Avalanche Tricolor: gol de guerreiro, de torcedores guerreiros

 

Grêmio 1 x 0 Ponte Preta
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Futebol é como uma batalha, para vencer o adversário é preciso conquistar terreno. Na luta pela ocupação de espaço, vencem não apenas os mais valentes ou durões, mas os persistentes. É preciso explorar o talento e usar as melhores estratégias para se sobrepor ao inimigo. Foi esta conjução que levou o Grêmio a conquista dos três pontos neste início de noite de sábado. A cobrança de escanteio de Zé Roberto foi o traço de talento que faltou em quase toda a partida, em especial nos cruzamentos que eram feitos de um lado ou de outro. Mas para que aquela bola alcaçasse seu destino antes precisava ser desviada por alguém. Foi quando entrou em cena o desbravador André Lima, a quem falta muito daquilo que o futebol técnico exige, mas que jamais poderá ser acusado por desistir de lutar. Estava em desvantagem dentro da pequena área, fato que não o impediu de se jogar em direção a bola que havia sido caprichosamente enviada a ele. Com a determinação que se espera de um lutador, tomou o pequeno espaço que havia entre o goleiro e o zagueiro adversários. Os dois estão até agora reclamando de uma falta que jamais existiu. Não entenderam que eram apenas vítimas do espírito guerreiro que André leva para campo sempre que é sacado do banco para tarefas quase impossíveis. O atacante, ciente de suas limitações, abre veias e coração para incorporar o desejo dos torcedores que das arquibancadas (ou diante da televisão) têm apenas o grito e a fé como armas. Foram estes torcedores que fizeram o Grêmio ser melhor quando tinha um a menos em campo, aliás foram eles que deram o carrinho que causou a expulsão de Julio César (e o aplaudiram por isso), pois sabiam que era a única forma de salvar o Grêmio, depois da injustiça cometida pelo árbitro que não marcou falta em Elano. Assim como foram estes torcedores que empurraram aquela bola de André Lima para dentro do gol, aos 45 minutos do segundo tempo. Uma torcida que ainda pode nos levar muito longe. E aí daqueles que duvidarem.

Marcos Proença: cabelos lisos e em várias versões são a tendência

 

Por Dora Estevam

 

 

Quem assistiu ao Domingão do Faustão, domingo passado, viu a atriz Adriana Esteves com cabelos cortados e ao seu lado o responsável pelo belo trabalho, Marcos Proença, consagrado cabeleireiro das atrizes, socialites e tops nacionais e internacionais. Na última semana, Proença também foi responsável por pelo menos 30 cabelos de mulheres que passaram pelo salão dele para se arrumar para o casamento da it blogueira Lalá Rudge. Um dos desafios foi não repetir um só corte ou penteado. Saiu do salão super tarde e mesmo assim ainda foi prestigiar o casamento da amiga, no qual, com a permissão dela, fez várias fotos dos convidados deste que foi um dos casamentos mais chiques da cidade. Para ter uma ideia de como foi a badalação no dia, veja as imagens deste vídeo feitas pela blogueira e amiga de Proença, Mica Rocha.

 

 

Esta semana, considerada fashion em SP, por conta dos eventos que aproveitaram o SPFW para fazerem lançamentos na mesma data, o salão de Proença recebeu várias visitas. Estiveram lá, por exemplo, as tops blogueiras Chiara Ferragni do The Blond e Jessica Stein, do @Tuulavintage.

 

Eu, que não sou famosa, morrendo de curiosidade, tive o prazer de ser atendida pessoalmente por ele. O que eu posso dizer é que Proença é extremamente profissional e er humano incrível, fiquei apaixonada. Ele conquista pelas tesouras e pelas palavras, voz baixa e eternamente agradecido, consegue aliar doçura e profissionalismo. Chamou-me atenção a religiosidade. Com frequência, agradece a Deus por todas as conquistas.

 

No salão cheio, Proença consegue fazer as cabeças, andar de um lado para o outro, visitar cada cliente em suas bancadas, dar beijinhos nas clientes de passagens, sem cair na tentação de bater papo furado. É simples assim. E a cada momento de reencontro as perguntas são voltadas aos serviços do salão: “Ficou lindo, quem fez”? supervisionando os trabalhos sutilmente.

 

 

Marcos Proença montou o salão dos sonhos, totalmente ambientado em uma casa no Jardim Paulistano, com arquitetura e decoração de Ester Giobbi, um projeto eco-friendly, totalmente desenvolvido para economizar água e energia. Com seis mil clientes ativas, pode imaginar a despesa.

 

Com tudo isso, ele ainda atendeu ao meu pedido e respondeu algumas perguntas com relação ao futuro da beleza, já que acabamos de ver as tendências para o inverno 2013, apresentadas esta semana no SPFW.

 

Quais são as tendências para o outono-inverno 2013?

 

Proença: O que podemos observar nos desfiles internacionais e mais recentemente na semana de moda de São Paulo, são os cabelos lisos, chapados. Ele pode aparecer em várias versões, com volume, rabo de cavalo, composto com trança, mas sempre muito liso.

 

Os estilistas determinam como vai ser a aparência das mulheres em cada temporada?


 

Proença: Acho que tudo é uma junção, o que se vê na passarela, o que acontece no mundo atual, tudo é uma mescla de tendências da moda, beleza, rua…

 


Quanto tempo pode durar um estilo de penteado?

 

Proença: Geralmente eles duram por toda uma temporada, no decorrer dos meses eles sofrem alterações e às vezes ganham estilos diferentes.

 

Quais são os produtos que não podem faltar para a preparação de um cabelo?

 

Proença: Gosto sempre de usar o Volumax da Paul Mitchel.

 

Como você se reinventa e qual foi o momento mais importante da sua carreira?


 

Proença: Procuro estar sempre atualizado de tudo que acontece no mundo. Acho que é uma forma de sempre se reinventar, de estar atento a tudo. Todos os momentos são muito importantes na minha carreira, desde o inicio, quando fiz meu primeiro make na minha tia inspirado na novela Locomotiva, até o momento que abri meu próprio salão, um sonho realizado.

 

Há um estilo que deva ser seguido?


 

Proença: Acho que toda mulher tem que sempre apostar no estilo que fica bem para ela. Acompanhar as tendências é importante, mas deve aplicá-las em sua vida de acordo com a sua personalidade.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Mundo Corporativo: técnicas para turbinar suas vendas

 

“Os clientes não compram produtos, compram o que o produto faz por ele” e esta é uma das ideis que o vendedoder deve levar em consideração no momento em que estiver planejando a negociação. A explicação é do consultor César Frazão, entrevistado do Mundo Corporativo, da rádio CBN que lançou o livro “Como ficar muito rico com vendas – Como turbinar seus resultados e multiplicar suas oportunidades de negócio”. Para Frazão três fatores são importantes para se melhorar os resultados: otimismo, competência e criatividade.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar no site da CBN às quartas-feiras, 11 horas, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa vai ao aos sábados, no Jornal da CBN

A viagem (arrumando o bagageiro)

 

Por Sérgio Mendes

 

Estava tudo certo e nem faltava mais descobrir o caminho. Ele se formava na nossa frente com as estradas abertas décadas atrás. Não sei muito bem como se fazia naquele tempo sem um GPS, mas o meu pai não parecia preocupado com caminhos e se ele não se preocupava, não nos preocuparíamos nós! Chegaríamos em quatro dias porque ele seria o único a dirigir na estrada, e decidimos que pararíamos todas as noites para dormir, seguindo a viagem somente com a luz do dia.

 

Este era o plano.

 

Por que será que a prática sempre teima em não ler os planos que a gente faz? 
Eu já nem pensava mais naquela fechadura, meu café fez efeito e ao que parece era só nivelar a glicose para a completa recuperação dos neurônios e eles venceriam a batalha. Venceram!?!
O que não significava que ela não estivesse lá, e mal grudada na porta da nossa máquina de chegar em casa. Significava apenas que algum lugar do meu cérebro resolveu não pensar mais nela. De quieto que estava permaneci e não comentei sobre o acontecido com ninguém. Nunca fui mesmo dado a boatos e não seria justo naquele dia que começaria!

 

Vejam que nem deu o tempo de um café com pão e a sensatez já tinha rumado para longe de mim outra vez.
Quando voltei pra nossa casa o cenário era outro. Todos já estavam de pé lavando o rosto ou procurando o que não queriam esquecer de levar. O meu pai entre uma coisa e outra me pediu que ajudasse a minha mãe a arrumar as malas no bagageiro. Partiríamos logo depois que os demais tivessem tomado café.
Imaginei o trailer de um filme comigo acomodando-as uma a uma bem juntinhas, como se elas e porta-malas tivessem sido feitos um a silhueta das outras. Hum!

 

Helenita, a irmã mais nova de minha mãe chegou logo em seguida, trazendo seu pequeno farnel de roupas. Ela também era uma dos mosqueteiros e iria com a gente morar no Mato Grosso. Já sabíamos disso, mas eu não entendia o motivo. Ela sempre foi muito chegada a nós, até pela diferença de idade que a separava de suas irmãs. Nós estudamos juntos na quarta série e com Raimundo, o mais novo de todos e terceiro mosqueteiro, éramos como se fossemos irmãos ou primos.

 

Ela vir conosco não tinha uma explicação que soubéssemos, mas tinha a anuência de todos nós os pequenos que simplesmente delirávamos com ela perto outra vez.

 

Depois dela, uma a uma as malas foram aparecendo e logo eu estava cercado por um mar de sem rodinhas, mais sacolas e outras quinquilharias. Cada uma embrulhada por uma recomendação de seu proprietário.
Seguido ao falatório, mal acabavam de me entregar e partiam rumo à cozinha de vovó.

 

Recado dado, me vi o único naquela casa e com todas aquelas trouxas percebi que não ajudaria ninguém, seria ninguém quem me ajudaria.

 

Nunca subestime a capacidade que temos de acumular tranqueiras.
Restava então levá-las até o carro parado lá fora.

 

Nem precisei de muito tempo pra perceber que lá não caberiam todas. O povo superestimou o espaço na cangalha do pangaré e afora as roupas, sapatos e demais adereços pessoais que facilmente caberiam em duas malas generosas, inventaram de levar uma infinidade de sacos e outras coisas que eu nem desconfiava de onde pululavam, mas entendi que o recado era que pretendiam que todas chegassem no Mato Grosso. E o portador, o carro amarelo ali na frente. 

 

Completa falta de cabimento!

 

Um verdadeiro despropósito, mas por que eu tinha feito outros planos para ocupar boa parte do espaço no porta-malas com coisa muito mais importante do que aquele monte de sacos cheios até a boca do que eu não fazia a menor idéia! E como eu era o único que já tomara café e a incumbência das malas ficou mesmo foi por minha conta e risco, resolvi que a conta delas era grande demais e o risco só de quem as entregou a mim. Eu estava ali sozinho e agora era o rei daqueles pacotes.

 

Por meus planos muito mais importantes, desconfiei que alguns deles não iriam. Seguramente ninguém daria por falta e uma meia dúzia foi parar nos fundos da casa onde nunca foram encontrados. Pelo menos não que eu tenha ficado sabendo.

 

Creiam, não fazia isso pensando no conforto de nós viajantes montados no burro fugido. Muito menos imaginei em aliviar o peso que o pobre carregaria.
Não, não! A minha conta era outra.

 

Desde que cheguei para aqueles dias de férias, tinha o firme propósito de que meu teclado viria conosco e eu costumava ser fiel aos meus propósitos. Ainda que parecesse que eu teria que deixa-lo e que estivesse disposto a comprar briga pra que ele fosse, ele não caberia no porta-malas.
Mas adivinhem?!?

 

Ele foi.  E o entrevero realmente aconteceu mais tarde, pois nem desafiando as leis da física aquilo caberia dentro do bagageiro. Como eu disse, ali não tinha cabimento suficiente.
Dito e feito. E a briga foi das boas! Mas foi brigada quando já não dava mais pra se desfazer dele como veremos mais adiante.

 

Bem, do devaneio e adivinhações à ação. Logo eu estava socando pacotes e malas que não pude esconder no fundo do quintal. A cada uma que eu conseguia acomodar no bagageiro, as chances para o meu teclado diminuíam e no fim a única maneira de ele ir seria dentro da cabina junto conosco, onde já não entraria mais nem um pensamento.

 

Aperta daqui e de lá, sobre o banco ou no vão das pernas? Em nenhum lugar aquele lindo trambolho parecia se encaixar. Não sem que dois de nós seguisse sem as pernas ou sem a cabeça.

 

Foi então que usando a minha sempre precisa régua imaginária calculei que entre amputar dos viajantes uma parte ou outra, havia uma brecha e foi essa mesma que aproveitei. É que apesar de pequenos, nós que viajaríamos atrás já não nos acomodaríamos bem sem aquela caixa que sozinha tomava quase dois terços do banco. Então coloquei a régua para funcionar e consegui a proeza de um cálculo que possibilitou o piano de foles viajar bem perto de nós. Mas não sem um quê a mais de desconforto, claro.

 

Que ideia tosca a de acomodar-se bem!

 

Definitivamente cabeças rolariam. Só de leve é certo, mas teriam que rolar. 
Não importa! Coloquei-a ali mesmo. E com isso de uma vez, eu o rei decretei que dois de nós poderia manter a cabeça na viagem, mas ela deveria inclinar-se levemente para frente e o meu pai perderia a visão do espelho retrovisor. E tenho dito! 

 

Total, acomodar-se já era coisa que não aconteceria naqueles dias.
Antes de todo mundo fui eu quem tive o vislumbre dos acontecimentos nos próximos capítulos, naquela primeira sensação de dentes mastigando chicletes quando abri a porta, que de verdade tinha se transformado na resignação do que estava por vir.

 

Fazer o quê? A vida é assim mesmo, não é?
E ademais, ficar olhando para trás nem é tão bom. Eu tinha que garantir o futuro de um grande músico para o Brasil, com o meu teclado que precisava antes disso conhecê-lo junto comigo, mesmo à custa de uns poucos dias de desconforto divididos por todos nós.

 

Mas apesar de todo cálculo e aritmética de bagageiros que eu aprendi em algum filme, ali também o trambolho resultou apertado e como disse, de certa forma tirava a visão do retrovisor. Só que eu estava decidido, tinha um propósito e não o abandonaria como era de meu costume. Mesmo que as minhas irmãs protestassem aquele seria o lugar dele e ponto final! (vírgula só se fosse o meu pai quem objetasse).

 

Estava terminada a novela das malas! Eu o rei, decretei.

 

O momento depois delas propiciava o registro das caras e reações, ainda que a excitação nos turvasse a todos o juízo sempre escasso a aventureiros diante de dias como os que se formavam bem na nossa frente.
Recordo-me pouco e na verdade o que tenho são recortes de rostos e algumas reações características mais comuns de cada um.

 

Meus pais estavam brigados. Não lembro bem por que, mas devia ser pelo mesmo motivo de sempre. Helenita apreensiva com a saída de casa, mas da reação dela a aquela novidade eu também me recordo muito pouco. Acredito que no fundo ela estava contente em vir conosco. Certamente nós estávamos.
Não demorou muito e um por um, voltaram abastecidos e rebustecidos da casa de vovó sem desconfiar que parte das encomendas que me encarregaram foram para detrás, mas detrás da casa. Eu costumava mesmo ter sorte naquele tempo!

 

 Parece que voltaram só para se despedir do nosso canto e sem olhar para o carro e para aquela coisa enorme no console traseiro, faziam o mesmo caminho de volta  para despedirem-se dos nossos avós.
Tamanha a emoção, ninguém se deu conta da caixa. 

 

Cercaram os dois velhinhos em pé frente ao portão, enquanto eles distribuíam as bênçãos e palavras de carinho. Eu tinha outra vez ficado por último, encarregado de conduzir o carro de onde ele estava até lá. Todos já se abraçavam e riam disfarçando a comoção da partida.

 

Dali de dentro e aplicando conhecimento de manobrar aprendido com meus tios, pude ver a turma toda e esta é uma imagem congelada que guardo daquele dia. Fiz jus à lição aprendida. Engatei o carro sem tirar o pé da embreagem e sem mudar da primeira marcha fui chegando perto da pequena multidão devagar e sem assustar ninguém.

 

Outra vez o carro assumiu ares de F1.

 

Saí e fui como todos abraçar meus queridos avós que me olhavam como se soubessem de tudo. A despedida era um roteiro escrito pra mim!

 

Cheguei até eles enquanto o restante dos aventureiros se posicionava, cada um no seu lugar. Minha mãe e meu pai na frente, e as meninas perfiladas no banco de trás por primeira vez esbarravam os cocurutos na caixa ali no alto. Me fiz de desentendido e nem lhes dei atenção, mas preocupado não me lembro mais do que disseram meus dois queridos anciãos ao me abraçar. E o único recordo deles naquele dia é o que fotografei na memória, lá dentro do carro ainda antes de provar minha habilidade na direção.

 

Eu nem desconfiei que aquela seria a última vez que os veria.
Com as cabeças inclinadas e sem dar um piu, nós detrás nos pegamos apertados, unidos como nunca estivemos. O clima denso no carro só foi quebrado pelo resmungar da minha irmã mais nova irritada com o desconforto.

 

Sem dar muita bola pra ela que era dada a resmungar de tudo, continuamos todos unidos e contritos.
Fecharam-se as portas e partimos.

 

Ps: A fechadura até aqui comportava-se como se nosso encontro não tivesse passado de um devaneio de fome. Ela ainda cedeu a abrir e fechar-se duas vezes para outros sem que se ouvisse palavra. Mas eu sentia um cheiro de menta no ar.

Leia o texto “O corcel” de Sérgio Mendes publicado no Blog do Mílton Jung

A versão brasileira do Barão de Münchhausen

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os mais novos, imagino, jamais ouviram falar no Barão de Münchhausen e, muito menos, de Karl Friedrich Hieronymus Von Münchhausen. Mas essa pessoa, com nome difícil de pronunciar, a menos que se tenha algum conhecimento de sua língua – a alemã – existiu e entrou na história. O Barão nasceu no dia 11 de maio de 1720 e viveu durante 77 anos. Foi militar e senhor rural alemão. Sua vida rendeu, inicialmente, uma série que ficou célebre ao ser compilada por Rudolf Erich Raspe, com o título de “As Loucas Aventuras do Barão de Münchhausen”. Os livros destinavam-se, de maneira especial, a leitores juvenis. Contavam histórias fantásticas, alegadamente vividas pelo Barão que, em sua carreira militar, serviu não apenas ao exército do seu país, mas ao da Rússia. Depois de participar de duas campanhas contra os turcos, retornou para casa e começou, sabe-se lá por que, a espalhar relatos inacreditáveis, como, por exemplo, o de uma fuga durante a qual entrara em um pântano e, para não afundar e se afogar, puxou-se pelos próprios cabelos ou, dependendo da versão, pelo cardarço de suas botas.

 

Quem conta um conto, aumenta um ponto. Ou vários pontos. No caso de Münchhausen, tantos foram os exageros, que até o Barão os achou demasiados. Diziam que ele fizera viagens em balas de canhão e jornadas para a lua. Suas histórias, no entanto, não foram postas somente em livro e traduzido em várias línguas, mas rendeu um filme. Esse chegou aos cinemas da Alemanhã no auge da Segunda Guerra – 1943 – e foi usado pelo governo nazista para celebrar os 25º aniversário da UFA, a principal companhia cinematográfica do país. O Barão voltou ao cinema em 1989, quando Terry Gillian, que havia integrado o grupo cômico Monty Python, lançou a sua versão das “Aventuras do Barão de Münchhausen”.

 

Tenho um querido colega, cujo nome prefiro omitir, não vá ele pretender me cobrar direitos autorais, que é um emérito contador de histórias em que é protagonista, segundo ele, todas “reais”. Não são tão fantásticas quanto as do Barão, algumas das quais que me permiti apresentar aos leitores mais jovens deste blog, se é que esses existem. Aí está a primeira. Falávamos sobre aviões, se a memória não me falha, quando o nosso ou o meu Barão – como acharem melhor – contou-me que já havia sido piloto. E lembrou de uma ocasião em que o aparelho sofreu uma pane e ele se obrigou realizar pouso de emergência: desceu sobre uma rede de fios elétricos. Não deu, e não pedi maiores detalhes. Creio que, depois daquela aterrissagem, perdeu o jeito de voar: sentiu-se mal na primeira viagem aérea que fizemos juntos.

 

Esta é a segunda e, quem sabe, possa ser considerada mais “creativa” do que a primeira história. Adiléia Silva da Rocha, que ficou famosa com o nome artístico de Dolores Duran, cantora que nasceu no dia 7 de janeiro de 1930 e morreu com 29 anos, fez sucesso na sua época. Entre suas canções,havia uma que, relatou-me o Barão, ela fez em sua homenagem: “A noite do meu bem”. Ao ouvir a peta, fiquei imaginando o meu colega dançando com Dolores Duran e essa lhe sussurando ao ouvido que a música havia sido composta quando ela pensava nele.

 

A terceira história de hoje é a mais fantástica deste texto. O Barão, em uma de suas idas a serviço para os Estados Unidos, desembarcou em Washington. Nunca explicou direito como JF Kennedy ficou sabendo de sua presença em um hotel da capital americana. Não demorou, o telefone de seu apartamento tilintou. Imaginem, um assessor de JFK, falando português, transmitiu-lhe um convite do Presidente. Este queria recebê-lo nos jardins da Casa Branca…para um cafezinho.

 

Para encerrar as baronescas criações ou, melhor dizendo, invenções, existe a que o colega relatou quando foi à Argentina para cobrir uma competição automobilística. Depois de realizar o seu trabalho, contou-me que não encontrava condução para retornar ao seu hotel, no centro de Buenos Aires. Resolveu, então, seguir a pé até o seu hotel no centro de Buenos Aires. Eis que, de repente, um carro que ia na mesma direção, parou ao seu lado. O senhor que estava ao volante abriu a porta e, ”hablando español”, o convidou para entrar:

 

– Amigo,venga conmigo!

 

O Barão olhou para o gentil cavalheiro e, espantado, o reconheceu. O cidadão era, adivinhem, o lendário campeoníssimo Juan Manuel Fangio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: frio e calculista

 

Grêmio 1 x 0 Millionários
Sul-Americana – Olímpico Monumental

30OCT12_GremioxMillonarios_100

 

A bola para entrar no gol foi ajeitada com a cabeça pelo meio campo Marco Antonio que precisou se agachar para garantir que o caminho dela seria o fundo do poço (como diria o locutor esportivo lá de casa). Fez um movimento que mais parecia cumprimentá-la respeitosamente. Na volta do intervalo, a fala do volante Fernando deixava claro o objetivo tricolor na partida da noite de terça-feira pela Copa Sul-Americana. Com o regulamento embaixo do braço (como dizem outros locutores esportivos que não têm o mesmo cuidado com a originalidade), o Grêmio cadenciou o toque de bola, não deixou de tentar o segundo gol, mas cuidou-se muito mais para não levar um do adversário, até porque, como dizem erroneamente, este valeria dois. O comentarista do Canal Fox Mário Sérgio, campeão Mundial e da Libertadores pelo Grêmio, insistiu, durante todo o segundo tempo, que o placar estava de bom tamanho e o desastre seria o Millionários marcar; e, apesar de alguns pequenos sustos, foram raras as oportunidades de isto acontecer. Aliás, deixemos registrado, que bela partida fez o zagueiro Naldo, tomando a frente em todas as jogadas – qualidade que, a propósito, foi ressaltada antes de começar o jogo pelo próprio Mário Sérgio. Com tantos cuidados em campo e ressalvas fora dele, e depois de sequência de empates no Brasileiro, convenhamos, o 1 a 0 até pareceu goleada. Para este que lhe escreve, que sempre entendeu que em casa é que matamos o jogo e ganhamos a classificação, resta avaliar que o time ontem foi “frio e calculista”. Frio e calculista de mais para o meu gosto.

Confira no replay: a modernização já começou no futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Da mão de “Deus” do insólito Maradona à mão de “pirata” do Barcos, temos uma coincidência na ação e na nação dos autores, mas uma infinita distância nos reflexos que o recente episódio do Beira Rio deverá repercutir. A reação dos protagonistas de Porto Alegre retrata o quadro caótico que vive o esporte mais popular da terra, ao mesmo tempo em que começa a escancarar o sistema envelhecido e bastante envilecido do futebol se decompondo diante da tecnologia ao alcance de todos.

 

O principal ator do sábado gaúcho, o árbitro alagoano da FIFA Francisco Carlos Nascimento, embora tenha assinalado o gol, juntamente com o auxiliar, e voltado atrás após cinco minutos, visivelmente por ter sido avisado da mão de Barcos, relatou na súmula que não houve nada de anormal. Fato desmentido pela jornalista da TV Bandeirante Taynah Espinoza quando confirmou que Gerson Baluta usou a informação da TV: “Foi dito que foi mão pelo que se viu, e agora o delegado está perguntando para quem está fazendo a transmissão, se pelas câmeras de televisão vimos que foi gol. Parece que estão usando mesmo a tecnologia, mesmo que não seja de forma legal, entre aspas”.

 

Gilson Kleina o técnico do Palmeiras não tinha dúvidas: “Quem anulou o gol foi o delegado. Ele viu na televisão e anulou. Isso é sem-vergonhice. O gol foi anulado cinco minutos depois! Alguém passou”. “Em todo lance, vai ter que parar e ver a televisão. O futebol está ficando uma chatice”.

 

A diretoria alviverde vítima de recentes erros de arbitragem em vez de usufruir da situação para apoiar a tecnologia tenta tirar vantagem do momento e levanta a bandeira da anulação do jogo. Bem diferente de Marcos, goleiro e ídolo: ”Na minha opinião, não precisamos que anule o jogo,a final o gol foi feito de mão. Numa época de tanta luta para que a justiça seja feita no Brasil, nós (todos) do futebol brasileiro temos que dar o exemplo, se for para acontecer o pior que seja com dignidade”.

 

Tite do Corinthias não deixa por menos: “Vamos parar com a palhaçada de que no bar da esquina a conversa é boa (com os erros de arbitragem). É boa se seu time é melhor, e não da injustiça do jogo. Esse é um clichê que escuto muito, faz parte da discussão do boteco da esquina. Tem 300 coisas boas para discutir, e não a correção do lance”.

 

Nei Franco do São Paulo no programa Quatro em Campo da CBN assinalou que será inevitável o uso da tecnologia. A facilidade e o acesso difundido forçarão a sua utilização.

 

Vôlei, basquete, tênis e quase todos os esportes têm tido mudanças para adequação às novas condições mercadológicas e tecnológicas. O tênis, por exemplo, adotou medidas que trouxeram mais justiça e mais atração, como o dos desafios eletrônicos. E não obrigatórios para todos os torneios, mas de acordo com o seu peso econômico. Para cobrir uma área de 190m2 e dois jogadores o tênis tem 10 juízes. Ainda assim precisou da tecnologia para melhorar a precisão e o espetáculo, tornando a repetição do lance uma nova atração e não a chatice prevista por alguns. O futebol para 6.400m2 e 22 jogadores tem 1 árbitro e 5 auxiliares, o que dá mais de 1.000m2 para cada juiz, contra 19m2 no tênis. São 5 juízes para cada jogador no tênis, enquanto no futebol são 0,2 juiz para cada jogador. No tênis não há contato pessoal, no futebol há contato e simulação.

 

Por estas e outras estou apostando na utilização dos recursos tecnológicos até que se copie o tênis no poder, pois lá quem manda são os tenistas e não os cartolas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

 

#Drummond110

 

Em homenagem aos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade, comemorados neste 31 de outubro de 2012, uma série de eventos será realizada em ao menos quatro cidades brasileiras: São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte (acompanhe a programação aqui). Nas redes sociais, o “Dia D”, como vem sendo, simpaticamente, chamada a data, trechos de texto do poeta serão lembrados nas redes sociais com a hastag #Drummond110. No Jornal da CBN não ficaremos para trás, vamos conversar, também, sobre Drummond, seu talento e suas lembranças.

 

Reproduzo aqui o poema Câmara Municipal, escolha, evidentemente, provocada por influência dos amigos do Adote um Vereador:

 

Mercado criativo faz applemaníacos driblar burocratas em Cuba

 

 

Um All Star de cano alto era o sonho de consumo de todos meus colegas de basquete, nos anos de 1970 e 1980, no Rio Grande do Sul. Para tê-lo era preciso contar com a viagem para os Estados Unidos, raras na época, de algum parente, conhecido ou conhecido do conhecido. Havia ainda a possibilidade de encontrarmos um “canal tri-legal”. Que o legal aqui seja entendido como bacana, interessante, pois o tal canal não tinha nada de legal, era algum muambeiro que trazia os produtos para o Brasil. Antes que você me condene, explico que nunca comprei destes tênis, naquela época. E antes que você me enalteça, digo que não o fiz por falta de dinheiro. Contentava-me com o Charrua, comprado no Uruguai, mais barato, de boa qualidade e confortável.

 

Lembrei dos tênis All Star e o que eles representavam nos pés dos meus colegas – pareciam saltar mais, correr mais e jogar mais do que eu (e o faziam mesmo mas apenas porque eram melhores do que eu)- ao ler a coluna da jornalista cubana Yoani Sánchez, no Estadão de domingo, escrita sob o título Apple causa furor em Havana. A marca criada por Steve Jobs, evidentemente, não tem loja nem revenda oficial no país comunista – assim como nenhuma outro fabricante americano. É proibido vender Iphone por lá. Isto não impede que seus consumidores façam fila na porta de uma assistência técnica que anuncia no cartaz trabalhar com o produto. “Estão ali aqueles que conseguem comprá-los no mercado informal graças ao ingresso de alguns pesos conversíveis ou os que receberam os aparelhos de algum parente ou amigo radicado no exterior”, escreve a mais famosa blogueira da terra de Fidel. Ter o aparelho nas mãos é sinal de status para os cubanos, os torna especiais, descolados, assim como acontecia com o All Star calçado pelos outros.

 

O contrabando não é novidade em Cuba mas o que considero mais interessante no relato de Yoani é o fato dela ter identificado o desenvolvimento de um mercado criativo de grande sucesso com soluções inteligentes capazes de contornar todos os bloqueios impostos pela burocracia e tecnologia. Há uma versão da Wikipédia em espanhol que é instalada na memória do celular, têm mapas de Havana e de toda Cuba que podem ser ativados por um sistema de localização que não necessita de satélite e, um dos grandes sucessos, um aplicativo que funciona como identificador de chamada capaz de oferecer além do nome e do número de quem está ligando, também o endereço e o registro de identidade dele. Imagine os avanços que Cuba e seu povo teriam se esta criatividade fosse incentivada em um mercado aberto e com acesso a tecnologia no exterior.

 

Em tempo: hoje tenho uma coleção de All Star e ainda não tenho nenhum Iphone. Quem sabe compro um quando viajar para Cuba

Onde Estamos?

 

Por Julio Tannus

 

Um novo conceito de consumo

 

 
Deixou de ser “um modo passivo de absorção e de apropriação de bens e serviços, com a finalidade de preencher necessidades” para se constituir numa “atividade sistemática na qual se funda todo o sistema cultural contemporâneo”.

 

Uma nova ordem foi estabelecida: a precedência do consumo sobre a acumulação. Um sintoma dessa precedência: muitas vezes compra-se primeiro para depois resgatar o compromisso pelo trabalho.

 

Mudanças mais significativas na oferta:

 

Novos produtos e serviços
Conceito de “serviço” na venda de produtos
Novos meios de comunicação
Novos mercados a partir de novas tecnologias
Globalização – abertura e diversificação
Redução do papel dos Estados na economia
Incremento nos níveis de competitividade entre produtos e serviços
Surgimento dos Mercados Comuns

 

Um novo consumidor

 

As mudanças mais significativas no consumidor:
Maior consciência do poder de compra
Maior consciência de seus direitos
Maior nível de exigência e redução dos limites de tolerância
Maior nível de informação sobre o mercado de oferta
Maior individualidade – mercados cada vez mais segmentados
Surgimento de novos mercados (terceira idade, baixa renda)
Incorporação do conceito de “serviço” na compra de produtos
Preocupação crescente com a relação preço-valor
Preocupação ecológica
Redução do tempo disponível
Consumo compulsivo

 

O sistema de consumo atual

 

E não poderia deixar de citar o filósofo Jean Baudrillard em seu livro O Sistema dos Objetos:

Não há limites ao consumo. Se fosse ele aquilo que consideramos ingenuamente: uma absorção, uma devoração, deveria se chegar a uma saturação. Se dissesse respeito à ordem das necessidades, deveria se encaminhar a uma satisfação. Ora, sabemos que não é nada disso: deseja-se consumir cada vez mais. Esta compulsão de consumo não se deve a alguma fatalidade psicológica (o que o berço dá, a tumba leva, etc.) nem a uma simples coerção de prestígio. Se o consumo parece irreprimível, é justamente porque constitui uma prática idealista total que nada mais tem a ver (além de um certo limiar) nem com a satisfação de necessidades nem com o princípio de realidade. É que ela se acha dinamizada pelo projeto sempre frustrado e subentendido no objeto. O projeto imediatizado no signo transfere sua dinâmica existencial para a posse sistemática e indefinida de objetos/signos de consumo. Esta doravante somente pode ultrapassar-se ou reiterar-se continuamente para permanecer aquilo que é: uma razão de viver… Finalmente, é porque se funda sobre uma “ausência” que o consumo vem a ser irreprimível.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung às terças-feiras.