Desligar é preciso!

 

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Foi-se o tempo em que nas férias tínhamos permissão para o isolamento,  era o momento de descansar o corpo e a mente. Do trabalho ficava-se afastado. Dos problemas do cotidiano, também. Todos a quilômetros de distância, que podia ser medida por linhas telefônicas precárias e caras. Para ligar em casa, ficávamos horas na fila e a conversa tinha de ser rápida para não inviabilizar o orçamento das férias. Estivéssemos no exterior, era mais fácil enviar um cartão postal, que tendia chegar ao destino depois de nós.

 

As notícias não circulavam. Quando muito apareciam estampadas na banca de jornal. Dependendo o lugar, chegavam à tarde. Em outros, só se alguém estivesse chegando à cidade. Lembro que em Nova York costumávamos ir até a rua dos brasileiros onde algumas tabacarias vendiam o Estadão, único jornal que desembarcava por lá nas asas das extintas Varig e Vasp. O que líamos tinha o sabor da novidade.

 

Hoje, assim que acordo, a tela do celular estampa as últimas do dia. O Twitter já me contou pedaços da história. E a caixa de correio eletrônico está cheia de pedidos e ofertas enviados por quem não sabe que você tem direito a férias.

 

Nestes últimos dias, os primeiros das férias, tenho sido bombardeado por tragédias.

 

Aqui na Itália, dois trens se chocam e 27 pessoas morrem. Teria havido falha humana, dizem os investigadores. Um agente de tráfego ferroviário não avisou ao outro que deixou passar despercebido e todos permitiram que dois trens pegassem a mesma via em sentidos contrários. Falha desse diacho da comunicação, o que nos remete a uma contradição moderna: ao mesmo tempo que estamos sufocados de informação, deixamos as essenciais de lado.

 

Além da comunicação, o acidente pode ter sido provocado pela corrupção, também. É o que diz a Autoridade Nacional Anti-Corrupção, Raffaele Cantone: o dinheiro roubado deixa de financiar obras de infraestrutura como as que duplicariam a linha onde ocorreu o acidente, que deveriam ter sido concluídas até o ano passado. Ainda não se iniciaram. Para ele, este é “um problema atávico do nosso país”. Do nosso também.

 

A imagem dos dois trens fundidos em ferro e morte destacada nos jornais e internet em seguida foi substituída pela de um caminhão conduzido por um terrorista, em Nice, na França. Ele atropelou e atirou contra a multidão que comemorava o 14 de julho, feriado nacional para celebrar os valores da Revolução Francesa. São 84 mortos até a última atualização. O motorista é um franco-tunisiano e foi morto por policiais.

 

Claro que eu poderia simplesmente desligar-me de tudo. Ao menos tentar. Deixar o computador fora do alcance ou o celular sem bateria. Talvez tivesse de restringir meu contato com as pessoas a um buongiorno ou uma buona sera, sem abertura para conversas do tipo: “che cosa succede?”.

 

Quem disse que consigo?

 

Aqui estou no computador, atualizando o blog para compartilhar com você, caro e raro leitor, as coisas que se sucedem – como se você não soubesse de tudo isso e mais um pouco. A impressão é que se não fizer isto, o cérebro vai transbordar de informação, o que me remete a percepção de Alain de Botton, filósofo do cotidiano, que  diz sermos todos viciados em notícia.

 

Para relaxar talvez a opção seja se ligar na sensação do momento e se transformar em um caçador de Pokemon. Aqui na Itália, aí no Brasil, ou em qualquer lugar que você navegar no noticiário, vai se deparar com informações sobre o novo jogo da Nintendo. Até autoridades públicas entraram na brincadeira como o prefeito Eduardo Paes pedindo que os monstrinhos cheguem para a Rio2016.

 

O problema é que pra se divertir tem de se conectar. E desligar é preciso!

O IBOPE das Marcas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O IBOPE, em pesquisa realizada com 25 mil consumidores no varejo, apresenta o ranking das 200 marcas mais significativas no mercado brasileiro de shopping centers.

 

O trabalho executado pelo IBOPE Inteligência, e intitulado de MARCAS VAREJISTAS, permite a lojistas e shoppings terem a real posição das marcas em setores, por classe social, idade e sexo.

 

As marcas, como sabemos, são hoje um bem precioso para qualquer negócio, a tal ponto que são ativos das empresas, mas pertencem aos seus consumidores.

 

Para Daryl Travis, em “A emoção das Marcas”:

 

“Uma Marca é um contrato não escrito de valor intrínseco, uma expectativa de desempenho, um pacto de coisas boas, uma apresentação de credenciais, um sinal de confiança, uma reputação, um acervo de memórias, e mais do que a soma de todas estas partes, uma Marca representa um aperto de mão como o sinal de um acordo bem realizado”.

 

A importância das marcas valoriza o seu estudo, e permite que o mercado possa usar os dados obtidos em área tão carente de informações.

 

Nesta pesquisa IBOPE, foram considerados os setores de vestuário masculino e feminino, calçado masculino e feminino, artigos esportivos, artigos infantis, roupa de cama, mesa e banho, e eletrodomésticos. As classes A, B e C com potencial de consumo respectivo de 13%, 40% e 31%, com renda familiar de R$2.7 mil a R$ 20,8 mil. Também foi criado um índice com base 100 para equilibrar as marcas expressivas que possuem distribuição regional com aquelas que têm cobertura nacional. Quanto maior o índice, maior a força da marca.

 

O quadro abaixo expressa a posição das marcas resultante destes fatores.

 

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Na classe A, que pela base de renda considerada não inclui o mercado de luxo, desponta a Le Lis Blanc com a maior pontuação da pesquisa. A Richards por sua vez encabeça Vestuário Masculino e Calçado Masculino.

 

Na classe B, as Pernambucanas é a única a comparecer em três setores. Lidera Eletrodomésticos, e ocupa o segundo em Roupas de Cama, Mesa e Banho e o terceiro em Artigos Infantis. A Luigi Bertolli, do GEP, tradicional em moda feminina, é líder em Vestuário Masculino. A Renner aparece em dois segundos lugares: Vestuário Feminino e Masculino.

 

Na classe C, o destaque é para a Torra Torra com primeiros lugares em Vestuário Feminino e Artigos Infantis, e segundo em Vestuário Masculino. A Impecável aparece na liderança de Vestuário Masculino e Calçado Masculino.

 

A Zara é a única marca estrangeira que aparece. Ocupa o segundo lugar em Artigos Infantis.

 

Em nosso artigo anterior chamávamos a atenção sobre algumas características do consumidor brasileiro que procura atendimento personalizado e parcelamento longo, entre outros fatores. Talvez esta seja a explicação pela ausência das marcas globalizadas.

 

Nesta hora em que algumas destas marcas bem ranqueadas estão enfrentando dificuldades, é tempo de usufruir deste sucesso.

 

E, por que não?

 

Leia aqui o artigo “Varejo internacional: fracasso e oportunidade”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: trabalho duro até o fim é recompensado

 

Grêmio 2×1 Figueirense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Grêmio comemora mais uma vitória na foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Vi parte, mas não vi tudo. Vi o primeiro gol na tela pequena do celular. E só vi porque o compromisso profissional do último domingo antes das férias atrasou. Providencial … pois foi suficiente para perceber que o Grêmio venceria seu compromisso no domingo pela manhã, o que estava claro desde o primeiro minuto de partida, quando só não abrimos o placar porque o zagueiro defendeu com o braço e o árbitro deu uma de joão-sem-braço.

 

Apesar dos ataques perigosos do adversário, os sinais que o Grêmio nos enviava era que o gol sairia e a vitória seria conquistada. E saiu no fim do primeiro tempo, de fora da área, e momentos antes de ter de desligar o celular.

 

Desliguei com a certeza de que conquistaríamos os três pontos. Verdade que nossas percepções nem sempre estão a altura da realidade. Aliás, era isso que discutíamos no programa que estávamos produzindo em que o tema principal é o poder da comunicação para quem pretende ser líder na sua carreira (líder, Grêmio … tudo a ver!). Às vezes, tentamos dizer algo, mas nosso interlocutor entende outra coisa. Às vezes, recebemos um sinal, mas enxergamos outro

 

Fechado em um estúdio de gravação por mais de 10 horas seguidas, com intervalo apenas para almoçar e algumas paradas técnicas, o que me restava era, em breves ligadas do celular, conferir o placar nas atualizações feitas pelo aplicativo do Grêmio.

 

O trabalho exaustivo me impediu de sofrer tanto quanto o torcedor que assistiu à injustiça do gol de empate e ao desespero de desperdiçarmos mais dois pontos dentro de casa. Ao menos tempo me tirou o prazer da recompensa saborosa de quem sofre mas acredita até o fim, aliás, acredita além do fim.

 

O gol aos 47 do segundo tempo, que não é mais novidade para este time que nunca desiste de lutar, confirmou minha percepção ainda no primeiro tempo. Talvez não tivesse saído e minha expectativa se frustrasse. Nem sempre as coisas acontecem como acreditamos e gostaríamos.

 

Roger, sua precisão e percepção, porém, fizeram sua parte ao colocar em campo dois jogadores que seriam decisivos na vitória desse domingo: Pedro Rocha e Bobô.

 

Com a vitória confirmada e meta alcançada, minha tarefa que se estendeu até próximo da meia-noite ficou menos árdua. Apesar do trabalho exaustivo, não havia do que reclamar: o Grêmio vencia mais uma, a gravação foi excelente e as férias estavam começando.

 

Até logo mais!

Quintanares: Rechinam meus sapatos rua em fora

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos
Narração de Milton Ferretti Jung

 

XXX [RECHINAM MEUS SAPATOS RUA EM FORA]

 

Rechinam meus sapatos rua em fora.
Tão leve estou que já nem sombra tenho
E há tantos anos de tão longe venho
Que nem me lembro de mais nada agora!

 

Tinha um surrão todo de penas cheio…
Um peso enorme para carregar!
Porém as penas, quando o vento veio,
Penas que eram… esvoaçaram no ar…

 

Todo de Deus me iluminei então.
Que os Doutores Sutis se escandalizem:
“Como é possível sem doutrinação?!”

 

Mas entendem-me o Céu e as criancinhas.
E ao ver-me assim, num poste as andorinhas
“Olha! É o Idiota desta Aldeia!” dizem…

 

Quintanares foi ao ar originalmente na rádio Guaíba de Porto Alegre

Mundo Corporativo: selfie, batimento cardíaco e outras novidades para pagar as contas

 

 

Em lugar da senha, um selfie. Ou quem sabe, uma pulseira que vai medir o seu batimento cardíaco. Essas são algumas das tecnologias em desenvolvimento para autenticação de pagamentos de contas. No Mundo Corporativo, o presidente da Mastercard no Brasil e Cone Sul, João Pedro Paro Neto, fala da evolução no mercado de cartões de crédito. Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, o executivo faz uma avaliação do momento que as empresas do setor estão enfrentando e das oportunidades de carreira.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participaram deste Mundo Corporativo: Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: no banco do Pateo do Collegio

 

Mônica Ortiz
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

Eu trabalhava na Associação Comercial de São Paulo, próximo ao Pateo do Collegio.

 

Era apaixonada por um funcionário da área de marketing. Ele era lindo.

 

Acontece que após alguns meses almoçamos juntos e fomos passear na região.

 

Sentamos em um banco dentro do Pateo do Collegio, ali onde São Paulo foi criada.

 

Naquele cenário histórico, ele me beijou.

 

Eu fiquei em êxtase, não lembrava de nada, não via mais nada, não sentia mais nada, além daquele beijo.

 

Foi, então, que uma mão cutucou meu ombro. Era o coroinha a mando do Padre que eu sequer sabia que vivia ali.

 

Mandou a gente circular para a minha total vergonha.

 

Fiquei super vermelha, constrangida ….

 

Mas quer saber: foi um momento único.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP, tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung

The Paradise: leve, gostosa e inocente

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Paradise – série”
Um filme de Bill Gallager
Gênero: Série de época
País:Inglaterra

 

Um homem, Mr. Moray, abre loja de departamento em meados do sec XIX. As técnicas do varejo ajudam a permear uma história de amor entre Moray e sua vendedora mais perspicaz, Denise. Logicamente, esta história será muitas vezes interrompida por intrigas e ciúme.

 

Por que ver:
Para quem gosta de séries e filme de época, esta é bem levinha, gostosa e inocente. Para as pessoas ligadas de alguma maneira ao marketing e ao varejo, certamente vão se deliciar com a inteligência dos personagens principais em criar uma atmosfera que propicia a venda de seus produtos.

 

Como ver:
Neste frio, acho bem gostosa de assistir com qualquer que seja a companhia e de preferência com uma cobertinha e pipoca.

 

Quando não ver:
Se estiver lançando algum capítulo de “Game of Thrones” novo! rsrsrsrsrsr

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Estado laico, #SQN

 

Marcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político.
Integrante do Adote um Vereador.

 

Como sou constitucionalista, em regra inicío meus textos pela Constituição Federal (CF), pois ela está no topo do ordenamento jurídico, e diante do tema ora tratado, não poderia ser diferente. Desta vez, iniciarei não citando um artigo da Constituição, mas seu preâmbulo, que se encontra antes mesmo do texto legal, propriamente dito. Há controvérsias sobre a normatividade deste dispositivo da CF, mas isto não é relevante para o momento, fato é que no corpo do preâmbulo, há uma menção religiosa.

 

Segue o preâmbulo:

 

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.” (grifo nosso)

 

A CF brasileira de 1824 estabelecia como religião do Império, o catolicismo, portanto a religião católica era a oficial do Estado. Contudo, a CF de 1988, que ainda está em vigor – embora não pareça – não estabelece qualquer religião como a oficial do Estado brasileiro.

 

Assim, estabeleceu em seu art. 19, I:

 

“É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvenciona-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.”

 

Deste dispositivo é que se baseia a característica do Estado brasileiro como um Estado laico. Portanto, questiona-se por qual motivo constou no preâmbulo da Constituição a frase “sob a proteção de Deus”. Seria um contrassenso.

 

Destacarei algumas curiosidades que ocorrem nas Instituições brasileiras, compostas pelos Poderes da República, que demostrará que esta norma não é respeitada.

 

Na esfera do Legislativo, já assistiram à alguma sessão legislativa? O presidente da Casa a inicia com a seguinte frase: “Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos”. Isto ocorre na esmagadora maioria dos Parlamentos brasileiros. Contudo, esta menção acima não é atoa, a título de exemplo – muito embora o Brasil seja laico – consta no Regimento Interno da Câmara Municipal de São Paulo, que data 1991 (portanto, posterior a CF/88), em seu art. 138 a seguinte norma:

 

“Declarada aberta a sessão, o Presidente proferirá as seguintes palavras: “Sob a proteção de Deus, iniciamos o nosso trabalho”.

 

E continua em seu parágrafo único:

 

A Bíblia Sagrada deverá ficar, durante todo o tempo da sessão, sobre a Mesa, à disposição de quem dela quiser fazer uso”.

 

No Congresso Nacional temos a bancada “BBB”, da “bala” que representa os
militares/policiais e as indústrias do armamento; do “boi” que é do agronegócio e da “bíblia” que são dos religiosos (evangélicos). Este grupo vem dominando o Congresso brasileiro com pautas conservadoras.

 

Mas o que me despertou a escrever sobre o tema, foi o fato de que recentemente
estive na Assembleia Legislativa do meu estado e me deparei com um enorme crucifixo em um dos espaços do Palácio 9 de Julho, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).

 

Primeiramente, me questionei, o motivo daquele símbolo estar ali e posteriormente, o porquê do tamanho exagerado do mesmo. Realmente me assustei ao ver a cena. Repare o local, na foto. Parece uma igreja/templo religioso, não é mesmo? Mas trata-se da ALESP,sede do Poder Legislativo paulista, uma Instituição do Estado brasileiro.

 

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Assembleia Legislativa de São Paulo

 

Ainda, me indaguei: estou na Assembleia de Deus ou na Assembleia Legislativa? Ah, a Assembleia de Deus, não reconhece o crucifixo, por ser um símbolo católico. Fiz apenas uma correlação com a palavra “assembleia”.

 

Outro absurdo praticado no âmbito do Poder Legislativo brasileiro se dá na
Assembleia Legislativa do Ceará, onde há no plenário um crucifixo entre a bandeira do Brasil e a bandeira do Estado do Ceará, como vemos na foto.

 

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Assembleia Legislativa do Ceará

 

No plenário da Câmara dos Deputados, local onde a Constituição Federal foi
promulgada, também há a presença do símbolo religioso. Notem que de maneira bem discreta, mas ele está lá ao centro do plenário, conforme destaca a imagem a seguir.

 

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Câmara dos Deputados

 

Interessante observarmos, que embora a “Constituição cidadã”, estabeleça que o
Estado brasileiro seja laico, no local onde a mesma foi promulgada – plenário da Câmara Federal – faz-se presente ao fundo da foto do Ulysses Guimarães erguendo a Constituição de 1988, o tal crucifixo. Algo totalmente incoerente, uma vez que se a partir daquele momento o Brasil já seria laico, porque o símbolo de determinada religião estava presente na “festa da democracia”.

 

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Ulysses Guimarães e a Constituição Cidadã

 

Como se não bastasse o Poder Legislativo desrespeitar a Constituição, outro Poder também comete o mesmo equívoco.

 

O Poder Executivo também faz uso do símbolo maior da religião católica. Na
sede de diversas prefeituras, de vários Estados, os chefes do Executivo mantém em seus gabinetes o símbolo da igreja, em desconformidade com a norma constitucional.

 

Até no Executivo Federal, há no gabinete da Presidência da República, um crucifixo anexado na parede.

 

Pelo que determina o texto constitucional, cabe ao Poder Judiciário fazer com que a lei seja cumprida. Mas o que esperar, quando quem deveria fazer respeitar não respeita?

 

Pasmem! O próprio “guardião” da Constituição da República Federativa do
Brasil, o famigerado Supremo Tribunal Federal (STF), aquele que deveria fazer respeitar as normas nela contida, também possui o crucifixo afixado na parede de seu plenário.

 

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Supremo Tribunal Federal

 

Como bem observado pelo Procurador de Justiça do Estado de São Paulo, Clilton
Guimarães dos Santos, “estamos perdendo o Estado laico”. Ainda, podemos dizer popularmente que esta norma “não pegou”.

 

O que fazer quando o próprio STF, órgão máximo, resolve violar a legislação
pátria? Pois não é somente em relação ao laicismo, que a Suprema Corte vem tendo
comportamentos e decisões ora tendenciosas, ora inconstitucionais, ora questionáveis.

 

Como bem analisa o advogado Ricardo Vita Porto, “O Guardião se tornou o
violentador”. Quem poderá nos defender? Pois os Estados democráticos são Estados laicos.

 

Mas o Brasil ultimamente…

 

Deixo claro, que não defendo o Estado ateu, o que é diferente de Estado laico, pois no primeiro seria privilegiar esta não crença em detrimento das diversas religiões, o que também afronta a Constituição.

 

Analisando mais profundamente, poderíamos dizer que o Estado brasileiro, como
denomina alguns estudiosos da matéria, seria um Estado plurireligioso, pois aceita várias religiões, apenas não privilegia qualquer uma delas nem discrimina a falta de crença religiosa.

 

Diante dos fatos, concluímos que o Estado brasileiro talvez seja laico (na teoria), mas as Instituições estatais, não o são. Prova que a política e a religião se misturam e dominam.

 

Por enquanto, a religião dominante é a católica, mas a marcha evangélica está em curso.

Varejo internacional no Brasil: fracasso e oportunidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As grandes marcas do varejo mundial de moda não passam por um momento de sucesso no mercado brasileiro.

 

A consultoria SONNE Consultoria apresenta estudo sobre as principais operações internacionais e seus desempenhos, em reportagem publicada no Blog “O negócio do varejo”:

 

C& A, desde 1976, hoje baixa os preços e anuncia fechamento de 12 lojas.
Zara, que começou em 2000, oferece produtos para as classes A e B, enquanto no exterior atende B e C.

 

Kate Spada ficou 5 anos e fechou as 8 lojas.

 

Gant começou em 2008 e findou em 2014. Planejava abrir 20 unidades.

 

Topshop abriu sua primeira loja em 2012 e com problemas de custo de ocupação saiu em janeiro deste ano fechando as 3 unidades.

 

Gap veio em 2013 tendo o Gep (Cori e Luigi Bertolli) como máster franqueado. Está em Recuperação Judicial culpando o alto custo da importação.

 

Forever 21 chegou em 2014 e, hoje, se especula que apresenta baixa rentabilidade.

 

H & M abriu empresa em São Paulo, em 2014, e desistiu alegando altos custos de instalação, manutenção e importação.

 

A Sonne Consultoria, através de seu diretor Maximiliano Bavaresco, afirma que o ambiente no Brasil dificulta a operação do grande varejo:

 

“esses modelos de negócios dependem de uma cadeia de produção e de um sistema de logísticas muito eficientes, com capacidade de entrega e adaptação a mudanças na demanda que não temos”.

 

“Se optam pela importação o problema é maior, pelo câmbio, pelas tarifas e pela burocracia”.

 

Acredito que falta uma questão: será que além de neutralizar os entraves apontados, operacionais e burocráticos, essas empresas não deveriam se adaptar ao consumidor brasileiro?

 

O português José Neves, CEO da Farfetch, um e-commerce de sucesso global, entrevistado por Jorge Grinberg no mesmo blog afirma:

 

“O comportamento do consumidor brasileiro é muito distinto, aqui ele demanda muito mais serviços como compras parceladas, personal shoppers, entre outros”.

 

À observação de Neves, podemos acrescentar o exemplo nativo da Renner, que se transforma em varejo responsivo às demandas do consumidor atual, com sortimento, preço adequado e serviços.

 

Culpar o mercado que se quer conquistar em vez de estudá-lo certamente não é o caminho do sucesso.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: o sinal da vitória!

 

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Brasileiro – Beira Rio/POA-RS

 

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Douglas comemora único gol no Gre-nal, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

O rapaz da manutenção apareceu aqui em casa com a camisa do Grêmio, mas disse que é palmeirense: “uso a camisa porque acho a mais bonita” (eu, também!). Aproveitei para mostrar-lhe a coleção que está em fase de reconstrução desde que tive meu acervo roubado, em São Paulo.

 

O padre gremista que sempre me recebe na porta da igreja aos domingos estava de vermelho e branco. Ao cumprimentá-lo com olhar desconfiado, ele arriscou: “será uma premonição?”. Sem saber o que responder, sorri amarelo para, em seguida, ouvir outra pergunta: “pode dar azar?”.

 

Padre falando em sorte e azar? Fiz o sinal da cruz e entrei.

 

Para um domingo de Gre-nal, palmeirense com a camisa do Grêmio e gremista com as cores do adversário, convenhamos, são sinais conflitantes.

 

Antes de o jogo se iniciar, tentei decifrá-los, na tentativa de antecipar o que aconteceria em campo logo em seguida. Mas não encontrei resposta razoável, a não ser a preocupação.

 

E foi com dose extra de preocupação que me postei diante da TV, neste domingo pela manhã.

 

Assim que a bola rolou, vi nosso time com aquela marcação sob pressão já no campo de defesa do adversário. Era sinal de que jogaríamos com a postura de quem está em casa, mesmo não estando.

 

Havia pouco espaço para jogar de um lado e de outro. O passe precisaria ser muito preciso e o drible faria a diferença. Douglas, Giuliano, Luan e Everton mais à frente, ensaiavam algumas jogadas, mas sem chegar na condição ideal para o gol.

 

O melhor sinal mesmo vinha lá de trás, com a defesa firme na marcação, roubando bolas e jogando para longe quando necessário – às vezes, para escanteio, o que poderia ter sido evitado.

 

Em um jogo congestionado, o contra-ataque era a chance de se tocar a bola com menos sufoco. E foi o que aconteceu aos 19 minutos do primeiro tempo, com a roubada de bola no nosso campo e a disparada para o ataque, com passe de pé em pé, jogadores próximos um dos outros, deslocamento rápido de Everton pela esquerda, o chute que já virou uma de suas marcas e a sobra para quem aparecer dentro da área: Douglas, o camisa 10, apareceu e marcou.

 

O Grêmio saía na frente do placar, mas não seria suficiente para sinalizar o que poderia ocorrer no restante do jogo, mesmo porque esquecemos que estar com a bola no pé é a maneira mais segura de evitar qualquer risco.

 

Riscos não faltaram no segundo tempo, com bola cruzando de uma lado, cruzando de outro, passando rente a trave, sendo despachada pelos zagueiros de cabeça, com o pé ou o do jeito que desse. Tinha também Marcelo Grohe para evitar o pior que se avizinhava.

 

“Estamos dando muita sorte para o azar”, pensei em voz alta e logo lembrei de um dos diálogos com o padre na porta da igreja.

 

Sorte? Azar? Meu Deus do Céu, lá vem a bola de novo!

 

Àquela altura, a nosso favor apenas o relógio que não parava um segundo sequer e a cada segundo que passasse nos deixava mais próximos da vitória. Havia também o desespero adversário que colocou quem pode dentro da nossa área, até o goleiro . Falharam todos.

 

Diante daquela situação, o sinal mais comemorado foi mesmo o apito final do árbitro que nos garantia a vitória no Gre-nal.

 

Com a conquista do clássico, mais três pontos na tabela e as perspectivas mantidas na busca pelo título do Campeonato Brasileiro, tentei entender o que todos aqueles sinais antes da partida tentaram me dizer.

 

Do palmeirense com a camisa gremista, imagino que seja o respeito a quem está chegando para tirá-los da liderança.

 

Já o vermelho e branco que se destacavam na vestimenta do padre e na decoração da igreja eram o convite para mais uma festa. Lá na igreja, pela solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo; lá na casa do adversário, pela vitória do técnico que prefere dirigir um time de qualidade a um trator de pneu furado.