De educação e ameaça

Por Maria Lucia Solla

Olá,

No domingo de manhã, fui à padaria. Não para tomar café da manhã, o que faço com freqüência, nos fins de semana. Fui comprar pão para completar minha festa matinal e, na banca ao lado da padaria, acabei pegando a Folha de São Paulo, que há muito tempo não lia. Sinto saudade de alguns colunistas, e se a Folha tivesse apenas as duas primeiras páginas, eu ficaria satisfeita. Em casa, depois do café, achei um cantinho bom para me acomodar e me deliciei com a arte de Clóvis Rossi em conseguir demonstrar, em poucas linhas e com elegância, a supremacia do poder do dinheiro sobre o dos governantes. Depois fui bisbilhotar na coluna de Antonio Ermírio de Moraes. Encontrei festa em cada linha, onde ele dizia que o Sesi e o Senai “investirão cerca de dez bilhões de reais no programa Educação para a Nova Indústria.” Ou seja, vão continuar fazendo o que já têm feito há mais de cinqüenta anos, investindo o que o governo não investe e com a capacidade que esse não demonstra ter. Sei o que estou dizendo porque colaborei com o Sesi durante algum tempo e constatei que, na área do serviço social, juntamente com o Senai, são muito bons. Instrumentalizam o jovem para que tenha ao menos o primeiro degrau para firmar o passo, se quiser continuar crescendo.

Pois é, lá vêm as elites outra vez, traiçoeiras, sorrateiras, solapando as bases, de educação em punho, acredita? E isso não vem de hoje. Sempre que inventam moda com essa história de cultura, as elites, com perdão da palavra, ameaçam todo e qualquer governo que quiser manter o povo anestesiado, incapaz de pensar e desmotivado para progredir. Ameaçam toda vez que questionam a justificativa de que está bem assim, se disser nóis vai e nóis fumo, dá para entender, e basta. Hoje, se o cidadão ficar em casa, desocupado, ganha mais das diversas bolsas à sua disposição, do que indo à luta e investindo na sua dignidade. Devo confessar, no entanto, que reconheço que bolsas, malas e cuecas garantem voto, enquanto educação… Bem, podemos conjugar o verbo saber de fio a pavio.

Então, para coroar o domingo, no final da tarde, recebi a visita de um amigo querido dizendo-se pedagogo indignado. Com razão, porque derrubou meu queixo com as notícias que trouxe. Marcos me contou que em sala de aula, pré-adolescentes dizem mais palavrões por minuto do que a Dercy Gonçalves conseguiu dizer em todos os espetáculos de sua carreira. Como ele dá aula de teatro, expressão corporal e também é orientador de sala de leitura –um Dom Quixote– sugeriu aos alunos que suavizassem o texto da peça que estão montando, dando-lhe uma visão mais otimista ao acrescentar uma mensagem de esperança. E eles? Recusaram-se terminantemente, dizendo que não adianta, porque nada na vida tem final feliz.
Estamos falando de crianças!
É isso, Marcos! Enquanto a sociedade questiona os jovens sobre seu desempenho e poder de sedução, você quer saber como eles sentem o mundo à sua volta e como se sentem, cutucando neles a esperança para ver se acordam e se animam a seguir em frente e passam a questionar os reis nus.
Essa sim é uma terrível ameaça.

Pense nisso, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.

Rádio é cenário em romance de Alarcón

Radicado nos Estados Unidos, o peruano Daniel Alarcón participará da Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, que começa nesta quinta-feira. No romance “Rádio Cidade Perdida”, lançado no Brasil pela editora Rocco, o autor fala de um programa apresentado por Norma dedicado à busca de pessoas desaparecidas durante conflitos armados.

O jornalista Ubiratan Brasil entrevistou, por telefone, Daniel Alarcón para o Caderno 2 do Estadão deste sábado e ouviu dele a seguinte explicação para o fato de ter buscado no rádio inspiração para o romance:

“Não, existe um programa desse tipo no Peru. Acho até que há algo semelhante em outros países latinos. É um trabalho comum em cidades que enfrentam esses problemas. Quando eu vivia em Lima, adorava esse tipo de programa pois revela uma verdade sobre a condição humana. Por isso que meu romance tem a rádio como um símbolo de um pensamento muito importante que é o significado de estar vivo hoje em dia”

B92, a rádio da resistência

Eram jovens que tinham em mãos um transmissor e muitos discos. E com estas armas, deram início a uma história de resistência ao regime de Slobodan Milosevic. Com a rádio B92, de Belgrado, enfrentaram duas guerras, sanções econômicas, violência da polícia, crime organizado, neonazistas e quatro tentativas de fechamento por parte do governo. Foram, neste período, acusados de traição, espionagem e terrorismo porque furavam o bloqueio da notícia controlada pelo Estado. Seguem no ar. E com história escrita em livro pelo autor Matthew Collin.

B92 – Rádio Guerrilha, Rock e Resistência em Belgrado, foi lançado em 2006, pela editora Barracuda

Roma tem sua virada cultura

Este é um fim de semana especial para os romanos que vão varar a noite para assistir à quinta edição de “La Notte Bianca” quando cerca de 1 mil artistas de 29 países participam de festas e eventos culturais.

O tema deste ano é “O Mundo Numa Noite” o que justifica a participação de artistas estrangeiros nos 400 espetáculos programados para começar às seis da tarde. Na lista não há nomes brasileiros. Argentinos e colombianos são os representantes da América do Sul.

De acordo com o colega Wálter Maierovitch que vive “exílio” temporário na Itália “como o verão está no fim, os romanos voltaram de férias – as aulas começam segunda-feira- e a grande massa de turistas já partiu, La Notte Bianca promete”

A versão tropicalizada de “A Noite Branca” é a Virada Cultural promovida, anualmente, em São Paulo. Uma iniciativa da cidade de Roma que poderia ser aplicada por aqui é o transporte coletivo de graça para facilitar o acesso aos espetáculos.

Escolas terão área de segurança

Controle na venda de bebidas e cigarro, faixa de segurança sinalizada e faróis funcionando, calçadas preservadas e policiamento. Estas são algumas das ações que o poder público terá de realizar em um raio de até 100 metros no entorno das escolas públicas e privadas de São Paulo de acordo com lei sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O autor do projeto, vereador Eliseu Gabriel (PSB), falou ao CBN SP sobre o risco desta lei se resumir a colocação de placas que sinalizem a área de segurança e necessidade da cobrança do cidadão:

Serra responde a ouvinte-internauta do CBN SP

O governador José Serra, de São Paulo, dispendou parte do seu tempo em uma entrevista coletiva apenas para mandar recado a um ouvinte-internauta do CBN SP que considerou incoerente a crítica de Serra ao Governo Lula pela cobrança de impostos sobre serviços de saneamento.

Vamos ouvir o que disse o governador a propósito da mensagem enviada ao CBN SP pelo ouvinte-internauta José Roberto:

Na edição de quinta-feira do CBN SP, já havíamos noticiado aqui nota do Palácio dos Bandeirantes com a mesma explicação que, à tarde, foi feita em viva-voz pelo governador. Naquela oportunidade já havia ficado com a “pulga atrás da orelha”, pois na nota que a assessoria de comunicação do governador encaminhou ao programa estava, também, a transcrição de parte do texto divulgado por mim. E ali já havia sentido falta de um ponto citado pelo ouvinte-internauta.

Com a gentileza do governador em tratar pessoalmente do tema, me senti na obrigação de ir ao arquivo-morto para verificar o que, realmente, estava dito na mensagem eletrônica assinada pelo ouvinte-internauta.

A impressão que tenho é que o governador, se respondeu baseado na informação que recebeu da assessoria, tenha sido induzido ao erro, pelo menos a um erro parcial. Pois na nota transcrita pelos assessores do Palácio faltava um trecho importante para se entender o pensamento do ouvinte-internauta.

José Roberto concorda com a posição de José Serra na crítica a cobrança de impostos sobre saneamento. Mas alega que no Governo de São Paulo também havia a incidência de impostos sobre o que ele considera ser bens de primeira necessidade. Na frase seguinte explica quais seriam: serviço de saneamento e de energia elétrica. Na nota do Palácio, o segundo ítem, energia, foi esquecido.

E assim o governador que gentilmente esclareceu o primeiro ponto da mensagem para mostrar que a crítica era injusta ao governo dele, acabou não respondendo a propósito da incidência do ICMS sobre serviço de energia elétrica, que na visão do ouvinte-internauta tem a mesma importância que o serviço de saneamento.

E em relação a energia elétrica, que não é saneamento, há cobrança de imposto estadual.

Quanto ao interesse do governador de atender às reclamações de ouvintes-internautas deste programa, só nos cabe agradecer.

Abaixo reproduzo a mensagem do ouvinte-internauta José Roberto e a nota enviada pela assessoria de comunicação do Palácio dos Bandeirantes:

1. José Roberto, ouvinte-internauta

“Olá Milton, bom dia. Você não achou estranho o comentário do governador José Serra, referente a cobrança do Governo Federal sobre o PIS e a COFINS ? Ele disse ser um absurdo. pois, segundo ele, saneamento básico é bem de primeira necessidade e não deveria haver impostos sobre os bens de primeira necessidade. Concordo com ele em gênero e grau, porém ele é o governador do Estado que cobra 25% de ICMS (que na realidade vira 33%), sobre o saneamento e, também, sobre a energia elétrica. Agora, tomo a liberdade de pergunar a você Milton, será que os repórteres, hoje, não possuem mais capacidade para parlamentar com nossos políticos? Pois, falam o que querem e não são questionados. Ou será que estão de olho em um cargo, por exemplo, de assessor de impresa? “

2. Nota da assessoria de comunicação do Governo do Estado de São Paulo:

“Serra é elogiado pela postura, mas criticado pelo ato
(Rádio CBN AM – SP – CBN São Paulo – Boxnet – 05/09/2007 10:15 – Duração: 00m43s)

O jornalista Milton Jung comenta sobre uma mensagem de um ouvinte que defende a postura do governador José Serra de criticar a cobrança de PIS e COFINS pelo Governo Federal, sendo estes tributos pagos por Itens de primeira necessidade. Apesar dos elogios, o ouvinte pede que Serra faça uma
revisão sobre o que é cobrado de ICMS em São Paulo no que se refere a serviços de saneamento.

Em relação ao e-mail da ouvinte, temos a informar que:

1. O Estado de São Paulo não cobra ICMS sobre serviços de saneamento, o que inclui aqueles prestados pela Sabesp.

2. O governo federal, no entanto, cobra PIS/Cofins sobre esses serviços. Só em 2006, por exemplo, a Sabesp pagou 456,7 milhões desse tributo. Ao todo, em impostos federais, a empresa pagou no ano passado R$ 862,6 milhões, valor muito próximo do total reservado para novos investimentos.

3. Estimativas do setor indicam que a desoneração de PIS/Cofins sobre
saneamento liberaria pelo menos R$ 1,4 bilhão para novos investimentos
em todo o país
.”

Em defesa da ocupação da terra improdutiva na cidade

Terrenos vazios, sem moradia ou serventia, são uma contradição em cidades nas quais se verifica deficit habitacional. É comum encontrar em São Paulo, por exemplo, ocupações em áreas irregulares, com famílias vivendo em situação precária, enquanto donos de imóveis ou lotes mantém suas propriedades improdutivas. O cenário se repete na maioria das capitais brasileiras.

O uso do Estatuto da Cidade para promover a ocupação destas áreas nos centros urbanos motiva técnicos e especialistas que participam de seminário realizado em São Paulo. A medida seria uma das formas de se evitar a ocupação dos mananciais que gera graves riscos ao meio ambiente. A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Maria Lúcia Refinetti Martins entende que é preciso mobilizar a sociedade para que os prefeitos passem a aplicar o que está previsto em lei. Na entrevista ao CBN SP, Maria Lúcia lembrou de apenas uma cidade que tem se preocupado com o tema (acesse no link abaixo).

O Seminário Nacional sobre o tratamento de Áreas de Preservação Permanente em Meio Urbano é transmitido pela internet.

Uniforme de vereador: Na busca da notícia

Os jornalistas Eduardo Reina, do Estadão, e Sérgio Roxo, do Diário de São Paulo, dedicam parte das horas de trabalho a levantar informações na Câmara Municipal. Conversam com vereadores, falam com os assessores nos gabinetes, mas é no bate-papo com os funcionários do legislativo que conseguem as “boas” notícias.

Eles participaram da série de entrevistas sobre a mudança de figurino dos vereadores proposta pelo CBN SP para que tenham perfil mais apropriado as necessidades da cidade e do cidadão.

Acompanhe o debate com Reina e Roxo. E prepare sua pergunta para fazer ao presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues, que encerra a série temática no CBN SP desta sexta-feira.