Avalanche Tricolor: assim como o pôr do sol, nem todo empate é igual

Chapecoense 0x0 Grêmio

Brasileiro B — Arena Condá, Chapecó/SC

Lucas Leiva é destaque em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O pôr do sol se faz diante da praia onde aproveito os dias de férias, no Ceará. A cena é rara no Brasil, pois temos o litoral a leste, onde o sol nasce — ao menos é assim que nos acostumamos a ver. Lá em Porto Alegre, parada anterior do meu descanso, por exemplo, é famoso o espetáculo nas águas do rio Guaíba, a oeste. 

Assistir ao sol se por no mar só é possível aqui nesta região graças a geografia da vila de Jericoacoara — um desses locais incríveis que encontramos quando decidimos viajar pelas belezas brasileiras. E coisa linda não desperdiço. Por isso, pouco antes das seis da tarde, lá estava eu sentado na areia aproveitando cada momento, desenho e cor que a despedida do sol nos proporciona. Fiquei até o último raio alaranjado desaparecer. Já passavam das 6h15 da tarde (ou da noite).

Foi nesse clima de contemplação que voltei para o quarto onde estou hospedado para assistir ao Grêmio jogar. Logo que a partida se iniciou, às 6h30, cheguei a acreditar na possibilidade de uma vitória fora de casa —- outra coisa rara de se ver, haja vista nosso desempenho nesta temporada. Havia um esboço de time e movimentação que nos fazia melhor do que o adversário. 

Um lance atabalhoado de Bitello, ainda no primeiro tempo, mudou todas as minhas expectativas. Nosso guri se excedeu na vontade e mereceu ser expulso. Menos mal que tínhamos Lucas Leiva na reserva para ocupar o espaço deixado no meio de campo. Por outro lado, Campaz teve de ser sacrificado — logo ele que tem melhorado aos poucos nas últimas rodadas.

Jogar na casa do adversário, com desvantagem numérica e com nosso histórico no campeonato, não era animador. Apesar disso, especialmente no primeiro tempo e no início do segundo, o Grêmio foi firme e forte na marcação; e isso impediu que o adversário se aproximasse do nosso gol. Os riscos apareceram a medida que o time dava sinais de cansaço. 

Ainda assim, nosso setor defensivo foi gigante — como é gigante Geromel que se impôs na área de uma maneira impressionante. Lucas, na frente dos zagueiros, com sua experiência e talento, ajudou bastante a conter algumas investidas; e funcionou muito bem ao lado de Villasanti, enquanto este esteve em campo. 

Gabriel Grando (ex-Chapecó), atuando na terra em que surgiu e diante de parentes próximos, foi firme nas intervenções e providencial na defesa que se fez necessária no último lance da partida.

O Grêmio saiu de gramados adversários com mais um empate. Esse, porém, é um empate diferente dos demais. Tem valor de conquista pela forma como foi garantido. Além de manter-se em ascensão no campeonato, entre os quatro primeiros colocados, chegou há 15 jogos sem perder — a maior invencibilidade dos últimos dez anos, da Série B. 

Além do resultado que foi bom, diante das circunstâncias, deixamos Chapecó com duas ótimas notícias: Geromel terá seu contrato renovado automaticamente até 2023 e Lucas Leiva dá sinais de que entregará muito mais categoria e segurança ao time, especialmente a partir de agora quando deve assumir a titularidade, com a ausência de Bitello.

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