Velocidade máxima de 120km aumentará risco de mortes em rodovia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No jornal gaúcho Zero Hora, dessa segunda-feira, li e não gostei do que, por enquanto, está apenas em estudo, mas, mesmo assim, me assustou: ”Concepa estuda limite de 120 km/h na freeway”. Se é que alguém não saiba, freeway – que de “free” não tem muito – é a rodovia que une Porto Alegre a Osório e, nos fins de semana do verão, em geral, com o esparramo de veículos que se vê hoje em dia em circulação, para gáudio da indústria automobilística, torna-se congestionada. Não me lembro, mas, no jornal, há um quadradinho, no qual se vê uma foto da freeway, na época em que fazia jus ao apelido. Logo abaixo, lê-se que a fotografia é de 1973. Naquele ano, já um tanto longínquo, existia sinalização indicando que a velocidade máxima permitida na rodovia era a que a Concepa deseja reimplantar agora, isto é: 120 km/h.

 

Em novembro de 2011, o alargamento da rodovia e outras melhorias deram chance a que a velocidade máxima para veículos de pequeno porte – que ridiculamente são chamados de carros de passeio – passasse para 110 km/h. Já os pesados, podem viajar a 90. Não sou dos que mais viajam pela freeway. Neste ano, fui e voltei a Tramandaí duas vezes. Em ambas, mantive-me na velocidade máxima permitida, mas, às vezes, tirei o pé, especialmente para ser ultrapassado por quem dirigia, é fácil imaginar, muito acima dos 110 km/h. Esses, que não são poucos, não querem saber se você está pilotando dentro da velocidade permitida. Sai da frente deles ou se arrisca a ser abalroado.

 

A presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga, tal como eu e, provavelmente, inúmeros outros, entende que o aumento da velocidade está ligado à letalidade dos acidentes. Para essa batalhadora, que perdeu um filho, vitimado em acidente de trânsito, os 10 quilômetros a mais que a Concepa pretende implantar, diminuirá a segurança das pessoas que usam a rodovia. A concessionária da freeway, por conta de pequisa por ela realizada, afirma que o número de acidentes diminuiu na estrada que liga Porto Alegre às praias do litoral. A mesma pesquisa não esconde, porém, que o número de acidentes com morte caiu de 14 para 13. A pesquisa da Concepa não me convence. Vou continuar defendendo que, sejam quais forem as melhorias que a estrada experimentou neste ano e que são prometidas para 2013, aumentar a velocidade máxima em 10 quilômetros por hora ,parece pouco, mas será uma temeridade e um risco desnecessário. Afinal, tivéssermos, por exemplo, autobahns como as da Alemanha, as velocidades máximas poderiam ser bem maiores. Estamos, porém, distantes delas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Adote um Vereador se reúne neste sábado, em São Paulo

 

 

As pessoas foram chegando aos poucos e na troca de olhar desconfiaram que estavam por lá pelo mesmo motivo. Era um sábado, o primeiro desde o resultado da eleição municipal que definiu os 55 vereadores que assumirão o cargo no ano que vem. O café do Pátio do Colégio estava com as mesas quase todas ocupadas, mas conseguimos arrumar um espaço entre elas para que todos pudessem sentar e conversar. Foi assim que se iniciou o primeiro encontro do Adote um Vereador, edição 2013-2018, no segundo sábado de outubro, e não deve ser diferente neste sábado (10.11) quando voltaremos a nos encontrar por lá, após às duas da tarde.

 

No mês passado havia muita gente nova em volta da mesa, eram eleitores paulistanos que se entusiasmaram pela ideia de fiscalizar o trabalho dos vereadores e aceitaram o convite que fiz durante o Jornal da CBN – ninguém ao menos assumiu que só passou lá porque prometi pagar o cafezinho. Alguns vieram de longe, outros moravam no centro, havia os descrentes nos recém-eleitos assim como os confiantes nos candidatos que elegeram, e todos se apresentaram dispostos a assumir o compromisso de controlar a ação do legislativo nos próximos quatro anos. Por experiência, sabemos que nestes primeiros meses, incentivados pelo debate eleitoral que contamina parcela da sociedade, o interesse no assunto cresce. O desafio mesmo é fazer com que esta ação seja permanente e se consiga ampliar a rede que surgiu em 2008, em São Paulo, e chegou a outras cidades e estados brasileiros.

 

O Adote um Vereador convida o cidadão a escolher um dos vereadores eleitos da sua cidade. A partir desta escolha, assume-se o compromisso de controlar, fiscalizar, monitorar e espalhar as informações levantadas sobre ele. Pode-se fazer buscas na internet, acompanhar o noticiário no rádio, jornal e TV, mandar e-mail para o gabinete do vereador, telefonar para ele ou mesmo ir até a Câmara. No contato com o vereador ou seus assessores é importante pedir explicações sobre os compromissos que pretende assumir, os projetos de lei que vai apresentar e, também, como vai se posicionar em relação a temas que considerarmos importantes para o desenvolvimento da cidade. Todas as informações podem ser publicadas em um blog, site ou nas redes sociais, tais como Facebook e Twitter.

 

É comum o cidadão perder o ânimo quando não consegue contato com o vereador ou não recebe retorno de suas demandas. Se não houver respostas, conte para as outras pessoas. Se ele não apareceu mais no seu bairro, depois da eleição, faça uma contagem progressiva. Se ele não apresentou projetos de lei, chame atenção. Se ele está apenas gastando nosso dinheiro denuncie. Mesmo que o vereador não atenda a população muitas das suas informações estão no próprio site da Câmara Municipal. Levante tudo isso e espalhe.

 

Para conhecer um pouco mais o Adote um Vereador vá até o café do Pátio do Colégio, no centro da cidade de São Paulo. O encontro acontece todo segundo sábado do mês, a partir das duas da tarde. Para saber quem somos, pergunte ao garçom ou preste atenção no olhar das pessoas que estão sentadas por ali. Aquela turma que tem um brilho especial nos olhos, somos nós.

Jornal da Tarde

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Em 1966 o mundo já sabia que a massificação de consumo era coisa do passado e, que boa parte dos produtos e serviços teria que respeitar a segmentação de mercado. Não somente a de preços, mas a de comportamento. Pessoalmente,com 24 anos, iniciava uma nova vida familiar e profissional. De solteiro a casado, de estudante a economista. Atuando no jovem e promissor mundo da moda, ávido por conhecimento, novidades, e viciado em leitura. Sentia falta apenas na informação diária, de um jornal que correspondesse à atualidade em forma e conteúdo. Nesta época música, artes, cinema e teatro mostravam a sua criatividade, num momento de extraordinária ruptura. Talvez em resposta ao regime de força então vigente.

 

E, em quatro de janeiro de 1966 tivemos a surpreendente aparição do Jornal da Tarde. O mais belo e funcional jornal brasileiro. Revolucionário na paginação e no texto. Segundo Mino Carta, seu criador, a inspiração veio do jornalismo em “forma de literatura” surgido nos Estados Unidos na década de 60 com Norman Mailer, Tom Wolfe e Truman Capote, dentre outros. Além disso, era um periódico vespertino, com a proposta de trazer alguma informação nova em relação aos jornais matutinos. Foi assim até 1988 quando a família Mesquita decidiu transformá-lo em matutino com a justificativa de enquadrá-lo em publicação nacional.

 

A proposta de contemporaneidade e de absoluta criatividade dentro dos parâmetros da “literatura” citada por Mino, aliada a uma fotografia artística, não é fácil de ser mantida. Ficar no clássico e tradicional é sempre mais seguro. Dos 46 anos de vida, encerrados no dia 29 de outubro, se nem todos foram bem vividos pelo Jornal da Tarde, ao menos a maioria o foram, e deixaram um vazio. Talvez com a mesma similaridade da música, da arte, do cinema e do teatro que vivemos hoje. Muito menos em função de saudosismo e muito mais uma questão de ciclo. Tom Jobim, Vinicius de Morais, Anselmo Duarte, Glauber Rocha, Nelson Rodrigues deverão surgir numa próxima geração. É o que esperamos. Juntamente, é claro, com um jornal que seduza a geração Z. Ou será A?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: semáforos resistem a furacão nos EUA

 

 

O semáforo de pedestre insiste em funcionar mesmo depois de ser destroçado pela super-tempestade Sandy, semana passada, em Nova Iorque. O que o ouvinte-internauta Leandro Iwai, autor da foto, não entende é porque, no Brasil, os sinais de trânsito não resistem a mudança de temperatura. Qualquer intempérie é suficiente para tirá-los do ar causanto ainda mais problemas no tráfego das grandes cidades. Brinca-se por aqui que os semáforos são feitos de papel. A melhor explicação está no fato de que nos Estados Unidos a fiação elétrica é subterrânea e, portanto, protegida do mau tempo, enquanto nas cidades brasileiras temos um emaranhado de fios pendurados em postes e atravessando árvores que tornam o sistema frágil.

Avalanche Tricolor: o Campeonato Brasileiro do G4

 

O Fluminense é campeão virtual do Brasileiro 2012, estando nove pontos distante do Atlético Mineiro e dez pontos à frente do Grêmio, a apenas quatro rodadas do fim da competição. O aproveitamento do time carioca é de 72% até aqui e seus números são invejáveis. No entanto, se disputasse um campeonato paralelo com os demais três times que estão no G4, a equipe treinada por Abel Braga seria a terceira ou quarta força apenas. Se olharmos o confronto direto dos quatro primeiros colocados veremos que o Fluminense apenas conseguiu ganhar uma das seis partidas que disputou, contra o São Paulo, no primeiro turno, por 2 a 1, no Rio. Perdeu uma e empatou outra com o Atlético Mineiro; perdeu uma e empatou outra com o Grêmio. E empatou nesse domingo com o tricolor paulista, no Morumbi.

 

O time de melhor desempenho neste quadrangular fictício é o Atlético que venceu três de seus jogos e perdeu apenas para o São Paulo, por 1 a 0, no segundo turno. O Grêmio pode até passar dos mineiros, pois ganhou duas, empatou duas e perdeu uma. Para tanto, precisa vencer por dois gols de diferença do São Paulo no fim de semana, no Olímpico Monumental. Na primeira partida entre os dois clubes, fez 2 a 1, no Morumbi. O São Paulo venceu apenas uma partida e empatou outra no confronto direto com os adversário do G4. Se ganhar no fim de semana (deixe-me bater três vezes na madeira), empurra o Fluminense para a lanterna desta competição paralela.

 

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CAMPEONATO BRASILEIRO DO G4
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Atlético MG 3 x 2 Fluminense
Fluminense 0 x 0 Atlético MG

Atlético MG 1 x 0 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Atlético MG

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Grêmio 0 x 1 Atlético MG

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Fluminense 2 x 2 Grêmio

São Paulo 1 x 2 Grêmio
Grêmio – x – São Paulo

Fluminense 2 x 1 São Paulo
São Paulo 0 x 0 Fluminense

 

Este torneio que inventei não tem o menor valor a medida que o Brasileiro é disputado entre 20 equipes e o campeão é aquele que conquistar o maior número de pontos ao fim de 38 rodadas. Mas serve para mostrar que em uma competição com o tamanho do Brasileiro todas as partidas são decisivas, pois ganha-se o título com os três pontos tirados do laterna em uma rodada aparentemente sem importância e se desperdiça a temporada com derrotas e empates bobos em jogos considerados fáceis dentro de casa. Caso do Grêmio que botou fora seis pontos contra Portuguesa e Palmeiras, e mais alguns empates em jogos que estavam praticamente ganhos como contra o Santos e o Botafogo – todos no Olímpico.

