Depois de escolher, adote um vereador

 

Neste trecho da entrevista ao Observatório Político falo sobre a criação e função da rede Adote um Vereador. Depois de escolher o seu candidato no domingo, não esqueça que seu papel de cidadão continua sendo importante. Escolha um dos eleitos e passe a controlar, fiscalizar, monitorar e espalhar para toda a cidade o que ele faz com o mandato para o qual foi escolhido.

 

“Eu sou um cidadão …” estimula morador a cuidar da cidade

 

Oded Grajew é um provocador. Nunca está contente com as conquistas alcançadas. Quer ir além, provocar novos movimentos. Fez isto quando era empresário e percebeu que as empresas tinham responsabilidades com a sociedade. Daí surgiu o Instituto Ethos. Fez, também, quando entendeu que as pessoas teriam mais força se estivessem organizadas em instituições. E depois reuniu estas instituições em uma grande rede, a Nossa São Paulo. Conseguiu mobilizar diferentes grupos e políticos para a implantação do Plano de Metas na capital paulista. Assim que foi aprovado, levou a ideia para o Brasil. Agora, recebeu o título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal, e quer que todos os moradores desta cidade também tenham este direito. Na terça-feira à noite, durante cerimônia no legislativo municipal, lançou a campanha “Eu sou um cidadão paulistano” para estimular os moradores a participarem do desenvolvimento da cidade.

 

Evidentemente que Oded não fez tudo isso sozinho, pois ele sempre confiou no poder do coletivo. É com esta força que ele acredita que poderá convencer os cidadãos, não apenas de São Paulo, mas de todas as cidades brasileiras a se credenciarem ao título. Para isto, cabe a cada um de nós respeitar o vizinho, dar preferência ao pedestre, cuidar do seu quarteirão, não desperdiçar água, reciclar os resíduos sólidos, preservar sua calçada e o meio ambiente, entre tantas ações que estão ao nosso alcance.

 

Ouça a entrevisa que fiz no Jornal da CBN com Oded Grajew sobre a campanha “Eu sou um cidadão …”

 

A seguir, reproduzo alguns dos banners e adesivos que serão sugeridos aos cidadãos:

 

Lembranças de Pedro Carneiro Pereira

 

Por Milton Ferretti Jung

 


Em minha carreira de narrador de futebol, que eu me lembre, não consegui narrar apenas dois jogos. Um deles – não me perguntem o ano, por favor – foi Atlético x Grêmio, no Estádio Independência. Já contei, em uma dessas quintas-feiras, o ocorrido com a transmissão da Rádio Guaíba, nesse jogo. Em resumo, a RADIONAL deixou-me na mão: narrei 85 minutos e só parei quando, nos meus fones, ouvi a voz do meu colega Marco Aurélio, que apresentava o rádio jornal noturno. O motivo que me impediu de relatar uma partida pela segunda vez foi, porém, bem mais sério. Fui escalado para narrar, pelo Campeonato Brasileiro, Desportiva x Grêmio em Vitória, capital do Espírito Santo. A equipe que eu comandava desembarcou no sábado, descansou e, no domingo, rumou para o Estádio Engenheiro Araripe. Em Porto Alegre, Armindo Antônio Ranzolin já começara a narrar Inter x São Paulo. O jogo, em Vitória, começa mais tarde. No Autódromo de Tarumã, localizado no município de Viamão, bem próximo da capital gaúcha, o repórter Clóvis Rezende, acompanhava a 4ª Etapa do Campeonato Gaúcho de Turismo. Antes que se estabelecesse o nosso contato com a central técnica da Guaíba, alguém comentou que um grave acidente havia ocorrido no Autódromo. Tão pronto fizemos contato, fomos informados pelo operador da central que deveríamos retornar para Porto Alegre. O nosso companheiro Pedro Carneiro Pereira envolvera-se num acidente com Ivã Iglesias ao tentar ultrapassá-lo. Os carros se chocaram e ambos bateram no muro de proteção dos boxes. Imediatamente se incendiaram. Os pilotos não puderam ser retirados em tempo de serem salvos. No Beira-Rio, o árbitro Arnaldo César Coelho, ao ser informado do ocorrido, interrompeu a partida por alguns minutos. A Rádio Guaíba encerrou a jornada esportiva e passou a rodar músicas. Saímos às pressas do Engenheiro Araripe, corremos até uma agência da Transbrasil e conseguimos voar, debaixo de mau tempo, para o Rio de Janeiro. Lá,embarcamos no “corujão” da Cruzeiro. Eu e meus companheiros largamos nossas bagagens em casa e rumamos para o velório do Pedrinho. Corria, então, o ano de 1973. Estávamos no dia 21 de outubro

 

Conheci Pedro Carneiro Pereira quando a Rádio Canoas, cujos estúdios situavam-se em Porto Alegre, chamou interessados em fazer carreira no rádio. Entre os inúmeros candidatos a uma vaga de locutor, estava um jovem pouco mais moço que eu. Não me esqueço, sei lá a razão, que vestia uma camisa esporte quadriculada. O teste não era dos mais fáceis. Não bastava, para quem buscava lugar na Canoas, ler, sem errar, textos comerciais e noticiários. Exigia-se, também, que falassem de improviso sobre assunto que desse na cabeça do testado. Somente um dos candidatos passou no teste: Pedro Carneiro Pereira. Em 1958, deixei a Rádio Canoas e sentei praça na Guaíba, onde estou até hoje. Pedrinho e eu narramos várias provas automobilísticas quando ambos ainda estávamos na Emissora da Caldas Jr. Pedro saiu da Canoas, fez teste na Rádio Difusora e,claro,foi aprovado. Indiquei-o para Mendes Ribeiro, diretor de broadcasting da Guaíba. Ele foi contratado e voltamos a trabalhar lado a lado, fazendo dupla, às vezes, na locução comercial. Naquela época éramos dez locutores. A Rádio não aceitava jingles nem spots. Era tudo ao vivo. Acabamos os dois trabalhando na equipe esportiva. A história do Pedrinho, porém, não termina aqui. Na próxima quinta-feira, contarei como foi a estreia dele no automobilismo de competição.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Como o vereador é eleito pelo quociente eleitoral

Para saber quem será o candidato que vai vencer a disputa pela prefeitura da sua cidade basta calcular o total de votos que cada um deles recebeu. A eleição para vereador, no entanto, é proporcional e para saber quem ganhou o direito de lhe representar na Câmara Municipal é preciso calcular o quociente eleitoral. Este cálculo é que explica por que o seu vereador pode ficar fora da Câmara apesar dele ter recebido mais votos do que o concorrente eleito por outro partido.

Em uma resumo curto e grosso, soma-se todos os votos válidos, aqueles que são dados aos partidos e candidatos, não contam nulos e brancos. Divide-se o total de votos válidos pelo número de vagas na Câmara, o resultado é o quociente eleitoral, ou seja, a quantidade de votos que cada partido ou coligação precisará para eleger um vereador. Para saber quantos vereadores cada partido ou coligação terá é necessário dividir o total de votos que recebeu pelo quociente eleitoral. A intenção da lei é fortalecer os partidos políticos.

Para entender melhor como esta complexa divisão é realizada assista ao vídeo produzido pelo Tribunal Superior Eleitoral:

Pega ladrão, pega ladrão na Câmara de Vereadores !

 

Por Devanir Amâncio

 

Câmara Municipal São Paulo

 

Ladrão é preso em flagrante após roubar uma mulher na Praça da Bandeira e tentar se esconder na garagem da Câmara Municipal de São Paulo, na Rua Santo Antônio, 211, região central da cidade.O crime ocorreu na tarde desta quarta-feira 3, por volta das 14h30. Dentro da Câmara houve gritaria e luta corporal entre o ladrão, a PM e a GCM, e atraiu a atenção de vários curiosos. A vítima recuperou o dinheiro e outros pertences, e o homem, de 19 anos, foi levado ao 8°DP, na Mooca, onde o caso foi registrado.

 

Eu passava pelo local na hora , a cena – a luta corporal do bandido com os três policiais militares e os quatro GCMs – foi surreal. Confesso minha frustração por não ter podido fazer as fotos. Estava sem a máquina.

 

Um vereador – que saía da garagem no momento – exclamou: ” Que coisa absurda !”, ao ser informado da ação do gatuno.

 

Um funcionário da Câmara, disse: “Isso, aqui, não é novidade.” Um corpulento GCM comemorou ao conseguir algemar o ladrão: “Safado, tá pensando o quê?.. Aqui é GCM.”

 

Dilma, o discurso e a roupa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No último Mundo Corporativo, programa comandado por Mílton Jung, foi comentada a questão de velhas máximas em uso ou desuso nas empresas. Por exemplo: “Espremendo o fornecedor é que se chega ao lucro”, ou “o segredo é a alma do negócio” que sabiamente foi substituída por “a alma do negócio é o segredo”. Abordagens que me levaram a outras áreas. Nas comunicações “os meios são a mensagem”. No futebol “o jogo é que deve aparecer não o árbitro”. Na dança de salão “o homem é a moldura, a pintura é a mulher, é ela quem deve aparecer”.

 

E, com tais ditados me veio a questão da roupa levada à ONU pela presidenta, pois na moda “a roupa deve valorizar as pessoas e não ao contrário”. Uma surpresa, diante do vestido vermelho com enorme estampa, pois se Dilma não tem aproveitado o cargo para divulgar a indústria de confecção nacional, pelo menos vinha usando até então um critério louvável no sentido de evitar exageros. Descartando calças compridas e prestando atenção no uso das cores, além de evitar as estampas. Pena que o sucesso de Lula ao enfrentar Serra em seu debate final, ostentando um Ricardo Almeida impecável, que lhe valeu uma imagem mais forte e contemporânea, não a tenha inspirado. Poderia hoje estar com uma modelagem e um corte mais refinado. De qualquer forma a ousadia na ONU agradou pelo menos a jornalista de moda da Folha Vivian Whitman que “descobriu” uma nova função da roupa, ao identificar na estampa escolhida um outdoor pertinente ao discurso proferido:

 

“Falando de guerra, da Palestina e de outras questões complexas, que têm causado banhos de sangue nas últimas décadas, o vermelho foi uma escolha ousada. O que de perto era uma estampa abstrata, algo entre plantas e florais, de certa perspectiva, ou seja, do ponto de vista da plateia, adquiriu um ar de camuflado estilizado. Era como se Dilma fosse um lembrete visual das vítimas dos conflitos enquanto pedia novas medidas e estratégias de ação.”

 

Quanto ao discurso as reações foram as de sempre. Muita mídia e pouca novidade. Quem é favorável aplaudiu, quem não é criticou. A revista Veja, por exemplo, em editorial com o título “A chance perdida” sugeriu que Dilma devesse deixar de ser presunçosa e confessasse que o Brasil está atrás de Chile, Colômbia e Peru no competitivo mercado global.

 

Ainda bem que não tivemos nenhum jornalista de política se aventurando no jornalismo de moda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Como avaliar os candidatos a vereador

 

 

Na reportagem produzida pelo estudante de jornalismo Lucas Souza, da TV Mackenzie, algumas dicas importantes para você avaliar melhor os candidatos a vereador, especialmente aqueles que concorrem à reeleição. Além de informações sobre o papel do parlamentar, Lucas traz exemplos de ações de acompanhamento feitas pelo site Excelências, da Transparência Brasil, e entrevista com Alecir Macedo, da rede Adote um Vereador.

Por que ler e escrever?

 

Por Julio Tannus

 

Seguem algumas citações:

 

O verdadeiro analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê – Mário Quintana
A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede – Carlos Drummond de Andrade
A leitura nutre a inteligência – Sêneca
A pessoa que não lê, mal fala, mal ouve, mal vê – Malba Tahan

 

Guimarães Rosa me disse uma coisa que jamais esquecerei tão feliz me senti na hora: disse que me lia “não para a literatura, mas para a vida” – Clarice Lispector
A leitura de um grande livro é muito mais rica que assistir a um grande filme – Steven Spielberg
Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história – Bill Gates
O importante é motivar a criança para leitura, para a aventura de ler – Ziraldo

 

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria – Jorge Luis Borges
É preciso fazer compreender a criança que a leitura é o mais movimentado, o mais variado, o mais engraçado dos mundos – Alceu Amoroso Lima
Amar a leitura é trocar horas de fastio por horas de inefável e deliciosa companhia -
John F. Kennedy

 

Creio que uma forma de felicidade é a leitura – Jorge Luis Borges
A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo – Merleau-Ponty
Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre – Cecília Meireles
A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo – Nelson Mandela

 

Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda – Paulo Freire
Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi – Mário de Andrade
Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena – e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou pelo menos instantes da vida desse povo – Monteiro Lobato
Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias – Pablo Neruda

 

Escrever é estar no extremo de si mesmo – João Cabral de Melo Neto
Escrever é um ócio muito trabalhoso – Goethe
Não se é escritor por ter escolhido dizer certas coisas, mas sim pela forma como as dizemos – Jean-Paul Sartre
A poesia é a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais – Voltaire
Poesia é quando uma emoção encontra seu pensamento e o pensamento encontra palavras – Robert Frost
A Matemática pura é, à sua maneira, a poesia das ideias lógicas – Albert Einstein

 

Contribuição da professora Malu Zoe:

 

“Quando somos adolescentes, gostamos da ideia de sermos os descobridores de pequenos universos. Mas, depois de uma certa idade, preferimos voltar aos lugares que já conhecemos, onde não precisamos nos apresentar. Gosto das velhas companhias e dos velhos livros” – Manguel, escritor argentino

 

“Folheada, a folha de um livro retoma
o lânguido vegetal de folha folha,
e um livro se folheia ou se desfolha
como sob o vento a árvore que o doa;
folheada, a folha de um livro repete
fricativas e labiais de ventos antigos,
e nada finge vento em folha de árvore
melhor do que o vento em folha de livro.
Todavia, a folha, na árvore do livro,
mais do que imita o vento, profere-o:
a palavra nela urge a voz, que é vento,
ou ventania, varrendo o podre a zero.
João Cabral de Melo Neto

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung