Grêmio 1×1 Inter
Brasileiro — Arena do Grêmio, Porto Alegre
O nariz estava quebrado. O rosto, escondido por uma máscara. O lugar de Wallace era a cama de um hospital, onde deveria ter sido submetido a ma cirurgia. Ele escolheu o sacrifício em campo.
E foi em campo que se agigantou. Primeiro, na marcação: ocupou os espaços dentro da área e venceu quase todas as disputas. Depois, no ataque. Aos 27 minutos do segundo tempo, marcou o gol de empate em um dos raros lances de perigo do Grêmio neste Gre-Nal de futebol medíocre. Apareceu na pequena área para aproveitar a bola que o goleiro não conseguiu afastar e dar sobrevida ao time.
A força e o exemplo foram premiados. Wallace, de apenas 21 anos, chegou ao Tricolor no meio da temporada e, desde a primeira apresentação — ainda em um amistoso —, mostrou que tinha condições de assumir a titularidade. Este foi seu 14º jogo pelo Grêmio e seu segundo gol.
Ao fim da partida, agradeceu a Deus e citou ao microfone uma passagem bíblica que, segundo ele, lhe deu coragem para enfrentar o desafio. A fé e a raça de Wallace foram o que se salvou neste empate melancólico na Arena.
O gol evitou um desastre maior, mas o ponto conquistado não tira o Grêmio da situação constrangedora em que se encontra. Restam oito partidas, algumas contra os adversários mais difíceis do campeonato.
Dentro de campo, é difícil encontrar razões para acreditar numa recuperação. Fora dele, o cenário piora. No banco, um auxiliar técnico que acaba de sair da cadeia. No camarote da direção, gente que parece mais empenhada em seus interesses político-partidários do que no Grêmio.
Ao torcedor, resta apegar-se à fé — seja qual for a religião — e à bravura de Wallace. Ele não estará em campo na próxima partida.
Que Deus nos acuda!
PS: dito isso, fomos ‘roubados’
