Conte Sua História de São Paulo: morar aqui era minha vocação

 

Por José Freitas
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci no interior do estado de Goiás. Minha cidade tinha cerca de 50 mil habitantes. Vivi até os meus 19 anos neste lugar repleto de beleza natural e vida saudável. Principalmente, por conta do aconchego da família, dos muitos amigos e da vida em comunidade.

 

Trabalhei, e aprendi a trabalhar, desde pequeno com meu pai e treinador. Antes de finalizar meus estudos tive a honra de conhecer São Paulo. Aquele lugar misterioso e muito distante, que em meu imaginário construído pelos noticiários de televisão, era um mundo de assaltos, violência e muita correria.  

 

Depois de mais de 20 horas de viagem de ônibus chegamos a Campinas para a formatura do meu irmão mais velho. Ele, meu pai, e eu viemos até São Paulo de trem. Chegamos à famosa estação da Luz. Depois descemos de ônibus as curvas da Serra do Mar realizando o sonho de todo interiorano: conhecer o mar! Mas não era qualquer mar, era o mar e as praias do Guarujá. E, eu nem sonhava o quanto, de fato, era um lugar tão especial.  

 

No auge dos meus 16 anos, foi um primeiro contato que marcou minha vida. E, bem mais do que eu tinha consciência. Isso foi em Dezembro de 1981.

 

Quatro anos depois, em 1985, eu desembarquei sozinho no Terminal Rodoviário Tietê. Com certeza, impressionado e um tanto assustado com tanta gente num mesmo lugar. Morei por algum tempo em Atibaia, mas vinha a São Paulo regularmente sem imaginar que aqui um dia seria a minha casa.

 

Mas foi em 1988 que de fato tive que vir morar em São Paulo. E durante estes mais de 30 anos tenho aprendido a gostar e admirar o que chamo hoje de minha casa, pois afinal, eu já vivi mais tempo aqui do que em qualquer outro lugar.  

 

Aqui em São Paulo, especialmente na Zona Sul, eu fiz a minha formação universitária. Conheci minha esposa, uma paulista paulistana com quem me casei, e com quem nestes 24 anos construí uma família com nossas duas lindas filhas (hoje, duas universitárias com 18 e 20 anos). Também aqui em São Paulo Deus me deu a oportunidade de fazer minha uma carreira profissional/ministerial.  

 

Vim morar em São Paulo não exatamente por preferência, mas por vocação. Descobri ao longo dos anos que há sim assaltos e violência, especialmente, quando roubaram minha moto na porta de minha casa no Brooklin, e outra vez nosso carro, em frente a casa de um amigo no Campo Belo. Mas seguramente essas foram raras experiências nestes muitos abençoados anos que aqui vivi.  E mais, apesar de goiano, com fama de sossegado, sabe que até aprendi a gostar da correria!  

 

Hoje, de fato, eu amo São Paulo. Não sei se aprenderia viver em qualquer cidade do mundo. Meu trabalho permitiu que eu conhecesse belas e grandes cidades: Santiago, Buenos Aires, Madrid, Porto, Cleveland, Orlando, Dubai, São Petersburgo, Hong Kong, Tóquio. Mas sem medo de errar, nenhuma delas se compara a São Paulo! É minha opinião.

 

Hoje sou professor e pastor de uma pequena igreja perto do Aeroporto de Congonhas e moro no Jabaquara. Também posso dizer, sem sobras de dúvidas, amo servir minha cidade. Espero que a comunidade que eu lidero siga o meu exemplo orando e servindo as pessoas da nossa cidade. Com certeza, por tudo que ela nos proporcionou, e continua a nos oferecer, São Paulo não só precisa, ela merece o nosso amor e cuidado.

 

Parabéns São Paulo!  

