Mundo Corporativo: Empreendedorismo e inovação

 

Temos mais empreendedores no Brasil do que em outros países, por necessidade. O brasileiro tem esta capacidade de criar. No entanto, a deficiência do ensino leva a perdade de oportunidade. As afirmações são de Ronald Degen, um dos principais responsáveis pela difusão do empreendedorismo no Brasil, tendo criado nos anos de 1980 o primeiro curso sobre o assunto, na Fundação Getúlio Vargas. Nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da Rádio CBN, Degen fala sobre a importância da inovação em dois eixos principais: o da tecnologia e o da comunicação. “um dos problemas do Brasil é na ter um empreendedorismo por inovação tão forte como deveria”, alerta Degen que atualmente é coordenador dos cursos de pós-MBA da HSM Educação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Avalanche Tricolor: Guerreiro, gladiador, craque e goleador

 

Grêmio 5 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental

 


 

Um guerreiro não desiste nunca, ao menos é o que dizia a publicidade, e no caso de André Lima não deixa de ser uma realidade. O atacante já esteve fora do Grêmio por duas vezes, voltou e, mesmo com um futebol questionável, entra no time quase sempre. Neste domingo marcou o primeiro gol e mesmo quando não o faz sempre se esforça para mostrar a torcida que tem alguma relação de amor com o clube. É entusiasmante o quanto ele guerreia contra suas próprias limitações.

 

Em campo, poucos jogadores apanham tanto como Kleber, e parece que todos estão sempre a espera de uma reação violenta por parte dele. Quem sabe para dizerem: viu, só podia ser o Kleber, este cara não presta, não tem cabeça. Desde que está no Grêmio, incorporou nosso estilo e espírito, brigou apenas pela bola e já é nosso goleador. Do Gauchão, também. Os dois primeiros que marcamos passaram pelo pé dele, no estilo Gladiador. Aos trancos e barrancos manteve-se com a bola e entregou a Gabriel antes desta chegar a André Lima, no primeiro. E assim também a manteve mesmo com o assédio do zagueiro antes de empurrá-la para dentro do gol, no segundo.

 

Facundo Bertoglio é genial. Driblou, recebeu falta e marcamos um. Ludibriou a defesa inteira, disparou, recebeu, passou e fizemos outro. Ignorou os marcadores, limpou a jogada, chutou e marcou mais outro. Ao fim da partida, após ouvir seu nome gritado pelos torcedores, confessou: “vai ser difícil dormir nesta noite”. Pelo jeito, o menino ainda vai jogar muita bola daqui pra frente, portanto seria legal se os locutores, repórteres e comentaristas ao menos aprendessem a dizer o nome dele corretamente: Bertolio (sem o som do “g”), por ser italiano, é a pronúncia certa. Quanto a mim e a torcida gremista não haverá problema algum, vamos chamá-lo apenas de craque.

 

De craque, de guerreiros, de gladiadores e de goleadores começamos a construir nossa história nesta temporada. Que sejam bem-vindos.

De anjos e confortos

 

Na necessária folga da Maria Lucia, aproveito para reproduzir o primeiro texto desta companheira de primeira viagem no Blog, quando começamos em junho de 2007 a escrevê-lo. Esta coluna foi publicada no dia 10 de junho daquele ano e reproduzia seu espírito naquele momento:

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

Você já percebeu que estamos cercados de anjos de carne e osso, e que em vez de prestarmos atenção neles, e no que dizem, ficamos escarafunchando os céus e procurando dentro de igrejas?
Santa ingenuidade!
Os anjos de outras dimensões vivem recebendo pedidos, de nós humanos, por uma vida melhor para nos sentirmos felizes, e para que nos protejam do mal.

Vamos pensar juntos. Em primeiro lugar, alguém fora de nós, mesmo tão poderoso quanto um anjo, não poderia saber o que cada um considera uma vida melhor e do que exatamente precisa para se sentir feliz; até porque vivemos mudando de opinião. Vida melhor é um conceito diferente para cada indivíduo e muda ao sabor da época e circunstância. No entanto, nosso pedido vai sem especificação. Queremos uma vida melhor, e pronto. Como se pudesse chegar por Sedex, num lindo pacote.


 

Ora, estamos cansados de saber que se não avaliamos muito bem cada passo, acabamos no buraco.


 

E falando em buraco, pensei na minha cidade, que justiça seja feita, não é só feita de buracos. A Operação Cidade Limpa, aqui em São Paulo, por exemplo, me deixa feliz, e portanto melhora minha qualidade de vida. Poluição visual me faz muito mal. No entanto, tenho um amigo que adorava os gigantescos outdoors da Marginal Pinheiros e sente falta deles.