 

Há muitos anos, ainda era um guri, ouvi de um dos nomes que fizeram história com a camisa do Grêmio, Paulo Lumumba, na época já atuando como técnico, que o Campeonato Gaúcho se perdia contra os times do interior e não contra o Inter. No Brasileiro, o cenário é muito semelhante. O jogo contra o líder não é uma final antecipada, como costumam dizer por aí. Todos os jogos são partes de um final que podem nos dar o título Brasileiro – ou nos tirar.

Apesar de tudo…

 

Por Julio Tannus

 

 

Adoro a cidade de São Paulo. Foi aqui que cresci, me eduquei, me formei, constitui família e hoje desfruto da cidade com todos os seus lugares, praças, shoppings, restaurantes, cinemas, teatros, livrarias, exposições e sua vida incessante. E desfruto também dos amigos, amigas, colegas e vizinhos. Assim que cheguei de Paraty, no fim dos anos 40, fui morar na Rua São Lázaro, travessa da Rua São Caetano, hoje chamada de “Rua das Noivas”, mas até então uma rua movimentadíssima, com todo tipo de comércio, além, é claro, do Cine São Caetano. Minha primeira escola, aos cinco anos de idade, foi o Recanto Infantil Jardim da Luz, do Departamento de Cultura, no Parque da Luz próximo a Estação da Luz.

 

A primeira surpresa: após alguns dias de chegada à cidade, fui com minha mãe e meu irmão caminhando pela Rua São Caetano em direção ao Parque da Luz. Ao chegar na Av.Tiradentes, em frente ao antigo Liceu de Artes e Ofícios, hoje Pinacoteca do Estado, me deparei com o monumento a Ramos de Azevedo (Ramos de Azevedo foi o centro em torno do qual gravitou o renascimento arquitetônico da cidade de São Paulo), hoje transferido para a Cidade Universitária; e exclamei em alto e bom som, nos meus cinco anos de idade: “Olha mamãe, uma mulher de peito de fora!”. Foi uma gargalhada geral. E minha mãe retrucou: “Fica quieto menino!”.

 

 

A primeira raiva: íamos – eu, pai, mãe e irmão – passear no Viaduto do Chá, aos domingos pela manhã. Era o passeio dos paulistanos. Entre os meses de abril e maio, eu e meu irmão temos a mesma idade, pois a diferença entre nós é de apenas 11 meses. E minha mãe nos vestia igualzinho, com o mesmo terno de calça curta e gravata. Então as pessoas passavam por nós e sempre ouvíamos comentários do tipo “que gracinha”, “são lindinhos”. Até que alguém nos perguntava “são gêmeos?”. E respondíamos categoricamente “não somos gêmeos”. E logo vinha outra pergunta “que idade você tem?”, eu respondia “cinco anos”. E você, dirigindo-se ao meu irmão “quantos anos você tem?”. “Cinco anos”. E aí vinha a resposta terrível “Ah! mentirosos hein?” Ficávamos possessos de raiva.

 

 

O primeiro choque: aos domingos íamos ao Cine São Caetano assistir à sessão da tarde. Até que, em um domingo de muita chuva, meu pai decidiu ficar em casa e não nos levar. Ficamos frustrados por pouco tempo, pois nos demos conta que ambos, pai e mãe, estavam compenetrados em suas leituras. Sorrateiramente, descemos as escadas e logo estávamos caminhando apressadamente em direção ao cinema. Ao chegar, o porteiro indagou o que queríamos. Respondemos: “viemos encontrar nossos pais que estão no cinema”. De imediato propiciou nossa entrada. Após algum tempo de fascínio pelo que se passava na tela, fui surpreendido e sobressaltado por uma mão forte que repentinamente me levantou da cadeira. Era meu pai, com uma expressão de angústia e raiva. Fomos levados de imediato para casa, com uma promessa de castigo por causar tanto desespero aos pais.

 

O primeiro time: flamenguista por herança de pai e de tanto ouvir “uma vez Flamengo, Flamengo até morrer” me sentia desajustado diante de tantos palmeirenses, são-paulinos, santistas, e assim por diante. Até que na celebração do IV Centenário da cidade, no dia 6 de fevereiro de 1955, o Corinthians se tornou campeão e meu time paulista do coração.

 

 

E, de 9 a 11 de julho de 1954, com a imensa participação de toda a população, que invadiram as ruas de nossa cidade, ocorreram festas maravilhosas. Entre elas me recordo nitidamente da Chuva de Prata, que Randal Juliano, pela Rádio Record, dizia: “O sentimento do paulista faz com que a cidade se locomova até o viaduto do chá. E aqui a multidão ergue os olhos para o céu, de onde caem lâminas metalizadas… Lâminas coloridas metalizadas sobre o viaduto do chá. Iluminadas por holofotes do exército, com o esplendor e luminosidade bonita. Traduzindo a alegria do povo paulista neste nove de julho, que comemorava uma derrota… Talvez tenha sido o único povo a comemorar uma derrota.” E recordo aqui o Hino do IV Centenário:

 

São Paulo, terra amada
Cidade imensa
De grandezas mil!
És tu, terra dourada,
Progresso e glória
Do meu Brasil!
Ó terra bandeirante
De quem se orgulha nossa nação,
Deste Brasil gigante
Tu és a alma e o coração!
Salve o grito do Ipiranga
Que a história consagrou
Foi em ti, ó meu São Paulo,
Que o Brasil se libertou!
O teu quarto centenário
Festejamos com amor!
Teu trabalho fecundo
Mostra ao mundo inteiro
O teu valor!
Ó linda terra de Anchieta,
Do bandeirante destemido.
Um mundo de arte e de grandeza
Em ti tem sido construído!
Tens tu as noites adornadas
Pela garoa em denso véu,
Sobre seus edifícios
Que mais parece chegarem aos céus!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: o impacto do mundo digital com Gil Giardelli

 

Que admirável novo mundo é este em que estamos vivendo, em que pessoas de todas as idades, empresas de todos os tamanhos e instituições seculares sentem-se completamente perdidas em meio a uma nova ordem mundial?

 

Estamos imersos em um oceano de dados e conhecimentos, de novos aparelhos e novidades tecnológicas que nunca estiveram tão disponíveis. A todo momento, surgem tecnologias revolucionárias, robôs, celulares, TVs com nomes complexos, engenhocas esquisitas, sites e sistemas que fazem tudo mudar radial e repentinamente.

 

Todos estão conectados a todos o tempo todo, e isso nos deixa, ao mesmo, extasiados e angustiados.O excesso de informação nos deixa inquietos e agitados. Que vertigem sentimos quando acordamos de manhã e percebemos que, a cada minuto, estamos mais atrasados… Estamos em uma verdadeira locomotiva digital, em um veículo inteligente, criativo, que carega todos para um lugar em que as ruas não têm nomes.

 

Ficamos entusiasmados com tantas novas possibilidades, mas profundamente ansiosos por pensar que temos de absorver uma montanha de informações, reaprender a fazer velhas coisas de novos jeitos, entender conceitos recém-nascidos todos os dias, e tudo isso sem saber direito o que fazer com tanta coisa. Ufa, isso tudo cansa!

 

Como estes cenários descritos no texto de abertura do livro “Você é o que você compartilha” impactam seu negócio e sua empresa ? Este é um dos assuntos da entrevista com Gil Giardelli, especialista no universo digital e convidado do programa Mundo Corporativo, que você assiste, ao vivo, a partir das 11 horas, nesta quarta-feira (7.11), no site da rádio CBN. Para participar, deixe sua pergunta neste espaço ou mande suas dúvidas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou o Twitter @jornaldacbn, usando a hastag #MundoCorporativo. Para conhecer melhor o trabalho dele entre no site de Gil Giardelli.

