Oferta de secador em “manto sagrado” dá confusão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Casa & Vídeo, tradicional empresa de varejo de eletrodomésticos, utilizou a torcida do Botafogo, emblemático clube do futebol carioca, para promover a sua marca. Lançou uma campanha de escolha de um produto para ofertar em homenagem ao Dia da Mulher. E usou como veículo a camisa do Botafogo. Foi no clássico com o Fluminense, disputado domingo no Maracanã.

 

Não bastasse o inédito e bizarro processo de comunicação, o secador de cabelo, produto escolhido pela torcida botafoguense, teve dois preços. Os jogadores entraram em campo com a oferta de R$ 49,00 e trocaram de camisa no segundo tempo da partida, com o secador anunciado em nova camisa por R$ 39,00.

 

Se Heleno, Nilton Santos, Didi ou Garrincha, jogadores que honraram a camisa botafoguense, presenciassem a derrota no domingo, certamente se espantariam não com o resultado, talvez nem tanto com a promoção, mas com a anuência e a participação de torcedores, que normalmente consideram a camisa do clube como um manto sagrado.

 

Se, no atual contexto nacional ações que buscam vantagens financeiras, legais ou ilegais, tornaram-se rotinas, nada mais há que deveria surpreender. Entretanto, o torcedor de futebol normalmente é um fanático por definição. Colocando muitas vezes o amor pelo clube acima das paixões mais convencionais, como as da família.

 

Endossar uma oferta de secador na camisa do clube que ama foi de espantar. Assim como foi de mal gosto a direção do Botafogo aprovar.
E, para congestionar o verossímil, ontem, a Secretária do PROCON, Cidinha Campos, anunciou que irá processar a Casa & Vídeo por propaganda enganosa, além de encaminhar ao CONAR a questão. Está inconformada com rebaixamento de preço em prazo curto demais.

 

Se a moda pegasse, o mundo iria esquecer o 7×1. Zombariam das futuras promoções que viriam. Ou virão?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Inezita Barroso , guardiã da música caipira e da cultura do interior do Brasil

 

 

Inezita Barroso morreu neste domingo, dia 8 de março, dias após completar 90 anos. Tímida, apesar de dominar com maestria o palco e o público, e de sorriso fácil, mesmo que insista em dizer que era um professora brava, ela foi uma mulher encantadora. Fui conhecê-la, ao vivo e em cores, nos bastidores da TV Cultura, onde já apresentava Viola Minha Viola, programa que esteve no ar por 35 anos. Mesmo próximo dela, eu mantinha meu silêncio em reverência a cultura e conhecimento que Inezita carregava consigo. Ficava só a espreita ouvindo os causos que contava. E poucas pessoas conheceram tantos quanto ela. Mais do que isso, sabiam contar como ela, com riqueza de detalhes e conhecimento de causa.

 

Fui conversar com Inezita mesmo, além de alguns cumprimentos envergonhados, quando já estava na CBN em entrevistas esporádicas e programas especiais. Um deles, quando no estúdio da CBN, comemoramos juntos os 80 anos de vida de Inezita – época em que lançava CD em homenagem aos 25 anos do programa Viola Minha Viola. Oportunidade em que ela se mostrou muito à vontade contando cada detalhes da sua rica vida artística e cultural. Uma riqueza que começou a ser construída ainda pequenina e em família. Nasceu na Lopes de Oliveira, no bairro da Barra Funda, e conviveu na casa do avô, na Conselheiro Brotero, em São Paulo. Família apaixonada pela cultura e pela música brasileiras que recebia alguns dos maiores intelectuais e artistas da época: Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Cândido, Mário de Andrade – gente que ela viu, ouviu, mas conversou pouco pois se dizia envergonhada, humilde. Um contato, porém, que foi suficiente para ela se apaixonar pela leitura, a ponto de formar em bibliotecononia.

 

Foi no interior, em Matão, na fazenda dos parentes, que ela passou a ouvir a Moda de Viola e as músicas religiosas, que a marcaram para sempre. Curiosamente, ela aprendeu a gostar desta música em uma época que se fazia pouco caso do caipira. Mais ainda: em uma época que mulheres tocando este tipo de música não eram aceitas. Mas Inezita sempre foi muito forte para se entregar por tão pouco. Pegou a viola aos seis anos mas foi tocá-la de verdade lá pelos 18/19 anos. Antes de fazer sucesso com a música, esteve no palco do teatro, fez cinema, ganhou prêmios importantes como atriz. O primeiro disco saiu em 1953, quando Inezita foi ao Rio, com Paulo Vanzolini, gravar Marvada Pinga, uma das músicas que marcaram sua carreira. Era só um teste, não se pensava em colocar à venda. Como o disco tinha dois lados, precisava escolher outra música e Vanzolini ofereceu Ronda, que não era caipira, era samba (e samba de paulista). E um lado e o outro do disco fizeram um baita de um sucesso.

 

Inezita se transformou em guardiã da música caipira e da cultura do interior do Brasil, carregou esta bandeira e história por todo o país, preservou-a na televisão, com seu programa na TV Cultura, e na academia, onde foi professora por muitos anos. Rígida professora, pois não admitia aluno copiando texto errado da internet. Obrigava-os a pesquisar e conversar com quem fez a história. E assim aprender e tomar gosto pela cultura brasileira como ela. Inezita é daquelas pessoas para as quais o Brasil terá de, eternamente, fazer reverência. E pelas quais, a gente dá graças à Deus por ter tido oportunidade de conhecer.

 

O programa que realizamos no CBN São Paulo, em 2005, você ouve no arquivo acima.

Avalanche Tricolor: a alegria do gol

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foram quatro gols na partida do fim deste sábado. Claro que vou me dedicar aos três que tiveram nossa marca – apesar de o deles também ter tido, mas, convenhamos, hoje não é dia de choradeira. Vamos ao que interessa e nos dá alegria.

 

O primeiro foi especial não apenas pela maneira como ocorreu: gol Olímpico para marcar a retomada das vitória na Arena. Mais do que um jogo de palavras, a importância do gol de Douglas se dá por ter acontecido quando a impaciência já tomava conta de parte das arquibancadas. E do time, também, pois, diante de mais um ferrolho, encontrava dificuldade até mesmo para chutar. Alegra-me saber que voltamos a ter a possibilidade de marcarmos do que, erradamente, batizou-se no futebol como sendo “gol de bola parada”. É jogada que precisa ser treinada e bem aproveitada, especialmente porque retrancas serão encaradas no Campeonato Gaúcho e nas primeiras rodadas da Copa do Brasil. Estávamos precisando incluir estes lances em nosso cardápio. Ainda estamos devendo na cobrança de falta.

 

O segundo resultou da marcação forte que vem se tentando fazer ainda no campo do adversário. No clássico da semana passada foi o que nos deu vantagem em parte do jogo, e hoje foi o que levou Marcelo Oliveira a roubar a bola e permitir o contra-ataque. A velocidade até a área e o chute forte de Everaldo, que havia entrado fazia pouco tempo, permitiram que Marcelo Oliveira concluísse em gol. O sorriso no rosto do polivalente volante foi a imagem mais marcante da partida na minha opinião. Andava cansado de ver aquelas caras fechadas e testas franzidas de preocupação; ou a indiferença nas comemorações, resumidas a algumas trocas de abraços e nenhum afago para a torcida. A felicidade de Oliveira mostra bem o quanto ele está engajado na ideia de dar a nós gremistas novas alegrias.

 

O terceiro veio na hora certa (se é que existe hora errada para marcar gol)! E nos pés do cara certo, também. Yuri Mamute é promessa já faz algum tempo. Faz gols com a camisa da seleção e gols nas categorias de base. No time principal, porém, ficávamos apenas na expectativa de vê-lo explodir em campo um dia. Domingo passado, se saiu bem, mas não foi além disso. Hoje, explodiu mesmo e com aquela massa muscular que se destaca saiu em disparada para o ataque sendo caçado pelo marcador. Por mais que fosse empurrado e chutado, não perdeu o controle da bola nem mesmo diante do goleiro. Teve calma para driblar e encontrar o espaço preciso. Foi comemorar nos braços da torcida e nos deu o direito de sorrir mais uma vez no Campeonato Gaúcho.

 

Se Mamute merecia este gol pelo esforço que faz em campo sempre que veste a camisa tricolor, nós, também merecíamos a alegria desta vitória. A alegria que só a repetição de gols como os deste sábado à noite é capaz de nos oferecer.

 

As fotos deste post são do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Conte Sua História de SP: aquela família que a gente forma por opção

 

Por Laura Hokama
Ouvinte da rádio CBN

 

 

São Paulo em que nasci, vivo profundamente todo o caos urbano e agradeço aos meus avós que vindo se aventurar de Okinawa- Japão, passaram por outras cidades e… pararam em São Paulo!!! Ê…Ê…Ê…Ê… São Paulo … Ê ….. São Paulo, São Paulo da garoa, São Paulo da terra boa!

 

Nos meus 50 e tralala…. morei no Tatuapé cuja referência é a rua Jacirendi, travessa da avenida Celso Garcia…. rua em frente ao prédio do Banco do Brasil, este construído com pastilhas brancas e azuis que na época era super Chic!

 

Na lembrança os vizinhos: dona Mercedes que morava num casarão chic e tinha telefone na casa dela! Ah! A dona Higínia também tinha sua casa muito chic e telefone! Esta por gostar muito da minha mãe, oferecia, quando se fosse por necessidade, o uso de seu telefone, mas a dona Guida, minha mãe, educadamente, sempre agradecia e quando precisávamos corríamos na farmácia do Megale para telefonar e não incomodar a dona Higínia!

 

A dona Léa, também com seu acolhimento humanamente amoroso, abria a sessão de sua super TV para os amigos de seu filho, o qual era o meu amigo rico!! As lembranças das tardes que chegávamos em sua casa, tirávamos os chinelos no quintal e entrávamos na sua cheirosa casa, íamos para a sala e assistíamos a TV, não lembro a marca, mas era linda, ficava embutida num armário com duas portas que se abriam para ser ligada e nos entretíamos por horas!

 

Tinha o barzinho do “ seu Zé” que, vez ou outra com os trocadinhos que guardávamos, íamos lá para escolher os doces de sua vitrine. Eu adorava o suspiro cor de rosa! São muitas as lembranças desta rua que ainda residem em minha memória!

 

Crescida, morei em outros bairros, fui morar em outras cidades do interior, e, agraciada, voltei para São Paulo!

 

Hoje, resido na Água Branca! Aqui era uma região com muitas fábricas e casas. Infelizmente ou felizmente, estão chegando os prédios, um deles onde moro. No prédio, vão chegando os novos vizinhos, todos se conhecendo e, passado um ano de convivência, formamos uma família! É, aquela família que a gente forma por opção! Afinidades por pensamentos, crenças e atitudes! Alguns, às vezes, se estranham, mas arrumam um jeitinho para conviver.

 

Percebo que estamos fazendo parte da mudança da região, fábricas saindo e chegando as moradias residenciais. Sabe, já está previsto uma linha do metrô, que ficará a poucos metros do prédio.

 

É a nossa São Paulo se modificando, crescendo e se expandindo para acolher os filhos da Terra!

 

Laura Hokama é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie a sua história para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Artur Hipólito do Zaiom fala de franquias de baixo custo

 

 

“As microfranquias são para as pessoas que estão mudando o mundo do emprego pelo mundo do trabalho; e que vão se dedicar durante uma fase da sua vida a construir esse pequeno negócio até que ele tenha as condições necessárias para que possa ser formatado melhor do ponto de vista da contratação de pessoas e recursos humanos para operar suas atividades”. A afirmação é de Artur Hipólito, sócio-diretor do Grupo Zaiom, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Hipólito explica quais são as estratégias para quem pretende entrar neste mercado de franquias de baixo custo: “é muito importante a pessoa separar o que vai fazer, porque nem sempre o negócio que é bom para o seu cunhado, ou para o vizinho do lado, é bom para você, e às vezes a pessoa chega e pergunta o seguinte: o que que está dando dinheiro? Eu costumo responder o seguinte: vender coxinha na porta do campo de futebol dá dinheiro. Qualquer coisa que você vier dá dinheiro, desde que você faça com muito amor, com coração e muito trabalho”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, toda quarta-feira, às 11 horas, no site http://www.cbn.com.br​ Você participa com perguntas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

O Jogo: é teste para cardíaco!

 

FILME DA SEMANA
“O Jogo”
Um filme de David Fincher.
Gênero: Ação/Suspense
País:USA

 

 

Nicholas Van Orton (Douglas), um homem de negócios mal-humorado, acaba de fazer aniversário. O irmão oferece-lhe o cartão de uma empresa chamada Consumer Recreation Services. É um presente de “vida” … Através de um jogo obscuro o participante “vai brincar” sem saber sequer qual a finalidade. Os estranhos acontecimentos começam a manifestar-se acompanhando o início do Jogo, em que os organizadores parecem monitorizar por completo a vida do participante. As linhas das fronteiras entre o real e a ficção tornam-se cada vez mais difíceis de distinguir.

 

Porque ver: O diretor David Fincher filmou os seguintes títulos: Seven, o Curioso caso de Benjamin Button, Garota Exemplar, Clube da Luta, A Rede e Os homens que não Amavam as Mulheres, etc… Bom, acho que convenci você, não? Este diretor é um fenômeno por si só.

 

Como ver: Quando estiver em busca de emoção!!!! Quando você vai a Natal andar de buggye nas dunas, eles perguntam: “com ou sem emoção”? Este, definitivamente, é “com”.

 

Quando não ver: Tem problemas cardíacos ou respiratórios? Se a resposta for sim, este não é um filme indicado a você.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Adote um Vereador: plataforma permitirá que cidadão vote projetos que estão na Câmara de São Paulo

 

EUVOTO

 

O cidadão paulistano poderá, a partir de agora, registrar sua opinião sobre os projetos de lei em discussão na Câmara Municipal graças a plataforma virtual #EuVoto. Será uma grande oportunidade para você influenciar nas decisões dos vereadores da capital paulista. No site estarão algumas das principais propostas que tramitam no legislativo e o internauta terá a oportunidade de dizer se é a favor, contra ou se prefere se abster. A ideia é que a participação popular na plataforma coloque os projetos de lei votados pelos cidadãos na pauta da opinião pública para dar visibilidade às questões que têm impacto no cotidiano da população. Eu Voto é uma iniciativa da Open Knowledge Brasil com apoio da Fundação Avina. Na Câmara Municipal de São Paulo, o projeto já conta com a parceria do gabinete do vereador Ricardo Young e está em busca de outros apoios no legislativo municipal.

 

O Software usado pela plataforma é o DemocraciaOS, um programa livre criado na Argentina, e já presente em cidades da Argentina, do México, da Ucrânia, da Finlândia, da Espanha e dos Estados Unidos. Uma das idealizadoras, Pia Mancini justificou a necessidade atual de uma ferramenta como essa no último TED Global, em outubro de 2014, realizado no Rio de Janeiro. Sem conseguir emplacar a ideia no legislativo argentino, decidiu lançar candidatura própria com a proposta de ser pautada pela decisão dos eleitores que opinassem na plataforma. Conheça mais sobre a ideia dela, no vídeo a seguir:

 

 

Agora, cabe a você cobrar do seu vereador a presença firme, forte e democrática nesta plataforma

Vamos deixar de tomar banho para lavar o carro?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A água como recurso escasso é hoje uma realidade que a maioria dos habitantes das grandes cidades brasileiras tem consciência. Em São Paulo, onde o problema aparece com maior gravidade, o governo se apressou em criar um novo nome (crise hídrica), mas demorou em tomar medidas contingenciais e estruturais necessárias.

 

O jornalista André Trigueiro no programa Fim de Expediente, da rádio CBN, resumiu bem as faltas que geraram a atual falta d’água. Todas elas por culpa da civilização moderna que, se comparada às mais avançadas da antiguidade, perde de 7×1. Impermeabilizamos o solo, construímos sem priorizar a ventilação e a iluminação natural, usamos água potável para limpeza de calçadas e latrinas, misturamos a coleta de lixo, e cobramos a água de forma coletiva na maioria dos edifícios. Ao mesmo tempo, formamos engenheiros que tratam o lixo como lixo, e economistas que deveriam administrar recursos naturais como a água, as matérias primas e a energia como escassos, mas são iludidos pela abundância dos mesmos.

 

Acrescentaria à lista de Trigueiro um puxão de orelha no governo e outro na população.

 

Da parte da Prefeitura e do Estado, a inépcia em controlar o adensamento urbano e o desmatamento nas áreas dos mananciais. Verdadeiros crimes ambientais. Submissão a interesses comerciais e eleitoreiros.

 

Da população, que possui uma frota de seis milhões de veículos, nenhuma restrição à lavagem destes automóveis. É visível que não houve mudança na limpeza dos carros que estão circulando. Quanto mais novo e maior, mais limpo. É só sair à rua e conferir. O tema é grave, pois a lavagem convencional gasta de 300 a 500 litros por carro, a de WAP, máquina de jato, 90 litros, a de vapor 5 litros e à seco 1 copo, ou nada. Os preços para as lavagens convencionais são bem menores, e a oferta de serviços especiais ainda é incipiente.

 

Será que a nossa conhecida paixão pelo automóvel leva o seu dono a não tomar banho para lavar o carro?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Campanha propõe criação de DNA das armas para combater violência

 

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Impossível rastrear quatro de cada 10 armas usadas para cometer assassinatos no Brasil, pois estão com a numeração alterada. A situação é mais complicada quando se faz a busca em armas usadas durante os roubos: 54% estão com a numeração raspada. Estes são resultados de pesquisa inédita sobre o caminho percorrido por armas apreendidas em situações de crimes, realizada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com o Instituto Sou da Paz. O trabalho analisou 4.289 armas apreendidas em roubos e homicídios, na cidade de São Paulo, nos anos de 2011 e 2012.

 

Com aproximadamente metade das armas não tendo seu perfil revelado por conta da numeração raspada, fica ainda mais difícil o trabalho de investigação e o controle do mercado de armas no Brasil. A proposta agora é da criação do DNA das armas, sistema que já funciona em outros países como a Suíça. Impossível de ser visto a olho nu, o DNA poderá ser aplicado por meio de um registro de várias partes da arma, com isso a supressão da identificação somente será possível por meio da destruição da arma.

 

Com base neste trabalho, o Ministério Público e o Instituto Sou da Paz lançam campanha “DNA das Armas” destinada a promover o debate na sociedade sobre a necessidade de implantar esta tecnologia inteligente de marcação individual das armas de fogo, fabricadas no Brasil. De acordo com os organizadores da campanha esta é uma forma de aprimorar o “raio-x” da violência e com isso aperfeiçoar o combate ao crime, especialmente o de roubo.

 

Um dado interessante encontrado pela pesquisa que de certa forma derruba alguns mitos que sustentam a venda de armas no Brasil: 38% das armas rastreadas tinham registro legal prévio, o que na prática significa que foram vendidas legalmente e depois desviadas para as mãos de criminosos. Das armas com registro prévio, a grande maioria foi registrada no Estado de São Paulo, demonstrando que é preciso reforçar a fiscalização dentro das fronteiras do estado.

Avalanche Tricolor: ganhamos deles de goleada!

 

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Campeonato Gaúcho – Beira Rio/POA-RS

 

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Tenho orgulho de ser gremista. Talvez fosse até dispensável dizer isso, afinal quem lê esta Avalanche ou, minimamente, acompanha minha carreira no rádio sabe bem de quanto torço para o Grêmio. Cresci próximo do estádio, aprendi a jogar futebol no campo de terra nos fundos do Olímpico e, por mais de dez anos, vesti a camisa 13 do time de basquete, treinando no ginásio sem teto que ficava ao lado. Nas arquibancadas do Monumental chorei por títulos conquistados e perdidos. Costumava chorar muito até porque sempre fui passional e me emocionava com facilidade. Ao começar minha vida como jornalista, em 1984, fui repórter de esportes da Rádio Guaíba e, como tal, fui escalado várias vezes para trabalhar como setorista do Internacional. Lembro de uma vez ter chegado ao velho Beira-Rio e uma foto minha com a camisa de basquete tricolor estar estampada no quadro de avisos da sala de imprensa. Havia sido recortada de reportagem que registrava meus dez anos de basquete, publicada no jornal editado pelo departamento de imprensa do Grêmio. Era brincadeira de colegas, no Inter. Talvez pelo meu profissionalismo, espero que seja isso, sempre fui muito respeitado, apesar de todos saberem da minha paixão.

 

Meu fanatismo pelo Grêmio nunca influenciou a relação com meu círculo de amigos, também. Um dos poucos que mantenho até hoje, desde os tempos de infância, é o Paulinho, que, aliás, jogou ao meu lado no time de basquete. Ele era colorado. Perdão! Ele é colorado, muito colorado! Filho do seu Valdemar e da dona Terezinha e irmão da Verinha, tudo gente muito boa e de um carinho contagiante. Preservamos a amizade mesmo eu tendo vindo para São Paulo, em 1991, e ele permanecido em Porto Alegre. Nas vezes em que visita à capital paulista a trabalho costumamos dividir uma garrafa de vinho para lembrar alguns momentos que vivenciamos em parceria no Sul. O futebol, apesar de nossas diferenças evidentes, sempre nos uniu, pois era motivo de gozação mútua. Se não me falha a memória, neste tempo todo, tirei mais sarro da cara dele do que ele da minha. Ou teria sido ao contrário? Coisa ruim a gente não lembra!

 

Cheguei a ver com o Paulinho algumas partidas de futebol juntos lá no Olímpico. Jamais um Gre-Nal. Nunca tivemos oportunidade de dividir arquibancada em um clássico por motivos mais do que óbvios. Gostaria de ter estado ao lado dele hoje à tarde no Beira-Rio e participado deste fato que chamou atenção de todos, em um momento de reação à estupidez que domina os estádios brasileiros. Tomara que esteja em Porto Alegre no próximo Gre-Nal e tenha a chance de convidá-lo a ver o jogo comigo na Arena. Ver gremistas e colorados lado a lado vibrando a cada chute a gol, sofrendo a cada risco de gol e xingando o juiz que impediu o gol foi, sem dúvida, marcante. Apesar do comportamento violento de uma minoria que se traveste de torcedor para revelar suas frustrações, fiquei feliz em saber que existem pessoas capazes de compartilhar suas paixões clubísticas sem enxergar nisso uma ofensa ao adversário. E mais feliz ainda em ver que este exemplo surgiu na minha terra natal. Espero que a ideia avance e vença a intolerância. Que não seja ato isolado, mas o início de uma transformação nos estádios.

 

O empate em 0 a 0 talvez tenha sido providencial, pois nada em campo poderia ser mais importante do que a vitória da civilidade. Desta vez, ganhamos deles de goleada, Paulinho!