e com precisão. Darlan, recém-alçado ao time titular, que havia participado do inicio do lance, deslocou-se no sentido contrário e se colocou livre para receber o presente do colega de ataque. Marcou seu primeiro gol no time principal — que seja o primeiro de muitos.

O Grêmio está distante de ser o time que Renato, seu grupo e os torcedores esperam. Muito mais longe estava, porém, da imagem construída por parte daqueles que o criticam —- e incluo aqui, especialmente, torcedores insatisfeitos com a própria vida, que descontam tudo naqueles que nos representam em campo. 

A retomada da vitória e a recuperação física e psicológica de alguns jogadores serão muito importantes para a sequência  do calendário, com o revezamento entre Brasileiro e Libertadores, neste mês de Setembro —- o que me faz lembrar que depois do Inverno vem a Primavera.

Avalanche Tricolor: que seja passageira

 

Grêmio 0x1 Bahia
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Bahia

Luan em jogada de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Revés nunca é bom. Deixa a gente incomodado. Às vezes tira o humor. Em outras, deixa ensinamentos. Há derrotas que exigem mudanças. Há as que sinalizam caminhos. O importante é ter a dimensão certa de cada resultado que se alcança —- ou se deixa de alcançar. E tudo isso só vale a pena enfrentar se tivermos inteligência de entender a mensagem que está por trás do resultado.

 

Quero crer que a deste início de noite de quarta-feira foi para colocar o pé no chão, uma semana antes da decisão que realmente nos interessa.

 

A sequência de resultados estava sendo boa. As goleadas reafirmaram jogadores. A chegada no grupo da Libertadores demonstrou nossa capacidade —- e deixou uma válvula de escape para o restante da temporada. Mas antes que a confiança se transformasse em prepotência, o placar negativo se acendeu como sinal de alerta —- injusto, é verdade, mas um alerta.

 

Renato haverá de tirar proveito do que aconteceu na Arena, nesta vigésima sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Sabe que vai precisar que cada um dos jogadores ofereça 110% de seu potencial, na quarta-feira que vem. E terá uma semana inteira para conversar com a defesa, ajustar seu posicionamento, fechar mais os espaços, calibrar os cruzamentos e dribles, e acelerar o passe e a movimentação dos jogadores do meio de campo para a frente.

 

A despeito do resultado, a única coisa que me preocupa é a cena de Luan deixando o gramado mancando e com cara de dor. Que seja passageira! E os próximos dias sejam suficientes para que ele se recupere. Como já escrevi, Luan é um avião pedindo passagem para decolar na hora certa. 

Avalanche Tricolor: a vitória da maturidade

 

 

Bahia 0x1 Grêmio
Copa do Brasil — Arena Fonte Nova/BA

 

Gremio x Bahia

A festa do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio de Renato voltou. Na forma de jogar. E na forma de ganhar.

 

Desde o início da decisão desta noite, o futebol gremista se expressou com o controle do jogo, a troca de passe mais rápida, a triangulação de jogadores aparecendo para receber, a mudança de lado para confundir a marcação e a defesa firme e forte reduzindo o risco de um gol fora de hora (a bem da verdade todo gol tomado é fora de hora).

 

A velocidade de nossos atacantes por um lado e por outro também esteve presente. E foi a partir dela que chegamos ao gol que nos classificou à mais uma semifinal de Copa do Brasil. O passe precioso de Matheus Henrique encontrou Alisson correndo em direção à área e ele não se fez de rogado: deu um corte no primeiro marcador, deu um corte no segundo e chutou com o pé invertido no canto que parecia mais improvável para a bola entrar. E entrou.

 

Em uma temporada na qual nem sempre apareceram essas características que nos puseram em destaque, o que mais me chama atenção é que todas —- ou quase todas —- tem dado sinais de vida quando mais precisamos.

 

Já havia sido assim na reta final da fase de grupos da Libertadores, quando muita gente já não acreditava na nossa capacidade de recuperação.

 

E foi assim na noite de hoje quando tínhamos pela frente o desafio de encarar um time muito bem organizado e batalhador diante de sua entusiasmada torcida. Aliás, desta vez também tivemos de superar o descrédito de críticos. Ainda hoje, ouvi colegas de rádio colocando em dúvida a possibilidade de seguirmos em frente na Copa do Brasil.

 

Sabemos da dificuldade em manter o mesmo ritmo vitorioso por tanto tempo, por mais que se invista na permanência do comando técnico, a começar pelo seu maior nome, Renato, e na busca de reforços para substituir jogadores e formar um elenco mais bem equilibrado. Mas para esses momentos de inconstância, aposta-se na maturidade do grupo. E foi essa maturidade que fez ressurgir o futebol gremista na noite de hoje, em Salvador, quando chegamos a marca de 100 vitórias em Copas do Brasil e nos credenciados a disputar a 14a vez uma semifinal desta competição.

 

Se não bastasse ver o Grêmio de volta com sua força e maturidade, ainda curti essa alegria ao lado de um velho companheiro de torcida,  Gregório, meu filho mais velho, que também voltou após três meses distante do Brasil. A festa foi completa.

 

Avalanche Tricolor: a primeira das últimas noites de Everton

 

Grêmio 1×1 Bahia
Copa do Brasil — Arena Grêmio

 

Gremio x Bahia

Everton comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Empatar em casa e ter de decidir vaga à próxima fase da Copa do Brasil no campo do adversário pouco me importa nesta noite em que o Grêmio voltou a jogar, após a parada para a Copa América. Time acostumado a essas situações e maduro o suficiente para encarar a pressão de um estádio lotado, como deve encontrar na próxima quarta-feira, tem capacidade para vencer, seja no tempo normal seja na cobrança de penaltis —- especialmente porque a atual edição da Copa não tem o tal gol qualificado fora de casa. E digo isso com todo o respeito ao time montado por Roger que, sabemos muito bem, é craque em organizar equipes.

 

Esta noite tinha algo muito mais especial a fazermos na Arena ou diante da televisão —- como foi o meu caso, exilado aqui em São Paulo e distante do meu time há muitos anos. Tínhamos Everton a assistir em campo. Jogador que o Brasil pediu em sua seleção, consagrou-se como goleador e o melhor da final da Copa América. Um cara que nos fez acreditar que futebol-arte não é coisa de nostálgicos. Joga a moda antiga. Encara o marcador — aliás, os marcadores, pois ninguém mais se atreve a deixá-lo no mano a mano. Tem sempre um ou dois na sobra com o olhar de quem está prestes a tomar um drible.

 

Everton tem um elenco de dribles à disposição. Na velocidade ou no gingado do corpo, deixa a turma para trás. Se encostam demais, ele trança as pernas e faz a bola se esgueirar no pouco espaço que sobra. Se recuam para não sofrer o drible, bate de fora na busca do gol. É um raro jogador que não tem medo de arriscar e quanto mais arrisca mais ganha a admiração do torcedor.

 

Aqui em casa, nos apaixonamos por ele naquela noite em que disputávamos vaga à final do Mundial, contra o Pachuca do México, no estádio de Al Ain, em dezembro de 2017. Sim, naquela vez eu estava no estádio. Eu e meus meninos estávamos na arquibancada, próximos do gramado, ao lado da área em que o Grêmio atacava. Área que Everton invadiu, desvencilhou-se dos marcadores e com um chute de curva colocou seu nome na história do tricolor.

 

Se para Everton aquele chute foi o pontapé inicial para uma fase incrível que vivencia até hoje com a camisa gremista, para mim foi um momento inesquecível em que comemorei um gol abraçado com meus dois filhos em uma arquibancada de futebol —- como fazia antigamente ao lado de meu pai. Pulamos como crianças, nos abraçamos, choramos —- sim, eu juro que vi os olhos deles cheio de lágrimas, repetindo o que fiz muitas vezes quando guri e assistia aos jogos no estádio Olímpico.

 

É essa alegria marcante que Everton me faz relembrar todas as vezes que entra em campo e parte em disparada na direção do gol. Fez isso quando estava na seleção —- e vibrei cada um dos seus gols na Copa América como se fosse do Grêmio. Fez isso na noite de hoje, em Porto Alegre. E o fará não sei mais por quanto tempo.

 

Tudo leva a crer que esses momentos estão chegando ao fim. Everton é objeto de desejo da maioria dos grandes clubes no exterior, contra os quais o futebol brasileiro não consegue mais competir. Assim como nesta noite, todas as demais se encerrarão com a mesma pergunta: quando Everton vai embora? E o fim desse roteiro conhecemos muito bem. Por isso, como disse no início desta Avalanche, pouco me importa se empatamos em casa. Tudo o que eu quero aproveitar, até o minuto final, até o instante do adeus, é Everton correndo, driblando e beijando a camisa do Grêmio a cada gol marcado.

 

Hoje, vivenciei a primeira das últimas noites de Everton no Grêmio.

Avalanche Tricolor: ao menos tricolor

 

 

Bahia 1×0 Grêmio
Brasileiro — Estádio Municipal do Pituaçu/BA

 

 

Vivemos uma noite tricolor, nesse sábado, aqui em São Paulo. Monumentos importantes, como o em homenagem aos Bandeirantes, que fica em frente ao Parque do Ibirapuera, receberam as cores verde, branca e vermelha, para marcar os 73 anos da República italiana. A “Tricolor” — como os italianos se referem à bandeira do país —- se fez presente na fachada da sede da prefeitura e da Fiesp, e na Ponte Estaiada, por obra e inspiração do cônsul-geral italiano na capital paulista, Filippo La Rosa.

 

O prédio do Terraço Itália, no centro da cidade, também foi iluminado pelas três cores em imagem que se destacou na noite chuvosa da capital. Eu estive logo ali ao lado, onde fica a sede do Circolo Italiano, que recebeu convidados para aplaudir meu amigo e colega Walter Fanganiello Maierovitch, juiz reformado, importante no auxílio ao combate a máfia e ao crime organizado, homem de discurso transparente e equilibrado, sempre atuante em defesa da justiça e uma voz forte em favor dos injustiçados. É palmeirense, fazer o quê, né!?! Ao menos torce hoje por um dos nossos ídolos, Luis Felipe Scolari.

 

Na mesa que estava reservada fiquei ao lado de gente boa como o narrador Oscar Ulisses, o comentarista Mário Marra e o âncora Roberto Nonato —- todos admiradores do bom futebol, assim como eu. Foi o Mário quem me sinalizou o placar final da partida que havia se realizado em Salvador. Era o mesmo que eu havia ouvido no aplicativo do rádio pouco antes de chegar ao local da festa.

 

Estava para estacionar o carro quando o locutor descreveu o lance que culminaria no gol adversário. Perdemos a bola no ataque, tomamos o contra-ataque e Geromel, na tentativa de evitar o gol, viu a bola bater no braço dele dentro da área. Cheguei a torcer por mais um milagre de Paulo Victor. Em vão. Subi para festa com o 1×0 nos ouvidos que, no fim, seria o placar fatal.

 

Além das ótimas companhias na noite que vivi nesta que é a maior cidade italiana fora da Itália, da boa mesa servida aos convivas e do orgulho de ver um amigo ser merecidamente reverenciado pela colônia tricolor, restou-me ouvir o consolo de um dos garçons que servia o vinho e me reconheceu como jornalista e torcedor do Grêmio: “ao menos quem ganhou foi um tricolor, seu Mílton!”.

 

E comandado por Roger Machado, que também é um dos nossos, pensei cá com minha gravata.

 

É, pode ser! Se tiver de ser alguém, que seja ao menos tricolor! Viva a Itália!

Avalanche Tricolor: o futebol tem dessas coisas

 

Bahia 0x2 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova/Salvador-BA

 

41820104234_c258d7c2b6_z

Everton em mais uma tentativa de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O futebol tem dessas coisas.

 

Fizemos jogos incríveis nesta temporada e saímos lamentando a falta de gol, o empate injusto, o erro do árbitro ou o campo maltratado. Desperdiçamos pontos e perdemos a oportunidade de estar no topo da tabela.

 

Na tarde em que tivemos o pior desempenho do ano, esquecemos de trocar passe no ataque, perdemos o controle do jogo — chegamos a tropeçar na bola, coisa rara neste time — e efetuamos chutes distorcidos, saímos do gramado com uma vitória de 2 a 0 e na vice-liderança da competição.

 

Verdade que os dois gols que fizemos foram resultado daquilo que temos de melhor: a velocidade com que se trabalha a bola e com que se escapa da marcação.

 

No primeiro, Everton foi talentoso para driblar e preciso ao encontrar Ramiro no meio da área, onde sofreu o pênalti. Por curioso, só fizemos o gol depois de Maicon errar a cobrança — outra raridade nestes últimos tempos.

 

No segundo, Everton, o “imparável” voltou a funcionar com uma escapada que deixou marcadores estatelados no chão. Depois foi uma corrida para ver quem conseguia empurrar a bola para dentro. Entre Pepê e Thaciano, ficou com esse último a tarefa de decidir o jogo.

 

Fora esses lances, pouca coisa se tirou da partida. Para não ser injusto, destacou-se a defesa que pressionada em boa parte do jogo soube afastar os perigos que se avizinhavam.

