Está na hora da Voz do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Às vésperas de completar 80 anos, e a dias da votação na Câmara, o programa radiofônico “A voz do Brasil” deverá ser trazido à realidade. Fato que, se confirmado, irá tirar “A voz do Brasil” do rol dos grandes contrastes nacionais. Temos mais de 10.000 rádios AM e obrigamos todas a transmitir gratuitamente o programa federal. Em um dos melhores horários do dia. Para as rádios e para os ouvintes.

 

Em 22 de julho de 1935, quando foi criado o “Programa Nacional”, em plena ditadura de Vargas, o conceito era levar informação às populações interioranas num país continental com apenas 40 rádios. Hoje, somos a 7ª economia do mundo, temos menos de 15% da população de mais de 200 milhões na área rural, 90 milhões de usuários no facebook, e somos o melhor no agronegócio com tecnologia própria. Os critérios de informação e manipulação que foram os objetivos iniciais para a implantação do programa não fazem mais sentido neste Brasil democrático e informatizado de hoje.

 

Sobre o tema três projetos de lei tramitam no Congresso Nacional desde 2011. Incluindo o da ex-senadora Marinor Brito, que pretende tornar o horário das 19h fixo eternamente. Dedicado à “Voz do Brasil” como marco do “Patrimônio cultural imaterial do Brasil”.

 

Felizmente o senador Ricardo Ferraço PMDB-ES, relator da comissão mista da MP 648/2014, que tratou da flexibilização do horário da Voz do Brasil no período da COPA, decidiu transformá-la em lei. Propôs a flexibilização do horário de forma permanente. O Relatório foi aprovado e enviado à Câmara onde deve ser votado em Plenário neste início de mês.

 

Em minha opinião, o quanto antes tirarmos esta constrangedora imposição e restrição ao uso democrático do rádio, no momento nobre dos congestionamentos urbanos, será um alívio. Para a imagem nacional e para o prazer pessoal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Méritos e métodos da política

 

Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos

 

“Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu”. (Gandhi, líder político e espiritual indiano)

 

Em recentes conversas com colegas professores, confrontei-me, duramente, com a discussão sobre o objetivo central da política. Para que serve a política? Ela determina a vida da gente ou é determinada pelas circunstâncias de cada momento histórico?

 

Vivemos, a partir das últimas campanhas eleitorais, uma miscelânea de contradições e composições que atrapalham a verdadeira compreensão da política no cotidiano de uma cidade, de um estado e de um país. Candidatos e candidatas fazem muita demagogia e confusão ideológica, criando a sensação generalizada de que todos os políticos são iguais. Que todos os partidos comungam das mesmas intenções e pretensões. Mas será que é assim? Não existe mais ideologia? Existem apenas ou mais ou menos corruptos, os mais ou menos populistas, os mais ou menos éticos?

 

Além da ideologia, presente em todos os partidos, gostaria de aprofundar duas questões essenciais para a construção da boa política: os méritos e os métodos.

 

Para início de conversa, é necessário afirmar o objetivo dos partidos políticos: disputar poder. Os partidos disputam o poder político, duelando permanentemente com o poder econômico e com o poder das massas e das organizações da sociedade. Cada partido organiza a sua ideologia, um conjunto de ideias que tem por finalidade determinar o tipo de organização, de sociedade e de economia que pretendem construir. Estas ideologias, em grande medida, definem duas posições: manter o “status quo” (deixar tudo como está, mantendo privilégios de poucos e migalhas para muitos) ou, a partir da luta de classes, inverter prioridades para construir mecanismos e meios concretos para alavancar a cidadania, através da autonomia dos sujeitos e da participação das “maiorias” na vida econômica.

 

As posições acima relacionadas levam-nos, facilmente, a uma compreensão de que direita e esquerda são as forças que operam estas ideologias. No entanto, as contradições tornam-se mais palpáveis ao analisarmos os diversos e mais contraditórios métodos utilizados pelos partidos e agremiações políticas para obter os resultados. Os métodos também determinam as escolhas. Neste sentido, a complexidade da política atual, na medida em que, nem sempre, os méritos de muitas ações governamentais ou de partidos coincidem com os métodos que são empregados.

 

Nada está perdido. Vivemos num momento histórico em que se faz necessário resgatar a política como a prática do bem comum, não dos interesses comuns de quem se elegeu. É tempo de debater se determinado partido ou coligação quer chegar ao poder para deixar tudo como sempre está (ou esteve) ou se tem compromissos verdadeiros e autênticos para promover igualdade de condições e oportunidades para a maioria. É tempo de afirmar ideologias. É tempo de vencer o descrédito na política, superando o analfabetismo político já anunciado por Bertold Brecht: (“o analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política”).

 

É urgente perguntar se política no Brasil só se faz com eleição? Os brasileiros, sobretudo os mais jovens, desejam manifestar permanentemente os seus desejos e as suas necessidades. Desejam também a democracia participativa onde possam ser ouvidos (e atendidos) por seus vereadores e prefeitos, deputados e governadores, deputados, senadores e presidente da república. Quais são os espaços e as instâncias que darão ouvidos para eles?

 

É tempo de fundirmos república com ágora! Representação com participação. Protagonismo cidadão com política pública. Controle do estado com controle social da política.

 

A vida é dura, meu caro, pois não nascemos cidadãos. Vamos sendo cidadãos na medida em que nos interessam os problemas da coletividade!

Avalanche Tricolor: uma jogada para ficar na história

 

Grêmio 1 x 0 Bahia
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foi uma bela jogada. Daquelas de dar orgulho a qualquer gremista e agradar todos nós que gostamos de bom futebol. Refiro-me ao lance que ocorreu aos 13 minutos do segundo tempo quando o Grêmio dominava finalmente a partida com a entrada de Mateus Biteco em lugar de Alan Ruiz, marcação mais forte e bola no pé. E foi com a bola no pé que desenhamos o momento que mais me agradou no jogo deste fim de domingo: a tabelinha de Giuliano e Felipe Bastos, com passes precisos e velozes, deixou os marcadores perdidos em meio ao ziguezague da bola. Merecia mesmo ser concluída da forma como foi com Giuliano cruzando do lado direito para o esquerdo, Dudu aproveitando-se de sua agilidade para desviar do goleiro e Barcos chegando para não deixar dúvidas de que era gol do Grêmio. O primeiro e único gol do Grêmio, nesta noite. Talvez o único lance realmente decente de toda a partida (pra não dizerem que sou exagerado, gostei da virada do Barcos no primeiro tempo e do chute do Zé Roberto, no segundo).

 

E daí que foi o único? E daí que foi talvez uns dos poucos bons lances de nosso time? E daí que, no restante da partida, decidimos que o melhor ataque era colocar nossos atacantes na defesa? Nos defendemos como pudemos, recuamos mais do que gostaríamos e sofremos o que não precisávamos contra um time que está na Zona de Rebaixamento. Não leia a frase anterior como uma crítica, não! É uma constatação e quase um agradecimento ao futebol que nos prega surpresas como a deste domingo tanto quanto frustrações como a do meio da semana, quando jogamos muito bem e, lamentável, botamos fora quase todas as chances de classificação na Copa do Brasil (eu escrevi “quase todas” porque estou sempre a espera do espírito da Imortalidade). O que quero dizer é que, apesar de ter ficado incomodado com a falta de solução em boa parte da partida e do recuo estratégico depois do gol, estou comemorando porque ganhamos os três pontos que precisávamos, já estamos em sexto lugar no campeonato e a quatro pontos da Zona da Libertadores. Estava cansado de assistir a jogos em que fomos melhores do que o adversário sem que esta superioridade aparecesse no placar.

 

Por mais que a jogada do gol tenha me agradado, claro que o título desta Avalanche não se refere a ela. Estou, sim, chamando atenção para outra jogada que podemos fazer e entrar para a história. Permita, caro e raro leitor, voltar ao tema que dominou o noticiário nacional na semana que passou. Hoje assisti na arquibancada a alguns torcedores com cartazes feitos à mão, mosaico de letras e faixas em manifestações contra o racismo. No painel eletrônico, vídeo produzido pelo Grêmio trazia a palavra “CHEGA” enquanto a imagem de atletas do passado nos fazia lembrar do quanto nosso clube venera a diversidade, destacando ídolos negros como Alcindo, André Catimba, Paulo César Caju, Ortunho, Paulo Lumumba e Everaldo, este homenageado com uma estrela dourada que, estatutariamente, acompanha nossa bandeira – sem esquecer de Lupicínio Rodrigues, autor de nosso hino. Os jogadores atuais também fizeram sua parte ao entrarem em campo e erguerem a faixa com os dizeres “somos azuis, pretos e brancos”, lema que tem servido de sustentação da nossa causa contra racistas que ignoram a história do tricolor. Mensagem importante de se passar em momento que o emblema do Grêmio corre o mundo manchado pelo comportamento de alguns de seus torcedores. Mas que não pode se resumir a isto.

 

O Grêmio tem a grande oportunidade de fazer talvez sua mais bela jogada. Está na hora de a diretoria tomar atitude mais efetiva e liderar, no Rio Grande do Sul, campanha permanente contra o racismo, mostrar ao país que se preocupa de maneira séria com esta questão e convocar seu torcedor a assumir este comportamento também fora dos limites da Arena Grêmio. Se for pertinente, levar o tema para dentro das demais instituições, inclusive às escolas. Somente assim provaremos que nossa preocupação não se resume a punições que possam ser adotadas no campo esportivo. Vamos substituir manifestações temporárias e de efeito fugaz por ações pedagógicas que ajudarão a construir uma geração de paz e conciliação. O primeiro dos grandes clubes do Rio Grande do Sul a receber um jogador negro – sim, foi o Grêmio, em 1923 – deve se apoderar deste pioneirismo e transformar esta luta em sua maior bandeira – azul, preta e branca.

Mundo Corporativo: Nancy Assad fala de liderança e comunicação estratégica

 

 

As empresas costumam ter técnicos especializados com alta competência para desenvolver seu trabalho, mas muitos desses gestores não têm a visão estratégica da empresa. O alerta é feito pela consultora Nancy Assad, especialista em comunicação e marketing, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ela sugere que os líderes das empresas, além do desenvolvimento técnico, conheçam o plano estratégico da organização, a política corporativa para que possa estar alinhado aos objetivos e necessidades da empresa que representa. Nancy Assad é autora do livro Liderança Eficaz – como vencer desafios utilizando comunicação estratégica, negociação e ética.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo pela internet, no site http://www.cbn.com.br. Você participa com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Luxo é atender, entender e encantar o cliente

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Perfeição. Encantamento. Extraordinariedade. Talvez essas sejam apenas algumas das palavras que nos vêm em mente ao pensarmos no segmento de produtos e serviços de luxo. Se pensarmos racionalmente, isso faz total sentido, pois a perfeição é realmente um dos ítens que definem um produto como de luxo, além, é claro, da alta qualidade, prestígio e a história da marca e de seu criador.

 

Os aspectos intangíveis não podem jamais ser esquecidos e merecem destaque. O que é intangível é uma das principais chaves do sucesso (ou não) de marcas de luxo. Apesar de parecer um “mundo perfeito” muitas marcas prestigiosas ainda pecam no atendimento. Treinamento de produtos, treinamento comportamental, capacitação e desenvolvimento de pessoas e outros temas da área de RH ainda deixam a desejar no segmento do luxo no Brasil.

 

Os profissionais de atendimento devem proporcionar ao cliente a experiência de compra compatível com as estratégias da marca no intuito de maximizar as vendas e estabelecer um relacionamento forte e longo com seus clientes. Eles devem, sim, atingir as metas de vendas exigidas, mas, também, entender e ter a habilidade de explicar ao cliente o conceito, a experiência de consumir aquele produto ou marca. Deve encorajá-lo não apenas a consumir, mas entender o DNA da marca. Esse profissional deve ter interesse em aprender e conhecer sobre produtos e serviços de luxo, bem como ter boa formação cultural para lidar com clientes de alto poder aquisitivo no ponto de venda, além de graduação e conhecimento de outros idiomas. Tem de ter consciência que uma falha no atendimento, não é uma falha do vendedor, é da marca. A marca é que falhou aos olhos do cliente. Deve-se ainda entender que cada cliente é único e possui necessidades específicas.

 

É importante ressaltar a importância não apenas no varejo de luxo, um dos principais ramos do segmento, mas também nas empresas de serviços, como hotelaria, instituições financeiras, prestadores de saúde e outros. Um dos desafios da Gestão de Pessoas nas empresas de luxo é capacitar seus colaboradores para atenderem a um consumidor cada vez mais exigente e conhecedor do próprio mercado em si. Elas devem recrutar os talentos certos, capacitá-los, motivá-los e ter uma gestão estratégica de Recursos Humanos para reter os seus talentos e minimizar a rotatividade.

 

Para o cliente, qualquer deslize pode ser fatal, não apenas pela venda em si, mas pela mudança da imagem da marca, possivelmente abalando sua reputação, e também pela possibilidade de perda deste consumidor.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: só pode ser algum tipo de provação

 

 

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Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

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Começo esta Avalanche antes de a partida se encerrar, não porque tenha desistido do jogo. Jamais desistirei. E espero que o Grêmio não desista, também. A tarefa é difícil, mas não impossível. E mesmo que seja impossível, está é uma palavra que não está no nosso vocabulário. Veio para frente do computador, porém, porque estou tentando entender o que acontece. Há algum tempo não assistia ao Grêmio jogar bem, ter rapidez na troca de passe e intensidade no ataque como nestas últimas partidas. Está evidente que o time é melhor neste momento do que foi durante todo o restante do ano. Em textos anteriores já escrevi sobre alguns jogadores que encaixaram melhor no time, tais como Zé Roberto e Dudu. O próprio Barcos melhorou sua participação, sem contar Giuliano que cresceu em seu desempenho (e aí me refiro ao jogo de hoje à noite), após uma fase ruim. Sem contar Marcelo Grohe com defesas incríveis. Não quero porém me estender falando de indivíduos quando o que mais tem me agradado é o coletivo. E é isso que torna mais difícil entender o resultado desta noite. Por muito tempo, nosso time foi acusado de jogar feio, uma forma de desvalorizar vitórias sofridas que tivemos. Agora, produzimos mais, jogamos melhor. Mas o gol não sai, e quando sai não é o suficiente. Será que não estamos fazendo por merecer sorte maior em campo? Será que toda provação imposta a Luis Felipe com a malfadada Copa do Mundo não foi suficiente? Sim, Felipão pelo que fez, pelo que passou e pelo que, agora, está reconstruindo no Grêmio teria o direito de ser recompensado.

 

 

Há outro motivo pelo qual decidi escrever esta Avalanche antes da hora, além da injustiça do placar diante do futebol produzido. Foi a injustiça imposta por um árbitro que não esteve a altura do posto que ocupa no quadro da Fifa (ou esteve). Permitiu jogada irregular na arrancada do segundo gol santista e impediu a nossa arrancada para a virada ao não marcar pênalti em Zé Roberto. Não bastasse a forma displicente com que agiu diante da indisciplina. Prejudicou claramente o Grêmio e com sua atuação desequilibrou o time, mais do que o adversário teria feito por seus próprios méritos (sem desmerecer a qualidade deste). Que fique claro, minha indignação com a injustiça do resultado e do árbitro, não é suficiente para me cegar diante de erros que cometemos. E gostaria muito de ver Felipão fazendo ao menos duas mudanças entre os titulares, porque há erros que têm se repetido com frequência acima da média, e escrevo isso pensando no lado direito da nossa defesa, e jogador que não têm sido capaz de entregar o que promete.

 

 

Chego ao fim desta Avalanche no instante em que a partida se encerra e, infelizmente, ficamos sabendo que algo mais triste do que o resultado e os erros do árbitro acontece no jogo. Idiotas voltaram a usar palavras e gestos racistas, uma gente que não merece vestir a camisa do Grêmio nem ocupar espaço naquela Arena. Deveriam ser extirpados do clube e mantidos afastados das nossas cores. Sinto vergonha do que fazem. E espero não precisar ouvir a voz de nenhum outro gremista defendendo este bando.

O mocotó do Tito Tajes

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Tornou-se um hábito para mim ler o caderno Donna,que vem encartado aos domingos na Zero Hora,jornal gaúcho que assinamos aqui em casa. Ocorre que,como já revelei em textos anteriores deste blog,minha sobrinha Claudia Tajes,escritora de vários livros e,mais recentemente,roteirista da Globo,em sua coluna no Donna (ou seria na Donna?),volta e meia conta histórias sobre as famílias Tajes e Jung,mas separadamente. Desta vez,juntou a dela e a minha. Nesse domingo,o assunto foi “Almoço em família”. Lembrou,com riqueza de detalhes,os ágapes que o Tito,o seu pai,promovia em uma casa de veraneio e também de invernos gelados,que pertencera ao chefe do clã dos Jung – o seu Aldo,meu pai – localizada nas proximidades do Guaíba. A propósito,continuo defendendo a sua condição de rio e não,como querem teimosos e quejandos,lago.

 

A casinha de madeira foi a parte herança do meu pai que coube ao Tito e à Mirian,minha irmã e que se transformou em uma casa de alvenaria. Hoje,tenho saudade da casa antiga e dos nossos banhos diários nas águas do Guaíba,durante o verão,um rio com águas límpidas,no qual a gente entrava sem medo de se afogar,temor que me impede de enfrentar o mar. Foi essa casa que,reformada,transformou-se mais tarde no local das nossas comilanças dominicais,nas quais o Tito deixava por um dia de ser jornalista para se transformar em exímio cozinheiro. Tios e primos se reuniam,satisfeitos da vida,para saborear o variado cardápio,composto em um domingo por churrasco,no próximo por massa,feijoada ou comida árabe,como lembra a Claudia na seu texto.

 

Ah,havia o domingo do mocotó que,conforme a Claudinha,acontecia uma vez a cada inverno. Pelo jeito,nem todos apreciavam mocotó. A culpa era do odor que danado,enquanto ficava em ebulição,horss e horas,no fogão à lenha. Não recordo,mas a Claudia garante que o cheiro saía da panela e grudava (será que cheiro gruda?)nos cabelos e nas roupas dos convivas. Não sei se o Mílton,que é o âncora deste blog,tem em sua coleção de fotos a dos Jung e Tajes em um dos almoços dominicais que eu,particularmente,jamais vou esquecer. A Claudia bem que poderia parafrasear o seu texto desse domingo chamando-o de “Conte a sua historia de Porto Alegre”. Tenho certeza de que o Mílton o leria com grande prazer.

 

Nota do Blogueiro: fotos dos almoços de domingo não temos, mas apresentamos na ilustração deste post as imagens do cozinheiro, jornalista e meu tio Tito Tajes

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Suicídio de Vargas por um pré-adolescente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em 24 de agosto de 1954, com 12 anos, já tinha um pré-conceito de Getúlio Vargas. Ao passar férias na fazenda de meu avô, em Paraty, sempre ouvia críticas ao ditador que para enfrentar as tropas paulistas em 32 tinha brutalmente confiscado todos os bens da propriedade – promissora fabricante de aguardente e exportadora de banana e café. Além disso, a atribulada eleição de 50, quando parecia que o Brigadeiro Eduardo Gomes iria ganhar, Vargas, que tinha no currículo dois golpes de Estado e demais arbitrariedades comuns às ditaduras, o acusa de repudiar os votos dos “marmiteiros” e vence. Inclusive com o apoio dos paulistas que, no passado, tinham combatido até a morte o Estado Novo de Getúlio.

 

Foi uma eleição contagiante, até para crianças, tal o barulho dos carros de som, dos jingles e dos exaltados discursos. Era impossível ficar alheio. As cidades ficavam forradas de cartazes, faixas, panfletos e cédulas. Muitas cédulas. Discutia-se política como se falava de futebol. Um clima de tensão e paixão que se prolongou pelos anos seguintes, impulsionada por temas polêmicos como o monopólio do petróleo, corrupção e golpe de Estado. Não dava para passar nas bancas de jornal e não ler as manchetes da Tribuna da Imprensa e da Última Hora. Veio o atentado a Carlos Lacerda com a morte do major Vaz para impulsionar o clima já exaltado. Gregório, o homem de confiança de Vargas foi confirmado tanto como autor intelectual do crime como corrupto. O populismo do Presidente se esvaziava e a oposição crescia a ponto de Getúlio escolher o suicídio como a única saída digna.

 

No dia 24 de agosto não houve aula, mas uma surpreendente troca de posições que nunca mais esquecerei. As cenas de aprovação e até de adoração ao Herói Morto foram marcantes. Na volta à escola a mesma mudança de valores. Lacerda é o demônio, Vargas o santo.

 

Agora, revendo o passado, chego à conclusão que tanto a proximidade do fato quanto o distanciamento são essenciais para uma boa avaliação do episódio histórico.

 

Quanto a Getúlio Vargas, daria o crédito de ter se afastado de Mussolini e se aproximado dos Estados Unidos contra Hitler. Da CLT, da CSN, e da visão industrial, assim como da perspectiva de estadista que possuía. ”O Petróleo é Nosso” foi mais obra do partido de Lacerda, a UDN, tanto que o projeto que firmou o monopólio foi do udenista Aliomar Baleeiro e o primeiro Presidente da Petrobrás foi o também udenista Juracy Magalhães. O mérito de Vargas é a ideia inicial e a assinatura final. Assim como, começo e término de sua atuação política são caracterizados por acertos e desacertos. Ainda assim foi a mais marcante da história moderna do Brasil.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

O dia em que o candidato comprou um livro

 

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A cobertura jornalística da campanha eleitoral, em rádio e TV, tem várias limitações impostas pela legislação e, algumas vezes, se transforma em um “agendão”, como costumamos dizer nas redações. O candidato está aqui, vai até lá e passou acolá. Informações ilustradas por imagens de político sorridente em meio a multidão que se espreme na feira livre e a rua de comércio popular. Gostam também de aparecer no palco de seminários de engravatados, onde recebem propostas de governo que assinam e jamais serão cumpridas. Com o pé no chão ou no palanque, estas agendas costumam render cenas para a campanha, talvez votos e, em alguns casos, infecção estomacal. Um dos lugares preferidos desta semana é a Bienal do Livro, que leva hordas de estudantes e fãs de escritores para os corredores no Parque do Anhembi, em São Paulo.

 

Há uns dois dias, vi um dos candidatos à presidência, ao lado de seu vice, caminhando entre “eleitores” e encenando para selfies que serão distribuídos nas redes sociais. Nos estandes, folhavam livros e posavam para as câmeras como se estivessem interessados na leitura. E nós jornalistas relatando o acontecido. Encenação que me lembrou história contada pelo jornalista Lucas Mendes, na época em que trabalhamos juntos na redação da TV Cultura. Ele já dava expediente em Nova York quando o presidente Fernando Collor acabara de ser eleito no Brasil. Antes da posse, Collor fez viagem para os Estados Unidos, não lembro se para descansar e recuperar o fôlego da intensa campanha eleitoral ou se para mais uma vez viver no mundo do faz de conta, o que lhe era típico. Cada passo que dava era coberto com curiosidade e intensidade pela imprensa brasileira que deslocou suas equipes de jornalistas atrás do primeiro presidente eleito desde o fim da Ditadura Militar.

 

Conta Lucas Mendes que, entre os programas realizados, Collor entrou em uma livraria e começou a olhar as estantes em busca não se sabe de que livro. Dezenas de repórteres cinematográficos e fotógrafos entraram correndo para registrar o momento, assuntando a dona da livraria. Ela se dirigiu a Lucas Mendes, que observava tudo da periferia da confusão, e quis entender “por que toda esta gente?”. Lucas explicou que o novo presidente do Brasil estava comprando um livro. E foi obrigado a ouvir da atônita livreira americana: “ele nunca comprou um antes?”

Fama de vereadores ilustra história de prostitutas de luxo, na TV

 

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Assisti com prazer à volta do seriado brasileiro O Negócio que, em sua segunda temporada, na HBO, retoma a história de três garotas de programa que aplicam regras consagradas de marketing para construírem carreira de sucesso. O primeiro episódio, nesse domingo, trouxe o tema da pirataria enfrentada por produtos de luxo, a medida que a empresa criada por elas, a Oceano Azul, passou a ser copiada por outras moças que atuam no mercado.

 

Além da preocupação das protagonistas Karin (Rafaela Mandelli), Luna (Juliana Schalch) e Magali (Michelle Batista) com a concorrência desleal, histórias paralelas e pessoais vieram à tela, todas ambientadas na capital paulista. Magali, a mais consumista e pragmática do trio, além de ter sofrido transformação no visual, que a deixou ainda mais sexy, é reconhecida por um dos seus clientes que, atualmente, namora a melhor amiga dela e é assediada por ele de forma explícita. Diante da situação, se vê no dilema de contar para a amiga e ter sua profissão revelada ou calar-se e assistir à amiga juntar-se com um namorado sem escrúpulo. Na busca de ajuda, conversa sobre o tema com Luna, que além de “sócia” na empresa é a narradora da história. Luna identifica os dois cenários possíveis e traça os riscos de cada um deles. Sentada no sofá do escritório da Oceano Azul, em vistoso prédio próximo da Marginal Pinheiros, zona oeste de São Paulo, Magali define assim a situação que está vivendo: “isso é como escolher vereador, não tem opção boa”.

 

É isso, excelentíssimos vereadores, “quem tem fama, deita na cama”