Vaga ‘solta’ causa confusão na Ciclofaixa

 

Ciclofaixa de Moema

Enfurecido, o homem de cabelo e barba brancos vociferava em direção ao fiscal da CET. Primeiro, com os braços abanando pela janela do carro, para, em seguida, sem perder a maestria dos gestos violentos, se postar ao lado de um Marronzinho que parecia intimidado. A voz continuava alta, pois a ideia era mesmo chamar atenção dos poucos que passavam em volta para o sistema de estacionamento implantado ao lado da Ciclofaixa, nas avenidas Pavão e Rouxinol, em Moema, zona sul de São Paulo. Para se livrar do reclamante ou por também estar convencido do erro da CET, o fiscal repetia, constrangido: “Eu sei, eu sei”.

Assisti ao espetáculo, nesse sábado, quando fui (de carro) até Moema apenas para ver como havia ficado a ciclofaixa, pois até então havia me baseado nas informações passadas por diferentes fontes. A ausência de ciclistas no trajeto foi uma das coisas que me incomodaram, talvez justificada por estarmos em meio a um feriado. Verdade que a ciclofaixa de lazer que funciona aos domingos e feriados também começou com baixa adesão para chegar aos milhares de ciclistas.

Fica evidente que boa parte das lojas no trajeto não sofrerá prejuízo pela redução de vagas de estacionamento. A maioria ou tem calçada rebaixada e frente recuada, permitindo que os clientes estacionem diante do comércio, ou tem manobrista. Não identifiquei nenhuma das tais lojas que fecharam, conforme denunciam os moradores e comerciantes que estão descontentes com a ciclofaixa.

O mais grave são as vagas ao lado da ciclofaixa criadas para amenizar o impacto provocado pela proibição de estacionar em boa parte do trajeto. Os carros parecem ficar soltos no meio da rua e, como a sinalização não é clara, o motorista que vem dirigindo seu automóvel na faixa de rolamento de repente se depara com um outro parado a sua frente, sem se dar conta de que está estacionado e não aguardando o trânsito andar. O risco de acidente aumenta. E potencializa as reclamações como a do senhor que tentava ganhar a briga no grito.

Não fiquei até o fim do bate-boca, pois tinha coisa mais interessante para fazer em um sábado à tarde. Erros na implantação, porém, precisam ser consertados rapidamente pela CET sob o risco de reforçar o coro dos indignados com a ciclofaixa, a não ser que o objetivo seja o de provar que a ciclofaixa não dará certo em São Paulo – no que não acredito.

5 comentários sobre “Vaga ‘solta’ causa confusão na Ciclofaixa

  1. Milton, quanto ao nao uso, acho que o dia que voce escolheu foi infeliz. Faco diariamente este trajeto de bicicleta ate meu trabalho, e gostei bastante da iniciativa da ciclo faixa permanente. Inclusive sempre encontro ciclistas no trajeto.
    E acredito que com o tempo, mais pessoas vao aderir ao modal, se houver estimulo suficiente.
    Mas ainda acho que vou tomar uma portada um dia desses, pois realmente é confuso esta coisa de parar ao lado da ciclofaixa e ter de descer pela outra porta. Isso nao vai funcionar, ate mesmo porque teria que haver multa ou algo do tipo por descer pela porta “errada”, e isso nao existe.
    Na verdade, diria que estas vagas nem deveriam existir por ali.
    Obs 1: tambem tenho carro, mas trabalho de bicicleta para colaborar com a diminuicao do transito da nossa cidade.
    Obs 2: os carros da regiao podem muito bem eatacionar em ruas vizinhas
    Obs 3: os estabelecimentos comerciais podem ter servico de valet, inclusive compartilhado, para resolver o problema da vaga na porta.
    Obs 4: a rua é publica, e nao estacionamento particular de comercio. A briga é infundada

  2. Bom Dia Milton e aos colegas Blogueiros,

    Milton, o dia que esse prefeito/govenador respeitar a população de SP, levar em conta as suas opiniões e governarem a cidade/estado para o bem da população e não deles, quem sabe SP tem jeito.
    Por que com esses caras, a tendencia é dai para pior. E o que vai aparecer, é o que já sabemos: aumento da criminalidade, piora na educação, saude caindo pelas tabelas, a Alesp assinando as patifarias enviada pelo governador, os deputados que fazem parte do governo vendendo as EPS, a população ficando cada dia mais segregada e os menos favorecidos cada dia mais ferrados.

    Bom Dia,

    JS.

  3. Duas questões. Realmente é dificil falar que há poucos ciclistas, ainda mais se compararmos com os carros. Pois jamais veremos congestionamento de ciclistas na faixa, até porque bike raramente congestiona. Mas a CET está fazendo a contagem de ciclistas e quando divulgarem teremos algo interessante. Claro que ficará evidente que os carros são maioria (por isso que apenas 10% do espaço da via é para as bicicletas) mas se compararem a eficiência no deslocamento e no aproveitamento do espaço, a bicicleta ganhará de longe.

    Agora sobre esses caras que ficam extremamente bravos com agentes da CET. Incrível, já ví várias pessoas se tornarem verdadeiros Minotauros quando são multados por um agente da CET. Mas NUNCA vi alguém perder a compostura quando a mesma multa é aplicada por um Policial Militar. A pergunta que fica, se quem aplicasse a multa fosse um PM ao invés da CET, será que você presenciaria essa cena ridícula?

    Eu duvido.

    André Pasqualini

    • André,

      Quem tem, tem medo ! diz o ditado com mais uma palavra que não reproduzo aqui em respeito aos nossos leitores.

      É importante lembrar que a Ciclofaixa de Lazer também começou com baixa adesão e, atualmente, está ocupada pelos ciclistas e família. Longe de mim torcer por engarrafamento de bicicleta lá em Moema, minha preocupação – e tenho repetido isso com frequência – é o fato de que este cenário pode reforçar o discurso de quem é contra a ciclofaixa. Quanto mais cedo ocuparmos aquela via, menor serão os argumentos.

  4. Uma questão ainda não resolvida e que os usos e costumes adotaram é o uso do bem privado (automóvel) ocupando o espaço público quando em não movimento. Isso jamais deveria existir e já passou da hora de extinguirmos esta prática. Portanto não deveria ter estacionamento ali nem em rua nenhuma. Apenas gostaria de esclarecer que tal estacionamento foi mal implantado. A estrutura funciona em outros países, mas, para que funcione corretamente, devem ser respeitados todos os quesitos necessários. Erros: falta sinalização; a área de embarque e desembarque deveria estar do lado esquerdo e dotada de calçamento elevado separando o estacionamento da ciclovia e, desta forma, também fornecendo proteção ao ciclista que não levaria “portada” e ao motorista que desembarcaria em área segura

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