Oposição erra ao pedir fim da taxa da inspeção veicular em SP

 

O vereador Gilberto Natalini do PSDB apresentou projeto de lei que elimina a cobrança da taxa de inspeção veicular na cidade de São Paulo, três dias após sair de uma campanha eleitoral na qual criticava esta mesma proposta defendida pelo então candidato Fernando Haddad do PT. Nestes oito anos em que sempre esteve na base de apoio das administrações de José Serra (PSDB) e de Gilberto Kassab (PSD), Natalini jamais questionou a cobrança e nunca fez gestão na tentativa de mudar o contrato mantido pela prefeitura com a empresa Controlar que explora o serviço. Por isto e por declarações de seus colegas de partido fica claro que a medida foi tomada apenas como provocação ao prefeito eleito que, em sua primeira entrevista coletiva, disse que para derrubar a taxa precisaria ter a aprovação dos vereadores o que, provalvemente, levaria ao fim da cobrança apenas em 2014.

 

Natalini não agiu sozinho, teve o apoio do líder do PSDB Floriano Pesaro, que justificou a iniciativa do colega em entrevista à rádio CBN. Lamentavelmente, erraram os dois vereadores que, registre-se, são bem avaliados pelo trabalho na Câmara e foram reeleitos. Pelo erro foram cobrados publicamente. O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge, que implantou a inspeção veicular, pediu para que os parlamentares retirem o projeto de lei e aguardem as soluções que Haddad pretende dar a este aspecto do programa de inspeção. Explicou, também, que o reembolso de até 100% da tarifa aos proprietários já está previsto na lei atual, cabendo apenas uma decisão administrativa da prefeitura – como ocorreu, aliás, nos primeiros anos da inspeção veicular. Eduardo Jorge, ligado ao PV, aproveitou para ressaltar algo que diz ter aprendido na vida de militante político e parlamentar: “nós não devemos mudar a nossa opinião frente a uma política pública simplesmente porque somos governo ou oposição. O que é correto é correto, seja o governo liderado pelo PSDB, PT, PV, PSD, etc…”

 

O que os eleitores devem esperar de seu representante é que eles atuem de acordo com os compromissos que assumiram durante a campanha e vida pública. Tanto quanto se espera que Fernando Haddad acelere o processo para cancelar a cobrança da taxa da inspeção veicular, tem-se a expectativa de que os vereadores que estarão na oposição, de forma lógica e com argumentos consistentes, combatam esta ideia. Imagino que parcela dos que escolheram Natalini acredita que o mais justo é que os donos de automóveis paguem pela inspeção em vez de se manter o programa com o dinheiro de todos os paulistanos – inclusive daqueles que não têm carro, usam ônibus, metrô, trem ou andam a pé. Foi isso que o vereador defendeu no seu mandato e na campanha. E por isso votaram nele. Agir de forma diferente não engrandece seu currículo e frustra quem gostaria de ver a oposição atuando de forma inteligente e dando oportunidade para que a cidade debata os temas importantes para o crescimento de São Paulo.

 

Que este primeiro ato tenha sido apenas reflexo de indigestão gerada pela derrota nas urnas.

Conte Sua História de SP: E nasce uma família na cidade

 

Do livro Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo), reproduzo aqui o texto da ouvinte-internauta Luciana Gerbovi. “E nasce uma família na cidade” descreve como a família dela se encontrou na capital paulista:

 

Ouça aqui o texto sonorizado pelo Cláudio Antonio que foi ao ar nesse sábado, no CBN São Paulo

 

Foi São Paulo quem recebeu, em 1925, meu bisavô nascido e criado na antiga Iuguslávia. Por amos à família, à vida e à paz, saiu da cidade de Vela Luka carregando consido a esposa, um filho e três filhas, uma das quais se tornaria minha avó.

 

Foi São Paulo quem recebeu, anos depois, um adolescente também nascido na antiga Iuguslávia, que mais tarde se tornaria meu avô.

 

Foi São Paulo o lugar em que os então jovens iugoslavos se conheceram, casaram e tiveram três filhos, um dos quais seria meu pai.

 

Muitos anos antes daquele 1925 marcado pela chegada de meu bisavô, foi São Paulo quem recebeu meus trisavós, saídos da Itália e da Espanha, que aqui casaram e tiveram filhos e netor. Esses netos de espanhóis e italianos aqui se conheceram e tiveram seus filhos. A menina um dia seria minha mãe.

 

Foi em São Paulo, já na década de 1960, durante um trajeto de ônibus, que o jovem filho de iuguslavos e a jovem neta de espanhóis e italianos se encontraram, se apaixonaram e, a partir de então, protagonizam uma das mais belas histórias de amor e de respeito que conheço.

 

Foi também em São Paulo que esse casal teve sua primeira filha: eu.

 

Ainda que a vida profissional de meu paiu tenha me levado a passar a infância e a adolescência no interior do Estado, nunca deixei de estar em São Paulo: aqui mora toda a parte brasileira da história de nossas famílias.

 

Foi São Paulo quem me acolheu para os estudos de nível superior, onde encontrei grandes amigos e conheci o meu amor. É aqui que rpetendo ter e criar meus próprios filhos.

 

Foi, é e sempre será São Paulo

De prosa

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Já disseram tudo. Sóis e luas em forma humana. Drummond avisou que No meio do caminho tinha uma pedra. E sempre tem. Todo grande amor só é bem grande se for triste, ameaçou Vinícius, e depois ouvi o que tinham para dizer, Cora Coralina e Cecília Meireles. Um pouco de tudo. Muito de tão poucos. Acabou que não me importa mais se o mundo está acabando, se está mudando ou só começando.

 

Hoje de manhã falei com a tia Inês, no telefone. Fazia tempo que a gente não se falava, e isso não é normal. Mas o que é normal? Deus me livre do normal. Do uniforme. De uniforme eu gostava na escola. Me vestia de estudante, era vista na rua como estudante. Era uma honra, o uniforme! Mas voltando ao papo com a minha tia, a gente falava de vida, eu da minha, e ela da dela. Falamos, falamos, filosofamos. Quando eu choro ela me afaga de longe. Minha tia não chora. Vibramos com a alegria uma da outra. Falamos menos para informar a outra do que está acontecendo, do que para nos ouvirmos traduzindo cada uma o próprio coração, às vezes nos aventurando a traduzir o da outra, que é assim que a gente fala com quem se ama. Ultimamente andamos em descompasso no ritmo das nossas vidas, ela e eu, mas nunca nos afastamos. Esteja ela numa fase macia, e eu numa rugosa, ou o contrário, nos falamos. Hoje falamos de fases muito difíceis e muito longas. Até rimos quando nos demos conta de que quando a situação está ruim ainda pode ficar muito pior, dia após dia, sem intervalo entre os atos; sem tempo para trocar os costumes. Cenas pesadas se arrastam; as leves voam. Faz sentido! vamos descobrindo ao longo do papo.

 

Agora sei que a dor não é o fim. A dor é o começo. Caiu a ficha. É poção reparadora, transformadora, necessária, como todo o resto. É o espinafre no prato do menino carnívoro, talvez. Crescer dói, todo mundo sabe, mas desta vez devemos de verdade estar crescendo muito, porque a dor tem campeado desenfreada. A resistência e ela, de mãos dadas.

 

Quanto a mim, vou continuar não pedindo nada nas minhas orações. Agradeço e ponto. De manhã, de noite e milhares de vezes durante o dia, mas de hoje em diante, só no começo, até incorporar, vou agradecer também pela dor. Assim mesmo, com ênfase na gratidão por ela.

 

não vai ser fácil
mas vou repetir
de coração
só até acostumar
ou a dor terminar
de cumprir o seu dever

 

com tudo isso me dei conta
de que fui atrás de poetas
buscando o prosaico
na poesia
e acabei encontrando poesia
no prosaico

 

Obrigada, tia!

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung