Avalanche Tricolor: Sensações de sábado à noite

 

Grêmio 1 x 3 Ceará
Brasileiro – Olímpico Monumental

Douglas faz único gol do Grêmio, em foto do Grêmio.net

O sábado começou tarde, resultado da ressaca de uma sexta de muitos compromissos. Depois do Jornal e da reunião de pauta de ontem, segui para o Espírito Santo, onde me encontrei com a turma que participa do curso de residência em jornalismo, organizado pela Rede Gazeta, na qual também toca a CBN de Vitória. Jovens entusiasmados, dispostos a fazer melhor, mudar o que der e cheios de sonhos e criatividade. Foram três horas de conversa e a vontade deles era tanta que nem senti as costas doendo e as pernas cansadas. Desgastante mesmo é a rotina do aeroporto com saguão lotado de gente, pista cheia de aviões e estrutura rasa. Menos mal que no meu caminho havia funcionários a fim de fazer a coisa funcionar – nem sempre é assim. Quando retornei a São Paulo ainda havia um jantar japonês a minha espera que atrasou devido ao congestionamento no caminho. Fui dormir prá lá de meia noite, em um dia que havia se iniciado às quatro da manhã.

Hoje, a agenda era bem mais amena e a família estava em volta o tempo todo o que torna tudo mais agradável. Ver os filhos satisfeitos por estarem dentro de uma livraria sempre me dá esperança de que algo está mudando nesta geração. Um livro aqui, uma revista ali. Cada um faz a sua escolha de acordo com seu estilo e idade. Eu aproveitei e passei a mão na bibliografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson, pela qual estava tão curioso que em pouco tempo já havia lido às primeiras 13 páginas da introdução. Leitura obrigatória, também, quando o dia 20  se aproxima é a MacMais, revista editada pelo meu amigo Sérgio Miranda, que, não por coincidência, está com uma ótima caricatura de Jobs na capa. Sei que a redação deles é minimalista, por isso me admiro sempre que vejo como aquela gente entusiasmada consegue fazer um trabalho de qualidade. Entusiasmo, também, não faltou à minha mulher haja vista o catatau de revistas que colocou embaixo do braço, sem falar em mais um livro, desta vez do contador de histórias Marc Levy, “Tudo aquilo que nunca foi dito”. Feita a “feira” sentamos para almoçar em uma das melhores casas de carne da cidade, o Esplanada no Morumbi. Atendido por garços eficientes e experientes, a maioria dos quais conheceu minha família quando éramos apenas um casal, o resultado não podia ser outro: uma excelente refeição.

Voltamos para casa quase no fim da tarde com tempo para tomar um chocolate quente – faz frio em São Paulo – com um tipo de panetone que desconhecia, mas que era uma delícia. Nos foi apresentado por uma das grandes amigas que temos aqui na cidade e que compartilhou deste momento conosco. Com a vontade que a turma encarou o “café da tarde” nem parecia que tínhamos saído há apenas algumas horas de um restaurante. Bota desejo nisso.

Chegava a hora, então, de sentar diante da televisão e assistir ao Grêmio jogar. Deste, porém, tenho pouco a escrever. O entusiasmo, a vontade, a satisfação, o desejo, o interesse e a eficiência das pessoas que estiveram em minha volta desde ontem faltaram àqueles jogadores que tiveram o atrevimento de vestir a camisa tricolor, na noite de sábado. Aliás, faltou a eles, também, vergonha na cara.

Mundo Corporativo: Desafio a novos talentos, na AMBEV

 

“Adoramos dar osso grande para cachorro pequeno”. A frase do diretor de Relações Corporativas e Comunicação da AMBEV Milton Seligman descreve o quanto a empresa gosta de desafiar seus novos talentos e oferecer as melhores oportunidades. E este foi um dos assuntos da entrevista que o executivo concedeu ao Mundo Corporativo, no espaço CBN YOUNG PROFESSIONALS, onde recebemos vários convidados e foram realizadas palestras, durante a HSM EXPOMANAGEMENT, em São Paulo. Falamos desde a carência do sistema educacional que impede o desenvolvimento de muitos profissionais quando chegam ao mercado de trabalho até a construção da carreira de jovens que participam da concorrida seleção de trainees promovida pela empresa. A ética das corporações foi outro assunto que ganhou destaque no bate-papo.

Ouça aqui a entrevista com Milton Seligman, da AMBEV, no Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail milton@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Cidade limpa: campanha para acabar com saco plástico

 

Em duas semanas, a cidade de São Paulo começará mobilização para acabar com um costume bastante antigo e prejudicial ao meio ambiente: o uso de sacolas plásticas, estas que costumam decorar os aterros sanitários, córregos e rios e levam até 100 anos para se decompor. A Associação Paulista dos Supermercados – APAS iniciou conversa com o prefeito Gilberto Kassab DEM para que seja lançada campanha semelhante a realizada na cidade de Jundiai, interior paulista, onde, em um ano, se conseguiu reduzir em até 95% a distribuição dessas sacolinhas, mesmo sem haver uma lei proibindo o comércio de usá-las.

Na capital, a lei que obriga a extinção da sacola plástica no mercado deveria entrar em vigor em 1º de janeiro, mas foi suspensa em caráter liminar a pedido do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo. Como até agora a prefeitura, que teria este direito, não recorreu da decisão da Justiça, não parece interessada em levá-la à frente. Em contrapartida, aceitou a proposta dos supermercadistas de convidar o consumidor a colaborar com o meio ambiente dando preferência às sacolas retornáveis. Parece acreditar mais na conscientização do que na proibição pura e simples que atrapalharia alguns setores do comércio. Sem contar que é dos supermercados que saem em torno de 90% das sacolas.

O dia marcado para as sacolinhas desaparecerem dos cerca de 1.200 supermercados paulistanos é bastante significativo, 25 de janeiro, aniversário da cidade. A campanha “Vamos tirar o Planeta do sufoco” da prefeitura e da APAS tem um mês e meio para convencer o paulistano a abandonar prática comum, ainda hoje, quando cada morador, em média, usa 67 sacolas descartáveis por mês nas compras. Sabe o que isso significa: 664 milhões de sacolas por mês ou oito bilhões de sacolas por ano – algo como 30 mil toneladas de plástico.

Leia a reportagem completa no Blog Adote SP, na revista Época SP

Clubes fingem ser ricos e jogadores, craques

 

Por Milton Ferretti Jung

Hoje vou entrar em uma área que, se não me engano, ainda não tinha sido objeto destas bem traçadas linhas: futebol. Afinal, não poderia usar a velha “mal traçadas linhas”, comum nas cartas de antanho, principalmente nas enviadas por pessoas apaixonadas, porque o computador colocou esta expressão em desuso. Creio que, mesmo nas missivas manuscritas, ela saiu de moda. Já quanto à qualidade do texto, deixo o julgamento para os leitores, se é que os possua. Aviso ao responsável por este blog, meu filho, que não pretendo concorrer com a Avalanche Tricolor, postada por ele após cada jogo do Grêmio. Tenho certeza de que, ultimamente, o Mílton faz das tripas coração para não dizer o que pensa não apenas do nosso time, mas da sua direção.

Talvez no ano que vem a Avalanche Tricolor volte a tratar de vitórias, caso o Grêmio confirme, por exemplo, a contratação de Kleber. Estou escrevendo na terça-feira, 15 de novembro. Não sei, por isso, se este será gremista em 2012. Seja lá como for, a proposta gremista a este centroavante é do nível das que os grandes clubes europeus costumam fazer, algo inimaginável por aqui não faz muito. Quem seria capaz de acreditar que um clube, até agora obrigado a vender suas revelações para a Europa, teria condições de pagar a um atacante 500 mil reais por mês e 5 milhões em luvas? De onde sai todo este dinheiro? Não consigo entender como alguns clubes que não possuem patrocinadores com cacife para ajudá-los na composição de altíssimos salários tanto para jogadores quanto para técnicos e estas novas espécies de dirigentes remunerados, obtém as verbas necessárias para cobrir as suas extraordinárias despesas, sem ir à bancarrota.

Tostão, um dos nossos craques do passado, cujas opiniões são sempre preciosas e bem-vindas, escreveu, na sua coluna na Folha de São Paulo, o que faço questão de reproduzir: “Parece até que o Brasil é campeão do mundo, que tem vários jogadores entre os melhores do planeta e que o Brasileirão está repleto de craques. Confundem bom jogador com craque. A fortuna oferecida ao Kleber, apenas um bom jogador, além de encrenqueiro, representa bem essa distorção. Os clubes fingem que são ricos e os bons jogadores, com a aprovação de parte da imprensa, fingem que são craques”. Eu, data venia do Tostão, me atrevo a acrescentar que, até para se fingirem de ricos, certos clubes gastam o que não possuem.

Avalanche Tricolor: É por isso que ainda torço

 

Fluminente 5 x 4 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

Você chega em casa, ajeita as coisas, checa os e-mails, nota que está tudo resolvido para o dia seguinte e liga a TV. Sabe que o jogo logo vai rolar na tela e, pelo horário, vai conseguir ver até o fim. Não espera nada muito diferente do que já aconteceu até aqui. O time é o mesmo. Mudam uns nomes e outros, mas é o mesmo de uma temporada em que alguns riscos de emoção abriram nossa esperança, insuficientes para o voo que sonhávamos alçar. Antes da partida começar confere a tabela de classificação, soma três pontos na imaginação e vê que, mesmo assim, não se vai muito longe. Se fizer um ou nenhum, acabará da mesma forma. Não é desânimo, é despretensão.

Basta a bola começar a rolar e as sensações mudam completamente. O chute no gol faz você vibrar, o erro, reclamar. O juiz ladrão causa irritação, raiva até mesmo. A sucessão de gols a favor e contra emociona. Você tem vontade de chorar pela injustiça, quer entrar em campo fazer o seu gol, brigar com o juiz, tomar cartão vermelho porque lutou pelo que ama. E ao fim de noventa e tantos minutos de uma partida incrível, você descobre que sempre há algum motivo para estar ali diante da televisão, se dá conta de que é por isso que vale muito a pena torcer pelo Grêmio.

N.B: Que se dane esse juiz, nunca terá o direito à nossa emoção

O futebol é nosso!

 

Por Carlos Magno Gibrail

Tudo indica que definitivamente o Brasil será o centro mundial do futebol, assim como a França é da perfumaria, a Itália da moda masculina, a Suíça dos relógios, os Estados Unidos do varejo, etc. É uma posição gerada pelo mesmo fator que estabeleceu as hegemonias citadas, ou seja, o poder econômico. E explicada pela tendência de crescimento financeiro exponencial que os principais clubes nacionais têm apresentado.

Nada a ver com a qualificação dos dirigentes de clubes ou de federações. Simplesmente pela pujança do mercado consumidor, estimado hoje em 100 milhões de pessoas e desejado pelas empresas solidamente operadas que oferecem produtos e serviços aos brasileiros emergentes.

Marcos Motta, da RBMF advogados, empresa com expertise na exportação e importação de jogadores no mercado internacional, entrevistado por David Gold apresentou estudo que foi exposto no 13th International Football Arena (IFA), demonstrando que nos últimos oito anos aumentaram em 300% as receitas dos clubes brasileiros (leia reportagem completa aqui). Foram R$ 2,5 bilhões no ano passado, significativo pela evolução e também pela concentração, o que aponta para uma elite que estará em breve competindo com os grandes europeus. Entre 2008 e 2010 o Corinthians expandiu 144%, o São Paulo 83% e o Flamengo 59%. O Corinthians tem hoje a maior receita anual, R$ 227 milhões, o Internacional R$ 215 milhões, o São Paulo R$ 210 milhões. E, o Santos vem aí provavelmente com o maior crescimento de 2011.

São números , segundo Jamil Chade enviado especial do Estado ao IFA em matéria de domingo, que comparados ao R$ 1 bilhão do Real Madrid, ou aos R$ 800 milhões do Manchester United, ainda distam. Entretanto, enquanto o Campeonato Brasileiro se agiganta e afunila em termos de patrocínio pela TV, graças à negociação individual dos grandes, o Corinthians com patrocinadores exclusivamente nacionais, sem considerar Lula, tem a camisa mais patrocinada do mundo.

Marcos Motta, flamenguista, ressalta que apenas 23 jogadores saíram enquanto que em 2008 foram 65. E, mais de 120 foram repatriados.

Neymar, Ganso, Leandro Damião e Lucas em outros tempos já estariam no exterior. Feito significativo para valorizar o Brasileirão, acrescido do retorno de Ronaldinho, Fred, Elano, Deco, Luis Fabiano, Adriano. Na esteira do sucesso anterior de Ronaldo e Roberto Carlos para o marketing do futebol.

Na advertência de Jamil para a dívida de mais de R$ 300 milhões de cada um dos cariocas Botafogo, Fluminense e Flamengo. Na preocupação de Motta com o calendário para facilitar e qualificar a presença dos grandes nacionais em torneios com o exterior. São alertas cujas soluções melhorarão esta evolução.

Contudo, é fácil concordar com David Gold: “O futuro parece brilhante e muito amarelo e azul para o país de maior sucesso internacional no mundo do futebol”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung




Conte Sua História de SP: O manequim do Mappin

 

Alex Periscinoto nasceu em 1925 na cidade de São Paulo e, após passar por vários empregos e funções, se tornou publicitário. Um dos lugares onde trabalhou foi a antiga loja de departamentos – famosa na capital paulista – Mappin. Foi nessa fase de sua carreira que ele viveu a história que contou ao Museu da Pessoa, em 1994, e se transformou em mais um capítulo do Conte Sua História de São Paulo, na CBN:


Ouça esta história que foi ao ar no CBN SP, sonirada pelo Cláudio Antônio

Eu já era casado e tinha um cunhado – tinha muitos cunhados, se você precisar de cunhados fala comigo. E cunhado, você sabe: acho que Deus inventou cunhado para jogar buraco, porque todos os cunhados se reúnem para jogar buraco. Ele era um deles. Era muito linguarudo e via publicidade na televisão, via a Sandra Bréa e cutucava a minha esposa. Ele achava que, como eu trabalhava em publicidade, tinha chance de sair com a Sandra Bréa. Vê se a Sandra Bréa ou qualquer atriz ia dar confiança. Não tinha relação nenhuma, mas ele era diabólico. 



Eis que um dia eu estou no Mappin trabalhando e estava chovendo. Chuva miúda e inclinada. Eu tinha um Coupê Mercuri 48. Todo mundo, na época, tinha carro usado, não podia comprar carro novo. Meu carro era velho. O vidro oposto ao motorista virava a manivela, mas não subia, estava quebrado. E eu não tinha dinheiro para consertar, ficava assim mesmo. Nesse dia, eu saio do Mappin e a Sônia, uma funcionária, irmã de um diretor do Mappin: 



– Alex, você vai lá para a Vila Clementino?


– Vou.


- Você me leva?


- Claro, vamos, está chovendo…



Então, eu subo a rua Augusta e paro no sinal. Chovendo. Eu ouço:



- Fiu, fiu!



Quando eu olho, a Sônia falou:



- É com você!



Era meu cunhado, que sempre inventou histórias. Eu transpirei: “mas, meu Deus do céu, todos menos esse”. Eu olhava e ele fazia um gesto, com a Gazeta Esportiva feito telhado na cabeça, como quem diz: “Abre aí que eu pulo, abre a porta”. E a Sônia:



- Abre, porque senão ele vai fazer todos os gestos possíveis – ela meio tonta, já limpando a chuva onde ele ia sentar.



Falei:



- Não, não, esse não!



Abriu o sinal e eu fui embora, deixei ele lá. Você imagina a situação que eu criei. Deixei a Sônia e ela falou:



- Alex, mas você está preocupadíssimo, vou lá falar com a tua mulher, eu conheço tua mulher, você estava me levando pra casa!


- É, Sônia, isso aí é uma outra história.



Eu deixei a Sônia, peguei o carro e voltei para o Mappin. Cheguei lá e falei para o Zé Paródia – ele era o meu subordinado na área de vitrine: 



– Zé, coloca um desses manequins de gesso, vestido, no assento da frente do meu carro.


Sabe esses manequins que ficam na vitrine com dedos tortos, de gesso, peruca de naylon? Ele pôs um bicho de gesso e eu fui segurando para casa. Caía aquilo, e eu segurando até chegar em casa. Mais tarde, eu falei pra minha mulher: 



– Olha, eu demorei porque eu tenho que comprar um manequim lá para o Mappin, umas duas dúzias de manequim e tem um mostruário aí. Ela, pela janela da cozinha, olhou e falou: 



– Bonitinho, né? Eu acho bom você tirar isso daí senão vão dizer que você ‘tá’ andando com mulher no automóvel…

Eu falei:
– Boa ideia. 



Ela me ajudou a desatarraxar e botamos tudo atrás do carro. Jantamos, e eu falei:



- Vamos jogar buraco lá na casa do Sabião?


- Vamos. 



Nem deu outra, ela entrou na minha frente, estava um passo na minha frente, quando eu vi…



– O Alex…

Louco, ele contou tudo, com todos os detalhes, entregou mesmo. Ele acabou de falar, a minha mulher nem sequer olhou para ele. Olhou para a irmã, que nós somos casados com duas irmãs, e falou assim:



- Você fala pro seu marido tomar cuidado, porque ele é muito linguarudo. Era um manequim, eu ajudei a tirar do carro… Ele fica inventando essas histórias do Alex… Agora eu tive provas que ele inventa.

Ele olhava para mim e dizia assim:



- Como é o negócio?



Nós jogamos buraco naquela noite, ele dava a carta para mim assim: “O manequim”.

Passados dois anos, eu estava pescando no barco dele, no clube Samambaia, no Guarujá. Eram dez horas da noite, estava sentado no barco, pescando sossegado, ele meteu o pé nas minhas costas e me jogou na água. E eu só ouvi: 

- Manequim, é?



Ficou atravessado dois anos aquele negócio. Foi engraçado. Quando eu levei a história para os meus colegas do Mappin, que conheciam a Sônia, o caso ficou famoso.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP. Você pode contar a sua história, também. Ou procura o Museu da Pessoa e grava em áudio e vídeo, ou manda por escrito para mim no milton@cbn.com.br.

É feriado, tem marcha contra à corrupção

 

Feriado nacional é dia para protestar. Tem sido assim desde o Sete de Setembro quando assistimos à primeira manifestação contra a corrupção organizada pelas redes sociais. E assim será ao comemoramos a Proclamação da República, nesta terça-feira. A convocação ocorre em ao menos 35 cidades de 15 estados, sendo que em São Paulo o encontro se dará no vão livre do Masp, na avenida Paulista, às 14h. Um dos grupos que chamam os paulistas para o protesto sugere o uso da cor preta e faixas com as seguintes palavras de ordem:

Ficha limpa, Já !

Abaixo a Impunidade

No Congresso, só voto aberto

Não ao foro privilegiado

CNJ sem amarras

Por falar em política e a reforma necessária, soube pelo Thiago Ermano, do Movimento #Euvotodistrital que o relatório do deputado Henrique Fontana (PT-RS), da Comissão da Reforma Política, que deveria ser votado semana passada seguirá aguardando decisão dos parlamentares. Há previsão de voto para logo após o feriado, no dia 16, o que duvido muito pois a maioria dos deputados vai permanecer em suas cidades em lugar de debater os assuntos, em Brasília.

Não se vota a reforma política nem os projetos de combate à corrupção, no Congresso Nacional. Parece que vão esperar as manifestações engrossarem nas ruas brasileiras para, então, reagirem.

Vaga ‘solta’ causa confusão na Ciclofaixa

 

Ciclofaixa de Moema

Enfurecido, o homem de cabelo e barba brancos vociferava em direção ao fiscal da CET. Primeiro, com os braços abanando pela janela do carro, para, em seguida, sem perder a maestria dos gestos violentos, se postar ao lado de um Marronzinho que parecia intimidado. A voz continuava alta, pois a ideia era mesmo chamar atenção dos poucos que passavam em volta para o sistema de estacionamento implantado ao lado da Ciclofaixa, nas avenidas Pavão e Rouxinol, em Moema, zona sul de São Paulo. Para se livrar do reclamante ou por também estar convencido do erro da CET, o fiscal repetia, constrangido: “Eu sei, eu sei”.

Assisti ao espetáculo, nesse sábado, quando fui (de carro) até Moema apenas para ver como havia ficado a ciclofaixa, pois até então havia me baseado nas informações passadas por diferentes fontes. A ausência de ciclistas no trajeto foi uma das coisas que me incomodaram, talvez justificada por estarmos em meio a um feriado. Verdade que a ciclofaixa de lazer que funciona aos domingos e feriados também começou com baixa adesão para chegar aos milhares de ciclistas.

