Erramos, mas não nos enganamos

Ao contrário do que registramos neste blog dois policiais foram afastados das funções externas após a denúncia de que o advogado dos bingos Jamil Chokr transportava propina para as delegacias de polícias de São Paulo. Mas não comemore: os dois eram os PMs que encontraram o dinheiro e levaram a denúncia para a Corregedoria. Os outros só sofreram alguma punição neste fim de semana, após reportagem do Estadão.

A informação é do deputado estadual do PV-SP, Olímpio Gomes, em entrevista a Fabíola Cidral, no CBN São Paulo

Tem mais duas subprefeituras e 4 fiscais na lista dos bingos

A quebra de sigilo telefônico do advogado de donos de máquinas de caça-níqueis e bingos Jamil Chokr revelou que ele mantinha contato com funcionários de pelo menos duas subprefeituras de São Paulo, Vila Mariana e Pinheiros, conforme informações obtidas por este blog. Chokr transformou-se em “homem bomba” após ter se envolvido em acidente de carro quando fugia de um suposto assalto. Com ele estavam cerca de R$ 27 mil e uma relação em que aparece o nome de homens de confiança de delegados titulares de 84 dos 93 distritos policiais de São Paulo.

Neste domingo, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), fez a promessa de praxe: haverá punição exemplar no caso de alguma denúncia ser comprovada. O comentário tinha como alvo a revelação de conversas entre o vice-presidente da Associação Brasileira de Bingos, Marco Antonio Tobal, e um outro homem identificado apenas como Jaques que faria a intermediação da propina para que casas de bingo fossem mantidas abertas na região administrada pela Subprefeitura da Sé, conforme informou a Folha de São Paulo, no sábado.

O que Kassab ainda não sabia – e se sabia não comentou – é que pelo menos quatro funcionários ligados as subprefeituras também aparecem na lista de telefonemas do advogado que está em poder da Polícia Federal. Três da Vila Mariana e um de Pinheiros. O fato de o nome deles estarem lá, não significa que tenham envolvimento com atos de corrupção, mas mostra que Chokr arrumava formas de se aproximar das subprefeituras possivelmente para obter benefícios dos fiscais.

Um dos funcionários da Subprefeitura de Vila Mariana, em conversa gravada pelo Jornal da Record, na sexta-feira, negou qualquer relação irregular com Chokr. Explicou que o advogado havia se oferecido para comprar cartazes e informativos anunciando uma atividade desenvolvida pelo órgão. O pedido de doações para empresários, comerciantes e moradores da região parece ser prática comum nas subprefeituras devido a falta de verbas para as atividades.

Coincidência: subprefeitos já falaram em CPI

O subprefeito Nilton Elias Nachle que responde pelos bairros de Alto de Pinheiros, Pinheiros, Itaim Bibi e Jardim Paulista, desde quando tomou posse tem realizado operações que culminaram com o fechamento de casas de jogos, bares e restaurantes. Segundo declarações de Nachle à CPI dos Jogos Eletrônicos “havia 15 bingos em funcionamento na região e 13 estariam fechados”.

Em setembro de 2006, após ação policial, um cassino clandestino foi fechado no Itaim Bibi e entre as pessoas presas estava o bicheiro Ivo Noal. Ele é acusado de ter recebido cerca de U$ 80 mil por mês de mafiosos italianos para operar as máquinas em São Paulo, como informou o presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falconi, Walter Maierovitch, comentarista do Justiça e Cidadania, da Rádio CBN.

O mais famoso bicheiro de São Paulo é tratado por alguns funcionários da subprefeitura de Pinheiros como “Doutor Noal” e identificado como “uma pessoal muito legal”.

O subprefeito de Vila Mariana, Fábio Augusto Martins Lepique, responde ainda pelos bairros de Saúde e Moema. Ele também esteve na CPI que investiga a sonegação de ISS das casas que exploram vídeo-bingo e caça-níqueis. No depoimento, afirmou que apenas um dos 13 bingos da região ainda funciona devido a existência de liminar.

Andrea Matarazzo, da Subprefeitura da Sé, que foi citada na denúncia feita pela Folha, e Paulo Bressan, da Lapa, também estiveram na comissão parlamentar de inquérito.