 

Torcedores devem estar a se perguntar: é melhor jogar bem e empatar ou jogar mal e ganhar os três pontos? A quem ainda tem essa dúvida, minha resposta: jogar o melhor futebol do Brasil como vínhamos fazendo até aqui e ganhar. Essa é a nossa missão e voltaremos a cumpri-la assim que as principais peças estiverem em forma novamente. Porque jogar bem e não conseguir o resultado até acontece — o futebol tem dessas coisas. Agora, jogar mal e vencer, é muito mais difícil — apesar de que o futebol, como vimos hoje, também apronta dessas. Ainda bem que dessa vez foi a nosso favor.

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa?

 

Bahia 1×0 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

 

IMG_0010

Jogadores discutem com auxiliar (reprodução Premier)

 

Vamos discutir se foi pênalti ou não o escorregão de Edílson, já nos acréscimos?

 

Fosse eu, não marcaria. Claro que não! A começar pelo fato de que eu jamais me atreveria a entrar em campo para arbitrar uma partida de futebol. Tenho coisa melhor pra fazer na vida. E claro que não porque afinal sou gremista e minha visão sempre estará influenciada pela emoção que emana do coração. Sem pipocar, assinalaria o tiro de meta. E aí de quem viesse reclamar! Seria recebido com o cartão vermelho na mão.

 

Vai que o lance fosse do outro lado do campo? A favor do Grêmio e já nos acréscimos? Você daria pênalti? Eu, com certeza. E o consideraria indiscutível. Sairia de campo sem entender porque tanta polêmica. Todo mundo viu!? “O lateral deles escorregou e bateu no pé do nosso atacante. Até não queria fazer a falta. Uma fatalidade. Mas claro que foi pênalti para o meu Grêmio”, teria dito.

 

Sendo assim e diante da minha parcialidade o melhor a fazer nesta Avalanche, caro e raro leitor, é deixar esta “brigalhada” sobre se foi ou não pênalti para os entendidos (e como os temos no futebol brasileiro).

 

Talvez seja mais produtivo para o restante do campeonato e, especialmente, para aquilo que mais nos interessa nesta temporada – ser campeão da Libertadores – buscar respostas para o fato de termos mais uma vez jogado com a bola no pé e sob nosso domínio a maior parte do jogo e não termos conseguido transformar isso em gol.

 

Depois daquele 5×0 no início de setembro, já jogamos cinco partidas e marcamos apenas um gol. Tudo bem, foi o gol mais importante que tínhamos de ter marcado nesta temporada, pois nos deixou ainda mais próximo desta obsessão que temos pela Libertadores. Jamais trocaria aquele gol marcado de cabeça por Barrios, quarta passada, por qualquer outro que deixamos de assinalar neste Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

 

Aliás, sobre gols que deixamos de marcar, mais uma curiosidade: nas últimas nove partidas fizemos apenas em duas. Tudo bem, fizemos naquela mais importante que tínhamos de ter feito etcetera e tal …. Mas talvez seja um bom assunto para nos fazer pensar.

 

Eu disse pensar e não reclamar como tenho visto muitos dos nossos por aí.

 

Nosso time tem o melhor ataque do Campeonato Brasileiro com 40 gols, cinco a mais do que o líder e quatro a mais do que o segundo ataque com melhor desempenho. Joga o futebol mais bonito desta competição, mesmo que a tenhamos deixado em segundo plano em várias rodadas. Faz um jogo interessante, a despeito de marcar gols ou não.

 

O que mudou nessa última leva de jogos foi a ausência de Pedro Rocha por um lado, de Luan por todo o campo e, na maior parte das rodadas, de Barrios dentro da área. E isso, evidentemente, faz muita diferença em uma equipe de futebol por mais equilibrado que possa parecer o seu elenco.

 

Com o ímpeto de Rocha não podemos mais contar, infelizmente. Com o talento de Luan e o oportunismo de Barrios, porém, basta ter um pouco de paciência. Logo e no momento em que mais precisarmos, daqui um mês, na semifinal da Libertadores, ambos estarão firmes e fortes de volta a equipe. E os espaços se abrirão para que eles e seus colegas cheguem ao gol que está escasso nessas últimas partidas.

 

Sem contar que ouvi falar da possibilidade de Douglas e seus passes incríveis estarem disponíveis em breve, o que abre novas opções de escalação. Seja bem-vindo, Douglas!

 

Com a equipe recuperada, nossos talentos em campo e focado apenas no principal objetivo desta temporada, os gols tendem a voltar com mais facilidade e assim não precisaremos ficar na dependência da decisão de um árbitro e seus auxiliares.

