Por Maria Lucia Solla
Já perdi a conta de quantas vezes renasci, só nesta vida. Renasci do mais incrível ao mais banal desmoronamento, vezes e vezes. Houve muitos parciais e outros poucos, mas quase totais.
Cheguei à conclusão de que os melhores desmoronamentos são os quase totais. Doem muito e deixam cicatrizes para que a gente possa se lembrar de ser mais humilde, mais generoso, mais vazio de resposta e cheio de tanta pergunta.
Apesar de todo esse nasce e renasce, continuo ingênua, mas já encaro as dificuldades com mais compaixão. Por mim mesma, e pelos outros. Vejo a vida com outros olhos a cada renascer.
Sou personagem e essência o tempo todo. Acordo de manhã, me encontro e me aceito. Não tem como evitar. Se tem missão, é um dia abençoado; dia vazio é perigo que se insinua, por isso procuro missões de todo tipo, o tempo todo. Limpo a casa, arrumo gavetas, esvazio caixas, escrevo, alimento a Valentina, escrevo, leio, assisto a mais uns três episódios de Desperate Housewives, organizo o externo para poder entender o interno. E gosto do que vejo. Ou ao menos já começo a gostar mais.
Se me sinto leve e realizada, depois de tanto sufoco? Graças a Deus, não. Tenho ainda muito peso para descartar e muita, muita coisa na fila para realizar.
Com boas palavras.
palavra repetida
em lábios ávidos
por maledicência
inimizade
e desafeto
pode se virar
contra quem a proferiu
certeira
modificada
feia
desagregadora
mortal
Parole, parole, parole…
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung















