CBN São Paulo: Ouvintes-internautas com a palavra

Os caminhos abertos para pessoas com deficiência física foi um dos temas debatidos no CBN São Paulo, nessa sexta-feira, que foi apresentado do estúdio montado na Conferência Internacional de Empresas e Responsabilidade Social, promovida pelo Instituto Ethos, no Hotel Transamérica. Participaram o consultor João Ribas e Priscila Neves, que falaram sobre o trabalho desenvolvido na Serasa, a vereador Mara Gabrilli (PSDB), que relatou ações adotadas na cidade de São Paulo, e o fotógrafo e cineasta Renato Freitas, que está com mostra em São Paulo e atua em defesa de crianças com AiDS (veja mais sobre ele neste blog)

O estúdio itinerante da CBN foi adaptado para atender as pessoas com necessidades especiais, uma medida que será adotada em todos os locais em que a emissora montar sua estrutura (veja foto)

Durante o debate alguns ouvintes-internautas também deram sua opinião sobre o tema. Acompanhe:

“Tenho uma filha cadeirante, 22 anos, formada em pedagogia com habilitação em educação infantil na PUC-SP. Ela procura trabalho em escolas ou estágio, desde o 3o ano, e não consegue. As escolas pequenas não tem estrutura; as grandes, nem chamam para entrevistas. Há casos de escolas que quando a vem na cadeira de rodas, falam: “chiiiiiiiiiiiiiiiii, como voce vai cuidar das crianças ?” Ela foi voluntária de uma creche por cinco anos. Quando se formou e cogitou a possibilidade de ser contratada, ouviu : “Não é possível…”. Além de concursos, que chances ela tem ? Como conseguir ser pedagoga ? A inclusão melhorou muito para alunos, mas professores ?” (Magali Camargo).

“Meu pai tem paralisia infantil, porém a vida toda ele trabalhou. Numa época, ele trabalhava à noite, noutra era de dia, saía de casa às quatro da manhã. Lembro que ele sempre sofreu discriminação, “o aleijado”, o “manquinha”, entre outros, porém levantava a cabeça e ia em frente. Ao meu ver, sempre achei que deficiente é aquela pessoa que não procura o que fazer da vida e que, simplesmente, fica esperado pela caridade dos outros, pois quem quer algo de bom em sua vida tem que correr atrás.” (André Luís)

“Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para denunciar as montadoras que, de acordo com a lei, deveriam montar os carros para deficientes conforme as necessidades exigidas pelos laudos e pelo próprio DETRAN. Porém, se for exigido um carro com câmbio automático as mesmas só nos oferecem carros não populares. Até o ano passado, a GM fabricou o Corsa 1.6, agora nem sob encomenda ou por necessidade. Não é estranho? Nos carros mais caros podem ser instalados e para qualquer tipo de pessoa, mas para nós que necessitamos não é possível“ (Elias Moura)

A redenção pelo sexo e pela religião na cidade triste

Por Wellington Ramalhoso

Sabe aqueles relatos de sexo, confissões entre amigos, entre amigas, textos em revista, na internet? Muita autocensura, não é? E muito exagero também, não é? São os relatos mais imprecisos que existem. Ou é muito mais ou é muito menos do que aquilo que contam. E quando se faz tanta questão de relatar um bom sexo é porque, na média, as coisas não vão ou não iam muito bem. O mais provável é que as coisas realmente não sejam tão espetaculares, assim como não é tão garantido o passaporte para o paraíso.

Não era sobre isso que eu ia falar, mas sei lá por qual motivo isso me veio à cabeça.

O que queria dizer é que atravessaram as pontes e viadutos da Cidade triste, lotaram os ônibus e os trens, fecharam as ruas. Milhões… E não era pra trabalhar. As avenidas foram tomadas pela multidão. Ou melhor, por duas multidões. Multidões furiosas, ávidas pela chance de se manifestar. E não era pra derrubar ou formar governo, não era pra comemorar título nem pra cortejo fúnebre.

As multidões não se encontraram. Uma celebrou a religiosidade no feriado de quinta-feira, Corpus Christi, e a outra celebrou a liberdade sexual três dias depois, no domingo.

Assim tem sido nos últimos tempos na Cidade Triste. As duas multidões crescem a cada ano como se houvesse uma competição entre elas. Mas não duvido de que existam os que participem das duas celebrações. Assim como há os que participam mesmo sem um vínculo forte com as causas em questão.

A marcha evangélica e a parada gay se popularizam, tornam-se tradicionais. Viram um colosso, como tudo na Cidade Triste. Cidade livre? Cidade celebrada? Cidade ainda triste.

Nenhuma das multidões hasteou a faixa “Basta de corrupção!!! Prisão aos criminosos do colarinho branco!!!”. Nem a “Chega de desigualdade e miséria” nem a “Estatizem tudo” nem a “Privatizem tudo”. Nem mesmo se viu a faixa “Moradia já, Saúde agora, Educação imediatamente”. Nem ao menos a trivial “Justiça!” foi carregada.

As multidões não gritaram pela restrição aos carros nem por mais investimentos em transportes para a melhoria da circulação pela Cidade Triste. Não clamaram pela limpeza dos rios nem pela construção de mais parques. Não bradaram contra a violência dos bandidos e da polícia. Não urraram por mais lazer e espaços públicos.

Mas o que significa mesmo ler nas entrelinhas? O que dizem e pedem, então, as multidões em suas espetaculares marchas pela Cidade Triste? Pedem respeito à sua fé e à sua orientação sexual? Sim, pedem. Pedem porque carecem de espaço público e liberdade, carecem de festa e lazer.

Não é de admirar que a religião e o sexo impulsionem as maiores manifestações populares da Cidade Triste. As multidões pedem respeito porque, conscientemente ou não, sabem que a religião e o sexo são dois dos últimos refúgios onde se abriga o indivíduo que se vê num ambiente violento, restritivo, insalubre e deplorável.

“O mundo é bárbaro e corrupto, mas Deus me conforta, tenho orgulho disso e me deixa orar, irmão!” “O mundo é desigual e miserável, mas o sexo me redime, tenho orgulho disso e me deixa pelo menos trepar!”

Não é tão simples assim, mas o mundo é amargo mesmo e o que é ruim fica pior e monstruoso na Cidade Triste, megalópole mal-amada do terceiro mundo (ou quinto?). A cidade toda é uma grande Carençolândia*.

Talvez isso seja uma nova configuração de tradições. A marcha evangélica vai ocupando o lugar das celebrações católicas e a parada gay deixa na poeira o Carnaval da cidade sem-Carnaval. Tudo ampliado e mais agudo dentro desse caldeirão traiçoeiro.

E o tempo foi passando, o texto foi acabando e não consegui arrumar uma explicação para aquele começo. Deixa ele lá.

*Expressão criada pelo jornalista, escritor, ator e compositor Xico Sá.

Wellington Ramalhoso é jornalista da Rádio CBN, tem talento nas letras e texto postado em http://www.jornalirismo.com.br

Laura Finocchiaro para embalar o fim de semana

Prá pensar nos prazeres do fim de semana, ouça a música de Laura Finocchiaro que apresenta seu novo show “Amor Absoluto”, neste domingo, dia 17, no Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, 1000, às seis da tarde.

Laura é destaque, também, do CBN São Paulo deste sábado, apresentado pela Fabíola Cidral, a partir das 9 horas.

A música é Link de Laura e Leca Machado:

Metrô x Serra x Justiça. E nós com isso ?

?

O metrô parou e o bode expiatório do governador de São Paulo José Serra (PSDB) foi a justiça do Trabalho. Para Serra foi a demora na ação do TRT que levou o caos a cidade na quinta-feira. A vice-presidente Judicial do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região (SP), juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva devolveu a crítica.

Este blog foi buscar a opiniao de quem sabe das coisas e publica a opinião do presidente do Instituto Brasileiro Goiovanni Falconi, Walter Maierovitch, comentarista do quadro Justiça e Cidadania, que vai ao ar na CBN, terças e quintas, logo após as 11 da manhã.

Leia e participe desta discussão:

Jogo do Empurra.

“Empurrar” responsabilidade para terceiro a fim de não “queimar o filme” com os eleitores é comum nos políticos, em especial quando estão em cargo de chefia de poder de estado: presidente, governadores, prefeitos.

Depois da trapalhada que motivou a grave na USP, o governador Serra fez de tudo, –até inusitado decreto declaratório–, para “tirar o corpo”. Jogou todas as fichas no diversionismo, para atribuir falta de causa à parede. Na greve do metrô, foram meses de negociações sem que o governador Serra trabalhasse com a previsível hipótese de greve.

Mas, se nos políticos, especialmente nos carreiristas, é hábito procurar transferir responsabilidades, parece que essa reprovável postura começou a fazer escola na Justiça.

A juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva, vice-presidente do TRT, agarrou-se em interpretação particular do código de processo para tentar justificar seu atraso em decidir questão de máxima urgência.

Questão urgente, quer jurídica quando médico-hospitalar, exige rapidez e consciência. A melhor interpretação do código, em atenção ao que o romanos chamavam de “periculum in mora” ( perigo na demora), é de até 5 dias. Conforme o caso, em minutos ou poucas horas. No caso da juíza Wilma, como ensina a sabedoria popular, “era para ontem”, ou seja, um dia antes da greve.
Quanto ao mais, a juíza esqueceu que o Judiciário é chamado para decidir questões da “polis”, ou seja, políticas: da cidade, do cidadão, do estado, dos partidos e quejandos.

Cidade Limpa: empresa ganha da prefeitura na justiça

Depois de uma seqüência de derrotas, uma empresa de publicidade externa consegue vencer a prefeitura de São Paulo na Justiça e garantir a permanência de seus anúncios na cidade. O juiz Marcelo Sérgio da 2ª Vara da Fazenda Pública deu razão a reclamação da Publitas Mídia Exterior Ltda considerando a administração municipal incompetente para impedir o exercício da função de empresa regularmente constituída.

Justificou assim o juiz em parte da sentença publicada no Diário Oficial:

“Todos nós sabemos, sobretudo em época de torrenciais chuvas, que as embalagens plásticas (PET) causam grande poluição nos rios que cortam o Município. Poderia, então, com vistas à proteção do meio ambiente e precaução contra enchentes, proibir, no território municipal, a fabricação dessas embalagens? Ou seja, no exercício de sua competência, deve a Municipalidade zelar para que a mídia externa não venha a causar prejuízo ao meio ambiente, e não, por incapacidade fiscalizatória, coibir a atividade econômica”.

A prefeitura ainda pode recorrer da decisão.

Denúncia de exploração infantil, em Minas, dá prêmio à CBN

Empresas mineradoras da região de Ouro Preto, em Minas Gerais, usam mão-de-obra infantil na coleta da pedra-sabão ou rocha de talco, como também é conhecida. Este material serve de base para o artesanato produzido na localidade de Mata dos Palmitos e conhecido em todo o Brasil. A repórter Luciana Marinho denunciou o crime que é cometido contra as crianças do lugar em uma série de reportagens que foi ao ar no CBN São Paulo.

Nesta quinta-feira, “Crime e Responsabilidade na Era da Pedra-Sabão” recebeu o prêmio Ethos de Jornalismo, na categoria rádio.

Vale a pena reservar 10 minutos do seu dia para ouvir esta reportagem:

Fotógrafo brasileiro flagra “corpo e alma” em mostra

“Estimular o observador à discussão existente entre a matéria e o espírito” é o objetivo do trabalho inédito apresentado pelo fotógrafo e cineasta Renato Freitas, em São Paulo. Vivendo em Nova Iorque, Freitas traz para o público brasileiro uma técnica especial desenvolvida sem recurso digital. A mostra “Body & Soul” está no Cultural Blue Life, na avenida Brasil, 298, de segunda a sexta, das 10h às 19h, até o dia 7 de julho.

Renato Freitas participou do CBN São Paulo, desta sexta-feira, apresentado da Conferência Internacional de Empresas e Responsabilidade Social, no Hotel Transamérica. Admire, neste blog, duas das fotografias que fazem parte da mostra. Mais informações acesse http://www.renatofreitas.com.

Caia fora da Paulista

Estudantes e funcionários da USP vão arrumar sarna para se coçar. Nesta tarde, 14 horas, plena sexta-feira, com a cidade ainda complexada pelos mais de 170 km de congestionamento provocados pela greve no metrô, eles farão protesto na avenida Paulista.

Manifestação daquelas para deixar o mais esquerdista dos paulistanos irritado.