Grêmio 2 x 4 Cruzeiro
Brasileiro — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Acordei neste domingo em João Pessoa, a ensolarada capital da Paraíba. Logo depois do almoço, peguei a estrada rumo ao interior do estado, em direção a Campina Grande, a capital mundial do São João (que nenhum vivente de Caruaru, em Pernambuco, esteja entre os caros e raros leitores desta Avalanche, ao menos hoje). Mais de três mil quilômetros me separam de Porto Alegre, onde o Grêmio jogou essa tarde. Não foram suficientes, porém, para me poupar da sofrência.
A dor que o Grêmio provoca na alma de cada torcedor não diminui com a distância. Maltrata nossa paixão tanto na Arena quanto aqui, de longe, ao vermos o time se desconstruir ao longo de uma partida que seria difícil por natureza, mas que chegou a oferecer alguma esperança de vitória.
É lamentável ver até mesmo nossos ídolos serem tragados pela mediocridade que empurra o Grêmio para a beira do precipício — e, agora, para dentro dele.
A história de Kannemann está sendo exposta. Por mais que nosso capitão lute bravamente, já não consegue impedir a derrocada. Diante desse cenário, perde o controle e acaba expulso, como aconteceu hoje. Haverá quem o culpe pelo resultado. Quem fizer isso ainda não entendeu o que está acontecendo com o Grêmio.
Estou longe do Grêmio. Mais distante ainda, porém, está o Grêmio da própria história. Até aqui, não conseguiu vencer uma só partida fora de casa. E jogar diante da torcida também não tem feito tanta diferença, como mostram os dois últimos jogos na Arena: o empate desesperado no clássico e a virada trágica deste domingo. As estatísticas ainda apontam resultados melhores em casa, mas não faz muito tempo que os adversários tinham medo de jogar na Arena.
A distância que me separa do Grêmio não me preocupa. Hoje, onde eu estiver, consigo assistir aos jogos — mesmo com o sinal ruim de internet no hotel em que estou. O que me deixa desconfortável é perceber quão longe estão os demais adversários a cada rodada do Campeonato Brasileiro.
O Grêmio, ao contrário, parece andar na direção oposta. Não é a distância entre João Pessoa e Porto Alegre que dói. É ver o time se afastar, jogo após jogo, daquilo que já foi — e daquilo que seus torcedores ainda esperam que volte a ser.