Conte Sua História de SP: na terra em que “benção” é “bom dia”

 

Por Izaura Costa do Prado
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Sou de Paripiranga, estado da Bahia. De lá fui para Aracaju, em Sergipe, mas o grande passo foi vir para  São Paulo, mesmo sem ter, até então, parente algum morando aqui. Eu queria conhecer a cidade sobre a qual tinha lido na cartilha escolar,  onde o personagem paulistano dizia:

 

– Bom dia, titio!

 

Fiquei admirada pois na minha terra, em vez de bom dia titio, dizíamos:

 

– Sua benção, tio!

 

Na década de 1950, a cidade já era agitada e os bondes circulavam cheios de trabalhadores. Assim que cheguei, mesmo sem experiência, consegui emprego como aprendiz de costureira na Rua Prates, região da José Paulino. Trabalhei no mesmo local por 17 anos. Fazia horas extras, economizava tudo o que podia e mesmo sem os benefícios do vale-transporte, cesta básica ou tíquete refeição – na época não existia nada disso – consegui guardar o dinheiro suficiente para dar entrada no imóvel que moro até hoje, no bairro da Casa Verde.

 

Era um terreno com dois cômodos inacabados mas pelo menos era meu canto. Alguns anos depois conheci meu marido, me casei e tenho uma filha que teve a oportunidade que não tive: concluir o ensino superior.

 

Ela diz que a melhor decisão que tomei na vida foi vir para São Paulo, diz ter sido um ato de coragem pois cidade grande pode assustar. É verdade, mas quando a gente é nova nem pensa nisso.

 

Aqui era e ainda é a cidade das realizações para quem se dispõe a trabalhar duro e lutar em busca dos objetivos. Os problemas podem ser grandes mas a cidade é  maior que todos eles.

 

Izaura Costa do Prado é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: dá muito prazer assistir ao Grêmio em campo

 

Vitória 1×3 Grêmio
Brasileiro – Barradão-Vitória/BA

 

 

IMG_8721

Fernandinho, o 21 ou o 12º, fez o primeiro gol

 

 

Frio, muito frio aqui em São Paulo. Mesmo para quem tem o Rio Grande como referência. Às quatro da manhã, acordei com oito graus e lá fora o vento fazia com que a sensação térmica tornasse a coisa ainda pior. Vontade de ficar na cama.

 

Sei que você, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem nada a ver com isso, mas o dia de trabalho também não foi fácil. A linha telefônica caiu durante a entrevista mais importante, o crédito do entrevistado estava errado e o repórter que entraria ao vivo teve problemas técnicos.  

 

A colega mais próxima nos projetos que realizo na área de comunicação baixou hospital, o que por si só seria motivos de muita preocupação. O projeto agendado para amanhã, inadiável, no qual dividiríamos o palco, se transformou em duplo desafio com a ausência dela. Responsabilidade redobrada.

 

As tarefas do dia não se encaixam na agenda. É mais trabalho do que horas, mais demanda do que paciência. Parece que a gente não vai dar conta do recado. E sei que você também deve encarar coisas deste tipo.

 

Aí vem o Grêmio jogar. Descobre-se que Geromel está fora do time porque não passou bem, antes da partida. E ao ouvir o nome de Geromel me dou conta que não atualizei a escalação do meu time no CartolaFC. E, claro, ele estava escalado (Geromel sempre está escalado no Reina del Sur) assim como outros tantos que devem se ausentar na rodada deste meio de semana.  

 

A impressão é que o melhor a fazer nesta quarta-feira é dormir cedo para ver se passa logo. Só que a bola começa a rolar no Barradão e o Grêmio está em campo. Toca bola pra cá, passa um jogador pra lá, surge uma chance de gol e o dia que parecia perdido começa a ganhar cor. Tricolor.

 

Em apenas oito minutos, Fernandinho, que não é titular mas joga como tal, sai em velocidade, recebe falta, cobra falta e ….. que golaço deste jogador que carrega a camisa 21 nas costas. Se tem alguém que merece o título de décimo-segundo titular este alguém é Fernandinho. 

 

Aliás, foi o próprio Fernandinho quem participou de mais uma daquelas jogadas encantadoras proporcionadas pelo time de Renato. Se no jogo passado, o terceiro gol marcado por Everton chamou atenção dos cronistas esportivos pelo Brasil, pode colocar o segundo da partida de hoje na mesma lista.

 

Eram 43 minutos do segundo tempo quando Maicon fez passe genial e preciso para Pedro Rocha, que  recebeu a bola dentro da área, no que no passado chamávamos de ponto futuro. Rocha virou e encontrou Fernandinho que se aproximava. E ele teve tranqüilidade para dar um presente a Arthur, que marcou seu segundo gol com a camisa do Grêmio.

 

No segundo tempo até houve pressão. E era natural que isso acontecesse. Tomamos um gol, sem perder a tranquilidade. Sinal de maturidade. E foi com essa personalidade que chegamos ao ataque adversário  e sacramentamos o placar com um chute forte e colocado de Ramiro.

 

Só mesmo o Grêmio pra me deixar tranquilo nesta quarta-feira de tantos percalços. Obrigado, Renato!.

 

 

Avalanche Tricolor: uma questão de amor!

 

 

Grêmio 1×0 Bahia
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

IMG_8011

Geromel e Kannemann comemorar vitória (reprodução da SporTV)

 

Uma segunda-feira destinada aos namorados, àqueles casais que se aceitam como são e por isso se amam como se amam. Sabem que a perfeição não existe, porque essa somente surge quando a vida acaba. E queremos vida longa para viver ao lado de quem amamos. Um amor que explica sacrifício e compressão.

 

Sinto-me privilegiado. Há 26 anos, comemoro o Dia dos Namorados ao lado da mesma pessoa, que soube me entender, compartilhar dor e angústia, alegria e prazer por todo esse tempo. Soubemos e sabemos ceder, e isso é fundamental para que se viva em harmonia. Nos olhamos e percebemos o que desejamos. Às vezes me engano, ela poucas vezes.

 

Desde o fim de semana, dá sinais que preferia ficar em casa, nesta segunda-feira à noite: está frio lá fora, amanhã você acorda cedo, restaurantes cheios, só ficaremos nós dois, eu faço o jantar gostoso, você serve o vinho … uma desculpa atrás da outra para justificar nossa permanência.

 

Desculpas, não. Compreensão.

 

Ela sabia que o Grêmio jogaria nesta noite do Dia dos Namorados. Aliás, mais uma vez. Há três ou quatro anos, jogamos também em uma noite de 12 de junho: era um sábado, frio pelo inverno que se avizinhava e em São Paulo. Foi comigo ao Morumbi e respeitou meu sentimento porque sabia da minha alegria (naquele jogo, o resultado não foi nada bom – ainda bem que ela estava ao meu lado). Hoje, fez o mesmo, sem precisar sair de casa. Apenas preparou o ambiente para que, no calor do aquecimento elétrico, eu pudesse estar à frente da televisão no momento em que o Grêmio entrasse em campo.

 

Ficou ali bebericando o vinho comigo, enquanto o time tentava furar o bloqueio defensivo do adversário. Ao ver que o gol não saía e a ansiedade aumentava, levantou-se sem se fazer perceber. Não queria me ter sofrendo pelo resultado que não alcançávamos. Não queria me constranger. Mais uma vez respeitou meu sentimento sabendo que nada daquilo desrespeitaria a paixão que compartilhamos um pelo outro. Quando a gente se ama, compreende.

 

Eu também compreendia o Grêmio e a dificuldade para chegar ao gol. Tínhamos pela frente um adversário disposto a fechar todos os espaços possíveis e encarávamos este time encardido sem nossa formação ideal no ataque. A lesão de Barrios e o deslocamento de Luan para o comando do ataque exigiram adaptação e paciência.

 

Muita paciência.

 

Tivemos de usar todas nossas formas de atacar. No toque de bola não encontrávamos espaço, no drible não avançávamos, então era hora de usar arsenal treinado por Renato. Sim, porque o gol aos 40 minutos do segundo tempo não foi obra do acaso. Já marcamos ao menos mais dois da mesma maneira, apenas com protagonistas diferentes, neste campeonato. Cobrança de escanteio no primeiro pau, o zagueiro desvia de cabeça e a bola encontra alguém fechando em direção ao gol do outro lado. Se antes foram Kannemann e Barrios, hoje foram Geromel e Cortez.

 

A paciência, a compreensão e a  perseverança nos levaram a mais uma vitória  e nos deixaram na vice-liderança isolada do Campeonato Brasileiro. E, por isso, agradeço ao Grêmio.

 

A paciência, a compreensão e a perseverança nos levaram a construir uma família e convivermos lado a lado ao longo de todos este tempo. E, por isso, agradeço a você meu amor!