Governo do Estado demorou para agir em denúncia

No sábado, 26 de maio, quando os jornais estampavam informações sobre o acidente de carro com o advogado dos bingos Jamil Chokr, enviei e-mail para a produtora do CBN São Paulo, Fabiana Boa Sorte, para que acompanhássemos de perto o caso e marcássemos entrevistas sobre o assunto para a edição de segunda-feira. No dia 28, além de entrevista, tratamos do tema no Conexão Rio-São Paulo, chamando atenção para a desconfiança que a Corregedoria da Polícia, responsável pela investigação, tinha da informação de que a sigla DP que aparecia na contabilidade do advogado seria “distrito policial” ou “delegacia da polícia”. Um porta-voz da corregedoria levantou a possibilidade de ser apenas uma ingênua “despesa pessoal”.

Os fatos que vieram na sequência você deve ter acompanhado, afinal uma série de reportagens fori publicada no rádio, nos jornais e nas emissoras de televisão.

No entanto, foram necessários 22 dias, inúmeras denúncias, além do anúncio do jornal O Estado de São Paulo de que 84 dos 93 distritos policiais da cidade fariam parte do mapa da propina, para o Governo do Estado reagir. Foram afastados 20 policiais suspeito de envolvimento com a Máfia do Jogo, designados mais dois delegados da corregedoria para acompanhar a delegada Cíntia Maria, que até agora trabalhava sozinha, e três equipes de investigadores.

Se até um neófito (para ser gentil comigo mesmo) em casos policiais e investigações como este jornalista foi capaz de desconfiar de que havia algo mais do que simples despesas pessoais no carro do advogado, é difícil de entender o descaso do Governo do Estado, Secretaria de Segurança e Corregedoria da Polícia em relação aos fatos. Talvez a reação se explique pelas palavras do delegado-geral Mário Jordão Toledo Leme. Ele disse estar “surpreendido” com a extensão do problema.

Lula deve ter adorado esta do Rio Amazonas

O rádio e a internet foram os primeiros, os telejornais falaram à noite e os jornais logo cedo anunciaram que pesquisadores brasileiros e peruanos teriam comprovado que o Rio Amazonas é o mais extenso do mundo. Os cálculos ainda não estão concluídos mas estima-se que chegue aos 6.850 km, suficiente para superar o Nilo e seus 6.670 km.

Aguarda-se ansiosamente a declaração pública do presidente Lula sobre o fato: “Nunca antes no Brasil, o Rio Amazonas foi o mais extenso do mundo”.

Depois o Serra reclama do pessoal da USP

“Nasceu Gabriella, nova neta de Mônica e José Serra, filha de Verônica e Alex Bourgeois e irmã de Antonio, que escolheu o nome. O avô estava na sala de parto, e foi ele quem entregou Gabriella para Verônica, às 10h15 da manhã, no Einstein. A garota nasceu forte e saudável, e a família está feliz”.

A nota é da coluna Persona, de César Giobbi, no Estadão. Depois o Serra reclama que os estudantes da USP o acusam de ser centralizador, não sabe por quê.

Laura Finocchiaro canta Mário Quintana, no CBN SP

O poeta Mário Quintana terá seus versos cantados por Laura Finocchiaro, gaúcha que há mais de 20 anos mora em São Paulo. Neste sábado, a cantora conversou com Fabíola Cidral, no CBN São Paulo, e, pela primeira vez, mostrou em público o trabalho que pretende lançar no segundo semestre.

Aproveite a entrevista e conheça a música inédita de Laura:

Laura Finocchiaro estará no Centro Cultural São Paulo neste domingo, às seis da tarde (saiba mais em nota deste blog do dia 15/06)

De música e família

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Fui passar o final de semana na casa do meu filho, no extremo sul de Minas Gerais. Ele mora com a família, no topo de uma montanha cercada de vales, de outras montanhas e da natureza toda, com a qual convivem respeitosa e agradecidamente.
Sempre aprendo, e aprendo muito lá.
No final da tarde de sexta-feira estava lendo, tranqüila na sala, quando comecei a ouvir meu filho no banheiro, administrando um de sete, um de cinco e uma de três, no banho. Foi muito interessante.
O resultado era um quarteto afinado, composto de uma só família de instrumentos que emitiam sons completamente diferentes. Ouvi de gritos de Tarzan a choro, e risadas de quase perder o fôlego. Às vezes meu filho, o primeiro violino, conseguia um solo surpreendentemente calmo e equilibrado, mas era por pouco tempo porque os outros instrumentos se atiravam literalmente em cena. Os movimentos da peça eram inesperados e surpreendentes. Tinham começado hesitantes, na entrada do banheiro, num adagio ma non troppo, e crescido até chegarem ao allegro. Tudo indicava que haveria um segundo movimento, mas não demorou para que quebrassem todas as regras e ziguezagueassem entre extremos.
Sem anúncio prévio nem sutil indicação, um ou outro instrumento se retirava do conjunto, por espaços de tempo descompassados, e o andamento continuava surpreendendo.
Havia ais, havia uis, havia sai daí que agora é minha vez, e olha ele pai! E eu, de camarote, sorria, me deliciando. Lavou bem a orelha filho? Ai pai, meu olho! Enxuga bem no meio dos dedos. Deixa eu ver atrás da orelha. Ai!
Quando estavam todos vestidos e cheirosos, meu filho pediu para eu secar os cabelos da criançada, e plugou o secador na tomada ao lado do sofá onde eu tinha sentado para ler.
Terminada a tarefa, dei graças aos céus por serem só três cabecinhas molhadas. Era o meu limite. Os cabelos da pequena, além de longos, finos e loiros, são cacheados. Bastaria um deslize para que eu perdesse pontos preciosos da sua confiança.
Entrei no quarteto, no meio de nova execução, quando fui à saleta de televisão onde se acomodavam para ver um filme, com o pai. Não demorou para eu perceber que a melodia resultante era bem diferente da que eu ouvira antes, vinda do banheiro. Saí de cena para testar e percebi que a melodia recobrava a harmonia original.
Tomei então a decisão de conter meu instrumento. De hoje em diante vou tocar mais baixinho, acompanhando mais do que solando. Quem tem ensaiado junto todos os dias, ano após ano, tem maestria do conjunto. Eu não. Sei que toco bem, sem falsa modéstia, mas no conjunto, sem ensaio, faço apenas o que posso, e de improviso, no momento da apresentação. Nunca tinha olhado para nós mesmos, através dessa lente. Gostei. Não posso dizer que vejo mais, mas seguramente vejo melhor.
Quem disse que vovós e vovôs não ouvem e não vêem bem?
Pense nisso, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano

Denúncia de corrupção na Subprefeitura da Sé

Acompanhe trecho da reportagem da Folha de São Paulo sobre o diálogo entre o vice-presidente da Associação Brasileira de Bingos e Jaques, intermediário de suposta propina paga a fiscal da Subprefeitura da Sé para manter casas de bingo abertas. A conversa teria ocorrido em 9 de fevereiro deste, às 3 e 15 da tarde.

“E o tiule para dar pra esses putos?”, pergunta Jaques – tiule é a gíria de cadeia e de travesti para designar dinheiro.
“Ah! Manda vir pegar, né?”, responde Tobal. Ele diz que o pagamento era para o despachante Jaques.
Na conversa, Jaques avisa Tobal que um determinado bingo pode voltar a operar -a Folha apurou que se trata do Sampa Bingo, na avenida Ipiranga, área sob a jurisdição da Subprefeitura da Sé: “O que foi conversado foi a nível de subprefeitura. Você derruba as paredes, eles não vão mais te incomodar”, conta Jaques.
A parede derrubada era a que havia sido erguida pela subprefeitura em 8 de fevereiro porque o bingo desrespeitara a ordem de fechamento. A conversa gravada pela PF foi no dia seguinte. O lacre definitivo do bingo só ocorreu em 27 de abril, 77 dias depois da conversa.
Logo em seguida, ele cita o preço do negócio: “Ficou 30 cruzeiros!”, um valor que policiais acreditam ser R$ 30 mil.
“Puta vida! É muito! Duas de dez eu topo”, propõe Tobal. “Eles tinham pedido 50, bicho, nós que quebramos para 30”, rebate Jaques.
Tobal quer saber quem autorizaria a abertura: “Reginaldo”, responde Jaques.
Há pelo menos três Reginaldos na Subprefeitura da Sé. O mais graduado na hierarquia do órgão é Reginaldo José Fazzion, supervisor de fiscalização.

Como não seria recomendável aparecer na subprefeitura, Tobal indica uma pessoa para fechar o negócio -Willian Rossi. “Esteja lá na subprefeitura do centro e aí você vai encontrar com o rapaz, depois você vai com o Willian lá no bingo e pega os valores, tá bom?”, ordena. Segundo Tobal, Rossi é o dono daquele bingo.

Mais informações:<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1606200701.htm
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