Fica evidente que boa parte das lojas no trajeto não sofrerá prejuízo pela redução de vagas de estacionamento. A maioria ou tem calçada rebaixada e frente recuada, permitindo que os clientes estacionem diante do comércio, ou tem manobrista. Não identifiquei nenhuma das tais lojas que fecharam, conforme denunciam os moradores e comerciantes que estão descontentes com a ciclofaixa.

O mais grave são as vagas ao lado da ciclofaixa criadas para amenizar o impacto provocado pela proibição de estacionar em boa parte do trajeto. Os carros parecem ficar soltos no meio da rua e, como a sinalização não é clara, o motorista que vem dirigindo seu automóvel na faixa de rolamento de repente se depara com um outro parado a sua frente, sem se dar conta de que está estacionado e não aguardando o trânsito andar. O risco de acidente aumenta. E potencializa as reclamações como a do senhor que tentava ganhar a briga no grito.

Não fiquei até o fim do bate-boca, pois tinha coisa mais interessante para fazer em um sábado à tarde. Erros na implantação, porém, precisam ser consertados rapidamente pela CET sob o risco de reforçar o coro dos indignados com a ciclofaixa, a não ser que o objetivo seja o de provar que a ciclofaixa não dará certo em São Paulo – no que não acredito.

Avalanche Tricolor: Imagem distorcida na TV

 

Grêmio 2 x 2 Palmeiras
Brasileiro – Olímpico Monumental

Fernando comemora gol em foto do Portal Grêmio.net

Houve tempos – já falei sobre isso em Avalanches anteriores – em que acompanhar o Grêmio, morando em São Paulo, exigia um esforço descomunal. A internet engatinhava, era discada e não oferecia resultados segundo a segundo como fazem os principais sites atualmente. A televisão dedicava sua programação aos jogos de clubes que interessavam diretamente aos paulistas e o sistema pagar-pra-ver não existia ainda. O rádio era a alternativa, mesmo assim em condições precárias, pois as emissoras paulistanas não tinham motivo para falar da partida disputada lá no Sul e as gaúchas eram sintonizadas sob os protestos de estática e chiados. O único que ainda oferecia um resquício das transmissões dos narradores conterrâneos era o do carro, mas para entender o recado precisava rodar distante do centro evitando a interferências das antenas de transmissão.

Hoje, a internet avança no ritmo das centenas de megabits, os sites se atrevem a anunciar a narração digital dos jogos e uma busca rápida lhe coloca diante de transmissões piratas das partidas, onde você estiver. Minhas emissoras preferidas posso ouvi-las apenas clicando em um aplicativo na tela do celular que ganhou “status” de rádio. E o cardápio no PPV é completo, me permitindo assistir à toda e qualquer partida gremista. Mesmo assim, ainda são raras as oportunidades de ver o Grêmio na televisão aberta, o que aconteceu neste domingo com a cobertura da TV Globo. Isto me permitiu alterar do canal 18 para o 125 – minha assinatura é da NET – nos mais de 90 minutos jogados e perceber algumas diferenças como a qualidade superior de imagem e som na Globo, onde podemos ouvir com muito mais clareza o que dizem os jogadores e técnicos em campo – entre um palavrão e outro, às vezes, aparecem alguns diálogos e comandos. Curioso, pois a captação, aparentemente, é a mesma. Em ambos os canais, as características dos narradores e comentaristas se assemelham – e peço licença para não registrar aqui minha opinião – com a vantagem de que na Globo tem Renato Marsiglia falando de erros e acertos do juiz.

Falo de TV e transmissões nesta Avalanche porque de futebol tenho muito pouco a dizer. Por mais que eu trocasse de canal, e se tivesse buscado a navegação na internet ou a sintonia de uma rádio qualquer não seria diferente, a qualidade do jogo jogado foi precária. Menos mal – que isso não seja visto como pouca coisa – que a mística do Imortal voltou em lances protagonizados por dois jovens: nos dribles de Leandro e no chute arrebatador de Fernando. No mais, nossa imagem está distorcida.

N.B: E por falar em transmissões, ouça a narração dos gols de Grêmio e Palmeiras, na voz de meu colega de CBN Paulo Massini

OS GOLS DE GRÊMIO 2X2 PALMEIRAS AO SOM DE RENATO BORGHETTI – PAULO MASSINI by futebolcbn