Mundo Corporativo: João Paulo Figueira, da Special Dog, ensina como fazer uma transformação cultural em empresas que não têm o ESG no DNA

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“Inovação é premissa para sustentabilidade” 

João Paulo Figueira, Special Dog Company

A sustentabilidade está no DNA da empresa. Quantas vezes, você já ouviu essa frase? Dezenas? Talvez, centenas de vezes! A ideia é convencer as pessoas de que a empresa nasceu predestinada a atuar dentro das normas que pautam a governança ambiental, social e corporativa — mesmo que nem sempre a afirmativa expresse a verdade. De tão comum na fala de presidentes, CEOs e gestores, quando algum líder começa a entrevista dizendo o inverso disso, ficamos surpresos. Foi o que aconteceu na conversa com João Paulo Figueira, gerente de desenvolvimento sustentável na Special Dog Company, no quinto episódio do Mundo Corporativo ESG:

“A Special Dog Company vem de uma trajetória de 21 anos e se eu falasse aqui que a sustentabilidade está no DNA da Special Dog, eu estaria mentindo”.

João Paulo disse que a ideia de sustentabilidade foi sendo construída ao longo do tempo. Em 2014, por exemplo, a empresa entendeu que a gestão voltada para o lucro e rentabilidade faria sentido se esta fosse um meio para se conquistar algo maior, se estivesse pautada na responsabilidade socioambiental, na mitigação do impacto ambiental e no aprofundamento de uma relação mais harmoniosa com as pessoas e o planeta. Um ano depois, foi criado o departamento de desenvolvimento sustentável, liderado por ele com a proposta de impulsionar uma transformação cultural no grupo, que nasceu há duas décadas na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo:

“Inicialmente (transformação cultural) do nosso público interno, dos nossos colaboradores, mas com o passar dos anos isso foi extrapolando os muros da empresa e chegando até a nossa cadeia de valor, fornecedores, clientes, a nossa comunidade”. 

Foi em 2017, que o ESG passou a fazer parte da estratégia de negócio da Special Dog, com as intenções e ações ocorrendo de forma transversal, ou seja, com cada gestor e líder assumindo a responsabilidade de incluir atitudes sustentáveis em suas áreas e ‘cascateando’ isso para todos os públicos que estão ao seu alcance.

Zootecnista por formação, tendo migrado para a área de sustentabilidade após nove anos atuando dentro de sua especialidade na Special Dog, João Paulo identifica dois movimentos que exemplificam o compromisso assumido pela empresa na agenda ESG. 

Um deles é a redução do uso da água nos seus processos e a consequente resiliência hídrica, causada por essa mudança. Até 2020, a gestão hídrica era vista de forma parcial, com o consumo de água atrelado ao volume de produção; agora, a empresa passou a olhar o consumo de água de forma absoluta, o que permite que se identifique o impacto real provocado na bacia hídrica e se tenha metas mais apropriadas para se alcançar redução no consumo de água. 

“Nós queremos aumentar em 60% o uso de fontes alternativas de água até 2025 e reduzir em 50% o uso de água potável, até 2030”.

O outro projeto destacado por João Paulo, batizado de “igual para igual”,  tem como foco a diversidade e a inclusão:

“Estamos no estágio inicial para a equidade de gênero. Assumimos um  compromisso público com a Rede Brasil do Pacto Global de avançar com o número de mulheres em cargos de alta liderança até 30%, em 2025. Nós estávamos, em 2019, com 18%, ja chegamos a 23,3%, e esperamos atingir 25% ainda este ano”.

Uma indústria voltada para a fabricação de alimentos PETs não poderia deixar de atuar em frentes que beneficiam os animais de estimação. Um dos programas desenvolvidos dentro da agenda ESG é o ‘Doe Amor’, em que a Special Dog incentiva, através de serviços de comunicação, cerca de 3 mil médicos veterinários e púbico em geral a levarem seus cães e gatos a doarem sangue, beneficiando cerca de 60 instituições, tais como hemocentros e bancos de sangue.

Já falei parágrafos acima que João Paulo é zootecnista por ‘nascença’ e gestor de sustentabilidade por ‘vivença’. A trajetória profissional dele, é motivo de inspiração para outros profissionais que estejam, neste momento, prospectando o mercado de trabalho e identificando oportunidades de emprego que o tema ESG, cada vez mais presente nas empresas, possa gerar:

“O guarda-chuva de sustentabilidade ou ESG, ele é muito amplo, então é um conhecimento genérico que é importante de entender todas as interfaces, de conhecimento, mas sem dúvida nenhuma é necessário trazer foco e priorização ao trabalho. Ter um conhecimento amplo, mas focar naquilo que tem mais sinergia com o negócio da empresa”.

Assista à entrevista de João Paulo Figueira, gerente de desenvolvimento sustentável na Special Dog Company e tutor de dois cães, a Belinha e a Pandora — das quais mantém ‘guarda compartilhada’ com a esposa e as filhas.