 

José Freitas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva sua história da nossa cidade e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: novo CEO da Ambev quer empresa mais aberta e colaborativa

 

“Você não consegue inovar se você não colaborar, se você não se abrir para fornecedores, para clientes, para gente que está inovando — a inovação não necessariamente vem só de dentro, a gente resolve problemas complexos colaborando. Você chama fornecedores, você fala do problema, você investe junto, você tenta resolver” —- Jean Jereissati, CEO da Ambev

A necessidade de abrir a empresa para a inovação e criar um ambiente colaborativo em que o cliente tenha maior participação está entre os desafios do novo CEO da Ambev, Jean Jereissati. O executivo disse que é momento de o grupo mudar o seu olhar que por muito tempo esteve direcionado para o seu próprio crescimento e isso teria provocado um distanciamento na relação com o seu consumidor.

“Eu quero trazer essa visão de abertura e colaboração para a companhia como um todo, promover nossa capacidade de inovar e dar um salto tecnológico”

Jereissati assume o cargo oficialmente em janeiro, mas já está no grupo há pouco mais de 20 anos, foi para o exterior, trabalhou por quatro anos na China, voltou em 2019 e ocupa a diretoria de vendas e marketing. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, o empresário disse que no ano passado 5% do faturamento do grupo vieram de produtos que não existiam há dois anos, e conforme dados de setembro, este índice já chegou a 13%, neste ano — o que ele define como sendo um crescimento em ritmo chinês:

“Se você quer mudar uma companhia para ela começar inovar essa agenda tem de vir do CEO, essa agenda tem de vir do topo”

Na entrevista, Jereissati também falou do perfil de profissionais que a empresa busca, das oportunidades de carreira que existem no grupo e das expectativas de crescimento no setor nos próximos anos.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter @CBNoficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves.

 

Avalanche Tricolor: com todo o respeito e com o talento dos guris

 

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro — Arena Grêmio

 

Gremio x Cruzeiro

Pepê e Ferreira, a nova geração em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Havia pouco a ganhar na partida desta noite, em Porto Alegre. Nosso destino já estava traçado quando entramos na Arena. Em 2020, mais uma vez estaremos na Libertadores da América — a 12ª vez no século e a 20ª na história — e, novamente, pela porta da frente. Os três pontos diante de um adversário desesperado eram previstos. E, provavelmente, viriam com naturalidade. Sem muito esforço. Com calma, toque de bola — mesmo que alguns desses toques sem a precisão com a qual nos acostumamos — e um pouco de pressão, alcançaríamos a vitória.

 

O destino porém quis nos mandar um recado. Um feliz recado. Mostrar que mais importante do que a vitória era comemorar o futuro do Grêmio que se apresentava em campo.

 

Renato já havia iniciado a partida com um dos nossos talentos emergentes, Pepê, que está com 22 anos e fez uma temporada incrível com gols em momentos decisivos. Um atacante que está pronto para ser titular ao lado ou —- dependendo o que acontecer — no lugar de Everton, o “veterano” de 23 anos, considerado o melhor jogador em atividade no Brasil.

 

Nosso guri Pepê foi quem deu a arrancada para a vitória, levando a bola pelo lado esquerdo e enxergando um companheiro livre do outro lado da área. Quem apareceu por lá foi Ferreira, ou Ferreirinha, ou Aldemir Ferreira —- seu nome ainda será melhor escolhido no ano que vem —- que entrou no segundo tempo e demorou pouco para ratificar sua fama de goleador, construída nos times de base: aos 21 anos marcou seu primeiro gol com a camisa profissional do Grêmio. Ainda deu drible, chapéu e nova dinâmica a um ataque que estava acomodado frente à apatia do adversário.

 

O mesmo Pepê nos encaminhou à vitória definitiva ao driblar, cair e voltar a driblar marcadores desnorteados com sua velocidade. Ele passou por quatro até ser derrubado dentro da área e conquistar o direito de cobrar o pênalti e se estabelecer como um dos principais goleadores da temporada, mesmo ainda não tendo ganhado o crachá de titular.

 

Além de Pepê e Ferreira, ainda tivemos o privilégio de assistir aos primeiros passos de Isaque, também com 22 anos, e rever Patrick, com 21 e jeito de moleque. Todos esses jovens comandados no meio de campo por outro que amadureceu mais cedo do que eles, mas divide a mesma idade: Matheus Henrique apesar de jogar como um “senhor volante”, não esqueça, caro e raro leitor desta Avalanche, tem apenas 22 anos.

 

O futuro do Grêmio se apresentou na Arena nesta noite de quinta-feira. E ouviu das arquibancadas uma mensagem bastante positiva quando nossos torcedores, no segundo tempo, aplaudiram a entrada de Pedro Rocha no time adversário e, ao fim, gritaram o nome de Edílson —  a mensagem de que aqueles que se dedicarem à camisa tricolor serão respeitados para todo e sempre.

A tristeza que se expressa nas mortes da Paraisópolis

 

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Foi triste a segunda-feira. Uma extensão da tristeza de domingo quando as informações da morte de jovens em uma festa na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo começaram a chegar. A segunda foi ainda mais triste porque a morte deflagrou uma série de comentários absurdos, desrespeitosos e desumanos. E essas reações me entristecem porque revelam como está partida a nossa cidade. A nossa sociedade.

 

Há duas versões sendo apresentadas.

 

A polícia diz que foi atacada por uma dupla que estava em uma moto, que fugiu em direção a festa e aproveitou-se do aglomerado de pessoas para transformá-las em escudos humanos. A equipe da Força Tática, que foi reforçar a ação, chegou no local e foi agredida com pedradas e garrafadas. Nenhum policial fez disparos com arma de fogo. Usaram apenas munições químicas para dispersão.

 

Os frequentadores do baile disseram que os policias bloquearam as duas saídas do local. Houve correria. A polícia disparou com armas de fogo e bala de borracha. Arremessou bombas de gás e usou sprays de pimenta contra a multidão. Agrediram com garrafadas, cassetetes, pontapés e tapas pessoas já imobilizadas.

 

É bem possível que as duas tenham vestígios da realidade. Somente a investigação será capaz de descobrir. Mas teríamos de acreditar no rigor desse trabalho.

 

O incontestável, no meu entender, é que a tentativa de dispersão das três mil pessoas que participavam no Baile da 17, seja pelo motivo que for, foi um descalabro. E a Polícia Militar tinha obrigação de saber disso.

 

As polícias militar e civil, assim como as forças de segurança pública constituídas, têm o privilégio da força e da violência, garantido e observado pela Constituição. E por tê-lo precisam agir, acima de tudo, com responsabilidade, prudência e inteligência. Jamais podem extrapolar esse direito sob o risco do descontrole social.

 

Ao mesmo tempo, transformar em criminosos todos os frequentadores do baile funk, que desde o início dos anos 2.000 se realiza naquele espaço ao ar livre, levando multidões aos fins de semana, é uma demência que expressa bem como estamos socialmente doentes. Ideia que se fortalece quando tentam relativizar as mortes como muitos buscaram fazer enquanto questionavam a existência desses eventos e a presença da juventude naquele local — como se proibir qualquer uma daquelas manifestações fosse o suficiente em regiões onde a única ação do Estado, quando existe, é a da polícia.

 

Querer que se apure e se puna os responsáveis é o mínimo, diante dessa situação. Não parece, porém, que haja muita gente interessada em encontrar a resposta certa. Pois todos querem apenas confirmar suas convicções. Garantir sua razão. Apontar o dedo e repetir: “eu avisei!”. E jogar a culpa para o lado de lá.

 

Sua Marca: as mais amadas e valiosas criam e não copiam

 

“É raro uma empresa que não coloque na sua pauta o tema da inovação, mas muitas vezes costumam se inspirar no que outros fazem e no que o consumidor algumas vezes pede, elas acabam muito parecidas”. Cecília Russo

O mercado de criação e as marcas têm vivido um paradoxo que é o de serem pressionados pela necessidade de inovar e acabar ficando cada vez mais parecidos com o seu concorrente. Um dos motivos que levam a esse cenário é o fato de as empresas sempre buscarem inspiração naquilo que está dando certo no seu mercado e o outro, é que muitos gestores acreditam que ao ouvir o consumidor encontrarão a resposta para esse dilema.

 

Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre esse tema no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. E Troiano lembrou-se de ensinamento que aprendeu com um CEO de multinacional:

“Um pensador da área de comunicação disse um dia que se você der para o seu consumidor só aquilo que ele está pedindo, um dia vai aparecer um concorrente que vai dar a ele algo diferente pelo qual vai se apaixonar”.

Russo entende a importância de se ouvir o consumidor e o considera ótima fonte para julgar a novidade que a marca apresentar ao mercado. Ressalta porém que ele não é o melhor porta-voz da inovação, porque tende a falar de coisas que já foram feitas. Quanto a estratégia de as empresas se inspirarem umas nas outras, ela ensina:

“As marcas mais amadas e valiosas criam e não copiam”.

Avalanche Tricolor: de goleada, sem compadrio e, como de costume, na Libertadores

 

 

 

Grêmio 3×0 São Paulo
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

Gremio x Sao Paulo

Festa na Arena, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Havia quem pensasse que pudesse ser um jogo de compadres. E bem que o primeiro tempo dava sinais de que mais uma vez neste campeonato os dois tricolores sairiam de campo com o zero a zero no placar — desta vez, somando-se a satisfação de estarem bem próximos de seus objetivos na competição. Sem contar que o empate dificultaria a vida do co-irmão gremista que ainda está em busca de vaga a Libertadores.

 

 

Mas quem assim pensava, se enganou. E se enganou feio porque sequer levou em consideração o histórico do nosso tricolor nesses últimos anos. Não lembrou que Renato é o nosso técnico e em campo tinha um time sempre disposto a certificar o futebol bem jogado que nos deu títulos atrás de títulos, desde 2016. Um futebol que esteve nas fases finais das principais competições que disputou neste ano e que não precisou de muito tempo, no Brasileiro,  para se colocar entre os quatro primeiros com direito a vaga direta na Libertadores.

 

 

A vitória seria a confirmação de que a temporada 2020 nos reservaria mais uma vez as emoções continentais, como de costume — foi assim em 2016, 2017, 2018 e 2019. Nos proporcionaria a 12a participação na Libertadores só neste século e a 20a em todos os tempos. E só por essa história, não dava para imaginar outra coisa senão o Grêmio entrar em campo nesta noite de domingo para conquistar os três pontos.

 

 

Foi por isso que Renato escalou um ataque com quatro jogadores que se movimentam muito e em alta velocidade — apostou em Alisson, Everton, Luciano e Pepê. Uma turma que no primeiro tempo tentou entrar na área adversária mas não encontrou o espaço que precisava para a troca de bola, já que havia um congestionamento de marcadores.

 

 

No segundo tempo, porém, sob nova orientação, permitiu-se ser atacado e a medida que o adversário se aproximava de sua área roubava a bola e disparava no contra-ataque. Quase marcou logo aos dois minutos em uma arrancada de Everton e Pepê.

 

 

Não demorou muito para chegar lá. Aos 10 minutos, após mais um lance de velocidade, intensa movimentação e troca de passes precisos, o ataque gremista desnorteou a defesa e chegou ao pênalti que permitiu que Luciano assinalasse o 400º gol da história da Arena. Em seis minutos, com um gol contra na cobrança de falta de Alisson e outro ataque fulminante que deixou Luciano pronto para voltar a marcar, o Grêmio fechou a goleada.

 

 

Com a vitória e sem compadrio, o Grêmio selou sua presença na Libertadores pela porta da frente e tem a tranquilidade de fechar a temporada com mais um jogo em casa, na quinta-feira, quando se despede de seu torcedor, e outro fora, na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Conte Sua Histórias de São Paulo: o esqueleto dos prédios da Berrini

 

Por Soraia Mergulhão
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci no interior. Acostumei a uma vida numa cidade que é muitas vezes extremamente provinciana. Para mim, São Paulo representa a abertura de horizonte. O inusitado, uma aventura! 

 

Parece que no dia a dia minha cabeça está sempre abaixada, olhando pro chão. Ao entrar na Metrópole, ergo os olhos e os sentidos se apuram. Um portal se abre, para me desafiar. Empurrar.

 

Criança ainda, fomos à Capital visitar os primos que moravam em Santana, um bairro residencial. No caminho, observava as casas bem juntinhas, grudadas umas as outras, pareciam meio sufocadas. A primeira impressão que tive da cidade é que não havia espaço ali.

 

Para nos impressionar, nossos primos nos levaram ao metrô. Um trem muito rápido e silencioso, segundo me explicaram. Na estação, andei na escada rolante pela primeira vez, com medo de tropeçar nos degraus que surgiam de repente. Venci meu primeiro obstáculo! 

 

Uma década se passaria e lá estava eu, descendo do ônibus, em frente ao Hospital da Aeronáutica, no fim dos anos 1980: fim da ditadura, início do curso de piloto.

 

Lembro da construção ampla e amarela com corredores limpos, cheios de pessoas sérias usando fardas. Nas vezes que lá estive para exames médicos, sentada aguardando minha vez, ouvia as histórias dos pilotos e comandantes de linhas aéreas comerciais comentando seus vôos, suas vidas. Eu era uma espiã coletando informações de um outro mundo.

 

Uma vez, conheci um comandante que fazia a ponte aérea Rio-São Paulo. Ele perguntou se eu gostaria de conhecer uma cabine de avião comercial 

 

– Óbvio que sim!! Que pergunta!

 

Fomos de táxi a Congonhas. Ele me conduziu a pé pela pista do aeroporto até entrarmos num Electra, um turbo-hélice que fazia o trajeto. Na cabine mostrou como tudo funcionava, enquanto ligava a aeronave. Foi uma grande emoção ouvir os motores acordando ao simples toque num botão! 

 

Poucos anos depois, eu namorava um rapaz que morava perto da Berrini. Início dos anos 1990. A região era um canteiro de obras. O estado embrionário do que iria se tornar aquela região. Novamente, descia eu do ônibus e percorria algumas quadras a pé observando os esqueletos dos prédios se erguendo e os grandes poços abertos para as fundações. Andávamos muito a pé. Íamos andar na Paulista, assistir a filmes no cine Belas Artes ou no Shopping Iguatemi. O namoro não durou muito, mas o hábito de andarilha ficou — o gosto de percorrer as ruas de casas velhas ou prédios modernos, enquanto me misturo aos transeuntes só para descobrir como eles vivem.

 

Nunca mais perdi o hábito de explorar em respeitoso silêncio os recantos, curvas e ângulos desta quase esquizofrênica senhora — sim, porque apesar do nome, São Paulo, eu acho que esta cidade é mulher. Só pode ser. Só uma mãe poderia acolher a tantos, tão diferentes e se permitir ser deformada, inchada, modificada e ainda esconder uma beleza inocente para ser descoberta por aqueles que conseguem ver além do óbvio.

 

Soraia Mergulhão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: empresas mais colaborativas alcançam melhores resultados, diz Susanne Andrade

 

 

“As empresas que mais têm crescido hoje são as empresas que são mais colaborativas. São empresas que são movidas a propósito e entendem qual é o sentido daquilo que ela está fazendo. E aí sim o clima é muito mais leve. E os processos acabam fluindo e os resultados vêm” —- Susanne Andrade, consultora

A alta competitividade e a pressão por resultados têm contaminado o ambiente de trabalho e impactado a saúde dos profissionais. Mas há caminhos para se contrapor a esse cenário e oferecer aos colaboradores projetos mais humanos sem abrir mão da produtividade. É o que propõe a consultora Susanne Andrade em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Autora do livro “O poder da simplicidade no mundo ágil”, Andrade criou um método no qual ajuda profissionais e empresas a mudarem o padrão nas relações, desenvolverem ambientes colaborativos e uma liderança humanizada. A partir da implantação do Método Ágil Comportamental (MAC), a consultora defende a ideia de que é possível alcançar melhores resultados em menor tempo tendo como objetivo a busca da simplicidade, apesar de o mundo parecer ainda mais complexo do que no passado.

“A simplicidade está justamente em parar para valorizar mais as pessoas e entender que as pessoas é que vão gerar mais resultados”

De acordo com pesquisa da Gallup, citada por Susanne Andrade, no programa, 72% dos profissionais estão infelizes e sem entusiamo e mais de 50% dos trabalhadores que saem das empresas é por problemas de relacionamento com seus líderes:

“A liderança é papel fundamental para que essa agilidade aconteça e o impacto positivo nas relações também para contribuir para essa agilidade” 

Uma das ferramentas que precisam ser mais bem desenvolvidas pelos líderes e seus colaboradores é a comunicação, segundo a consultora:

“A comunicação, eu diria, é a principal habilidade não técnica. Hoje, o profissional saber se comunicar de maneira mais assertiva, com mais simplicidade, respeitando o outro que está no outro crachá, é importante.”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter @CBNOficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite; ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Gabriela Varella, Clara Marques e Débora Gonçalves.

O excitante mundo das mudanças e a importante tarefa de prever

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Shoopings sofrerão concorrência dos market places?

 

A proximidade de um novo ano sempre desperta um olhar ao futuro. Estímulos cada vez maiores para mudanças comportamentais decorrentes de inovações tecnológicas ou vice-versa, produzem farto material.

 

Do passado recente, vejamos algumas.

“Até junho esse tal de Rock´n´Roll terá desaparecido”. Revista Variety, 1955

 

 

“Não gostamos do som dos garotos. Grupos com guitarras estão acabados. Os BEATLES não têm futuro no Show Business”. Dick Rowe, executivo da Decca Records, 1962

 

 

“A compra à distância irá fracassar porque a mulher gosta de sair de casa, segurar a mercadoria, gosta de estar apta a mudar de ideia”. Revista TIME, 1968

 

 

“Não há razão para alguém querer ter um computador em casa”. Ken Olson, presidente da Digital Equipment Corporation, 1977

 

 

“Prevejo um espetacular e passageiro sucesso para a internet. Em 1966 ela cairá em desuso”. Robert Metcalle, inventor da Ethernet, 1995

 

 

“Os aparelhos convergentes terão limitado sucesso, pois os consumidores irão preferir, por exemplo, máquinas fotográficas de alto desempenho, que não irão encontrar em aparelhos celulares”. Al Ries, autor de Marketing de Guerra e de vários best sellers na área de Marketing, 2004

 

 

O fato é que o Rock, os Beatles, a compra à distância, o computador em casa, a internet e o aparelho convergente foram assimilados pelos consumidores. Aceitavam a guitarra, o computador pessoal e abriam mão de provar a mercadoria.

 

Uma resultante cômoda para quem apostou nas mudanças, porém como se viu, pessoas do meio tiveram percepção contraria. Desde então acompanhamos alguns casos.

 

Em 196,6 quando o Shopping Iguatemi foi inaugurado, em São Paulo, os principais lojistas da rua Augusta não aderiram. Eles acreditavam que os clientes acostumados às compras na rua não fariam em um “caixote fechado”.

 

Quando o e-commerce começou a se desenvolver, o varejo iniciou a se instalar na rede individualmente. Ora, se os centros comerciais aglutinam marcas concorrentes para a necessária sinergia do comércio, facilitando a escolha ao consumidor, por que na rede que é universal se instalar só?

 

Somente agora os Market Places estão visíveis a todos. Entretanto, ainda há nos shopping centers quem acredita que o Market Place do Shopping irá concorrer com o Shopping.

 

Grandes corporações de varejo entravam no e-commerce construindo Centros de Distribuição, de forma que o abastecimento da operação era feito diretamente pelo CD. Entretanto, se houver grande número de lojas o mais conveniente é que haja entregas feitas da loja mais próxima. Evita-se o bloqueio da mercadoria no CD e escoa o estoque da loja.

 

Os Shopping Centers por deterem a expertise do mix de lojas deveriam ser os pioneiros dos Market Places, no entanto as grandes marcas individuais é que estão criando shoppings virtuais agregando outras marcas.

 

Como se pode ver, identificar mudanças e criar oportunidades para negócios existentes é tarefa possível e necessária.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: o tijolo na fila do açúcar

 

Por Eliana Colagrande
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de Eliana Colagrande baseado na história contada pelo tio dela, Sr. Olivio Segatto:

 

Em 1946, minha família morava na rua Sete Barras, no bairro do Piqueri. Eu tinha 10 anos. A II Guerra Mundial havia terminado, mas as consequências pelo mundo afora ainda permaneciam. Na nossa cidade ainda tínhamos racionamentos de alimentos.

 

Por outro lado, meu pai havia conseguido comprar um rádio, um presente maravilhoso para nós! Aprendi a ouvir as muitas informações, especialmente pelo “Repórter Esso” – o primeiro a informar as últimas notícias. Ouvia radionovelas e, sem dúvida, as transmissões de futebol.

 

Quando chegou o Natal daquele ano, ganhei um patinete azul, um grande companheiro que me transportava para onde eu pretendesse ir. Além das brincadeiras com o meu pequeno veículo, tinha também obrigações a realizar: pequenas compras ou levar recados nas casas de parentes e vizinhos. Uma de minhas tarefas, dia sim, dia não, era comprar o “açúcar preto” em uma
padaria da região. Cada consumidor tinha direito a ½ quilo diário — era o substituto do adoçante branco que estava em falta.

 

Em um domingo, logo cedo, fui fazer a compra, pois a procura pelo produto era grande e, como sempre, havia muita espera na fila até ser aberta a panificadora. Em dado momento chega um amigo de brincadeiras e… conversa vai, conversa vem, elaboramos um plano genial. Como ainda teríamos um bom tempo de espera, fomos brincar numa rua próxima, mais apropriada ao patinete. Mas para não perder o lugar na fila, me ocorreu uma brilhante ideia. Peguei um tijolo que estava num mato e disse ao senhor que estava atrás de mim que iria brincar um pouco, e que aquele tijolo me asseguraria o lugar. O homem sorriu — até hoje fico imaginando o significado daquele sorriso…) Eu e meu amigo fomos brincar. E foi ótimo!

 

Quando me lembrei do açúcar, o sol já brilhava forte. Meu amigo foi comprar algo em uma quitanda próxima e eu, dirigindo o patinete, retornei à rua onde estava aquela fila enorme. Fiquei surpreso pois não havia mais ninguém, e chegando no balcão o produto tinha acabado. Voltei à rua, já temendo a sova que me aguardava ao chegar em casa.

 

Mas que fique bem claro. Todos da fila se foram, mas eu e o meu querido patinete azul testemunhamos uma lealdade. Lá estava ele de plantão onde eu o deixei: o tijolo.

 

Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo em texto escrito pela sobrinha Eliana Colagrande. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.