 

Pobres dos anjos, debatendo-se para satisfazer o desejo dele e o meu. Precisam sair lá da Cidade dos Anjos onde não deve ter poluição visual e nem buracos, e onde há paz – e se digladiarem por nós. Não é justo levarmos anjos, seres divinos e pacíficos, a se digladiarem. Uns tentando arrancar os outdoors e outros tentando mantê-los bem firmes, nos seus gigantescos e horrendos suportes metálicos.



 

Mas, conversando com um anjo-homem, domingo pela manhã, ouvi dele que se queremos sucesso, em qualquer área de nossas vidas, precisamos sair da zona de conforto. Incrível. Nem ele percebeu o impacto da frase, em mim. Não foram necessárias orações, nem velas de sete dias. Simplesmente, numa fração de segundo, ele me deu de presente um mapa para uma vida melhor. Deu uma sacudida na minha consciência, que tirava um bom cochilo, e sorriu. Fez-me lembrar que só eu tenho a varinha de condão e que sou arquiteta e decoradora da minha própria vida. A cada passo, decido o caminho. Faço escolhas e me dou conta de que cada uma delas implica em abrir mão de outra direção. Sou assessorada por anjos incríveis que me cercam e que eu mesma atraio para a minha vida.


 

Quanto aos anjos nos protegerem do mal, tenho cá as minhas dúvidas. Não que eu abra mão de uma oração, de um papo direto com o Criador, seja ele quem for, como for, que formato tenha. Mas a cada oração, tento manter presente uma certeza. A de que estou aqui com a missão de ser feliz, e de que a responsabilidade é minha e de mais ninguém.


 

Minha zona de conforto andava espaçosa demais, mas já estou dando um jeito nisso.


 

Pense nisso, e até a semana que vem.

Semana de moda em Paris

 

Por Dora Estevam

 

A sensação da semana de moda parisiense foi certamente a notícia de que Marc Jacobs vai continuar na marca Louis Vuitton, contrariando boatos de que ele ocuparia a vaga do estilista John Galliano na Dior. Passada a euforia do entra e sai, a plateia que foi assistir ao desfile ficou deslumbrada com o cenário do desfile que apresentou ao mundo a coleção que faz parte do outono e inverno 2012 -2013 da marca. De acordo com a editora da Vogue Daniela Falcão as peças com aplicações de pedrarias faz com que o desfile seja o mais rico da estação.
 

 

Convido você a assistir a este espetáculo de moda, comigo. Um trem no meio da passarela montada no Louvre anuncia o que virá  a seguir. Repare nas produções: calças sob vestidos de comprimento médio; chapéus e obviamente as bolsas e malas – além do charme de cada modelo ter seu próprio carregador, remetendo aos bons tempos.
 

 

 


 
 

 

 
Paralelo ao desfile, a Louis Vuitton-Marc Jacobs lançou uma exposição no Museu Les Arts Décoratifs, em Paris, que vai de 9 de março a 16 de setembro, que conta a história de dois homens: Louis Vuitton, o fundador da marca, e Marc Jacobs, o diretor artístico da LV, cada um com suas contribuições para a moda, nos seus respectivos períodos. Veja abaixo o filme que revela um pouco da organização da mostra.
 
 

 

 


 
 

 

 
Outro desfile deslumbrante e inesquecível foi o da Chanel. Lagerfeld como sempre a frente de tudo. Vestidos com pedras, passarela imitando a criptonita de Super Man, foi uma loucura tudo.
 

 


 
 

 

 
E para acabar, um pouco de curiosidade. Veja como foi a movimentação na entrada do desfile da Chanel, editores famosos, fashionistas e cantoras populares tomaram conta da entrada. Perceba o furor da imprensa e brinque de reconhecer as celebridades.
 

 

 


 
 
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

“O rádio não vai embora, vai para todos os lugares”

 

O caro e raro leitor deste blog é testemunha do esforço que faço para defender a tese de que a internet foi o oxigênio do rádio e nós jornalistas que atuamos no meio temos de estar sempre dispostos a experimentar as ferramentas que esta tecnologia inovadora nos oferece. Verdade que muitas vezes não me sinto recompensado por este exercício, a medida que o resultado que imagino alcançar ao me aproximar do cidadão quase sempre está aquém da minha expectativa. Talvez seja resultado dá má avaliação que faço do potencial de cada recurso ou da má utilização deste recurso. Mas vamos parar de choradeira se não até você, raríssimo companheiro, vai embora desta página sem nem mesmo chegar ao segundo parágrafo.

 

Nesta semana, fiquei muito satisfeito ao ler reportagem com o CEO da NPR, Gary Knell, publicada no site Nieman Journalism Lab, da Fundação Nieman de Harvard, na qual o entrevistado fala de como a National Public Radio ou rede pública de rádio dos Estados Unidos está se adaptando às novas tecnologias. Recentemente, a organização entregou seu departamento de jornalismo e de programação de rádio para Kinsey Wilson, chefe do setor de mídia digital da NPR. Esta foi a primeira grande mudança realizada por Gary Knell, que assumiu o cargo de CEO há três meses. Para o jornalista Andrew Phelps, que o entrevistou, “um sinal claro de que a NPR não é mais apenas uma rádio”.

 

Para o CEO da NPR a intenção é mostrar que não deve mais existir distinção entre as plataformas nas redações e com este trabalho alcançar o público mais jovem, além de diversificar racial, geográfica e politicamente a emissora. Um aspecto interessante na entrevista de Knell é quando chama atenção para o fato de mais da metade da audiência do rádio estar, atualmente, no carro: “os americanos estão vivendo em seus carros cada vez mais, às vezes imagino que vamos dormir e comer dentro dos nossos carros, devido ao trânsito” – isto me soa familiar, não !? Esta realidade tem levado fabricantes a investirem em carros conectados, com tecnologia digital que permita os motoristas a acessar todo tipo de informação que esteja na rede. “Se não estivermos nessas plataformas, estamos mortos”, disse Knell.

 

Sem mais detalhes, fica-se sabendo na entrevista que a NPR tem trabalhado com a Ford para explorar novos recursos a serem instalados nos automóveis e parte desta tecnologia estará abordo dos novos modelos que saem da fábrica. Com o rádio de carro na web, por exemplo, as emissoras ganham dimensão global, e o ouvinte pode acompanhar o noticiário de sua emissora preferia onde quer que esteja. Ao anunciar as mudanças no comando da NPR, Gary Knell brincou com as palavras em mensagem publicada no Twitter: “radio isn’t going away, it’s going everywhere” – algo como “o rádio não vai embora, vai para todos os lugares”.

 

Agora que terminou de ler este post no blog que escrevo na rádio CBN, ouça a nossa programação seja no computador, no telefone celular ou no tablet, esteja onde você estiver.

Avalanche Tricolor: Facundo Bertoglio, surpreendente

 

River Plate 2 x 3 Grêmio

 

Copa do Brasil – Aracaju (SE)

Vitória gremista em Aracaju

 

Desde cedo ouço comentários jocosos sobre a virada gremista na partida de estreia da Copa do Brasil. Uma extensão das brincadeiras que vem sendo feitas desde que a tabela da competição mais “democrática” do futebol brasileiro foi divulgada, pois este time acostumado a Libertadores, por ter seu sonho frustrado ano passado, ironicamente abriria a competição contra o homônimo do River Plate argentino. Hoje, ao chegar na rádio houve quem zombasse da nossa conquista já depois da hora, pois fomos surpreendidos com um 2 a 0 que não estava no cardápio e precisamos nos redobrar em campo para chegar ao 3 a 2 com dois gols nos minutos finais. Em uma quarta-feira na qual o futebol foi agraciado com espetáculos proporcionados por Messi e Neymar – contra quem mesmo? -, as dificuldades que tivemos no Sergipe não são de causar orgulho, mas foram importantes, pois demonstraram uma capacidade de superação que pode nos render frutos – ou títulos, em 2012.

 

Às piadas destes amigos, alguns da crônica esportiva, respondo com uma pergunta, quase um alerta: “Você já ouviu falar de Facundo Bertoglio?”. Nenhum daqueles com quem conversei soube me dizer quem era, em uma demonstração clara de que teremos muito a surpreender nossos adversários com este argentino de 21 anos em campo. O que ele havia feito na sua partida de estreia, no Campeonato Gaúcho, ganhou maior dimensão na noite de ontem, pois seu comportamento transformou o time do Grêmio e nos permitiu os dois gols finais. O drible no fundo do campo pelo lado esquerdo com um cruzamento inesperado de pé direito, revelou habilidade e inteligência. O chute forte no rebote dentro da área, oportunismo. Enquanto eles se divertem com bobagens, prevejo muitas alegrias com este craque da camisa 7, que não pesa, apenas reforça sua imagem e estilo de jogo.

SP: Metrópole mal-amada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Não bastasse o desejo de fuga da maioria dos seus habitantes, comprovado através de recente pesquisa, eis que um novo levantamento de opinião revela que mais de 60% dos moradores de São Paulo acreditam que José Serra irá abandonar novamente o cargo de Prefeito, se eleito. E, ainda assim o tucano lidera as intenções de voto.

 

Provavelmente é a expansão da síndrome de Estocolmo, já detectada na assimilação dos efeitos nefastos do trânsito congestionado quando há uma inexplicável inércia e, simplesmente, não há reação por parte da população paulistana.

 

As antigas manifestações do poeta Paulo Bonfim, as notas compostas por Caetano Veloso, as letras de Billy Blanco, as músicas de Adoniram e Rita Lee até as atuais manifestações de Gilberto Dimenstein, todas declarando de algum modo o bem querer pela maior cidade da América Latina, não foram suficientes para sensibilizar esta gente que aqui vive.

 

Tudo indica que a usam como Serra e Kassab fizeram. Serra abandonou a Prefeitura negando a própria palavra verbal e escrita. Deixou Kassab como herança, que conseguiu o feito de montar o quarto maior partido do país sem precisar de nenhum voto. Feito e tanto, pois, além disso, seu conceito é não ter conceito. Fato que acaba de ser provado ao desmanchar o noivado com o PT e cair nos braços de José Serra.

 

Muito se tem comparado São Paulo a New York, mas é bem provável que nem que Frank Sinatra cantasse a cidade ou Woody Allen a filmasse o amor apareceria.

 

Certamente a sina paulistana não vem da brasilidade. Provavelmente da falta de identidade e de má civilidade. Observemos que dentre os dez motivos mais citados para não morar em São Paulo, todos eles seriam administráveis através de boa cidadania:

 

1. Trânsito. 2. Pessoas mal-educadas. 3. Rios poluídos. 4. Pedintes, drogados. 5. Impostos elevados. 6. Fila para tudo. 7. Motoboys, buracos, obras. 8. Assaltos e violência. 9. Prioridades erradas do governo, como proibir bicicleta em parque, proibir feirante de gritar, proibir outdoor. 10. Poluição do ar.

 

E, lembremos-nos do recado de Billy Blanco em “Capital do Tempo”:

 

Paulista é quem vem e fica!

 


Plantando família e chão!

 


Fazendo a terra, mais rica!


 

Dinheiro e calo na mão!…

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketin de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Caminhoneiros e ciclistas na conquista do espaço urbano

 

Bicicleta na pista

 

A morte de cinco ciclistas na sexta-feira passada – em Brasília, Pará, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo – e o protesto frustrado dos motoristas de caminhão na capital paulista estão mais próximos do que se possa imaginar. Nos dois casos, há disputa pelo direito de usar o espaço público nas cidades, superlotadas desde que o homem deixou o campo e passou a ocupar de forma abusiva o ambiente urbano, onde vivem 80% da população brasileira, atualmente. Com ruas, avenidas e grandes vias engarrafadas, bicicletas dividem o asfalto com carros, motos, caminhões, ônibus e todo tipo de meio capaz de nos levar de um ponto a outro (em Porto Alegre, recentemente, ainda vi carroças puxadas a cavalo percorrendo corredores importantes de tráfego). Elo mais fraco desta rede de transporte, os ciclistas, ao lado de pedestres, são as maiores vítimas – as duas categorias juntas têm 584 mil mortes ou 46% de um total de 1,2 milhão de pessoas que perdem a vida em acidentes de trânsito, por ano, no Mundo, conforme relatório da Organização Mundial de Saúde.

 

A mesma política que privilegiou o transporte individual nas cidades, impediu investimentos sérios em ferrovias e fez com que a economia brasileira tivesse de ser carregada em caminhões que atravessam as regiões metropolitanas para chegar a seu destino, transtornando ainda mais o ambiente urbano. Sem opções seguras e com desvios que encarecem o transporte, os caminhoneiros insistem em cruzar as duas marginais de São Paulo, e a prefeitura tenta conter o impacto desses caminhões proibindo passagem na Pinheiros e restringindo horário para andar na Tietê. Não se avalia o que isso pode significar para a logística de empresas que funcionem ou precisem entregar suas mercadorias na capital nem o efeito dessa medidas na própria cidade. Pois se são retiradas carretas, para substituí-las contrata-se 20 vans ou 15 VUCs – estes caminhões menores -, segundo cálculo feito pelo presidente da Apemelt – Associação das Pequenas e Médias Empresas de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, Jorge Soares.

 

Os caminhoneiros reclamaram segunda-feira sem sucesso, hoje será a vez dos ciclistas pedalarem em algumas das principais cidades brasileiras, a partir das sete da noite. Na falta de espaço urbano, uns morrem e outros gritam. Enquanto estivermos vivos, melhor gritar. Ou pedalar.

Foto-ouvinte: Protesto contra Código Florestal

 

Código Florestal protesto na Ponte do Paraíso

Faixas foram estendidas nessa segunda-feira em três pontes paulistanas: a do Paraíso (foto), Sumaré e Cidade Universitária. Com a mensagem “No Dia das Mulheres, dê florestas. Deputados, não destruam o Código Florestal”, o movimento Brasil pelas Florestas associa a votação que deve ocorrer nesta semana, na Câmara dos Deputados, com a proximidade do 8 de março, dia internacional da Mulher.

Preservem os ciclistas

 

Ciclovia na Radial Leste

 

A morte de mais uma ciclista na avenida Paulista, sexta-feira, ocorreu no dia seguinte a reportagem publicada no Jornal Nacional a qual mostrava que a bicicleta ganhava espaço na cidade. Ao assisti-la na noite de quinta-feira, além da satisfação de ver meu incentivador Andre Pasqualini como personagem, pensei como esta poderia influenciar a visão das pessoas e, principalmente, atenuar o medo que meu pai sente sempre que tem notícias de que irei pedalar na cidade. Ele, por mais de uma vez, escreveu nos posts de quinta-feira aqui no Blog, às muitas restrições que tem ao uso da bicicleta em ruas tomadas por automóveis, e defendeu a ideia de que o comportamento dos motoristas e a diferença de forças entre os dois modos de locomoção são um risco a vida de quem pedala. Importante ressaltar que meu pai, aos 76 anos, gosta de dar suas pedaladas aos fins de semana e aproveita a proximidade para exercitar as pernas de casa até as margens da praia de Ipanema, no Rio Guaíba, na zona sul de Porto Alegre. Em seus textos já confessou, porém, que prefere usar as calçadas e faz questão de descer da bicicleta toda vez que precisa atravessar a rua até chegar a ciclofaixa disponível ao longo do rio. Ao ler as notícias que chegam de São Paulo, seu temor de que serei vítima de acidente vai se acentuar, não tenho dúvidas. Quase consigo ouvi-lo: “não te avisei ?”

 

O fato é que ciclistas morrem todas as semanas na cidade de São Paulo – um por semana, dizem as estatísticas oficiais. Quando esta se registra em avenida tão conhecida ganha caráter simbólico, provoca protestos, mensagens indignadas e pedidos de punição exemplar. Em Porto Alegre, não é diferente, foi lá que um tresloucado acelerou seu carro e atropelou vários ciclistas durante uma bicicletada. Lembra? Fez um ano há poucos dias. Precisamos, porém, perceber que além de ciclistas, morrem pedestres, também. E muitos. Assim como motociclistas e motoristas de carros – estes últimos em menor número. Nem por isso, defendemos o fim dos passeios a pé – apesar de que este parece ser o sonho de alguns governos de tanto que incentivam o uso do transporte motorizado individual.

 

Onde quero chegar com este texto, é mostrar a você que me acompanha no Blog que não adianta deixarmos as bicicletas em casa sob a alegação de que do jeito que as coisas estão é praticamente um suicídio encarar o trânsito pesado. Sei que esta é a primeira reação da maioria, eu mesmo pensei duas vezes antes de sair pedalando no fim de semana, em São Paulo. Meu temor havia aumentado. Mas isto é o que desejam aqueles que seguem acreditando que os carros são os donos das ruas. Nós precisamos é ocupar, cada vez mais, as cidades com bicicletas, pois enquanto pedalar for um fator surpresa no trânsito, muitas mortes vão ocorrer. Precisamos transformá-la em lugar comum, abrir espaço e tomar as vias públicas, ganhar o respeito dos demais que a utilizam a bordo de um automóvel, ônibus ou caminhão – e, também, respeitá-los, seguindo as regras de boa convivência e de trânsito. Ao menos assim, quando souber que fui andar de bicicleta, meu pai, em lugar de medo, terá orgulho. E eu, também, da cidade que escolhi viver.