O Mundo Corporativo tem a colaboração do Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: o cronista da cidade a bordo de seu táxi

Márcio Câmara

Ouvinte da CBN

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Nasci no Canta Galo 1968, periferia da zona Oeste. Filho de Manuel e Maria, portugueses da Ilha da Madeira — um berço pesado, racista, machista e uma vida muito difícil. Papai tinha um bar.

Lembro do carro de doces: fazíamos a roda em volta pra ganhar doces quebrados; depois passava o carro que trocava garrafa por pintinho ou pirulito — para mim era muito bom, o que não faltavam eram garrafas no bar do pai. 

Rodávamos pião, jogávamos bolinha de gude, brincávamos de mãe da rua, balança caixão, esconde esconde  …

Eu era ótimo em história e redação. E aos dez anos, vendia sorvete e sonhos de padaria,  se eu quisesse comprar uma roupa melhor ou um tênis novo. Aos 14, já era registrado numa padaria e deixava metade do salário em casa. Depois fui office boy, indo para todos os cantos de São Paulo. O centro me deixava de boca aberta — especialmente diante do Teatro Municipal, da Galeria do Rock, da loja do Mappin.  

Foi na avenida São Luiz em que assisti ao meu primeiro filme, no cine Metrópole. Cinema era minha atração. Entrei onde não devia e assisti a alguns filmes pornôs, que já ganhavam espaço nas salas de cinema. Um dia entrei um cinema que estava vazio e deparei com o filme de Mahatma Gandhi, aquilo sim foi emocionante e ficou na memória.

São Paulo era divina. As pessoas se vestiam bem para passear no centro. Havia o Latitude 3001, uma caravela-balada, na 23 de Maio. O Carnaval era na Rio Branco com a São João. 

Hoje aos 53 anos, taxista há 16,  sigo rodando por todos os cantos da cidade, vendo de tudo na rua e levando todos os tipos de gente em meu táxi. 

Não conclui meus estudos, mas sempre tive o sonho de escrever. Achava que não seria capaz. Mas São Paulo é quase um país de tantas oportunidades. Comecei, então, meu primeiro livro: cataloguei cadeirantes de semáforos, que eu via na rua por anos e anos. Escrevi sobre eles: Anjos da Rua. Alguns voluntários me ajudaram na revisão e diagramação; e logo consegui dinheiro com três clientes para publicar a primeira edição com mil exemplares. 

Os livros foram doados para os personagens, dez deles vendiam os exemplares pelas ruas — o que o fez chegar as mais diversas mãos.

Como é grande a magia da cidade, fui chamado no Museu da Pessoa; depois pela Fabiola Cidral e o Cid Torquato, na CBN; fui convidado para congresso do Senac; TV Brasil, Cultura, Record. Na Band com o Megalli. Nas revistas. E do saudoso Gilberto Dimenstein, ouvi: “entre 55 mil taxistas de São Paulo, Márcio faz a diferença com seus livros”.

Já escrevi sete. Do Anjinhos da Rua, nove mil exemplares doados. E tudo graças a São Paulo, a cidade com algumas deficiências e cheia de oportunidades e maravilhas.

Márcio Câmara é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: jogando juntos!

Grêmio 2×0 Novorizontino

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Janderson comemora diante da torcida, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foram necessários dois gols para valer um. Dois pênaltis no mesmo minuto, para um ser sinalizado. Trinta e oito dias para a primeira vitória. E 450 minutos para balançarmos a rede. A despeito de tudo isso saímos com os três pontos que precisávamos para ficarmos ao alcance do G4, que nos colocará de volta à Série A.  

E, às vezes, uma vitória só é suficiente para que se crie um novo horizonte — sem trocadilho com nosso adversário dessa noite de terça-feira. O próprio capitão Geromel — que zagueiro, #meodeosdoceo — falou ao fim da partida: o que até então eram quatro jogos sem vitória, transformou-se em cinco sem derrota. Assim como o que antes era limitação, agora é superação; e os todiados, Thiago Santos e Janderson que o digam, são aplaudidos.  

São os poderes de um gol (no caso dois) e de uma vitória que vinham nos fazendo falta nas últimas semanas e fizeram aumentar a pressão contra Roger, a quem não se queria dar tempo para trabalhar, mesmo que se saiba das dificuldades para reestruturar um time ainda impactado pela tragédia do ano passado. Aliás, recorro mais uma vez às palavras do nosso capitão que chamou atenção, ao fim da partida, ao fato de o time estar dando sinais de que está mais sintonizado com as demandas da Série B — o que já se havia assistido na partida anterior.

Agora, espera-se que também o torcedor entre em sintonia com a Série B, por mais que essa situação seja incômoda para todos nós. Se faltava uma mensagem da equipe o recado foi emitido, dentro e fora dos gramados. Edílson revelou que os jogadores pediram à direção para que se reduza o preço dos ingressos com a intenção de aumentar o público nas partidas em casa, como estamos vendo acontecer com alguns dos clubes que estão no topo da tabela.

Está mais do que na hora de o Grêmio e sua torcida colocarem em prática o lema proposto pelo marketing do clube para esta temporada: “quando time e torcida jogam juntos, ninguém mata o que é imortal!”

Diante do sofrimento e da morte, o sentido da vida!

Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

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“Nunca e jamais importa o que nós ainda 

temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente 

o que a vida espera de nós”

Viktor Frankl

No livro “Em busca de sentido”, Viktor Frankl, médico psiquiatra e judeu, descreve sua experiência nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa obra, Frankl faz uma análise sobre a vida e os comportamentos humanos, destacando situações extremas, envolvendo sobretudo o sofrimento e a desesperança. Ele mesmo havia perdido o pai, a mãe, o irmão e a esposa nos campos de extermínio de judeus; passou fome, frio e sofreu inúmeras agressões. 

A morte parecia óbvia naquela condição. 

Frankl sobreviveu e nos deixou não apenas um relato, mas uma profunda reflexão sobre como as pessoas conseguem reagir e encontrar um sentido para a vida, mesmo após experiências tão devastadoras.

Pessoas que passaram pelo holocausto. Pessoas que são vítimas de violência, de guerras, de inundações e deslizamentos de terra… pessoas que muitas vezes não têm mais o que e nem como. 

Não negam ou minimizam o seu sofrimento numa tentativa de discurso positivo. Ao contrário, o encaram minuciosamente. Recolhem seus cacos e descobrem que apenas uma nova versão de si mesmos possibilitará construir um novo caminho. 

Caminho que demanda aceitação. Caminho que exige autocompaixão pela impotência de mudar o passado.

Com o coração rasgado em dor e um vazio na alma, experimentam uma espécie de morte, de quem se era, de quem se pretendia ser… Mas conseguem renascer.

Não é à toa que o mito da fênix é usado para explicar essa condição humana: um pássaro que após morrer ressurge das próprias cinzas, possuindo uma capacidade incrível de suportar cargas muito pesadas durante o voo.

Assim como a fênix, essas pessoas ressurgem porque não se ancoram no passado, mas porque encontram no futuro um convite à vida, numa possibilidade de ir além de si mesmas.

Buscar um sentido para a vida não se restringe ao alcance de um objetivo ou meta específica: envolve inteireza! Envolve compreender a vida em sua totalidade, incluindo o sofrimento e a morte que dela fazem parte, mas sem perder de vista as oportunidades e felicidades que ela também nos oferece.

Não há protocolos para se lidar com as fatalidades da vida. Não há preparo prévio para se lidar com o sofrimento. Cada um será capaz de reagir à sua maneira. Como nos ensinou Frankl: “Quando já não somos capazes de mudar uma situação (…), somos desafiados a mudar a nós próprios”.

Aceita o desafio?

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite, no Blog do Mílton Jung. 

Votar para senador é essencial

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

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         As disputas senatoriais brasileiras, embora revestidas de inequívoca importância, inúmeras vezes ficam relegadas a um plano secundário no curso das campanhas eleitorais e da atenção dos eleitores, sobretudo em determinadas faixas etárias. Esse fenômeno, que ocorre inclusive diante de situações onde há o dilema de muitas opções, é de nítida percepção a cada pleito que se sucede e tem algumas causas passíveis de abordagem. Essas, por sua vez, em função das características que reúnem, podem ser situadas em dois blocos distintos.

         De plano, é pertinente ressaltar que não obstante o Senado brasileiro ser considerado por estudiosos e analistas, inclusive internacionais, um dos mais poderosos dentre as democracias contemporâneas, o seu desempenho frustrante em torno de significativas demandas da sociedade tem gerado indignações. Outro componente a depreciá-lo está nos mandatos de quase uma década, os quais, por ficarem petrificados no tempo, distanciam os senadores da população. Some-se a isso o histórico atribulado das últimas legislaturas, lotado de cassações, escândalos e afastamentos, e o resultado não pode surpreender: há um considerável desinteresse do povo pela Câmara Alta do Congresso Nacional.

         Relativamente ao prisma eleitoral, a situação não se apresenta diversa. Primeiro, porque diante de alguns contextos eleitorais mais complexos, determinadas pelejas senatoriais ficam espremidas entre as escolhas do eleitorado quanto aos cargos de deputado, governador e presidente. Depois, que os debates de rádio e televisão em torno das cadeiras a preencher, a par de escassos, raramente desfrutam da mesma audiência daqueles que são proporcionados aos candidatos que rivalizam pelo Poder Executivo. Por fim, verdade seja dita, a maioria da população infelizmente desconhece as atribuições exercidas pelos senadores, mesmo aquelas mais comezinhas.

         Inquestionavelmente, o voto para senador deve ser mais valorizado. A realidade exige cada vez mais uma postura com esta conscientização. Indispensável ter presente que o Senado Federal detém atribuições constitucionais estratégicas, muitas vezes cruciais para o país. Nessa perspectiva, é essencial avaliar criteriosamente tanto os perfis quanto as promessas versadas por aqueles que pretendem apresentar projetos, votar impeachments, sabatinar candidatos aos tribunais superiores, arguir presidentes do Banco Central e numerosas outras matérias de impacto na República. Em síntese: são poucos meses de atenção ou omissão por parte do eleitor que definem oito extensos anos de mandato.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (Editora Juspodivm, 2022).

Mundo Corporativo: “empresas sustentáveis, são mais rentáveis:”, diz Fabio Alperowitch, da Fama, pioneiro na agenda ESG

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“Muitas empresas acham que mudar o logotipo no mês de junho para um arco-íris ou se posicionar em relação a um ou outro tema, já seja o suficiente. Quando na verdade, a gente está longe disso. Então, vejo muito bons exemplos, sim; mas ainda muito circunscritos a determinadas empresas”.

Fabio Alperowitch, Fama Investimentos

O que sua empresa estava fazendo em 1993? Sustentabilidade já era assunto na roda de conversa da diretoria? As ações, produtos e serviços consideravam o impacto que causavam no meio-ambiente? Ok, ok! Você pode dizer que naquela época — se é que a sua empresa já existia —- ainda era “tudo mato” no que se refere ao tema da preservação, escassez de recursos e responsabilidade ambiental, social e corporativa. Não dá pra negar, porém, que muita gente já estava preocupada com o futuro do planeta.,

Para refrescar a sua memória, o país acabara de sair da Eco 92, a primeira  Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, que reuniu 178 chefes de governo, uma quantidade incrível de estudiosos e curiosos, divulgou pesquisas e metodologias de preservação e teve uma cobertura jornalística internacional —- ou seja, todos nós havíamos sido alertados de forma contundente sobre o que se avizinhava, os perigos que estávamos causando ao planeta, a necessidade de revisão no modo de produção e os impactos na qualidade de vida (na nossa qualidade de vida). Quem teve ouvido e coração, entendeu o recado.

Fabio Alperowitch e mais 19 amigos, parece, foram sensibilizados por esse debate. Em 1993, com cada um colocando sobre a mesa US$ 500, formaram um fundo de investimento para ser gerenciado por ele e Mauricio Levi, que tinham acabado de fundar a Fama Investimentos. Quando os dois criaram a empresa, assinaram um compromisso com 10 mandamentos, dentre os quais, o de não investir em empresas que ferissem seus princípios.

“Eu acho que a gente precisa desconstruir a imagem de que o ESG seja algo novo. Os fundamentos e pilares do ESG já existem há muito tempo. A primeira vez que foi utilizada a palavra sustentabilidade, e de uma maneira formal, foi no século XVIII, mas o mundo corporativo e o mercado financeiros tiveram muito distantes dessa pauta até muito pouco tempo”.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo ESG, Fabio Alperowitch revelou uma certa ambiguidade de sentimentos diante do assunto da governança ambiental, social e corporativa. Assim como revela entusiasmo pela trabalho que desenvolve — até hoje, se mantém à frente da Fama, fiel a seus princípios e promotor da causa —, também se faz reticente quanto ao envolvimento das empresas no assunto:

“No Brasil, ainda predomina uma dicotomia falaciosa de que empresas e investidores entendem que existem dois caminhos antagônicos, no sentido de, ou você é responsável ou você é rentável — o que não é verdadeiro. É exatamente o contrário: as empresas mais rentáveis, também são as mais responsáveis. Então, o caminho da responsabilidade traz também rentabilidade”.

Não dá para negar que o envolvimento das empresas na agenda ESG —- pelo amor ou pela dor — aumentou. Os números da Fama mostram isso: hoje R$ 2,8 bilhões estão sob gestão num fundo de ações, em que apenas empresas que passam pela rigidez dos critérios de governança são aceitas. Ainda é pouco e a maioria do aporte financeiro que está no fundo vem do exterior, de investidores que confiam na seleção de ativos feita pelos gestores. A despeito desse interesse, nem sempre genuíno, Alperowitch lamenta a pouca evolução alcançada:

“Os grandes indicadores ambientais e sociais, apesar de tudo que a gente tem ouvido sobre ESG, não estão melhorando … e os poucos que melhoram são a passos bastante tímidos. O mundo não está emitindo menos gases de efeito estufa; a diversidade está melhorando de forma muito periférica; a gente não está reduzindo a desigualdade social;  não está melhorando o nível de acidentes do trabalho”

Aos que ainda não perceberam que o mundo mudou e as exigências e necessidades são outras —- sendo a gestão sustentável em todas as suas dimensões o único caminho viável —-, Alperowitch alerta para a transformação que está por vir com a chegada da Geração Z no mercado de consumo. Há tendência de uma redução e uma revisão na maneira de consumir, com compras sendo feitas baseadas nos valores que pautam esses jovens:

“Ela (Geração Z) não vai comprar produtos de empresas que estejam na cadeia do desmatamento ou que, na sua cadeia de suprimentos, tenham empresas que violam direitos humanos, como trabalho análogo à escravidão ou trabalho infantil; ou que façam testes em animais e, assim, excessivamente; ou que sejam de combustíveis fósseis”. 

Ao não olhar de maneira estratégica e de longo prazo, as empresas também perderão em engajamento e produtividade, diz Alperowitch. Colaboradores de talento serão desperdiçados, porque não estão interessados apenas no salário que cai na conta. Querem saber se a empresa é antirracista, se combate a homofobia, se investe na diversidade e se está lutando contra os efeitos da mudança climática. Para ilustrar essa verdade, recomenda-se que se olhe com carinho para estudo desenvolvido por  Robert Eccler, ex-professor da Universidade de Harvard, que aos 70 anos é uma referência mundial no tema. Ao analisar por 18 anos, 180 empresas de 90 subsetores da economia, nos Estados Unidos, a conclusão foi de que as empresas sustentáveis tiveram performance muito melhor do que as outras:

“Esse estudo foi feito entre 1993 e 2009 quando não se falava em ESG, não se precificava as externalidades, por exemplo as empresas não tinham que pagar a taxa de carbono, a Geração Z ainda não existia e etc. Então, eventualmente se a gente repetir esse mesmo estudo daqui pra frente, eu imagino que o resultado seja ainda mais favorável para as empresas responsáveis”.

Antes de você assistir ao vídeo com a entrevista completa do Fabio Alperowitch, no Mundo Corporativo ESG: você lembra onde estava sua empresa em 1993? Eu, já estava por aqui, em São Paulo; trabalhava na TV Cultura e, por curiosidade, a pauta da sustentabilidade era frequente em especial pelo trabalho do conceito de jornalismo público que desenvolvíamos na redação. E, sim, naquela época não falávamos de ESG ainda.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas, 11 horas da manhã, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da CBN. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Vinícius Passarelli.

Conte Sua História de São Paulo: o Tatuapé dos doces da Vera Cruz e dos cavalos dos Matarazzo

Zilda dos Reis Larangeira Santolin

Ouvinte da CBN

Pintura interna da Padaria e Confeitaria Vera Cruz, no Tatuapé (foto de arquivo)

Vou contar um pouco da minha São Paulo. 

Existem lugares bonitos, mas eu escolhi falar do Tatuapé, bairro onde eu moro há quase 84 anos, que deixou muitas histórias na minha memória. 

Em 1944, eu tinha oito anos. Me lembro de ir até uma confeitaria, na avenida Celso Garcia, que existe até hoje: a Vera Cruz. Lá, ainda há a pintura dos bondes e seus passageiros. Pintura que ilustra mulheres e homens muito elegantes, com terno e chapéu. Alguns até usavam bengalas. 

Naquela época, eu tinha uma vizinha que trabalhava muito. Ela vendia produtos que comprava, todos os dias, no mercado grande. Por volta das quatro da tarde, a filha dela, que tinha 11 anos, me chamava para levar o carrinho de mão até a esquina da Celso Garcia com a Rua Tuiuti. Lá, a mãe dela descia de um bonde todo verde, que se chamava “Cara Dura” e transportava os verdureiros e suas compras. 

A mãe da minha amiga arrumava a mercadoria no carrinho de mão e já descia a Tuiuti chamando a freguesia. 

Lá no fim da  Tuiuti, havia o Tietê. O rio. Eu falo mais dele daqui a pouco. 

Poucos metros antes da rua chegar ao fim, havia uma chácara grande, enorme, que pertencia ao conde Francisco Matarazzo. Toda tarde, duas moças lindas passeavam pelos jardins, que tinham muitas flores e belos caramanchões de maracujá. Também havia um cercado grande, com animais como hienas e zebras. 

Eles tinham uma cocheira, onde ficavam cavalos, com largas e grossas patas. Alguns deles, ajudavam nas tarefas da chácara: três vezes por semana, os cavalos trotavam pela Tuiuti carregando feno e milho para os outros animais. Eram grandes e lindos e pareciam desfilar. 

Meu pai e meu avô materno trabalhavam no palácio da chácara. E, uma vez por mês, o conde Matarazzo deixava os moradores da região visitarem o local. 

Atualmente, onde era a fazenda temos o Parque do Piqueri; e, no lugar do castelo, há uma biblioteca. Até hoje, nós não entendemos por que eles destruíram o palácio quando a chácara foi vendida.

De volta aos anos 1940. O rio Tietê batia nos fundos da chácara. Todo domingo, meu pai nos levava, eu e meus irmão, lá no rio para assistir às competições das regatas do Corinthians. Foi um tempo em que a água era cristalina e as pessoas pescavam com varas — geralmente os homens e crianças. Minha avó e outras mulheres lavavam a roupa no rio. 

Tenho saudades daquele Tietê,  daquela Tuiuti, e do Tatuapé da minha infância.

Zilda dos Reis Larangeira Santolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: entre agruras e prazeres, um gole de vinho!

Vasco 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Estádio de São Januário, Rio

Benitez luta pela bola em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

À distância, vê-se ao longe; e com a razão se expressando mais do que a emoção. Não sei bem o que teria escrito nesta Avalanche se mantivesse a tradição de publicá-la logo após a partida, nem garanto que fosse muito diferente do que você, caro e cada vez mais raro leitor, vai ler a seguir. Em detrimento desta oportunidade — da escrita imediata —, sobrou-me o espaço para a reflexão nem sempre tão simples de ser feita quando o olhar do torcedor se sobrepõe à lógica do jogo. 

Na noite dessa quinta-feira, enquanto o Grêmio se engalfinhava —- sim, esse é o melhor verbo para definir algumas das poucas cenas que assisti em campo — com o adversário, eu estava cumprindo compromisso assumido com a colônia italiana. Dois de junho é a data da Festa della Repubblica e, a convite do cônsul-geral da Itália, em São Paulo, Domenico Fornara, apresentei a cerimônia oficial, com direito a discursos, música de qualidade e sorteio de prêmios. Tinha muito comida boa, também, devidamente preparada pelo alagoano Zé Maria —- José Maria Meira, um chefe de gosto sofisticado, cultura incrível e de uma simpatia ímpar. Um craque na culinária e na generosidade.

O que um jornalista de sobrenome tedesco fazia no comando da festa italiana talvez valha uma justificativa: entre o Mílton e o Jung, existe um italiano que se expressa nos costumes e hábitos, nos sabores e prazeres, e no sobrenome Ferretti, família oriunda da cidade de Ferrara, na região da Emiglia-Romagha. Foi de lá que o bisnonno Vitaliano partiu em direção ao sul do Brasil e se estabeleceu em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, no início do século 20. Teve vários filhos, dentre eles Dona Ione, minha nonna, mãe do meu pai, que me deu o privilégio e missão de ser o único dos netos a levar à frente o sobrenome da famiglia

Tudo justificado, voltemos ao futebol.

Em meio a festa, busquei na tela do celular o único recurso para acompanhar, mesmo que de revesgueio, a partida do Grêmio que, diziam, seria a última de Roger Machado. A pressão contra o treinador — típica dos apressados e doentes — existe quase desde o início do seu retorno ao clube. Com duas semanas, o Grêmio caiu na Copa do Brasil, ainda na primeira rodada. No primeiro grande desafio, depois da queda, perdeu o Gre-Nal. A maioria esquece que, em seguida, goleou o tradicional adversário, ganhou o Hexacampeonato Gaúcho e ainda levou de brinde a Recopa Gaúcha. 

O futebol imediatista pensado por muitos, os torcedores ainda machucados com a tragédia de 2021 e aproveitadores da desgraça alheia se uniram contra Roger. Os resultados e a performance de alguns jogadores também não ajudaram muito. Como acredito demais no potencial do nosso técnico, tudo que não queria ver na noite de ontem era o jogo insosso e sem alma das últimas partidas, que, certamente, resultaria em derrota. Convenhamos, não seria um resultado intragável, dadas as circunstâncias — jogávamos em um estádio transformado em caldeirão e contra um dos principais adversários da competição. Mas o contexto não permitia mais um revés.

Foi diante desses cenários ambíguos — em que eu aproveitava os prazeres proporcionados pela colônia italiana, em São Paulo; e o Grêmio, as agruras de enfrentar seus próprios ‘monstros’ e o ambiente hostil criado pelo adversário, no Rio — que vi nosso time lutar como nunca havia feito até então neste campeonato. Em campo, Roger deu preferência aos “cascudos”, apostou na experiência de veteranos, alguns odiados pelo torcedor, e conseguiu mobilizar a equipe, mesmo que ainda não tenha sido capaz de tirar do time um futebol de qualidade.

No segundo tempo, Roger foi obrigado a fazer substituições devido ao desgaste físico de alguns jogadores — a intensidade na marcação no campo do adversário cobra um preço alto. Perdemos espaço e aceitamos a pressão. E, por mais que os chatos das redes sociais só encontrassem defeitos, esse foi mais um mérito do time de Roger: soube resistir à imposição do adversário.

O ponto conquistado fora, os dois roubados do adversário, que jogava em casa, e a permanência no pelotão de cima, a uma vitória do G-4, deveriam ser comemorados ao fim da noite. Tanto quanto a mudança de atitude do time que se revelou capaz de lutar pela bola, apesar de nem sempre saber bem o que fazer com ela quando esteve em sua posse. 

Pelo que li na escrita de torcedores em rede e na fala de alguns cronistas, porém, muitos preferiram exaltar as críticas e os problemas. Fiquei com a impressão de que estavam incomodados com o fato de o conjunto da obra de ontem à noite ter favorecido à manutenção de Roger. Enquanto eles esbravejam e se alimentam de suas convicções odiosas, prefiro me embevecer com a crença de que somos capazes de dar a volta por cima, como já fizemos no passado. E se puder saborear tudo isso com um vinho italiano, melhor ainda!

Como enfrentar o desafio da dengue

Por Augusto Licks

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Talvez algum dia nos livremos definitivamente do coronavírus da Covid-19. Talvez! Isso seria graças à gigantesca engenharia farmacêutica construída em velocidade sem precedentes desde o surgimento da pandemia. Para esse esforço pesaram decisivamente o contágio avassalador do SARS-Cov2 e a consequente ausência de fronteiras geográficas ou climáticas em sua disseminação. A vida em todo o planeta estava ameaçada. Empresarialmente, isso traduziu-se em uma demanda comercial por vacinas jamais vista, gerando uma verdadeira “corrida do ouro” entre os grandes laboratórios. 

Hoje, presenciamos o sucesso dessa vacinação, ainda que não inteiramente consolidado, e constatamos que ele se deve a um fator-chave, que era imprevisível no início das pesquisas com os imunizantes: a mutação relativamente lenta do vírus. Fosse como a AIDS, com mutações bem mais numerosas, não estaríamos com a mesma perspectiva otimista de agora, não haveria como o lento processo de vacinação dar conta de variantes bem mais frequentes. É o que torna muito difícil a produção de vacinas para a AIDS. Além disso, o vírus da AIDS não tem o mesmo poder de contágio do novo coronavírus, o que de certa forma relativiza a urgência por uma vacina. Nesse caso, a prevenção só é possível através de cuidados higiênicos, pessoais e médico-hospitalares. Sem isso, a AIDS seguirá existindo indefinidamente.

Outras doenças também seguem existindo, entre elas a dengue. Pergunta-se o porquê de não termos campanhas de vacinação para esse mal endêmico, afinal trata-se de um vírus com poucas mutações, existem somente 4 tipos, cada um com subvariantes.

Vacinas até existem, resultado de mais de duas décadas de pesquisas mas, apesar de avanços recentes, ainda paira incerteza sobre eficácia e efeitos colaterais. Empresarialmente, pesa o fato de que a dengue não tem contágio a não ser pela picada do Aedes aegypti, um mosquito que existe somente em algumas regiões do planeta, portanto longe de gerar uma demanda por vacinas como no caso da Covid-19. 

Outro complicador é o fato de que o Aedes aegypti não transmite apenas dengue mas também outras doenças como malária, zica, e chicungunha. Uma vacina que funcione apenas com uma das doenças e não com as outras certamente não é ideal, o que reforça a prioridade de combate ao mosquito que as transmite. 

Acontece que o país em que vivemos sofre imensamente com a recorrência dessas doenças, então qualquer vacina já ajudaria, por limitada que seja. Como agravante, a presença do Aedes não se restringe mais a regiões tradicionais, está se alastrando. Tenho acompanhado com preocupação a ocorrência recente de surtos na minha cidade natal, Montenegro RS, bem como Porto Alegre e outras localidades onde a dengue praticamente não existia.

Espera-se que as autoridades sanitárias estejam se empenhando ao máximo para combater a doença, valendo-se das informações científicas disponíveis e também da experiência das regiões que já convivem habitualmente com esse problema há décadas.

É o caso do Rio de Janeiro, estado e capital, onde o clima predominantemente quente oferece condições muito favoráveis à propagação do mosquito Aedes aegypti. Em consequência, a região sofre com epidemias todo ano, especialmente entre os meses de dezembro e abril. 

A partir de maio, a queda de temperatura proporciona uma trégua a cariocas e fluminenses, mas não é garantia contra a ocorrência de casos. Chama atenção, de forma ainda mais preocupante, que a dengue esteja se manifestando em regiões onde as temperaturas são inferiores às do litoral sudeste brasileiro. É um fator novo a ser considerado, como demonstram os surtos no sul do país.

No Rio de Janeiro, o sofrimento com surtos mais críticos ocorridos há já alguns anos serviu como aprendizado e levou as autoridades a adotarem uma série de medidas de combate à dengue. Ruas passaram a ser percorridas com “fumacê” (pulverização com inseticida) e alguns bairros receberam ação ambiental de reprodução de variantes estéreis do Aedes aegypti.  

Porém, logo ficou claro que apenas medidas do poder público não bastavam, era como cobrir o sol com peneira. O planejamento precisava evidentemente da ajuda da população.  Iniciou-se então uma campanha de conscientização sobre medidas domésticas de prevenção, usando-se linguagem comum, para que as pessoas tomassem conhecimento prático dos detalhes importantes.

É preciso que as pessoas entendam que se deve evitar qualquer tipo de formação de água parada, não deixar pneus expostos ao tempo e sacrificar algumas plantas cujas anatomias retenham água: o “copo-de-leite” por exemplo. Assim como pneus, também estas plantas precisam ficar protegidas da chuva, o  mesmo valendo para qualquer tipo de objeto que possa reter água.

Uma situação muito problemática é das piscinas particulares, que precisam receber tratamento com produto químico para evitar que o mosquito delas se utilize. Às vezes ocorre desleixo por parte do dono, mas o pior é quando a piscina, ou algum tanque, bacia e outros recipientes de água estão em uma residência não-habitada. Nesse caso, não conseguindo localizar o proprietário, as autoridades se vêem obrigadas a forçar entrada no imóvel para adotar as medidas necessárias.

Técnicos da Fiocruz me observaram a facilidade com que o Aedes aegypti se prolifera após uma chuva prolongada, e até mesmo durante a chuva. Ressaltaram também que este mosquito se reproduz em água limpa, o que me fez deduzir que o Rio de Janeiro tem sido grande exportador de dengue, via rodoviária : caminhões de carga pernoitam, a chuva forma poças d’água sobre suas lonas, e aí vem o Aedes depositar seus ovos, que partem país afora. Acho que caberia alguma orientação aos caminhoneiros, e alguma fiscalização: tarefa para o poder público.

Não apenas isso. Entrevistado pelo repórter Ari Peixoto para um telejornal da Globo, observei a ele a grande frequência de empoçamentos  de água nas ruas, consequência de vazamento de tubulações. São situações crônicas que exigem medidas rápidas tanto da população como das autoridades, para que se notifique imediatamente e para que uma equipe de manutenção se dirija com rapidez ao local. Na prática, porém, isso nem sempre acontece e poças ficam dias à feição para que o mosquito nelas se prolifere. 

Assim, no Brasil, seguimos diante desse grande e incessante desafio.

Augusto Licks é jornalista e músico

Avalanche Tricolor: só resta trabalhar; e se marcar um gol também ajuda!

Vila Nova 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Serra Dourada, Goiânia/GO

Roger orienta o Grêmio, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

‘Só resta trabalhar’ disse Elkeson assim que a partida se encerrou e antes de voltar para o gramado onde foi se exercitar ao lado dos companheiros que ficaram no banco de reservas. Nosso atacante “chinês” entrou no segundo tempo, correu pra cá, se deslocou pra lá, levou encontrão dos zagueiros e desperdiçou uma bola lançada próximo à linha de fundo. Muito pouco conseguiu produzir apesar de ter estado em campo no momento em que assistimos a algumas das melhores jogadas do nosso ataque — que ninguém o culpe, porque da forma como estamos atuando, nossos centroavantes, sejam quais forem, tendem ao ostracismo. 

Quem entrou no segundo tempo e trabalhou muito foi Janderson — aquele baixinho que se parece com Campaz, tem menos fama que o colombiano, custa bem menos e, nas últimas participações, tem jogado muito mais. Terá de ser titular na próxima partida, seja porque Campaz estará servindo a seleção da Colômbia (?) seja porque foi dele que saíram os principais lances pela esquerda, quando usou a velocidade e a técnica para escapar dos marcadores. Chegou a linha de fundo, cruzou e deu oportunidade de seus companheiros abrirem o placar. Na Recopa Gaúcha já havia se destacado.

As escapadas de Janderson não foram suficientes para fazer o Grêmio voltar a ganhar e marcar gols no Campeonato Brasileiro. Fizemos apenas um nos últimos quatro jogos; e nenhum nos dois últimos. Apesar da performance aquém do desejado e da baixa pontuação diante do esperado, segue colado no G4 — e distante daquela situação desesperadora do ano passado. 

A lição — dura lição — de 2021, porém, precisa ser aprendida. Não dá para esperar muito para reencontrar o caminho da vitória, porque já tem gente pensando em dar um “duplo twist carpado” que, parece, ser o desejo de alguns torcedores que gritam o nome de Renato nas arquibancadas. Seria repetir a mesma estratégia desastrada da última temporada. O resultado não vem, troca o técnico. Volta a não acontecer, troca de novo. 

Ou se dá oportunidade para Roger trabalhar, levar a campo as suas convicções, diante do elenco que tem à disposição, ou entraremos em uma jornada sem rumo.

Ao Grêmio, só resta trabalhar. Ah, marcar gols, também!